Notas iniciais
De antemão, peço perdão por ter demorado tanto a postar. Entretanto, não poderia estar mais feliz em escrever algo tão diferente, que espero do fundo do meu coração esteja agradando... ~Peço também desculpas por ter sido um capítulo tão prologadamente grande. ~Enjoy♥

O que Katherynne queria dizer exatamente com “um pedido”, não foi bem explicado, e mesmo que Mariska criasse inúmeras perguntas de “como ela sabia ou saberia se era de fato um pedido”, também não foi respondido. Mesmo que a folha que fora arrancada naquele instante lhe representava todo o calor que desejava e almejava, parecia também uma fuga para seu destino fatídico que ocorreria em breve, por questões de tempo, na verdade, questões de dias, nove para dizer a verdade. Ela não estava com medo, estava emocionalmente abalada, os pontos no tecido acabaram ficando feios, ela precisou refazer uma costura mais de uma vez, toda aquela preocupação estava atrapalhando em seu trabalho. Agárdy nem era tão bonito assim, seus olhos castanhos pareciam ser muito próximos; juntos, os cabelos loiros assemelhavam-se á palha, de textura e coloração também. Ele ainda tinha um pouco de queixo duplo. O rosto em si era um grande problema como um defeito, e se ela descuida-se mais ainda poderia citar mais do que apenas os defeitos de seu rosto, como do corpo, de caráter e até de vestimenta.
Então de repente ela se recordou do homem mais bonito que ela havia visto em sua vida. Não havia um ponto solto na sua roupa, cada botão e costura estavam em lugares certos; assim como a postura, o sorriso bem alinhado, e aquele momento que ela olhou em seus olhos verdes, um detalhe importante que ela nunca iria esquecer, assim como o fato que parecia que o tempo ao seu redor pareceu parar quando ele falou. Ele falou! Ele sorriu! Sua presença pareceu perfurar o fundo de sua alma, e mesmo pela palidez, ela se sentiu estranha. Até porque, o que ele queria com ela? O que ele fazia, quem era ele primeiramente? Como sumiu? Como apareceu? A sensação de ter encontrado com um morto lhe tomou por completo, e a sensação só passou quando a agulha perfurou seu dedo.

Ninguém notou no pulo que ela deu, mas seu pensamento estava tão alto que se furou. Imediatamente colocou o dedo na boca, reprimindo o pequeno grito assim como também a frustração de uma pequena gota vermelha de sangue ter pingado no tecido branco. E de ter um futuro marido decepcionante, encosto até que a morte os separasse. Porque Katherynne simplesmente não disse “não”? Uma coisa era certa, ela não se sentiria mais sozinha, teria alguém a abraçando, cuidando dela e dando tudo o que ela (...) o enjoo tomou conta dela, não havia possibilidade disso ocorrer, Frank era muito diferente de qualquer outro homem que ela convivera durante toda a sua vida.
Porém, podia dizer que fazia parte da mesma laia de Benedek. Aquela sensação esquisita era um pesadelo e mais do que um simples pesadelo onde você dorme e em seguida acorda; nesse a vontade dela era de não acordar mais. Havia algo a mais nessa sua inquietação matinal, que ela estava sofrendo, porque independentemente da situação em que ela estivesse vivendo ou o que estivesse acontecendo com a sua vida pessoal, aquilo nunca acabaria com o seu trabalho impecável. Katherynne jogou a cabeça para trás pensativa; teria que levar aquela peça para lavar porque não poderia simplesmente deixar ela ali como se nada tivesse ocorrido. Amarrou ela no joelho abaixo do vestido continuou.
Partiu para outras peças e recomeçou tudo de novo, concentrada dessa vez, mesmo que o barulho da chuva e dos trovões estivessem atrapalhando a concentração de algumas garotas, exceto Katherynne que estava usando o som para se concentrar e não pensar muito; mas, também para trabalhar muito, porque parecia que iria chover o resto do dia e da noite, fazendo assim escurecer mais cedo, ela precisaria mais do que cinco moedas, talvez sete, então ela fez seu trabalho mais rápido, porém, com cautela dessa vez, se a madame observasse que seu trabalho era o mesmo que um dia inteiro poderia lhe dar moedas a mais. Até porque algo dizia que ela precisava ajudar a senhor Virág, até o filho dela poder trabalhar, até ela se recompor do luto. Ela podia ajudar e mesmo que sua irmã ficasse com raiva o problema seria dela, porque agora ela estava praticamente “amarrada” a um cara preguiçoso e esquisito. Não havia mais o que fazer.

Toda a sua tensão facial chamou a atenção da encarregada, que se aproximou sorrateiramente pelo lado; o corpo magro e leve da mulher não fazendo nenhum barulho, muito menos fazendo com que Katherynne sentisse sua presença. Ela pousou a mão sobre o ombro da garota que tremeu de susto errando outro ponto. Não estava perfeitamente bonito, porém, prejudicaria no próximo ponto, percebendo que não tinha como escapar olhou para a mulher esquia atrás dela.

—Senhora... Algum problema?

—Na verdade; não. – A garota ficou em silêncio, o semblante da mulher era entre algo enigmático, quase como empatia e ou sonoridade. Sua expressão também poderia ser vista como um alto tom de superioridade, o que não era algo tão errado, diferente ou surpreendente. Houve o silêncio. – Os ventos contaram coisas boas sobre você.

—Os ventos? – Ela começou a buscar Mariska pelo canto do olho. – Sobre mim? – Katherynne parecia até mesmo surpresa, raramente “os ventos” falavam sobre ela, principalmente coisas boas. Todas as coisas que o vento trazia eram noticias ruins... Com a morte de casa um de seus irmãos, a morte de sua irmã gêmea, a tragédia dos seus pais, o pesadelo do seu cunhado; e claro, o novo enfeite; o futuro noivo.

—Ajudou a mãe da Laini por um acaso? – Ela acenou positivamente. – Mesmo com o clima de terror ainda pairando no ar, você foi lá sozinha?

—De um jeito ou outro, entramos sozinhas em casa madame... – Katherynne disse abaixando a cabeça; naquele momento ela se lembrou daqueles olhos verdes que cintilavam para ela, e da voz mais gostosa que ela tinha ouvido. – Eu tinha esperança de ainda ver o corpo dela.

—Foi muita idiotice sua. – Ela falou. – Mas, no final além de ajudar a mãe dela você fica noiva!

—(...)
Seu estômago revirou, suas mãos começaram a suar.

—Até que a família Agárdy não é de um todo ruim. – Ela se arrepiou por inteiro. – O mais novo deles é maravilhoso! Ele parece ser tão talentoso e promissor; com certeza dará um bom marido e será um exc.

—Não é esse. – Katherynne a interrompeu. – É o mais velho. – A voz saiu embriagada, foi quase como vomitar aquela frase. Apenas de pensar sobre isso era horrível.
A expressão da mulher mudou, para alguma coisa que poderia ser similar à pena, dor, chateação, decepção e ela se afastou um pouco para analisar a jovem... Sim, a garota também sentia tudo isso, sentia pena de si mesma também.

—(...) De todo modo; não deixe que essa notícia de casório e a alegria de uma família impeça você de terminar seu trabalho. – A garota suspirou fundo, como se concordasse e voltou a seu “desastroso trabalho com o tecido”. Nada daquilo a alegrava, nada daquilo a deixava ansiosa. Era apenas pânico. Mas, como se explica pânico, nojo e repulsa quando na verdade se é uma pessoa indesejada na própria casa. Estava parecendo que a vida dela sempre havia sido perfeita e nunca ocorreu nada indesejável ou inesperado. Ela estava sendo muito boba em achar que a vida lhe daria uma folga simplesmente porque não tinha mais nada para tirar dela. Mesmo sendo mentira. A prova é que a qualquer momento tudo poderia piorar. Era até ridículo imaginar que seria ou poderia ser de algum modo diferente.

Mesmo que bem lá no fundo de tudo, ela ainda tivesse esperança de que em algum momento por um gigantesco milagre tudo mudaria.
O dia seguia com chuva forte e trovões, quando era por volta das três da tarde, o céu ficou completamente escuro, não tinha como ninguém sair naquela tempestade, e apenas pelo uivo dos ventos era esperado que de madrugada por conta do frio fosse nevar. Nem que fosse um pouco.
A chuva não deu uma trégua durante o resto da tarde, e para a alegria de Mariska ela iria receber suas treze moedas por ter trabalhado o horário certinho. Mesmo que fosse contra a vontade da supervisora e até mesmo de algumas mulheres que queriam ir embora o mais rápido o possível, porém, a chuva foi amenizando entre as sete da noite, e só sabiam que estava bem tarde quando viram que haviam pessoas esperando as mulheres do lado de fora da fábrica. Em um modo geral, pais, irmãos mais velhos e principalmente esposos. Foi quando o corpo de Katherynne gelou; ela já havia saído ás pressas para não continuar falando com Frank, não queria dar de cara com ele assim que saísse do trabalho. Havia a esperança dele não estar esperando por ela.
Ainda havia uma garoa bem fina, e não havia mais riscos de raios e trovoes.

—Komáromi... – Ela estava na fila para receber o pagamento do dia, quando a mulher além de dar as treze moedas, colocou nove moedas na outra mão. Uma delas era de ouro. – Se por acaso ter ideia de ir visitar a Virág, entregue para ela. Porque realmente foi uma tragédia tudo o que ocorreu. – Porém, ela segurou bem a mão da garota. – Isso não é uma caridade, preciso ter certeza que você irá passar lá!

—Olha, eu nem ia. Porém, com esse ato de boa-fé eu até posso dar uma passada lá. – O que mais Katherynne poderia perder? De fato, mais nada, então ela deu um sorriso bem tranquilo, tentando conter o nervosismo. –Digo...

—Tenha cuidado.

Mariska já tinha ido, e ao dar uma rápida olhada para o lado de fora, nem viu nenhum sinal de Benedek ou Frank, então, segurando uma lanterna, uma que sempre estava à disposição em casos de neblina ou noites sem lua, e por conta própria começou a andar rápido, correr poderia lhe causar uma queda, e havia muita lama, misturada com flocos de neve e barro pela estrada, a melhor opção era ser rápida o suficiente para não ser pega, nem dar de cara com nenhum dos homens mais detestáveis do seu ciclo social.
Como foi algo planejado, ela não tomou a estrada principal, nem pegou um atalho, ela foi por um caminho que sairia o mais próximo da casa da Senhora Virág; era mais vantajoso por dois motivos, apenas Katherynne conhecia aquele caminho, não teria como encontrar nenhum conhecido. E também era um atalho que não se demorava muito pela floresta, então o perigo dela ser atacada por alguma fera, era basicamente nulo. Não era 100% estava mais para 50%; poderia ser atacada, poderia não ser. Era mais questão de sorte, e também se fosse o dia dela, que para a garota estava sendo algo libertador, era como se jogar de bom grado para a morte, com um largo sorriso no rosto, com uma enorme sensação de liberdade no peito.
Ela passou pela floresta de árvores sem folhas olhando para os lados, como se esperasse para poder rever aquele belo jovem novamente, de cabelos pretos e sorriso encantador. Mas, ela começou a negar com a cabeça aquela ideia de se encontrar com ele. Aliás, poderia ser visivelmente uma miragem, não tocou nele para saber se realmente estava vivo ou não. Se era real ou não.

Mas, seria extremamente incrível se pudesse se encontrar com ele novamente. Isso é, o que ela faria? Se ele realmente existisse, o que ela diria? Porque quando o viu pela primeira vez ficou tão hipnotizada que não conseguiu dizer nada. Ainda em estado de choque, ela estava com tanta vontade de sentir-se “hipnotizada” novamente. Mas, ela sabia que isso era um tipo de escape que ela mesma criou.

—Minha jovem! – A senhora Virág exclamou quando abriu a porta e deu de cara com Katherynne. – O que está fazendo aqui sozinha? Essa hora da noite e. – A loira arfava, tentava tomar o ar, acabou correndo quando começou a chegar perto das casas, se sentiu perseguida, vigiada, que alguma coisa obscura estava atrás dela. – Está tudo bem?

—Claro. – Ela respondeu rápido, ainda faltava lhe ar. – Vim lhe trazer isso aqui e. – Quando colocou a mão no bolso do avental para pegar as moedas que deveriam ser nove (...) tinham apenas três. – (...) E, e já vou voltar pra casa. – A irresponsabilidade pesou sobre a cabeça da jovem que não queria demonstrar que estava preocupada; era ridículo ficar procurando em todos os outros bolsos quando ela sabia exatamente em qual bolso havia colocado. – Sei como as coisas estão difíceis. Mas, vai melhorar. – Houve um olhar de espanto na senhora que não compreendeu porque Katherynne estava lhe entregando tantas moedas, aliás, não fazia nenhum sentido, era bem confuso. – São treze moedas. – A outra ofegou. – Sei que vai demorar para seu filho conseguir um trabalho e que.

Ela foi interrompida.

—Garota, você não pode vir aqui sempre! Há uma fera poraí que tirou minha filha de mim! Porque está me ajudando? Não me deve nada e.

—(...) Sinceramente? Eu não sei. Mas, sei que era para Laini ainda estar aqui! – Sua oscilação de humor a assustou, tudo estava tão confuso naquele dia, tudo estava tão errado, e antes que ela pudesse chorar, os braços da senhora Virág envolveram seu corpo. Como já havia sido envolvido a muito tempo, por uma outra pessoa.

Como sua mãe.

—Você jantou ontem jovem? – Ela perguntou depois de um longo tempo a abraçando. Aquilo foi uma surpresa para ela, seria a segunda noite consecutiva que ela não iria jantar, nem pode comprar nada por já estar bem tarde, antes que pudesse responder alguma coisa ela foi puxada para dentro o da casa.
Não era muito diferente da dela, exceto pelo fato de parecer extremamente convidativa, aconchegante, muito diferente da dela. Ela se sentiu confortável, porém, não podia ficar por muito tempo, não podia abusar da hospitalidade, não podia simplesmente ir embora depois de lhe terem servido um pouco de sopa de legumes, mesmo que não parecesse muito encorpado, estava com um cheiro fabuloso, o que pela sua sorte ou azar, não iria morrer de fome naquela noite, nem desmaiar no meio do caminho.

Mas, depois que terminou, ela foi rápida, agradeceu a refeição, a hospitalidade, até mesmo o abraço; negou o pedido de passar a noite ali por uma questão de “não preocupar a irmã”; que nessa altura deveria estar louca de raiva. Por isso mesmo ela faria um outro caminho, um mais longo, e também o mais improvável já que ele passava pela rua de trás da sua casa, onde ela poderia pular pela janela do seu quarto.
Ela disse que encontraria seu cunhado, que não precisava se preocupar, que tudo daria certo. Apesar dela dizer isso para acalmar a si própria, precisava começar sua volta para casa sem se encontrar com ninguém indesejável. Pegou sua luz e saiu.
Mesmo que a luz da lua estivesse bem fraca por conta das nuvens e pela neblina tensa que estava começando a surgir, Katherynne precisava apenas usar a memória para lembrar o caminho quando não conseguisse mais definir o que seria pedra, galho ou um bicho na estrada. Ela pode andar mais devagar, ninguém andava por aquele lugar depois do anoitecer, por um lado, se ela fosse morta jamais encontrariam o corpo dela. Não antes de um animal se satisfazer de toda sua carne, ossos e gordura.

A noite estava boa para escolher a próxima refeição, Étienne não viu Nándor sair, olhou por todo o castelo e quando deparou-se com o jovem fazendo o que parecia ser uma espécie de dança no porão, o deixou e foi procurar alimento, não havia se alimentado na noite anterior, e se não fosse sair para comer, seriam três noites consecutivas por causa do irresponsável.
Ele fez um barulho com o pé sobre o assoalho, aquilo significava que ele estava saindo. Ele pulou a janela e foi direto para o telhado, havia chovido quase o dia inteiro ninguém iria prestar atenção em alguém em pé em cima do telhado de um castelo. Por um motivo bem obvio, a visão dos mortais enganava. Foi então que ele viu a garota sair. A mesma garota da outra noite. Curiosamente ele se inclinou um pouco, ela havia saído da fábrica de tecidos e pegou um caminho extremamente perigoso. Extremamente abandonado, assim ele poderia deduzir. Então, Étienne planou não chegou a alcançar um voo alto porque estava apenas observando, o quão burro alguns humanos podiam ser se colocando em perigos eminentes.

Ela não havia percebido a presença do outro parecia preocupada com alguma coisa, e quando ele achava que poderia ser uma coisa comum, viu uma moeda de ouro saltando de seu bolso afundando na neve e no barro, depois outra, outra, mais uma, como se marcasse o caminho para voltar; porém, ela não percebeu, ela não ouviu. Ele não apenas viu, como também ouviu o barulho que a peça de prata fazia sobre a lama; a jovem estava apressada; foi então que ele se aproximou mais um pouco, não havia luz da lua, ela podia ter luz, mas, apenas para iluminar seu próprio caminho e não ao redor. Assim, ele acompanhou-a com o olhar enquanto ela se afastava da estrada principal entrando em uma curva trilha dando a um atalho perigoso, foi quando o vento agitou os seus cabelos, soltando-os do coque, eram longas mechas loiras; ele se sacudiu, não achava que fossem tão longos, aliás, ela nem parecia ser de uma família rica. O tempo passava, e ele continuava olhando a direção que a jovem havia ido. Foi então que começou a segui-la, ainda não sabia exatamente o porquê, embora ela tivesse uma beleza radiante, intensa, ingênua; não fora isso que realmente chamou sua atenção. Ao menos, não era aquilo que estava o intrigando. Era como se algo o chamasse para observar, alguma coisa atraísse seu corpo. Mas quando chegou perto de algumas casas, ele diminui a velocidade desviando para o lado para conseguir ver melhor sua expressão ao entregar para a mulher algumas moedas. “Ela é louca! ” E quando foi puxada para dentro da casa, Étienne continuou observando fixamente como um predador para saber para onde ela iria dessa vez. Foi quando ele percebeu que uma folha fora arrancada de seu diário, sabia que era dele porque o papel era muito especifico. Era Nándor que estava arrancando suas melancólicas palavras e atirando pelo mundo completo de sujeira e caos? Ele resolveria isso depois, pois um nevoeiro estava surgindo, e se havia uma coisa que ele compreendia era que mesmo que a jovem se movesse como uma brisa sobre os caminhos, ela iria se perder. Não que isso importasse. Mas, quem era ela? Sua intuição dizia que quer que fosse, merecia sua atenção. E quando ela saiu da casa olhando ao redor, e seguindo por um caminho completamente aleatório e escondido com uma expressão decidida, o vampiro a seguiu sorrateiramente, sem fazer barulho sem pôr os pés no chão. Mas, ele também teve uma ideia, algo diferente, era o que se podia dizer.

Katherynne parou depois de caminhar por um bom tempo, havia muita coisa para ela raciocinar, ela simplesmente se esqueceu de como andar pelas ruas, trilhas e ir para casa. Precisou parar e olhar em volta, havia um silêncio assustador ao redor e apenas por um instante pareceu que ela estava próxima de casa, quando na verdade estava em um caminho completamente diferente; ela não iria se desesperar, precisava apenas se acalmar. Então seguiu em frente, todas as ruas geralmente dão na estrada principal, o que ela precisava fazer era apenas se controlar. Ela continuou caminhando, começou a cantarolar algumas palavras quando em cima de uma pedra, havia um papel, assim como outros que ela encontrava pela estrada, pelo chão, pelo ar, por todo lugar.

Aquilo era um bom sinal!

Não precisa ver minha alma, sou um pesadelo fora de controle.

Sempre caindo na escuridão, não há nada mais para curar.

Continuo sendo executado, longe do sol.

Assombrado por uma sombra, a dor preeminente

No lado escuro do sol, contrapartida da morte.

Contrapartida da morte; significava que a pessoa estava preferindo a morte do que o sol, que era algo totalmente essencial para a vida; antes que ela pudesse analisar melhor as palavras, havia um pano embaixo do papel. Ela pegou, segurou e percebeu que não era apenas um pano.
Katherynne soltou um arquejo de surpresa. Era uma capa com capuz! E quando ela tocou, foi a melhor sensação do mundo. Ele era macio, como um abraço quente, parecia feito de algodão, mas, não de qualquer algodão, um de uma qualidade tão elevada quanto de uma realeza, algo como uma seda preta, com botões de ouro de verdade; ela teve vontade de desdobrar, estava dobrado de forma caprichosa, parecia muita coincidência, ou uma armadilha; foi quando ela soltou a capa com tudo deixando cair no chão e dando alguns passos para trás. Tudo bem ficar com um pedaço de papel que não valia mais do que as suas próprias palavras, agora aquele tecido era visivelmente caro, que valia muito mais que sua vida, sua casa, do que qualquer outra coisa. Foi quando sentiu algo.

Uma vibração que passou por todo o seu corpo que entrou em estado de alerta; ela começou a ficar nervosa, finalmente iria morrer, em um lugar no meio do nada, assim como sua amiga morreu. Mas, pelo lado bom, ela estava bem alimentada, porém, a sensação de pânico não amenizava, principalmente quando algo tocou em sua cabeça, era frio, ela não ousou se virar não dessa vez.

—Como pode derrubar um tecido tão impecavelmente limpo? – Katherynne pulou para o lado e se virou com tudo. Aquela voz a deixava embriagada em vários sentidos, encarar aqueles olhos verdes novamente, aquela pele pálida que parecia sempre estar banhada pela lua, e a pose totalmente formal; ele era o homem mais bonito que Katherynne tivera a sorte de encontrar, duas vezes, e mesmo que não houvesse explicação do porque ele a encontrara ali, não havia uma boa resposta para a pergunta dele. Ela mal conseguia falar mesmo. – (...) Porque demônios está aqui?

—(...) – porque demônios? Ela pensou paralisada.

—Não sabia que é extremamente perigoso andar por aqui? Você ao menos sabe para onde está indo? Tem ideia de onde está? – Ela negou, Étienne colocou dois dedos sobre os lábios evitando rir, a garota estava paralisada de medo, ou seja lá o porquê, aquilo era divertido de se olhar. – Você não me parece uma jovem muito inteligente.

Não!?— As palavras saíram tremulas de sua garganta, depois todo seu corpo tremeu quando ele a encarou. Ela o olhou de volta, ele não era uma pessoa comum, como ela já tinha em mente, ele era uma pessoa muito fina e chique, provavelmente rico, isso porque parecia educado e tinha uma ótima dicção, mesmo com o sotaque.
Ele não era húngaro. Por isso continuava hipnotizada, Katherynne inclinou a cabeça, analisava seus olhos, o estranho brilho que emanava deles e então... O outro hesitou, por alguns segundos, foi quando ela viu alguma emoção suavizar sua feição rígida, séria e absurdamente perfeita. Ele abriu a boca suavemente, e mesmo confuso olhou para o lado voltando a ficar sério.

—Porque simplesmente não pega a capa do chão? – Perguntou olhando em seus olhos. Depois de um tempo, ela quebrou o contato visual e olhou para o chão, pegou a capa e a segurou contra o peito, assustada. Ele também usava uma capa, porém, sem capuz; oi quando ela estava se perguntando mentalmente o que deveria fazer com aquilo, apenas segurar, colocar no lugar, entreg. – Você tem que colocar! – Por fim ele falou.

—O que? – Perguntou sem entender.

—Colocar em volta do pescoço, fechar, usar. – Disse sério cruzando os braços; ele por acaso leu seus pensamentos?

—Você é real?

—Quem é você? – Ele não devia ter feito essa pergunta, ele nunca perguntava o nome de suas refeições. Porque ele perguntou? Simplesmente porque ele... Étienne queria olhar para ela, tocar nela, ela parecia diferente das demais, inteligente, ágil com um tom de melancolia e beleza diurna. Como a aurora e o amanhecer.
Como ele estava sendo tolo.

—(...) Katherynne Komáromi. – Ela respondeu rapidamente, óbvio depois de um longo tempo de silêncio. – E... Eu... – As palavras ficaram presas em sua garganta, ele queria falar.

—Você prendeu seu olhar no meu. Porque não foge? (...) Ou melhor, o que faz aqui? – Havia uma tristeza emanando na mente dela, sua feição era de completo desespero e por um longo minuto ela achou que seria morta por aquele homem. Era assim que os assassinos faziam, não era? Como os das histórias vindas da Grã Bretanha e de outros lugares que ela não conseguia processar.
Foi quando ele tirou a capa do peito dela, e com agilidade colocou sobre seu corpo e o capuz sobre sua cabeça. Ela estremeceu, quem ele era? Como ela deixou ele chegar tão perto dela assim? – Vou te mostrar um caminho. – Disse apenas cutucando-a nas suas costas para que ela andasse para frente. – Você queria se matar? Não sabe que existem feras animalescas andando pelas florestas de Budapeste?

—Sim. – Silêncio.

—Queria se matar? – Silêncio novamente. – Eu faço as perguntas e sugiro que você responda.

—Não. – Ela olhou para trás, mas ele a fez virar para frente Você é por acaso um anjo? – Ele riu. – É?

—O que é um anjo para você?

—(...)

—Uma criatura pura, bondosa, servidora de uma entidade grandiosa que ajuda os outros por simplesmente querem e sentirem prazer com a felicidade do outro?

—Aan...

—Não sou isso! – Katherynne deu alguns passos para frente, começou a andar mais rápido. – Se continuar assim vai se perder de verdade.

—Eu já estou perdida. – Então ele apontou para frente, Katherynne ergueu sua luz um pouco para frente para ver além da estrada. – O que

—É seu caminho, não? – Era. Sua casa não estava muito longe, e só de prestar atenção dava para ver que seu “futuro noivo”, seu cunhado e sua irmã estavam em frente à sua casa, iam começar a procurar por ela. Então ela parou. – (...) Continue! – Ele não entendeu o que fez ela parar. – Alguém ia começar a te procurar!

—Eu sei. – Ela falou ainda parada. – Estou vendo.

—(...) Seu noivo? – Ele olhou para ela. – Você não é viúva?

—Órfã. – Ela respondeu, Étienne franziu a testa, não tentou entender. Apenas a observou mais uma vez, com a roupa sem graça, com os sapatos sujos de lama, a capa e o capuz lhe davam uma graciosidade e até mesmo demonstravam quão bonita ela era, e quão bonita ela poderia permanecer se continuasse assim pela eternidade.

Étienne deu um sobressalto, mas no que diabos ele estava pensando? Porque ele pensou nisso? Ele a encostou novamente para que ela pudesse continuar andando e encontrar com seus conhecidos. Os passos dela eram arrastados, ele precisou dar uma força para que ela continuasse andando, e sinceramente, ela gostou do toque.
– Apenas acho que seu noivo não devia deixar você andar sozinha pela cidade depois de um dia totalmente escuro e perigoso, com uma neblina tensa e tenebrosa... – Ela parecia tensa. – Senhora Komáromi; ninguém vai brigar com você, porque está recuando?

—Você poderia confirmar logo que é um anjo?

—Hãn; porque eu mentiria? – Ela era solitária, podia ter sido corajosa em entrar em diversos lugares para entregar algumas moedas, porém, naquele momento estava assustada, o que a deixava muito mais bonita.
SE o coração dele AINDA batesse estaria batendo em um ritmo lento, em um ritmo devagar o suficiente para explodir em seus ouvidos com uma canção, aquela era uma sensação que ele nunca havia sentido; aquele era um sentimento que Constantin já havia sentido e podia ser transmitido. Étienne admirou isso. – Eu não sou um anjo. Não irei repetir essa palavra.

—Então, que tipo de homem você é? – Os olhos dos dois se encontraram, Katherynne sentiu como se seu peito fosse explodir, porque essa fora a sensação que ele lhe causara ao olhar diretamente para ela.

—Eu? –Ele arrumou a gola do terno e sorriu, aquele sorriso inesquecível. – Daquele tipo. – Ele apontou para um ponto escuro da estrada, e quando ela se virou para observar que tipo ele se referia, o vampiro mergulhou na escuridão e desapareceu dos olhares dos outros, como da primeira vez, sem fazer barulho, sem provocar nenhum movimento brusco, apenas sumiu; ao mesmo tempo em que seus conhecidos chegaram perto dela.

—Katherynne! – Sua irmã berrou a segurando pelo braço. – Que droga foi isso? Onde você estava? Como você... Porque está aí em parada?

—Você também viu ele? – Ela olhou em volta.

—“Ele” quem? – Sua irmã estava furiosa.

Quem foi que ela viu? O que foi que ela sentiu sobre sua cabeça?

—Quem te deu isso? – Frank pegou na capa, a fazendo dar um tapa em sua mão e se afastar dele. – Onde você roubou isso?

—Eu achei! Estava na estrada. (...) Que tipo de noivo vocês me arrumaram? Eu voltei sozinha porque o dia inteiro ficou escuro e em nenhum momento ele foi me encontrar! Eu achei, é meu! – E dizendo isso ela entrou correndo dentro de casa, entrou em seu quarto, trancou sua porta e simplesmente segurou a capa contra o corpo, que parecia semelhante a um abraço. Se ela fosse enlouquecer; estava ao menos aquecida.

E por alguns instantes ela não ficou sozinha. Mesmo que parecesse que a morte estava caminhando do seu lado o tempo todo.

Notas finais
~♠~Eu sempre digo, estou aqui para Você. E se cada presente for uma história, você merece uma biblioteca da minha parte ~♠~ J'aime vous!! ~♥Beijos da Autora ♥~ Obs: E nunca se esqueçam da nossa Rainha Vampira reptiliana♠
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.