O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
20 Ninguém está satisfeito

A inspeção já estava durando quase duas horas, quando finalmente o delegado se deu por vencido. Além de vasculharem a igreja e a casa paroquial, eles tinham, inclusive, ido também até o orfanato, por sugestão do próprio Padre Kim, mas não haviam encontrado nada. A menina, com certeza, não estava por lá.
- Pedimos desculpas pela invasão, Padre Kim. Padre Han e Irmã Kim, agradecemos pela cooperação de vocês. Não encontramos nada suspeito. Felizmente, tudo não passou de um mal-entendido.
- Eu também peço desculpas pelas minhas conclusões precipitadas. – disse Baek Ji-sung, se curvando em reverência.
- Sem problemas. Vocês só estão fazendo o trabalho de vocês. Fico feliz que tudo tenha sido esclarecido, só não fico feliz que ainda não tenhamos nenhuma pista do paradeiro da garotinha e da mãe. – continuou Hae-il com seu teatro.
- É verdade, mas nós vamos continuar investigando todas as pistas que temos. Nesse momento, nossa equipe forense também está periciando a casa da Srta. Yoon e de lá poderemos ter novas informações em breve.
- Nós ficaremos orando por boas notícias.
Enquanto se despediam, o Capitão Go veio apressado interromper a conversa. Ele tinha recebido uma ligação confusa do chefe da equipe de peritos que trabalhava na casa de Yoon In-a e precisava falar com o delegado.
- Com licença, senhor. É o chefe dos peritos no telefone.
- Aqui é o Delegado Ahn. O que foi? – perguntou o oficial superior, assim que recebeu o aparelho das mãos do outro policial. – Como assim, não encontraram nada?
Dessa vez, foram Kim Hae-il e Gu Dae-Yeong que se entreolharam sem entender nada.
- Nenhum vestígio de invasão?
Ao ouvir aquilo, o sacerdote tomou o telefone das mãos do delegado, sem nenhuma cerimônia, deixando o homem sem reação, e assumiu a conversa com o chefe dos peritos. Ele colocou no viva voz, para que Dae-yeong também pudesse escutar.
- Como é possível que vocês não tenham encontrado nada?! – questionou o padre, inconformado.
- Quem é que tá falando? – indagou o perito do outro lado da linha, sem saber quem tinha se intrometido em sua conversa com o delegado.
- É o Padre Kim Hae-il.
- E o Detetive Gu Dae-yeong.
- Ah, são os dois idiotas que fizeram a gente vir para cá perder tempo?
- Idiotas, não! Mais respeito, rapaz. – irritou-se Dae-yeong momentaneamente. – Mas é que isso não faz o menor sentido... Só faz algumas horas que saímos daí e a casa estava uma bagunça.
- Pois então, eu acho que vocês invadiram a casa errada, porque aqui não tem nada de nada. Muito pelo contrário, a casa está em perfeita ordem.
- Em primeiro lugar, nós não invadimos nada, porque a casa já estava aberta e em segundo lugar, isso simplesmente não é possível! – retrucou o padre.
- Se está duvidando do nosso trabalho, então vem aqui ver! – desafiou o homem irritado, antes de desligar na cara do sacerdote.
- Ei! Ei! – gritou Hae-il ao telefone, mas a ligação já havia sido encerrada pelo perito do outro lado da linha.
- Nós precisamos ir até lá, Delegado! – disse Dae-yeong. – Posso levar o Padre Kim comigo?
- Tá bom. Dessa vez, ele tem permissão para ir junto. – autorizou o superior, agora também intrigado, recebendo a aparelho celular de volta do padre.
Dae-yeong pegou a chave de uma das viaturas e os dois saíram em alta velocidade, largando os demais policiais na igreja. Eles também já estavam de saída, mas aí se deram conta de que não havia espaço suficiente para todos dentro de um único carro. Eles até pensaram em pedir carona para o Sr. Baek, mas quando perceberam, o empresário também já tinha partido.
O carro acomodava, no máximo, cinco pessoas e eles estavam em seis, então tiraram a sorte para ver quem ficaria de fora. O Delegado Ahn, foi o azarado, que seguiu desanimado para o ponto de ônibus. Seu primeiro grande caso à frente da Divisão de Crimes Violentos da Delegacia de Gudam não havia começado como ele gostaria e o sonho de cair nas graças da família Baek parecia que ainda levaria algum tempo para se concretizar.
*****
Baek Ji-sung não estava satisfeito com o resultado de sua pequena caça às bruxas. Ele tinha certeza de que o pessoal da Catedral de Gudam estava envolvido de alguma forma no sumiço da pequena Seo-jin e isso era um problema. Ele precisava encontrar mãe e filha o mais rápido possível, ou então a situação poderia ficar perigosa.
Desde o início, as coisas não iam bem, mas estavam sob controle enquanto a polícia aceitava apenas a palavra de seu tio como absoluta, mas agora que haviam resolvido investigar, eles poderiam descobrir coisas que não lhe seriam convenientes.
Depois de conhecer pessoalmente o tal Padre Kim, estava nítido que ele havia sido o instigador de toda aquela reviravolta no caso. Apesar da solícita colaboração do padre, algo nele não agradou Baek Ji-sung. Ele tinha chegado à igreja confiante de que lá encontraria alguma reposta, mas não foi bem assim. Inclusive, agora, já dentro do carro, no percurso de volta à empresa, ele se perguntava, preocupado, se havia falado demais naquela rápida conversa aparentemente inocente com o sacerdote. Pensando com mais clareza, agora lhe parecia que o padre o havia colocado em meio a um interrogatório, sem que ele se desse conta. Ele estava sentindo que aquele homem lhe traria problemas muito rapidamente.
- Não havia nada mesmo na igreja, Jung Do-yoon? – perguntou o empresário, ao seu empregado de confiança, que havia acompanhado as buscas da polícia. Ele também, além de ser seu motorista, era seu guarda-costas.
- Não, senhor. Não havia nada que indicasse que alguma criança tivesse passado por lá nos últimos dias, mas algo me diz, que isso pode não ser totalmente verdade.
- Por que diz isso, Sr. Jung? – inquiriu o empresário, curioso.
- Por causa do cheiro. – respondeu o homem, pensativo.
- Que cheiro?
- Um cheiro de coisas de bebê.
- Cheiro de coisas de bebê?
- Sim. Quando o meu sobrinho era pequeno, toda vez que eu ia na casa da minha irmã, eu sentia aquele mesmo cheiro na casa dela. Era um cheiro parecido com o de talco ou de sabonete. Não sei direito. Mas eu tenho quase certeza de que senti esse mesmo cheiro na casa paroquial. Principalmente no quarto da freira e do padre mais velho.
- Então quer dizer que eles mentiram para nós...
- Não tenho certeza, mas meu nariz diz que sim.
- Interessante... E a polícia não notou isso?
- Acho que não. Se algum dos policiais notou, não comentou nada.
- Então é bom ficarmos de olho nesse padre, porque algo me diz que ele não é flor que se cheire e poderemos ter problemas com ele. Com certeza a menina esteve lá, mas deram um jeito de escondê-la antes de chegarmos. Ele deve ter informantes na polícia. Só pode ser aquele detetive. Mas como ele conseguiu avisar o padre que estávamos vindo? Eu disfarcei, mas não tirei os olhos dele na delegacia. Não deve ter sido pelo celular, porque eu não percebi ele usando o aparelho e o padre também estava sem bateria, eu comprovei… Ele deve estar se achando muito esperto por ter saído ileso dessa investigação, mas logo, logo ele vai se arrepender por ter se intrometido nisso. Ele não faz ideia do perigo em que se meteu. Reúna o pessoal. Tenho mais um servicinho para eles.
- Sim, senhor.
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