Notas iniciais
Mias uma vez agradeço à quem acompanha.

Era uma tarde ensolarada, cerca de 3PM. Marie mal podia esperar até às 4PM, quando fecharia a Biblioteca e iria para a praia, para mais um encontro vespertino às escondidas com Adam. Desde a tapa que levara de Anna, e em seguida o beijo dela e de Adam no mesmo dia, ela havia decidido que apesar de correr o risco de Anna bater nela novamente, iria se enamorar com Adam. Um dia ela irá nos aceitar, era o que Marie repetia frequentemente á si mesma.

Naquela mesma tarde, chegou à Biblioteca um rapaz chamado Kai. Ele havia pegado um livro na semana anterior, e voltara agora para devolver. Marie deu um cordial sorriso quando pegou o livro e colocou-o na estante à qual ele pertencia. Então, Kai disse:

- Eu e Popuri iremos nos casar este próximo fim de semana. Eu venho aqui, aproveitando que ia devolver livro, convidar você.

- Obrigada, realmente, agradeço pelo convite! Com certeza estarei presente, desejando-lhes felicidades.

- Obrigado, agradecemos por você ir. E também, desejamos que você e Adam fossem felizes!

- Pois não? Eu e Adam? Que tolice, Kai! De onde tirou isso?

- Ora, dos seus encontros vespertinos! Pensam que não cheguei a ver de dentro da minha lanchonete?!

- Meu Deus! Peço que não contes a ninguém.

- Não contarei a ninguém, prometo. Acalme-se, conheço a antiga sogra de Adam, ela pode ser rude quando quer. E certamente o seu genro se envolvendo novamente, seria um motivo para que ela chegasse a tanto.

- Agradeço sua descrição. Bom, se até você nos descobriu, eu preciso providenciar um novo lugar para meus encontros com Ad.

- Por que não vão à floresta? Lá é reservado, e fica bem longe de Anna e outros curiosos.

- Boa idéia, e pelo que ouço das discussões que Anna e Basil têm, ela odeia a floresta. A ida dela até a mesma é pouco provável. Obrigada, mais uma vez. Agora, tenho de fechar a Biblioteca!

- Por nada, com licença.

Kai retirou-se, e Marie começou a fechar loja. Quando guardou alguns livros que estavam sobre uma mesa saiu, e fechou a porta. Caminhou até a praia, calmamente. Parou no supermercado, e comprou um chocolate para presentear Ad. Após essa pequena pausa, continuou até a praia, e ao chegar, foi até o canto mais calmo e vazio, onde sempre se encontrava com Adam. Ela procurou por ele, mas não o avistou, até que olhou para o píer, e viu o mesmo próximo a uma lancha. Ela foi até seu encontro, e ele disse com um sorriso:

- Então, que tal um passeio?

- Mas, de quem é esta lancha?

- Kai, ele concordou em me emprestar por uma noite.

- Gentil da parte dele. Bom, que mal fará um pequeno passeio?

- Nenhum, eu garanto.

Ambos subiram a bordo da lancha e Adam guiou-a para longe, o suficiente para que o velho Farol da praia parecesse apenas um palito de dentes com uma ponta iluminada. Eles foram até a parte interna do barco, e Marie deparou-se com um banquete para dois, num ambiente aconchegante e iluminado apenas pelas trêmulas luzes das velas que Adam provavelmente havia acendido.

- Bom, a noite é nossa. Preparei este jantar especial para nós. Pela felicidade que um traz ao outro. Então, você aceita um pouco de vinho?

Marie anuiu maravilhada com todo o cuidado que Adam tivera. Ele puxou a cadeira para que sentasse, e em seguida serviu sua taça com um vinho de boa aparência. Em seguida, sentou-se também, e serviu a ambos. Em meio ao banquete, Marie sentiu-se obrigada a salientar:

- Tudo isto é maravilhoso, Adam. Não tenho palavras pra descrever como estou maravilhada.

- É por nós, Marie. Tudo isso é por nós, e para nós.

- Tenho medo.

- Do que?

- Que tudo isso desapareça. Seja apenas um sonho, onde eu tenho a chance de ser feliz novamente. Eu sei que você sabe também o que é perder alguém que você ama, mas, você ainda teve amigos e a família dela ao seu lado depois da perda. Eu não tive essa sorte. Os amigos se afastaram quando fui acusada de ter matado meu marido. Seus familiares me amaldiçoaram por ele ter deixado a herança para mim. Ninguém me acolheu, todos apenas me destrataram e magoaram ainda mais. Por isso eu temo perder tudo isso.

Lágrimas escorreram pelo seu belo rosto. Adam levantou-se e caminhou até ela. Enxugou as lágrimas que corriam livremente no rosto de Marie, e levantou sua cabeça até que o olhar dela encontrasse o seu. Ela tentou desviar o olhar, porém ele manteve-o.

- Nada disso é um sonho. É real. Deixe para trás todos os seus medos, por favor. Eu não vou te abandonar. Você é minha e eu sou seu. Nada, ninguém, pode mudar isso. E pra provar isso, tenho algo para você.

Adam tirou do bolso uma caixa preta pequena, meio aveludada. Entregou à Marie, e ela ao abrir, espantou-se com um belo anel de prata, cravejado com pequenas esmeraldas. Ela olhou pra ele, com um sorriso e disse:

- É lindo!

- Olhe o que está dentro da caixa, na parte de tampa.

Ela olhou, e viu uma pequena pena azul. A pena azul do casamento. Um rápido brilho de ambição passou por seus olhos, e apenas o sorriso alegre ficou em seu rosto:

- Oh, Ad! A pena azul. Pelo amor da nossa Deusa! Eu não acredito!

- E então, você aceita?

- Sim, eu aceito, claro!

Eles se beijaram, e riram juntos. Foram para o sofá na pequena sala da lancha, e em meio a beijos e carícias, Marie perguntou:

- Estou feliz, mas com uma dúvida. Quando nos casaremos?

- Neste fim de semana, com Popuri e Kai.

Notas finais
Obrigado!