- Tio, acho que conseguimos uma pista de onde a Seo-jin pode estar. – disse Baek Ji-sung ao presidente do Grupo Baek, assim que entrou em seu imponente escritório, no último andar do majestoso Edifício Baek.

- Você tem certeza, Ji-sung? – perguntou o empresário idoso, com o olhar cheio de esperança.

- Nós conseguimos imagens de algumas câmeras de segurança do bairro, próximas à casa da Yoon In-a. Parece que ela fugiu mesmo com a menina, mas não estava sozinha quando fez isso. Pelas imagens que analisamos, conseguimos ver que também tinha um homem desconhecido junto dela. Parece que ele estava ajudando ela a fugir com a Seo-jin. Com certeza são cúmplices. – relatou o rapaz, com uma visão dos fatos um pouco diferente da de Hae-il e Dae-yeong, porém, as imagens que ele havia conseguido ter acesso não eram as do mercadinho, que era o lugar mais próximo da casa. Ele só tinha conseguido imagens de ruas mais distantes, de quando os fugitivos já tinham conseguido despistar os perseguidores.

- E vocês já descobriram quem é esse desgraçado que está ajudando ela a esconder a Seo-jin?

- Ainda não. Não conseguimos ver o rosto dele, porque estava escuro e ele usava boné e máscara, mas parecia que sabia bem o que estava fazendo.

- Mas então, qual foi a pista que vocês descobriram, afinal? Onde vocês acham que a minha netinha está?

- Ainda não temos certeza, tio, então, por enquanto, é só uma hipótese e não convém que essa informação seja repassada a imprensa. É estranho, porque em uma imagem, eles aparecem indo em direção à Catedral de Gudam, mas nas imagens seguintes, a Seo-jin não está mais com eles. Infelizmente, depois disso perdemos o rastro deles. Imaginamos que eles possam tê-la deixado em algum lugar e o meu palpite é que tenha sido na igreja.

- Na igreja? Essa igreja é aquela que é responsável por um orfanato também, não é? Será que eles tiveram a audácia de abandonar a minha netinha com desconhecidos? Não é possível que aquela oportunista tenha feito isso! Isso só prova que ela não pode ficar com a Seo-jin de jeito nenhum. Ela está colocando minha neta em perigo com essa loucura! – revoltou-se o empresário, indignado com o que tinha acabado de ouvir. – Mas se ela realmente deixou a menina lá, porque eles não a entregaram para as autoridades até agora? Será que são cúmplices também?

- Não sabemos, tio Sang-min, mas é o que pretendemos descobrir. Se o senhor concordar, eu vou até a delegacia contar o que averiguamos. Vou fazer uma denúncia formal contra os responsáveis por aquela igreja. Quando a polícia for vasculhar o lugar, vou pedir para ir junto. Acho que eles não vão negar o meu pedido. Se ela estiver lá, nós a encontraremos.

- Faça isso, Ji-sung. Eu mesmo vou falar com o Comissário de Polícia para autorizar a sua presença durante as investigações. Se eles estiverem mesmo envolvidos nisso, vão se arrepender. Para mim não importa se eles são religiosos. Se estiverem contra mim, irão pagar muito caro.

Desde o momento em que Baek Ji-sung soube do desaparecimento da pequena Seo-jin, ele se prontificou a contratar profissionais e iniciar uma investigação por conta própria, paralela à da polícia. Além de Seo-jin, ele era o único descendente vivo da Família Baek e tinha um grande apreço pelo falecido Baek Seok-jun, a quem ele considerava mais do que um primo, era quase um irmão. Ele estava verdadeiramente decidido a encontrar Yoon In-a e sua filha custasse o que custasse e sua investigação o estava levando para cada vez mais perto da Catedral de Gudam.

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- Delegado Ahn! Delegado Ahn! – chamou Gu Dae-young, esbaforido, assim que chegou na delegacia de polícia.

- O que foi, Detetive Gu? – perguntou o oficial superior, sem entender o motivo de tanta afobação.

- Chefe, o senhor precisa dar uma olhada nessas imagens. É sobre o caso da menina Baek desaparecida. – revelou ele, colocando o pen drive sobre a mesa do chefe e conseguindo atrair a atenção de todos os seus colegas policiais presentes no recinto.

- Mas o que nós temos a ver com esse caso? – perguntou o novo delegado, não muito interessado em se envolver. – Nos pediram só para ajudar a distribuir os panfletos de desaparecidas da mãe e da filha por aí. Isso é assunto da Anti-sequestro e da Pessoas Desaparecidas.

- Não é mais, chefe. Depois que o senhor ver isso, vai entender que nós é quem deveríamos assumir o caso. – retrucou Dae-yeong.

Curioso com a afirmação tão categórica do policial, o homem finalmente pegou o pequeno dispositivo e o conectou ao seu computador. Todos os demais policiais largaram seus afazeres e correram para se amontoarem atrás do chefe, na tentativa de também verem o que tinha de tão importante no pen drive trazido pelo Investigador Gu.

Depois de assistirem ao rápido vídeo de cerca de cinco minutos, todos ficaram confusos, até mesmo o novo delegado, que havia assumido o cargo após a exoneração e prisão do anterior, por envolvimento na morte do Padre Lee.

- Mas quem são esses homens junto da Srta. Baek? São cúmplices que ajudaram ela a fugir? – perguntou o homem, ainda sem entender direito o que estava vendo.

- Não, delegado. Assiste de novo. Eles estão perseguindo ela. Pelo menos, os três últimos, estão.

- Então… o senhor acha que ela não fugiu com a filha por vontade própria, como o Presidente Baek alegou? – perguntou o delegado, finalmente entendendo. – Ela foi embora por que estava sendo perseguida?

- Exatamente, Chefe! O senhor não acha que a Anti-sequestro e a Pessoas Desaparecidas estão sendo negligentes com a investigação? – continuou Dae-yeong, empolgado para contar as descobertas daquele dia. – Eles só aceitaram o que o Sr. Baek falou como se fosse verdade absoluta e ninguém investigou pra valer o que aconteceu. O Padre Kim e eu fomos na casa dela hoje e…

- Espera um pouco. O senhor e quem, foram onde? – interrompeu o delegado, surpreso e irritado pela atitude irresponsável do policial, que além de agir por conta própria, sem informar seus superiores previamente, também permitiu que um civil se envolvesse no caso.

- É… quer dizer… o senhor sabe, o Padre Kim Hae-il, da Catedral de Gudam... ele já nos auxiliou antes de o senhor assumir aqui… Ele sugeriu que seria uma boa ideia dar uma investigada mais a fundo. – declarou entrecortadamente, já se arrependendo por ter falado um pouco demais.

- Eu bem que imaginei que toda essa ideia de investigação não tinha saído da sua cabeça. – disse, menosprezando a capacidade de seu comandado. – O senhor não tem permissão para colocar civis no meio de uma investigação, ainda mais um padre!

- Eu sei senhor, mas se não fosse pela sugestão dele, nós não teríamos descoberto outras pistas ainda mais contundentes.

- Pistas? E que outras pistas seriam essas? – inquiriu o chefe, agora curioso, deixando a bronca de lado temporariamente.

- Então, Delegado Ahn… Eu sei que o que nós fizemos foi errado... – começou tentando se desculpar para amenizar a reprimenda. – Mas quando chegamos na casa da Srta. Yoon, o portão já estava aberto e com sinais de arrombamento. Foi só por isso que nós entramos, porque já estava aberto… E entrando na casa, que também já estava aberta, encontramos sinais de invasão e luta corporal. Também encontramos marcas de tiros nas paredes e… sangue no chão. Por isso eu digo que devemos assumir o caso, chefe. A casa foi invadida por aqueles três caras e por isso ela teve que fugir com a filha no meio da noite. Ela pode até estar ferida ou a criança... Esse é um caso muito mais sério do que aparenta. Precisamos enviar a perícia para o lugar imediatamente, senhor!

- Bom, realmente o senhor está apresentando muitos fatos novos e interessantes… – precisou admitir o delegado. – Acho que seria prudente mandar uma equipe de peritos para a casa, então.

- É isso aí, senhor! Imagina se a Divisão de Crimes Violentos, liderada pelo senhor, desvenda esse caso e encontra mãe e filha desaparecidas? Pensa na visibilidade que o senhor teria. Acho até que poderia ser promovido a Comissário… – tentou convencê-lo, apelando para o seu ego.

- Entrem em contato com o Instituto Nacional de Criminalística e consigam uma equipe de peritos para irem até a casa da Srta. Yoon o mais rápido possível! – ordenou, já completamente convencido pelos argumentos de Gu Dae-yeong.

- Boa, Chefe! Mas o senhor ainda não sabe da maior.

- E tem mais?

- Tem, sim senhor.

- Então fale de uma vez, Detetive Gu! Não fique passando a informação parcelada!

- Parece que a família Baek já estava sabendo de tudo isso, mas continua acusando a Srta. Yoon. Isso é bem estranho… Pelo que vimos, o sobrinho do Sr. Baek está bastante interessado no caso e está investigando por conta própria.

- O senhor tem razão, Detetive. – interrompeu uma voz masculina, de alguém que tinha chegado há algum tempo, sem que ninguém notasse, e que aparentemente havia escutado a parte final da declaração de Gu Dae-yeong. Era justamente o sobrinho do Presidente Baek, Baek Ji-sung. – Eu realmente estou à frente de uma investigação particular, mas ela só se iniciou depois da coletiva do meu tio. Eu também tive acesso a algumas imagens interessantes das câmeras de segurança próximas à casa da Yoon In-a, mas parece que nós temos opiniões um pouco diferentes sobre o assunto.