O Romance De Pollyanna
2 Morrer é Viver
Notas iniciais
[POV NANCY]
-Nancy! Que horrores de gritos são esses em plena manhã!?- irritou-se Paulina
Não conseguia dizer nada só pensava em onde Pollyanna poderia estar agora de braços abertos para qualquer perigo “E se ela for atropelada de novo?” eu pensava. Nessas horas o jogo não vale! Minha face era um semblante de uma preocupação tamanha... Meus olhos arregalados rasos d’água, com o corpo trêmulo e a boca entreaberta.
-AHHHH!- exclamou a senhorita Harrington com espanto- o que aconteceu Nancy!- Paulina estava afobada e correu num piscar de olhos as escadas em caracol tão rápido e quando chegou perto de mim viu... Eu soava frio estava corada e quase sem ar. Tocou em mim e eu estava gelada... Agora a senhorita Harrington estava num estado desesperador! Sua face estava quase igual a minha. Ela estava quase sem fôlego e suponho que com uma náusea, pois estava segurando forte sua garganta e afinal tinha subido correndo as escadas ao me ver sem ter tempo se quer de engolir a comida, estava ofegante respirando de boca aberta e não parava de perguntar quase gritando:
-NANCY, NANCY! Escuta-me NANCY!- ela falava afobada, mas eu estava fora de mim.
Não aguentei e enquanto Paulina me segurava eu caí sobre seus braços, desmaiada. Paulina contraiu o lábio para suportar o peso, fez uma força subtia para me segurar e uma gota de suor deslizou sobre sua testa. Olhou pela janela rapidamente e ninguém estava passando, então rapidamente tomou toda a sua força me segurando com os dois braços e ficou na posição de cócoras, mas estava usando saia... Mas era cumprida decidiu fazer isso rápido já que não vinha ninguém, apoiou meu corpo sobre suas pernas e no largo e extenso bolso da minha saiavental pegou um lencinho que eu usava para enxugar minhas lágrimas mas ela enxugou sua testa suada.
-Nancy, Nancy!- disse ela suavemente, batendo de leve no meu rosto.
Fui abrindo uma fresta de meus olhos de um profundo azul, então vi o abatimento da patroa e com cara de “Ufa! Ela está viva!” então num salto levantei com aquele mesmo semblante de desespero.
— Nancy me conte o que está acontecendo o que aconteceu?!- dizia a senhorita Harrington tentando entender.
Eu não conseguia dizer uma palavra, estava com uma cara de espanto, quando abria a boca para falar alguma coisa não saia som apenas grunhidos, Paulina percebera meu desespero e tentava decifrar minhas ações.
-A me-me-me-menina su-su-sumiu!- eu disse gaguejando como eu consegui, com o mesmo semblante cada vez transpirando mais, eu suava frio.
-Oh meu Deu!- Paulina me largou de supetão- Pollyanna, Pollyanna!- gritava ela pela janela.
Eu já estava diferente, agora eu estava é com a cara emburrada olhando para a senhorita Harrington que me largara no chão. Me levantei devagar limpando a poeira na minha roupa de governanta.
— Nancy traga o telefone!- disse Paulina num tom de desespero.
Fui buscar o celular de madame e perguntei:
— Vai ligar para quem?
— Não é da sua conta!- Respondeu madame Harrington grosseiramente.
— Eu sugiro que ligue para o pai da meni...- Me auto interrompi pois na hora que eu disse “pai”, Paulina me lançou um olhar tenebroso do tipo: “Cuidado com o que fala! Não repita!”.
— Quero dizer tio de Pollyanna! Seu marido!- depois de um tempo tentei consertar a fala com um sorriso amarelo.
— Eu ligarei para a polícia aqui de Beldingsville para iniciar uma busca, não quero mais problemas aqui em casa!- disse Paulina aflita enquanto tremia a discar o número no telefone.
Respirei fundo e tomei a iniciativa:
— NÃO!- eu disse com firmeza puxando o celular da mão de madame.
— O que você pensa que está fazendo Nancy?- hesitou Paulina com os olhos arregalados e vermelhos de raiva- enlouqueceu?!- disse ela recuperando novamente o celular da minha mão paralisada olhando a cena acontecer diante de meus olhos. — Vá fazer o seu dever Nancy! E não se meta onde não é chamada!- finalizou Paulina com raiva.
— Mas senhora... — Ia falar com respeito mas me senti traída e saí do local me dirigindo à cozinha para voltar ao meu dever emburrada.
Como pode! Pollyanna uma menina tão solta para o mundo e ela esperar pela polícia! Ainda acha que a polícia virá, vai achar que a senhorita Harrington está mandando um trote! E mais ainda, ela não liga para avisar o próprio marido que a sua sobrinha hospedada em sua casa fugiu... Agora eu entendo porque o namoro não foi para frente! Eu estava tão brava e olhando com tanto desgosto para Paulina que enxugava os pratos tão forte que...
— Alô, é da polícia de Beldingsville...
CRASH!
— Mas o que é isso!- disse senhorita Harrington sobre o barulho ainda ao telefone.
— Senhora, mas que coragem!Que desrespeito, passando trote! Ah! Como sou incompetente, é claro! Não posso nem duvidar que tudo já estava programado! Oh meu Deus!- lamentava o policial ao telefone.
Minhas mãos estavam sangrando, pois o prato quebrou na minha mão e o pano estava se molhando de sangue na minha mão também. Gotas vermelhas pingavam no chão e quando Paulina viu a situação que eu me encontrava fechou o celular e colocou-o numa mesinha de cristal onde ela estava apoiada enquanto falava ao telefone, por tanto a mais próxima e correu para me socorrer.
— Nancy, você está bem?- disse ela segurado minhas mãos.
Eu estranhei, quando acontecia um episódio qualquer de quando eu quebrava alguma coisa sempre era o mesmo sermão de “A próxima vez será despedida! Como pode trabalhar assim! Mão furada e etc.” e ainda por cima ela estava ao telefone na hora eu pensei que não iria nem ter próxima vez! Mas seus atos foram prudentes e heroicos que eu até perguntei mei sem graça:
— Você não vai dizer que eu não trabalho bem e que não sirvo para ganhar dinheiro?!
Ela olhou para o chão contraiu um pouco os lábios, parecia que a boca dele queria ilustrar a antiga patroa grosseira e mesquinha, mas então olhou para mim com aqueles cachos negros atrás da orelha e seus olhos sempre pintados com um preto forte assemelhando-se a Amy Winehouse, seu olhar profundo abriu um sorriso que eu senti que era verdadeiro uma coisa que eu imaginava que nem Pollyanna poderia curar... Paulina Harrington nunca sorrira daquela forma então disse com todo o sentimento:
— Mas é claro que não!- e seu sorriso não saia de seu semblante, muito pelo contrário! Só havia de aumentar!
Eu estava com o olhar pasmo: Meus olhos arregalados mostrando o profundo azul que agora brilhava por ver a bondade que brotara de Paulina Harrington, minha boca estava escancarada mostrando um sentimento de alegria e surpresa em minha face, tudo se iluminava.
As mãos suadas de Paulina apertavam forte as minhas, creio que para estancar o sangue, mas as próprias mãos de madame já estavam cobertas de sangue.
— Venha que eu te acompanho ao lavatório, — disse ela se levantando comigo e com uma cara do tipo: “Vamos lá!”- depois de higienizarmos as mãos doentes eu passarei um remédio e se for o caso peço ao Tomás ver o que pode fazer.
Eu sorria sem limites e, acompanhada de Paulina Harrington, fui ao lavatório, na casa eu e Paulina tínhamos um semblante contente, segundo ao jogo eu acho que estou contente por machucar as mãos e quebrar o prato... Pelo menos agora não sou só trabalhadora “escrava” como nos últimos tempos e sim AMIGA de Paulina Harrington!
[POV TOMÁS CHILTON]
Eu estava tão contente hoje... Na maioria das famílias em pleno sábado é dia de sair ir para a praia cinema fazer algum programa, principalmente porque tínhamos uma criança em casa e eu estava ansioso para ver Pollyanna e minha querida esposa! Hoje o doente se curou rápido, como o jogo ensina, o dia bonito o alegrou e eu fiquei alegre por tê-lo curado! Hoje não teria motivos para ficar triste!
Eu estava passeando pela floresta perto da casa do pastor da cidade que parecia estar fazendo um funeral, eu não gosto de mortes... Isso me associa a doença! E assim penso não ter feito meu trabalho dignamente, mas não podia sofrer antes, fui procurar saber mais.
— E que todos alegrem-se à presença de Deus!- dizia o reverendo que quando me viu fez um sinal a uma freira que parecia uma gárgula sempre ao seu lado sem se mexer.
A tal freira saiu do lado do pastor se dirigindo à mim, ela foi fazendo sinais apontando uma porta ao fundo e eu apenas balançava a cabeça. Arregacei um pouco a manga da camisa e vi: Uma hora! Estava atrasado, comecei a fazer sinais para a freira também para a porta da saída e me dirigindo para lá, mas ela me puxou pelos braços contra a minha vontade para a porta de vidro que ela apontava. Dei um suspiro profundo e pensei: “Paciência!”, quando eu chegar em casa tenho uma desculpa: Fui raptado por uma freira!
Chegamos mais perto da porta, e a freira estava abrindo vagarosamente para não atrapalhar o funeral. Eu vi então pela porta de vidro muitas plantas “Será o jardim de inverno da igreja?” pensei ou “Ou alguma estufa, mas para que e porque ela está me trazendo aqui?” eu estava cada vez mais confuso...
— Senhor Tomás conheça o reservatório da igreja!- disse a freira com prazer e alegria estampados em seu rosto.
— Vossa Excelência Reverendíssima, — tentei dizer educadamente- Acho que se confundiu de homem, eu sou o Dr. Chilton, não o jardineiro da igreja. — finalizei já saindo.
Ela me segurou novamente e eu parei, pois percebi que o assunto era sério.
— Não estou confundida, — disse ela severamente- o padre sabe o que diz, sua filha passou aqui para dizer como o dia estava lindo e o arco íris, que agora já se apagou, estava no céu... Vossa Paternidade adora sua filha, ela sabe como fazer uma boa missa. Hoje, — ela começou triunfante- Depois da visita de Pollyanna Whitter o reverendo decidiu proclamar uma missa a Deus chamada: As oitocentas maravilhas da Bíblia, por influência da menina. Foi construído esse reservatório aos mortos... — ela disse sorrindo.
Eu estava com uma cara de “Ã????? Não estou entendendo nada!”.
— É exatamente o que pensas- ela disse olhando para mim- antes era cemitérios, passeatas a noite, choradeiras... — um suspiro profundo interrompeu a fala da mulher- mas graças à Pollyanna Whitter o reverendo pegou os dinheiros da missa e mandou demolir o cemitério, agora é feliz quando alguém morre!- disse ela esperando uma reação minha, mas eu já não estava tão confuso o jogo do contente tinha que estar envolvido nisso... “Onde tem Pollyanna, tem alegria...” Eu pensava feliz com minha sobrinha.
-mas o Jo...- eu tentei dizer ao ser interrompido pela freira que continuou:
— Exatamente senhor! O senhor tem sorte de tê-la todo o dia na sua casa para doar-lhe alegria!- disse ela e eu fiquei com um semblante de superior.
— Quando Pollyanna veio- continuou a moça- o padre a recebeu com grande carinho e afeto, feliz por Polly ter voltado a andar. Pollyanna então perguntou o que haveria esta tarde e o reverendo contou-lhe sobre o funeral da senhora Snow. A reação de Pollyanna foi desesperadora. “Como assim a senhora Snow morreu?” ela perguntava ao padre.
Enquanto a freira falava estávamos andando pela reserva e eu olhava quanta planta bonita cada uma com um nome e uma data, então interrompi dizendo:
— O que são essas plantas, cada uma com um nome e uma data?
— Exatamente!- disse a freira contente- quando a senhora Snow faleceu Pollyanna chorou e se chateou, mas logo depois lembrou que ainda estava jogando então, portanto infringindo as regras do jogo: “Não vou ficar contente porque a senhora Snow morreu!”, ela dizia, “Mas Deus deixou oitocentas frases de como morrer é só uma parte... Vou ficar contente porque sei que a senhora Snow está oitocentas vezes mais feliz junto a Deus!”, ela terminou já sorrindo. O padre pensava nisso e pensou que os funerais também tinham que ser mais alegres para a alma seguir alegre, e assim foi. O cemitério embutido que aqui ficava, graças a Pollyanna, não existe mais!- disse a freira contente.
— Mas não pode ser como as pes...- fui interrompido novamente pela freira
— De novo o senhor está certo!- começou ela contente- A missa de funeral agora são as oitocentas frases alegres da Bíblia, todas elas são citadas para o bem do morto e dos parentes e agora a passeata não é mais à noite, logo depois do término da missa a pessoa será cremada e na próxima manhã todos são convidados ao enterro alegre!
— Como assim um enterro é alegre?!- interrompi confuso.
— O morto não estará alegre oitocentas vezes mais por estar morto?- a freira perguntou.
— Mas isso não faz sentido!- respondi um pouco confuso.
— Mas é claro que faz!- falou a freira- Uma das oitocentas frases bíblicas é “louvaste-o a Deus!” então resolvemos um jeito de fazer isso em vez do cemitério embutido na igreja, fizemos esse reservatório cheio de alegria e vida!
— Mas a pessoa está morta!- interrompi novamente.
— Claro!-completou ela- mas não significa que é triste, comemoraremos a morte com a vida! Não precisa tudo estar morto para se houver funeral!
Meu semblante era de alguém que não estava entendendo se quer uma palavra E a freira percebera isso então recomeçou:
— Deixe-me explicar melhor: Na manhã seguinte da cremação as cinzas são postas em um vaso e em cima pomos a terra, uma semente, água e tudo para cuidar de uma plantinha e a semente é escolhida aleatoriamente segundo as opções dadas pela família e cada vasinho, quando pronto colocamos uma etiquetinha como no cemitério só que em vez de caixões de desgosto, só tristeza e melancolia, é uma vida que simboliza a morte entende senhor?- perguntou-me.
Eu estava entendo tudo decorria ao entorno do jogo do contente! Pollyanna ensinara ao padre como jogava e mostrou-lhe exemplos. Agora até a morte ficava contente com outros motivos que não a perda.
— Puxa!- eu exclamei- Minha sobrinha é realmente um remédio até para quem não está mais vivo!
Eu pensava: “Pollyanna é complicada, mas não incompreensível!”, então olhei o relógio novamente soltei um grito e exclamei:
— CINCO HORAS?
— Senhor eu só queria dizer...- disse a freira pondo a mão no meu ombro quente.
Eu estava vermelho de apreensão o que seria de mim quando chegasse em casa? Será que eu e Paulina Harrington nunca nos entenderemos mesmo?
O QUE SERÁ DE MIM!!!!!!!!!
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