Notas iniciais
Boa leitura :) ps: Leiam o aviso nas notas finais!!!

Shun despertou no leito do CTI, todas as informações que obtivera estavam sendo processadas em sua mente e isso o deixou profundamente cansado. Não demorou muito tempo para que notassem o despertar do paciente e mais exames foram feitos. O médico Oshida que cuidava pessoalmente do caso dos garotos cavaleiros conversava com o garoto que perguntava por Seiya.

— Ele já está bem Shun – disse acalmando o paciente – Seiya acordou ontem à noite e já está dando trabalho para a equipe de enfermagem.

— Isso é bem a cara do Seiya – deu um riso leve – Fico feliz em saber que ele está bem. Quanto a Shiryu e Hyoga? Eles melhoraram?

— Sim. O processo de recuperação de vocês meninos é incrível! – pegou a caneta para realizar suas anotações – Agora que já está tranquilo em relação aos seus amigos me permite realizar algumas perguntas?

— Sim doutor – disse com o olhar desviando para o vazio.

— Sei que já fez os exames, mas, quero averiguar o seu estado de espírito meu jovem – falou preocupado – Todos já foram ouvidos, só falta você.

— Eu estou bem – mentia tentando convencer a si mesmo – Quero sair desse hospital logo – para buscar respostas, pensou.

— O jovem dizia algumas coisas quando estava inconsciente e isso deixou a minha equipe e a senhorita Kido preocupadas.

— Que tipo de coisas que eu disse? – falou preocupado.

— Parecia que estava a entoar um poema suicida, que está passando por uma crise existencial – direcionou seu olhar para o jovem – Pelas suas reações, por procurar desviar o foco de si mesmo e o pouco que consegui tirar de seus colegas sobre a experiência que vivenciaram e sobre o seu perfil, eu creio que está a passar por um estresse pós-traumático além de uma possível depressão – ele tentou alcançar o virginiano, mas, Shun se desviou do toque e o olhar do garoto já não tinha mais foco – Poderá sair do hospital se seguir as recomendações médicas e vier as consultas na psiquiatria para fecharmos um diagnóstico e iniciarmos um tratamento. Tudo bem? – o médico não foi respondido.

O virginiano tentava buscar alguma solução, quando ele disse que encontraria uma forma de tomar o controle estava no calor da emoção. Agora com quem poderia contar? Athena poderia não o aceitar mais, afinal o mais sábio e rápido caminho a se tomar numa situação dessas é a própria morte, a cada segundo que estava ali vivo e respirando poderia causar algum tipo de dano a alguém afinal seria considerado um risco eminente. E se Hades estivesse mentindo? Se ele estiver fingindo dar algum controle enquanto estivesse consciente? Shun questionava-se se realmente estava 100% consciente. Como faria uma investigação sozinho? Ele poderia simplesmente tentar tirar sua própria vida, mas, caso fosse “rápido demais” para o gosto do deus do submundo poderia acabar trazendo mais desgraça. Andrômeda se sentia um traidor e não poderia levar seus amigos e seu irmão a cometerem um ato de traição para defender sua vida da vontade da deusa.

Fugir atrairia suspeitas, ficar e tentar levar uma vida dentro da normalidade seria a opção mais prudente. A mansão Kido dispunha de uma vasta biblioteca e talvez conseguisse encontrar as respostas das quais precisava lá. O cavaleiro de olhos verdes gostaria apenas de apreciar a beleza do jardim da propriedade, sentir o cheiro das flores e conversar com seus amigos. Mesmo sem a influência do deus do submundo, Shun já carregava suas culpas e traumas, tudo o que passou até o final da última Guerra Santa seriam suficientes para uma vida, ainda que os tempos de paz pudessem ser vislumbrados, a dor que carregaria em silêncio já estava lá presente em seu coração.

...

O irmão de Ikki conseguiu receber sua alta no mesmo dia que os outros cavaleiros, tinha uma lista de recomendações médicas a seguir por causa de sua perda de sangue. A primeira consulta seria em três dias para dar tempo ao jovem descansar e adaptar-se a nova rotina. Não tardou muito para o mais novo poder reencontrar seus amigos, no dia anterior a sua saída foi transferido para o quarto dos outros cavaleiros pela sua insistência. Quando pôde vê-los ali bem chorou colocando para fora parte da tempestade que ocorria em seu puro coração, nada conseguiu falar. Hyoga apoiou seu amigo que desabaria de joelhos no chão, o pôs a sentar em seu leito e apoiou a cabeça do menor em seu ombro para que ele chorasse tudo que fosse necessário. O clima entre eles era conflitante em emoções, estavam felizes de estarem ali juntos, com a exceção de Ikki, mas, ver o estado de Shun doía no coração de seus amigos de armas.

— Acalme-se Shun... já passou – disse-lhe o loiro ao pé do ouvido do menor.

— Estamos aqui juntos e inteiros! É hora de comemorar e não ficar com cara de enterro – Seiya tentava desviar o assunto – E quando vão trazer o jantar? Estou cansado dessa comida de hospital!

— Você precisa aprender a respeitar os sentimentos alheios Seiya – pontuou Shiryu – Nossa última guerra foi... – procurava as melhores palavras para expressar-se – difícil em inúmeros sentidos. Obtivemos êxito, Athena venceu e nós estamos aqui para contar a história. No momento atual devemos recuperar nossas forças para seguir adiante e isso não implica somente nossos corpos, nossos espíritos também precisam desse tempo.

— Você está certo Shiryu. Precisamos de um tempo – o russo ainda apoiava seu amigo cujo choro se tornara mais silencioso – Ainda estou processando tudo o que aconteceu, os cavaleiros de ouro, meu mestre...

Não tardou para a enfermeira bater à porta avisando sobre o jantar, trouxe-lhes a comida de acordo com a dieta que lhe havia sido passada. Seiya reclamou aos montes, se dizia ainda faminto e Shun que não havia tocado em seu prato o ofereceu ao amigo bebendo apenas o suco de uva. Na verdade, queria um café bem forte para se manter acordado, com os remédios que tomou e por ter saído há pouco de um estado de coma estava sonolento. Então toda vez que sentia que cairia de sono beliscou-se por baixo das cobertas e segurava o arfar de dor, pois cada vez precisava por mais força devido a sua sonolência. Pela manhã que seriam liberados, o garoto de cabelos verdes era ali quem havia passado a noite em claro. Implorou por café a enfermeira que atendeu ao pedido e conseguiu mastigar duas torradas. Saori chegaria para buscá-los, então os garotos organizaram um esquema para que pudessem tomar um banho e por suas roupas de civis. Seiya, o mais inquieto dos quatro, falava mais do que um narrador de rádio em partida de futebol, o que deixava Hyoga irritado querendo congelar a matraca que o “equino” chama de boca e Shun tentava apaziguar os ânimos dos amigos com um sorriso tímido enquanto Shiryu estava no banho.

— Ô Shun! ‘Cê tá com uma cara de zumbi, não dormiu cara?

— Eu... – buscava alguma justificativa – fiquei sem sono, observei as estrelas e a bela lua que fez ontem à noite.

— Eu capotei rapidinho na cama – confessou o sagitariano.

— Nós sabemos bem disso pangaré. Seus roncos ecoam tão alto quanto o seu relinchar – alfinetou Hyoga, alternando seu olhar para o mais novo, ele sabia que o menor escondia algo, ele mentiu e isso era fácil do aquariano identificar, mesmo se não conhecesse bem Shun, ontem foi noite de lua nova, ou seja, não dava para contemplar a beleza de algo que não podia ser visto, como o caso da lua.

— Ora... seu!

— O próximo para o banho – Shiryu soube a melhor forma de cortar a discussão – Vamos Seiya, não podemos nos atrasar, a senhorita Saori logo estará aqui.

— Saori! Vou me apressar – seguiu como um foguete até o banheiro carregando suas coisas.

— Esse Seiya não tem jeito – riu-se brevemente Shiryu.

— Não mesmo – o russo disse em concordância – Não acha Shun? – perguntou para fazer o menor distraído participar do assunto.

— Oi, o quê? – esfregava seus olhos – Me desculpem.

— Estávamos falando do pangaré. De como ele é incorrigível quando se trata da senhorita Saori.

— Realmente – deu uma resposta breve e sorriu tentando sustentar uma feição mais alegre apesar de seu olhar estar distante.

— Você precisa ir dormir assim que chegarmos. É o ideal para que se recupere bem.

— Eu quero aproveitar o dia, ver as flores do jardim e quem sabe o mar, Hyoga.

— Parabéns Hyoga, conseguiu fazer o Shun falar uma frase com mais de três palavras – disse o moreno de cabelos longos – Mesmo assim devo concordar com nosso amigo, está com uma cara de quem não dormiu, saiu do CTI há pouco tempo, precisas descansar.

— Eu estou bem – levantou-se do leito com reflexos de um bêbado.

— Estamos vendo que sim – o Cisne ironizou.

— “Vam’bora” Shun! – disse Seiya que tomara o banho mais rápido da história para o histórico do cavaleiro – Ainda falta o pato, vê se não demora!

— Já estou indo – pegou suas coisas que havia organizado na noite anterior e caminhou para o banheiro.

Os três cavaleiros se entreolharam, mesmo sendo lento na maioria das vezes, Seiya decidiu tomar a iniciativa do assunto.

— Olha pessoal, vocês não acham que o Shun está agindo estranho – falou em tom baixo para que não pudesse ser ouvido pelo virginiano – Tipo, ele chorar nós já estamos acostumados, mas, o que aconteceu depois disso...

— Ontem foi noite de lua nova, então ele mentiu, nem observou a janela – Cisne cruzou seus braços enquanto pensava – Shun não é de mentir.

— Não sei se já conseguem sentir a presença dos cosmos meus amigos. Eu sinto o cosmo de Shun diferente e inquieto, em parte da madrugada eu acordei brevemente e o vi coberto dos pés à cabeça com o lençol – o Dragão dava seu relato – Ele se remexia muito e tentava controlar gemidos de dor, acredito.

— Todos nós estamos feridos, gemer de dor é normal, né?

— Com os cuidados que temos recebido, não Seiya – Shiryu continuou – Por acaso notaram os braços dele?

— Marcas vermelhas quase arroxeadas, são recentes – respondeu Hyoga – Então ele se feriu ontem à noite e não dormiu.

— Pessoal, eu estou preocupado com o nosso amigo.

— Nós também estamos Seiya – o moreno tocou o ombro de Pégaso.

— E muito – completou o russo.

...

Notas finais
Shun tentando mentir e disfarçar o que sente sou eu tentando disfarçar a minha cara de insatisfação perto de algumas pessoas, fica muito óbvio que tem algo errado e seus amigos já perceberam que o emocional do cavaleiro está bem afetado, só não conseguem entender a dimensão do que está acontecendo. No próximo capítulo veremos como será a batalha contra o sono de Shun e sua busca por respostas. Aviso: Previsão de postagem entre 7 e 15 dias. Estarei bem mais atarefada com estágios e faculdade, minhas provas começam agora em setembro (2019) e talvez por causa disso os capítulos sejam postados de forma mais espaçada de tempo. Bjoos e até a próxima