O Sabor Da Insanidade

4 O Renascimento


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Tu-dum... Tu-dum... Tu-dum! TU-DUM! TU-DUM!

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Onde... estou? Que lugar é esse? Para que estou aqui? Sinto que... eu não pertenço a este mundo.

Quem... sou... eu? O que sou eu? Não consigo... me lembrar. É como se eu não existisse. Existir? O que é que existe? O que é real? Não sei... não lembro...

O que é que era? Uma forma pequena... um olhar doce e amável... um sorriso lindo e sincero. Quem era? Não recordo... não recordo de nada, mas preciso salvá-lo, preciso protegê-lo!

Meu corpo dói... como se toneladas de coisas horríveis me esmagassem, minha cabeça queima como se eu estivesse sendo brutalmente castigado. Minha alma... minha alma está muito pior, é como se ela tivesse sido estraçalhada em milhões de pedaços.

Um vazio congelante sobe pela minha garganta. Minha boca está sedenta por... vida? Não sei de mais nada, só sei que tenho muita... fome.

Fome... que fome é essa? É como se eu precisasse de comida para me reconstruir, para poder existir de novo. Não quero me satisfazer, quero fazer este buraco infinito de minha mente transbordar.

É difícil me levantar, essa dor maldita me deixa nauseado. Meus olhos não enxergam com clareza, sinto uma tontura tenebrosa, as coisas giram e se misturam na minha frente.

Preciso ir... ir pra onde? Não sei... mas preciso ir. Minhas pernas, horrivelmente doloridas, quase que se movem sozinhas, elas me levam para aquela direção. Cada passo é torturante, cada segundo é uma angústia. Quero ir para lá, preciso seguir em frente.

Ali... o que é aquilo? Uma... uma pessoa. Agora eu vejo, seus olhos são tristes e exibem um abismo de confusão e solidão, ela parece estar... igual a mim, mas... não posso me aproximar, eu vejo seu corpo próximo, mas ao mesmo tempo ela está tão distante, está perdida num labirinto interminável de sofrimento. Mas também... posso sentir que está faminta, tão faminta quanto eu.

Conforme eu passo, vejo mais pessoas. Elas são todas iguais, todas amaldiçoadas. O que é isso? Porque esse mundo está assim?

Finalmente... é aqui que eu queria chegar... este lugar... é... uma casa! Eu odeio... eu odeio este lugar! Sinto como se toda a fonte maldita de meu sofrimento saísse deste lugar horrível. Quero destruir, quero aniquilar, quero dilacerar o que quer que seja que se esconde ai!

Vejo que aqui há mais pessoas, está cheio delas, e todas... todas estão perdidas e sedentas como eu...

Há quanto tempo estou aqui? Não consigo mais contar, não consigo perceber sua passagem, é como se minha estadia aqui fosse infinita, será que estou no... inferno? Algum tipo de purgatório?

PÁÁÁÁ! PÁÁÁ! PÁÁÁÁÁ!

Esse barulho? O que é esse barulho? Vem daquele lado, preciso encontrar sua fonte, preciso... destruir sua fonte!

PÁÁÁÁ! PÁÁÁÁ!

Agora vejo... um ser abominável, não consigo reconhecer sua forma, é como se fosse uma massa negra e maligna, emanando ódio a sua volta! Reconheço apenas seus olhos, eles são horríveis! Lançam a mim um ódio e uma repulsa detestável, ele quer me matar, ele quer me destruir! Isso é... um demônio!? Sua voz... ela emiti um som que me enfurece cada vez mais! Posso ouvi-lo sussurrar de forma fria e cruel ‘’Não temos espaço para mais um’’. Ele é uma ameaça para aquela pessoa, preciso salvar aquela pessoa, para isso este monstro não pode existir! Preciso matá-lo, quero livrar o mundo de sua desprezível existência, quero despedaçar esta aberração até que não sobre o menor resquício de vida!

Meus irmãos, as demais pessoas tristes, também sentem o ódio deste demônio e avançam em sua direção, mas alguns sucumbem contra seu poder maligno. Estou me aproximando cada vez mais, já posso sentir seu cheiro de sangue. Sangue... sim, quero fazer escorrer todo seu sangue! Não vou dar-lhe nenhuma chance, finalmente estou tocando seu corpo diabólico, posso sentir o maravilhoso gosto do medo fluindo de sua pele! Todos juntos, eu e meus irmãos agora estamos sobre ele! Que sensação incrível, com minhas mãos eu rasgo sua pele, arranco e mutilo cada centímetro de sua vil existência.

O sangue... vejo seu sangue escorrendo, um luminoso líquido rubro sobre uma vasta e negra escuridão, como se colorisse e desse vida a um vácuo deplorável! Vejo agora o ódio em seu olhar dando lugar ao medo, como se implorasse por misericórdia. Eu preciso... roubar seu sangue! Roubar-lhe a vida para preencher e reconstruir a minha! Aniquilá-lo para que nunca mais assombre esse mundo com sua presença! Minha garganta grita, meu corpo inteiro estremece de prazer só de imaginar cada pedaço desta abominação sendo... devorada?

Sim... agora percebo... quero tudo, não apenas seu sangue, quero devorar todo seu corpo. Quero tudo!

A primeira mordida! Sinto o gosto maravilhoso de sua matéria se juntar ao doce e revitalizante sangue que escorre por minha boca. Uma sensação única de conforto e plenitude invade cada milímetro de meu corpo! Cada mordida me faz esquecer todo meu sofrimento, não consigo pensar em mais nada. De novo, quero mais, preciso de mais... muito mais!

Ali! Não havia percebido! Há mais dois malditos demônios, vou dilacerá-los como fiz com o primeiro, vou tomar tudo que eles possuem!

...

Acabou? Não... o êxtase de matar os demônios me fez, por um momento, esquecer. Aquela pessoa... preciso encontra-la... era uma...

Uma garota...