Notas iniciais
Deixem reviews! :D Autora agradece...

– Estão tentando nos separar. – Repetiu Annabeth. – Somos os sete meio-sangues da profecia, e juntos somos fortes. Caso formos enfrentados separadamente... Podemos resistir por um bom tempo, mas, um a um, vamos cair.

– Isso não é nada animador – Jason resmungou.

– Esperem. – Leo levantou as mãos. – O que ele quis dizer com “sua hora vai chegar”? E por que ele me chamou de “Fogo”?

– Inimigos nos chamam pelo que somos. Às vezes pelos nossos sobrenomes, Valdez – Percy deu de ombros com o exemplo.

– Exato. Fogo é o que você é... – Annabeth disse. – E sua hora vai chegar. Talvez ele tenha querido dizer que você terá uma experiência semelhante à de Hazel.

Leo engoliu em seco. As coisas estavam ficando ruins...

Reparei que Frank estava paralisado.

– Frank? – Chamei.

Ele não respondeu.

Estalei os dedos na frente de seu rosto.

– Frank? – Tornei a chamar gentilmente.

Ele pareceu se recuperar do choque.

– Ah... Oi? – Ele passou a mão pelo cabelo curto, suspirando. – Desculpe.

– Não se preocupe. – Falei.

– Hazel é boa. Ela vai sobreviver. – Jason disse com um sorriso.

– Eu sei – Frank parecia mais tranquilo. – É que... Isso tudo é um pouquinho demais.

Leo bufou e bateu no ombro de Frank.

– Cara, você consegue se transformar em um dragão e isso é um pouquinho demais?

– É diferente – Frank retrucou. – Você pode incendiar tudo. E acredito que possa não estar com muita coragem.

– É... – Leo pareceu ponderar – Pode ser.

– Acho melhor a gente ir dormir. – Falei. – Precisamos estar descansados o máximo que pudermos.

– Você está certa. – Jason falou. – Percy, Annabeth, acho melhor vocês virem também. Festus nos acorda se precisarmos, certo? – Ele se dirigiu a Leo.

Leo foi até a figura de proa e deu uma batidinha em seu dorso. A cabeça de dragão cuspiu fogo. Sorri, lembrando o modo com que ele me ajudou com Quione.

– Vamos, tripulantes – Leo foi descendo a escada.

Cada um foi para a sua cabine. Jason parou em frente a minha, segurou meus pulsos e me beijou.

– Até amanhã. – E ele saiu andando.

– Até... – Murmurei.

*

Esperei por sonhos conturbados, mas o que recebi foi uma noite de sono pesado e tranquilo. Dormi como não dormia há dias, feito uma pedra. Por isso, acordei um pouquinho cedo, quando os primeiros raios de Sol invadiam as janelas e me forçavam a abrir as pálpebras.

Levantei-me, um pouco surpresa e um pouco grata. Coloquei minha roupa de camuflagem e a cota de malha, pendurei a alça de Katoptris no ombro e abri a porta da cabine. Graças aos deuses, nada me pulou no pescoço. Grata por isso também, andei pelo corredor, silenciosamente. As outras portas estavam fechadas, e de algumas ecoavam roncos.

O convés estava limpo. Nada de monstros, nenhuma carcaça. Festus estava adormecido – temporariamente. Acho que se tivesse havido monstros, ele provavelmente os teria queimado. Ou soado o alarme.

Debrucei-me na amurada e observei a água. Era cristalina o suficiente para que eu conseguisse enxergar algumas manchas bem ao longe, mas densa o suficiente para que eu não conseguisse saber o que era.

Suspirei e me virei. Fiquei paralisada no lugar.

Atrás do navio, uma ilha se estendia.

Era um morro grande. Árvores cobriam toda a vista, e a praia era de areia branca. Dava para ver o seu fim, mas mesmo assim era assustadora.

Voltei a olhar pela amurada. De repente, percebi que as ondinhas provocavam uma ilusão de ótica: nós não estávamos nos movendo.

O Argo II estava com a âncora baixada.

Virei-me para a ilha de novo. Nada tinha mudado. Nem um sinal de movimento.

O mais impressionante eram as cores, o contraste. O gigantismo por si só já era demais, mas o mar era azul turquesa, a praia era completamente branca, e as árvores... Eram verdes. Quer dizer, suas copas eram verdes, as folhas pareciam...

Um estalido me fez dar um pulo e agarrar minha faca. Mas era só Frank subindo as escadas.

– Deuses... – Coloquei a mão no peito.

Ele pareceu um pouco envergonhado.

– Desculpe.

– Não tem problema. – Falei. – Mas isso atrás de nós é um problema. E dos grandes.

Ele franziu as sobrancelhas e se virou.

– Uau.

– Ahã. – Engoli em seco.

– Acho melhor acordar os outros. – Frank me olhou. – Acho melhor você ir, e eu fico de vigia, para o caso de... Hã...

– Entendi. Já volto.

Desci as escadas correndo.

A primeira porta era a de Jason.

Com o máximo de silêncio possível, entrei e me deparei com ele dormindo profundamente, estatelado no chão.

Reprimi uma risada nervosa, me ajoelhei ao seu lado e beijei seus lábios.

– Jason, acorde. – Chamei. Ele não reagiu. Beijei-o novamente, e ele ainda permanecia dormindo. Tentei uma última vez, e ele subitamente segurou minha cintura e me jogou no chão, com força. Abriu os olhos e me viu.

– Ah, Piper...

– Quantos inimigos te atacam com um beijo na boca? – Perguntei, esfregando as costas.

– Nenhum. – Ele pareceu preocupado – Te machuquei?

– Não. – Respondi. – Só temos alguns impasses.

– Impasses? – Ele passou a mão nas costelas, com uma careta. Deveria ser por causa de dormir no chão.

– Suba. Vou acordar os outros.

Saí da cabine dele um pouco desapontada, mas logo fiquei preocupada novamente. Abri a porta de Leo de supetão. Ele estava abraçado com um travesseiro e roncava.

– Leo – Chamei. – Acorda.

Ele abriu um olho.

– Rainha da Beleza?

Tive que sorrir.

– Em beleza e osso. Agora vamos, temos problemas.

Ele se espreguiçou de uma maneira muito... fofa. Ele tinha aquela cara sapeca, que me lembrava um bebê.

– É o navio?

– Não. Quer dizer, também. Estamos ancorados.

– Ancorados? – Ele fez uma cara preocupada e logo se levantou. Estava de pijama do Homem de Ferro, com o cinto de ferramentas na cintura. – A essa hora?

– Hum... É melhor você ir. E se trocar primeiro. – Indiquei o pijama.

Continuei pelo corredor. Agora só faltavam mais dois. A cabine do treinador Hedge estava vazia, desde quando ele fora com Reyna e Nico.

Annabeth era a próxima. Ela estava rolando na cama, inquieta, soltando murmuradas lamúrias. Seu cabelo estava empapado, e o lençol se colava em seu corpo suado.

– Annabeth – Chamei. Ela continuou a se remexer, dessa vez com mais força. – Annabeth. – Tornei a chamar, mas ela não parava. Sentei na cama, prendi seus pulsos com força. – Annabeth. Acorda. – Usei todo meu charme.

Ela se sentou rapidamente, arfando.

– O... O que foi?

– Problemas.

Ela respirou profundamente três vezes.

– Alguém morreu? – Ela perguntou, entrando no modo filha de Atena habitual. – Se feriu? Foi raptado?

– Não, não... Mas precisamos ir. Agora.

Ela assentiu. Depois, arregalou os olhos e parou o que estava fazendo – o que era colocar a bota.

– Onde está Percy?

– Provavelmente em sua cabine. Estava indo acordá-lo agora, mas acho que você faz isso melhor do que eu. – Falei.

– Aham – Ela pareceu mais aliviada. – Ele...

– Baba. – Percy completou. Ele apareceu na porta, com os cabelos emaranhados, mas estava completamente vestido. Sua expressão revelava que não tivera uma noite melhor do que a de Annabeth.

– Eu sei. – Ele disse e sorriu. – Bom dia, Piper.

– Bom dia. – Sorri de volta.

– Ei. – Annabeth protestou. Ela se inclinou e deu um beijo na bochecha de Percy.

– Hum... Por que estamos ancorados? – Percy perguntou para mim.

– Eu iria te fazer a mesma pergunta – justifiquei. – Mas estamos na costa de uma ilha.

– Ilha? – Ele perguntou.

Annabeth parou o que estava fazendo, de novo.

– Mas estamos no mar Jônico. – Ela colocou a mão na cintura. – Existem dezenas de ilhas espalhadas pelo litoral da Grécia e dessa parte da Eurásia.

– Eu sei... Mas acho que essa não é normal. Quer dizer, nada é normal, mas acho que não estaríamos ancorados na costa dela há sabe-se lá quanto tempo.

– Ok. – Annabeth assentiu. – Vamos.

No convés, Leo, Jason e Frank observavam a ilha.

– Mas o que é isso...? – Leo parecia embasbacado.

Olhei a ilha também, e arquejei.

– Deuses!

– O que foi? – Jason perguntou.

Apontei.

– Estava diferente.

– Diferente como? – Leo indagou.

– As folhas estavam verdes. – Frank falou, estremecendo. – Agora estão marrons. O mar ao redor era azul claro, agora está quase preto... E a areia. Agora é lama.

– A ilha está morrendo – Annabeth disse.

Fitamos a imensidão da ilha por mais alguns minutos. De repente, as folhas voltaram a ficar verdes, a areia branca e o mar claro.

– Santo Hefesto! – Leo exclamou, dando um passo para trás. – Essa coisa tá viva!

– Vamos averiguar? – Percy perguntou.

Annabeth franziu as sobrancelhas.

– Vamos observar. Se a ilha voltar a ficar morta... Eu tenho uma teoria.

Ficamos mais um tempo em silêncio. A ilha escureceu de novo.

– Certo. – Eu disse. – Qual é a teoria?

– Vamos calcular o tempo que ela leva. Quanto tempo ela permanece viva, até que morra de novo. Não tenho certeza, mas não podemos arriscar estar no meio dela quando estiver morta.

– Porque podemos... – Frank encolheu os ombros.

– É, podemos. – Completei.

– Mas, esperem... – Leo levantou as mãos. – Por que iremos para a ilha?

– Porque provavelmente temos que fazer alguma coisa lá. – Annabeth respondeu. – Agora vamos calcular...

– Temos um tempo até iniciar a contagem. – Percy disse. – Agora, por que ela tem esse formato estranho?

– Parece um... – Jason estreitou os olhos.

– Ah, nem vem. – Frank parecia derrotado. – Eu não vou pra lá.

– Não precisa. Fique de guarda. – Tranquilizei-o.

– Deixe-me adivinhar – Leo falou com ironia. – Vamos ter que subir até o topo daquilo?

– Provavelmente.

– Ah. – Ele sorriu. – O que um exercício físico da manhã melhor do que a escalada de um vulcão?