O Segredo
1 Não deveria chorar
Casuar acordou pela madrugada assustada e com medo, teve mais um de seus muitos pesadelos. Como de costume seu pai ,um homem de meia idade com cabelos e barba grisalha, estava ao seu lado para acalmá-la .
– Calma filha, está tudo bem, foi apenas um sonho- Sussurrou o senhor tentando tranquilizar a garota.
– Pai,eu os vi, estava lá,eles vão matar todos nós — Falava desesperadamente a menina.
–Você está comigo aqui, como pode está lá ?Foi apenas um sonho Casuar – O senhor falava ainda com seu tom de voz tranquilizador .
A menina viu que seu pai estava certo e concordou que foi apenas um sonho ruim, ela já tivera tantos que agora os sonhos estavam ficando cada noite mais reais, o que antes só podia ver flashes e escuridão, agora já pode visualizar rostos e identificar vozes. Seu pai à acariciou até que voltasse a dormi, o que demorou um pouco. Enquanto tentava não pensar no sonho,seu pai lembrava de sua mãe e como ele não conseguiu salva-la das mãos da capital e de como ele e Casuar lutaram para conseguir chegar ao distrito 8, de quantas pessoas inocentes ele teve que matar para conseguir manter a sua garotinha viva e o que teve que fazer para conseguir o cargo de Chefe dos pacificadores no distrito 8.
Logo Casuar conseguiu voltar a dormi,e seu pai foi tentar fazer o mesmo, pois na manhã seguinte ele teria que ir exercer ao seu posto mais cedo, para da continuidade aos procedimentos da colheita .Não demorou muito e logo ele pegou no sono.
Na manhã da colheita, o dia não era uns dos mais bonitos, o céu assumiu um cor acinzentada e quase não se via nuvens. Casuar passou o restante da noite bem,não sonhara novamente. Ela acordou com alguns dos poucos raios de Sol que tinha no céu e entrava entre o feixes de sua janela, logo que despertou viu o bilhete que seu pai deixará em cima da mesinha ao lado da cama.
Filha, o vestido está em cima da mesa, não tenha medo e que a sorte esteja sempre ao seu favor, papai te ama.
Casuar, levantou da cama mas sua vontade mesmo era ficar ali até a tarde terminar, infelizmente era dia de colheita e ela teria que ver uma menina e um menino de seu distrito ser levado para a capital e logo suas famílias se afogando em um mar lagrimas e dor, se lembraria da edição anterior dos jogos quando seu melhor amigo foi escolhido como tributo e teve uma morte bastante sangrenta e dolorosa. Desde o dia em que ele morreu ela nunca mais foi a mesma, sempre andando triste e quase nunca saia de casa para ir para escola. As horas foram se passando e Casuar foi se preparando para a colheita, vestiu um vestido amarelo claro, que chegava parecer branco. Ela se olhou no espelho e o que vira não a agradava, uma garota de 16 anos , com cabelos amarelos feitos margaridas, olhos azuis e profundos como o oceano e a pele branca como a areia da praia. Casuar não gostava como o rumo das coisas estavam indo, por fora ela poderia até parecer bem, tirando os seus olhos inchados por chorar todas as noites antes de dormi.
O som que vinha de fora anunciava que era hora de se concentrar em frente ao edifício da justiça, onde eles montam um palco e colocam grandes telas para dar inicio a colheita, ela foi andando a caminho da praça, quando ouviu algo:
– Casuar,Casuar!- Um voz grossa e firme soava atrás da garota.
Ela se virou e reconheceu o rapaz com os cabelos pretos, sua cor de pele era como se estivesse acabado de se bronzear e seu corpo extremamente forte.
– Espere, eu te acompanho até a praça- Falou o rapaz.
Casuar o esperou.
– Oi Mensies, como está indo as coisas?-Então disse já falhando.
– Estão indo bem e com você?- Falou, olhando diretamente nos seus olhos.
O garoto mexia com os sentimentos de Casuar,quando seu melhor amigo Fred morreu nos jogos,Mensies estava todo o tempo ao lado dela, tentando animá-la, e incentiva-la a ir para escola, claro que tinha dias que nem mesmo o incentivo de Mensies era o suficiente.
– Estou bem – Sua voz meio tristonha.
– Não se preocupe seu nome não irá sair, só o colocaram poucas vezes – Ele tentou parecer confiante.
– Não estou preocupada com isso – retrucou a menina.
– Tudo bem, só queria dizer que. .
–Eu sei o que você queria dizer – interrompeu-a
O garoto, parou a alguns paços da praça em frente a Casuar , colocou suas mãos grandes na face delicada e avermelhada da menina, e a beijou,. O beijo não demorou muito, mas foi o suficiente, para que ela não pensasse em mais nada . Ele olhou dentro dos olhos seus olhos e falou baixinho :
–Essa pode ser a última vez que eu possa te ver — E saiu em direção a praça.
Casuar ficou confusa, com a certeza que ele quis dizer "essa pode ser a última vez?’’com o coração ainda disparado foi em direção a fila para o inicio da colheita, avistou seu pai em frente ao edifício da justiça no comando dos pacificadores, ele há viu e sorriu,ela sorriu de volta. Dado o início a cerimonia o prefeito falou algumas coisas a respeito de como os jogos deveriam ser recebido no distrito 8,de como foi um ato de misericórdia da capital não ter destruído todos os outros distritos. Enfim o hino da capital começou a tocar e logo em seguida o filme falando sobre os tempo escuros e a aniquilação do distrito 13 iniciou . Uma mulher com uma peruca roxa, vestido preto e branco,com o tom de pele mais escuro que o de Mensies, falava com um sotaque da capital:
–Daremos o início a escolha dos tributos, primeiro as damas.
A mulher remexeu seus dedos em meios aos papeis cada um com o nome de cada menina entre 12 e 18 anos do distrito 8, e então pegou um papel.
– A garota que irá representar o distrito 8 na 74° edição dos Jogos Vorazes é Casuar Parker .
Casuar ficou parada em meio as outras garotas do distrito, de longe dava para ver a reação do seu pai, o Sr.Parker perdeu o controle das suas pernas e desabou de joelhos no chão. A menina estava assustada e com medo, era como se estivesse em um de seus pesadelos só que esse ela ainda não conseguiu acorda.
– Venha garota, suba aqui- Disse a mulher com a peruca roxa da Capital
A garota estava tentando se conter e não chorar, queria conseguir mostrar para os outros que ela era forte e que venceria os jogos. Antes de perceber algo avermelhado saio dos teus olhos e pingou no seu longo vestido amarelado , todos ficaram espantado , mas Casuar só veio perceber o que estava acontecendo quando ela já estava em cima do palco, quando enxugou seus olhos e viu suas mãos meladas de sangue.
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