O Sangue Do Olimpo
2 II. Leo
Notas iniciais
TOUROS DE BRONZE DO TAMANHO DE ELEFANTES pareceriam autômatos legais para Leo, senão soltassem fogo pelas narinas e não tivessem invadido o seu lar.
Estava na sala de reuniões com os outros sete observando pela tela que mostrava em tempo real o acampamento meio-sangue.
Certa vez, Percy e Annabeth haviam contado que touros iguais a estes já tinham ultrapassado às barreiras mágicas do lugar.
Muitos semideuses lutavam bravamente contra os cinco touros de bronze que corriam pelo acampamento incendiando os chalés. Dentre eles, a filha parruda de Ares, Clarisse, se destacava, cravando sua lança no pescoço metálico de um deles e o transformando num monte de pó enferrujado.
Na cena seguinte, porém, o resultado não é tão bom. Tinha uma garota de cabelo preto azulado, vestindo roupas pretas com a estampa do Green Day. Ela dispara uma flecha em um dos touros, mas este não se deixa abater e se choca contra a garota, jogando-a a metros de distancia, contra a parede do chalé dois, que estava em chamas.
- Thalia! – gritam Jason e Annabeth ao mesmo tempo. Só então Leo reconheceu a garota. Era Thalia Grace, irmã de Jason e caçadora de Ártemis... um desperdício, pensara Leo ao conhece-la.
- Não podemos ficar aqui parados enquanto isso acontece! – Percy se manifesta.
- Mas não podemos fazer nada... Estamos a meio mundo de distancia de lá! – diz Piper, abraçando Jason e, de ponta de pés, beijando sua testa.
- Olhem! – Hazel aponta para um canto da tela.
A imagem se aproxima e foca em um garoto com barbicha, pernas de bode, chifres escondidos numa boina rastafári e que tocava uma flauta. Leo nota um sorriso sincero de Percy. Aparentemente, o simples fato de Grover está vivo lhe fazia bem.
A exemplo do conto do flautista de Hamelin, Grover conseguiu atrair a atenção dos touros.
- Eu espero que ele tenha um plano... – Leo diz – Ou as coisas vão ficar... embaraçosas.
- Ahn... Hazel? – era a voz de Frank, num tom preocupado.
Todos viram para trás. Hazel estava imóvel, segurando com força a mão de Frank, e este olhava para ela preocupado.
O olhar de Hazel dava medo. Leo inevitavelmente comparou Hazel com a bruxa Bonnie, da série The Vampire Diaries. Sim, Leo assistia a série de vampiros, lobisomens e bruxas, quando tinha tempo.
Hazel fechou os olhos e de repente uma névoa escura começa a fluir para fora de seu corpo.
- Gente, olha! – Piper aponta para a tela.
A névoa, como se tivesse sido transportada para o acampamento meio-sangue em proporções bem maiores, cerca os touros, deixando-os desorientados. Grover se afasta, assim como os outros campistas. Todos olhavam com medo para a névoa, ou no mínimo, intrigados...
De repente, a imagem apaga. Os sete ficam atônitos por alguns instantes, Hazel desmaia. Então Leo vai até a tela e começa a verificar qual o problema. Ele digita um comando no canto direito inferior da tela. No instante seguinte, a tela volta a mostrar uma imagem, no entanto, em um local diferente.
Havia um nascido da terra. Este, bem maior que qualquer outro que já tinham enfrentado, parecia um ferro velho ambulante. A roupa era formada por centenas de placas enferrujadas e carcaças de carros velhos. O cabelo em dreadlocks era um emaranhado de cabos de energia. As pernas eram escamosas, de cor vermelho-ferrugem. A arma era um cajado metálico do tamanho de dois portes de energia empilhados. De suas costas saiam dois canos que expeliam fumaça preta. Parecia furioso.
Cerca de quinze cavaleiros montados em belíssimos pégasos e armados com arco-e-flecha o atacavam por cima. Vestiam camisas roxas com as letras SPQR em dourado. “Romanos!”, pensou Leo.
No chão, dúzias de legionários, armados com espadas e lanças lutavam bravamente contra os mais exóticos robôs humanoides, feitos de lata, que pareciam cair de dentro da armadura do Gigante.
E um pouco atrás, Octavian comandava o ataque com armas de fogo. Canhões, catapultas e outras armas disparavam contra a criatura, que não parecia se abalar muito a cada explosão.
Mesmo com tudo isso, o Gigante parecia resistir facilmente, Leo viu vários jovens sendo medicados ou apenas afastados do campo de batalha por semideuses que, devido às habilidades de seus pais divinos, não eram bons lutadores.
Leo não pode deixar de notar os olhares aflitos de seus amigos romanos, Jason e Frank. Hazel estava acordando. Frank era o novo pretor da legião, e pela sua expressão, queria esmagar o Gigante com as próprias mãos.
- Ele é o anti-Hefesto? – Leo pergunta. Suspeitava isso devido ele ser constituído basicamente por ferro-velho.
- Não! – Annabeth fala – Eu penso que é o anti-Deméter... Os Gigantes são o contrário dos deuses.
- É... Como o Damásen... – fala Percy, num tom triste.
- Faz sentido... – diz Piper – Deméter é a deusa da agricultura, este Gigante é a personificação da poluição.
- O que aconteceu? – Hazel pergunta, agora totalmente desperta, embora ainda desorientada.
Frank a abraça, feliz por vê-la bem. Ninguém responde.
De repente, um barulho infernal toma o convés. Festus, na proa, emite uma série de alarmes. Os tripulantes se olham assustados, e o capitão Leo Valdez é o primeiro a correr para ver o que estava acontecendo.
Chegando ao convés, tem uma das visões mais belas, sinistras e assustadoras da sua vida.
Pessoalmente, os touros eram magníficos. Cada articulação de seus corpos funcionava ao giro de motores. As chapas de bronze que lhe serviam de pele cobriam milhares de metros de fios e centenas de chips e circuitos integrados que permitia aos autômatos domínio sobre o corpo e o raciocínio. Leo admira o movimento dos membros dos touros como se o mundo estivesse em câmera lenta. Mas no momento seguinte, as feras lançam mugidos guturais e o trazem de volta a realidade.
- Ops! Acho que algo os trouxe para cá... – Percy fala, no seu tom lerdo de sempre.
- Você acha?! – Annabeth fala como se quisesse dizer “dã, seu lerdo!”.
- Fui eu? – Hazel percebe que seu lance de névoa transportou os touros mecânicos para eles.
- Prefiro eles aqui do que atacando o acampamento meio-sangue! – Jason fala, e Leo nota um tom de voz mais grego do que nunca.
- Então, vamos a luta! – Leo decide, buscando algo útil no cinto de ferramentas.
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