Notas iniciais
A estrutura ta estranha, mas a história está boa. Espero que goste. Estou aberto a críticas e a sugestões.

O Robô vagava entre as celas naquela caverna rochosa, a humidade fazia um brilho de luz da luz cintilar em sua armadura, seus olhos azuis apareciam na abertura do elmo — olhos humanos — olhos que foram roboticamente modificados. Os prisioneiros estavam ali por serem órfãos, já que, na guerra universal, pessoas que não tinham família eram presas, e só recebiam água, já que, era o que tinha em abundância. A comida não era possível porque um exército de dimensão planetária precisava de comida para vencer a guerra. Os robôs eram praticamente faxineiros, que só recolhiam os corpos depois da morte. A não ser o R-1.

O robô R-1 era o primeiro a ser implantada a memória racional, ele conseguia ver um problema e o resolver, nos primeiros três dias duas pessoas faleceram, R-1 abriu a cela e botou fogo líquido no corpo — o fogo líquido era um fogo normal com a junção de um gás dissolvente que pulveriza materiais orgânicos — ,depois de fazer o trabalho o fogo desaparece e deixa apenas uma leve resquício de fumaça e cheiro.

Na última cela havia uma pequena garota, que estava chorando.

– Por que chora garota ? — perguntou R-1 com frieza e solidez.

– Porque eu vou morrer. Por que eu tenho que morrer ? — disse ainda soluçando levemente.

– Porque você não é útil a guerra. — disse e virou as costas.

A garota apenas ficou olhando enquanto ele saía da sala da prisão. Quando anoiteceu a garota se encolhia e tremia a noite toda, o frio era insuportável, então começou a chamar:

– Ei! Você, vem aqui!

R-1 atravessou o quarto e ficou em frente a cela parado imóvel.

– Me dê uma coberta. — disse como se tivesse ordenando, e então se sentou de pernas cruzadas na cela.

– Por que eu deveria ? — disse sem esboçar nenhuma emoção; nem pressa, nem calma.

– Você é bom não é ?

Ele não respondeu apenas ficou parado e observando. Ela ficou olhando-o esperando a resposta. Bocejou ainda

olhando-o. Cinco segundos depois recebeu a resposta.

– O que é ser bom ?

– É não ser ruim.

– E o que é não ser ruim ?

– É não deixar as pessoas com frio. Você não quer ser bom?

– Por que eu deveria ser bom ?

– Por que você deixaria as pessoas felizes. E isso é o maior presente que existe. Maior que qualquer guerra, maior que qualquer planeta, maior que qualquer sentimento. Seu objetivo é cumprir seu dever certo ? — R-1 acenou com a cabeça — então cumpra direito.

Nesse momento a garota já estava em pé encarando-o. O robô era o dobro dela, o que a fazia ainda menor. O robô abriu o meio da armadura com um comando, lá havia uma pedra vermelha quase vinho que projetava calor em direção ao chão da cela que estava escorregadio por causa do frio.

– Seu núcleo ? — disse e pulou já que o chão estava muito quente.

Com outro comando o robô diminuiu o calor do núcleo passando de vermelho para laranja.

O robô sentou no chão e disse.

– Vou ficar aqui. Vai fazer frio por algum tempo. E agora estou servindo corretamente ?

– Ainda não. Me livrou do frio mas eu ainda posso morrer de fome. Qual o seu nome?

– Meu código de modelo ? R-1.

– O meu é Roney Teank.

Ele levantou e fechou o peito, foi até a cozinha e trouxe uma bandeja do tamanho de uma mesa pequena e colocou do lado de fora da cela. A mesa estava de ponta a ponta cheia de comida, algumas carnes estavam cruas mas ele cozinhou com o núcleo. Ele enviou um comando para o computador da cela abrir a porta.

– Por que sorri?

– Porque estou alegre.

Assim que ela terminou de comer R-1 questionou:

– E agora eu consegui ?

– Ainda não. Você quer ser presenteado? Deixe-me usar seu computador.

Ele estendeu o braço e saiu o holograma da palma. Ela colocou a mão lá dentro do holograma e começou a mover as mãos agilmente.

– Pronto. Agora você só precisa de uma ignição, só não sei como.

– Eles são maus. Eles não querem fazer o mundo um lugar melhor, eles querem poder, e os que são descartáveis vão a guerra, mas sabe porque eu não fui ? Era o planeta protegido. Minha família foi assassinada, mas, eu consegui escapar — disse com a lagrima escorrendo — esse é o mau que eles trazem para a humanidade. Me liberte e venha ser presenteado. Tire minhas algemas.

Ele tirou. Roney sorriu para ele.

– Tenho que dizer. Você é bom, R-1.

R-1 sentia-se recompensado. Tentou fazer um sorriso. Mas só deu um leve espasmo.

– Você tenta mas ainda não sente. Sentimento é o que nos faz ser bom ou mal. Ações também.

– Como é sentir ?

– Você vai. Prometo, mas tem de vir.

Roney foi o seguindo e caiu no meio do caminho. Em seguida levantou e pegou as duas armas que estavam na parede. E deu uma ao R-1. Estavam prontos para a guerra. R-1 abriu os portões e atravessou a luz. Roney e riu de alegria. Colocou a mão não frente dos olhos para se proteger da luz.

R-1 estava fascinado com toda aquela vastidão, o céu era azul escuro à azul bebê. A lua era crescente, os trens atravessavam entre os prédios numa velocidade rasgante. R-1 tirou o capacete, estava sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Se ajoelhou com as mão robóticas apoiadas e disse:

– Eu me lembro… de ter vivido.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!