O Sétimo filho e o Lobo
4 Surpresas inesperadas
Notas iniciais
Acordei uma hora depois, minha mãe estava do meu lado, pegou um copo de leite para fazer com que eu tomasse, o leite estava tão gelado e minha garganta estava tão seca, que eu senti cada gotícula do leite descer pela minha garganta.
– Cadê meu filho? Isabel...
– Arthur está dormindo, como se nada tivesse acontecido, e Isabel foi levada para o hospital local mais...
– Mas o que mãe?
– A criatura ou o que seja que atacou vocês, arrancou a mão dela, Sebastian a encontrou quase sem vida no desfiladeiro perto da estrada.– Sebastian está aqui como...
– O seu querido primo enrolou seu tio, em vez de se alistar no exército Brasileiro, foi servi na Revolta da chibata, defendendo os negros Marinheiros, agora ele se diz marinheiro, sempre foi um grande moralista assim como sua mãe e olha onde ela está agora.
– Eu não acredito que mesmo em meio à confusão que está acontecendo, você não sabe conter sua língua.
Levantei sem dar a mínima importância as advertências que minha mãe falava, para que eu continuasse deitada e repousasse. Desci as escadas e encontrei Sebastian sentado em uma cadeira, próximo a escada, naquele momento meu coração bateu tão forte, que o terror de horas atrás havia sumido da minha mente, sem dar nenhuma importância ao que poderia acontecer, corri até ele e o abracei forte, meus pensamentos se obscureceram em tantas lembranças do passado, me peguei imaginado as várias vezes que nos encontrávamos escondido, até que a imagem dele morto no meu sonho, sobreporá todas as outras coisas que passava pela minha mente. Ao lado de Sebastian estava uma pessoa, que Catarina não imaginava ver naquele momento.
– você nos deu um grande susto Catarina, fiquei tão preocupado com minha Nora, que corri até aqui para vê-la.
– Oi Emilio, que bom que você está aqui, onde Nicolau está?– Pelo que eu vejo, não está aqui no momento, mas prevejo que ele logo chegara. Eu o chamei para conversamos ontem, mas logo ele saiu, pois estava muito preocupado com você e Arthur, meu filho agora só tem olhos para vocês e esqueceu do seu querido pai.
Eu sempre achei Emilio muito frio, mas hoje ele estava com um olhar e uma audácia em suas palavras que até mesmo me assustava, me perdi em sua conversa, pois vi o quanto Sebastian ficou desconcertado ao ouvir o nome de Nicolau, mudei de assunto. Minha mãe desceu as escadas, e chamou todos para a mesa do café da manhã, pois já estava ficando tarde e todos precisavam tomar café. Na mesa, eu não consegui falar mais nada, o que permeava minha mente, era aquela criatura medonha tentando arrancar Arthur de mim, pensei em levantar para vê-lo, até que ouvi passos vindo para a cozinha, era Nicolau, que olhou um pouco pálido para a mesa e nada falava, deu bom dia a todos e minha mãe logo levantou arrastando uma cadeira, para que ele se juntasse a mesa com conosco e o mesmo não fez cerimonia e se sentou, minha mãe de minuto a minuto encarava Sebastian.
– Nicolau esse aqui é Sebastian, o primo de Catarina
– Muito prazer Sebastian Sebastian fez sinal com a cabeça e nada respondeu. Nunca imaginei presenciar uma cena como está, mas hoje me encontro na mesma mesa, que meu esposo e o homem que eu tanto amo. Minha mãe e Emilio conversavam criticando o quanto era pretensioso que o povo achasse que fosse um Lobisomem que tivesse criado toda aquela bagunça.
– Eu nunca vi um povo tão arrogante como esses que reside essa região, não entende de empreendimento e ainda acredita em cada baboseira.
Emílio deu uma longa risada acompanhada da minha mãe, observei algo diferente em Emílio, seu dente, tinha algo nele, fiquei o observando, até que pude notar, já que eu estava de frente para ele, um pedaço da minha saia em seus dentes, era pequeno, mas dava pra ser visto, meu coração parou por um momento, comecei a suar frio, Nicolau perguntou se eu estava me sentido bem, mas eu não podia confiar no filho daquele homem, respirei fundo, tomei um pouco de suco, olhei para Sebastian o único homem que no meu conceito, seria o mais confiável naquele momento, fiz sinal para que ele me encontrasse depois, eu tinha que ser muito cautelosa, para que aquela criatura não percebesse. Levantei alegando que iria descansar um pouco, logo que sai da vista de todos, subir as escadas, entrei no quarto que estava meu filho, peguei ele em meu colo. Eu não sabia o que fazer, e se aquela criatura resolvesse matar a todos, será que ele podia se transforma de dia, pois ontem nem era lua cheia e ele havia se transformado mesmo assim, Catarina havia ouvido várias histórias sobre Lobisomem, mas naquele momento não conseguia se lembrar de nada, chegou numa janela e lá estava Sebastian, ela entregou Arthur para ele, ele não entendia nada do que ela estava fazendo.
– O que é que você está fazendo?
– Confie em mim, tira meu filho daqui, a criatura está aqui em casa.
– O que? O Lobisomem que Isabel contou ter visto, está aqui? Ela só fala isso, enquanto ia para o hospital.
– Sim! Eu preciso que você tire meu filho daqui, pois a criatura está atrás do meu filho.
Sebastian assentiu, prometeu levar Arthur para uma fazenda vizinha e voltaria com ajuda. Quando ele saiu, algo surgiu na mente de Catarina, o pote que Isabel queimara, tinha algo dentro dele, Catarina lembrou do cheiro de planta, correu para uma dispensa nos fundos, onde ficava toda a prataria da família, encontrou uma faca de prata, coloquei na beirada do vestido, a casa dos fundos não havia ninguém, pois Esmeralda a mãe de Isabel deveria estar com ela no Hospital, passei pelo corredor e pude ouvir as vozes de todos na cozinha, cheguei na pequena casa, abri a porta e comecei a procurar, por alguma planta. Senti um vulto atrás das minhas costas, virei e lá estava Emilio, com aquele sorriso torto aquele olhar de superioridade.
Fale com o autor