Apenas Oliver e o jovem Daniel não aparentavam estar com tanto receio de andar por ali, em meio à floresta e às árvores que cresciam ao seu redor, levando em consideração as histórias terríveis daquele lugar, mesmo que estivesse de dia e, pelo visto, não houvesse qualquer perigo.

Daniel, Luke e Kant acompanhavam Oliver, um homem não muito alto e fortemente gordo, que deveria estar em sua meia idade — considerando que morresse naturalmente, é claro — que não parava de comentar a respeito de criaturas fantásticas e sobre as antigas histórias daquele lugar.

— Eles podem proibir o que quiser, mas isso não fará que as coisas mudem completamente. — disse Oliver, respirando pesadamente depois de subir e descer da raiz de uma árvore gigante, com o número 70 clavado recentemente na madeira, feito por sua faca. — Vou dizer algo para vocês, garotos. É obvio que tem algo acontecendo e pode ser que os antigos estavam com razão.

Daniel olhou para cima enquanto caminhava. Já estavam andando a pelo menos duas horas, desde um pouco depois que o Sol nascera e expulsara a noite para o outro lado do mundo. Suas pernas protestavam e com os outro não deveria ser muito diferente.

O homem gordinho e alto era mais resistente do que parecia. Temia que fosse apenas uma farça e que ele tropeçasse em alguma coisa e fosse parar no chão e acabasse resolvendo ficar por lá mesmo.

— O que você quer dizer com “os antigos”? — perguntou Kant. Ele tinha o cabelo loiro e bagunçado; os olhos alaranjados. Luke era bem parecido, embora tivesse um rosto mais duro e cabelos um pouco mais avermelhados. A maioria das pessoas da cidade tinha aquele mesmo perfil, típico da antiga Capital do Sol, menos Kurt, com seu cabelo completamente branco, o que, mesmo assim, não era lá algo muito contrastante. — Essas histórias não são proibidas?

A floresta ao redor deles se erguia de todos os lados. As grandes raízes das árvores se espalhavam por todo o chão, iluminados por uma luz amarelo-esverdeada que irrompia em feixes finos por entre as copas das árvores.

— Isso não quer dizer que elas sejam totalmente mentira. — comentou Oliver, abaixando os olhos, como se estivesse se lamentando de algo, mas logo voltou ao seu normal. Sobre os mitos antigos, Daniel se perguntava como seria ter uma conversa daquela na escola, por exemplo, e teve certeza de que não seria lá uma boa ideia. — Meu velho me contara uma vez uma antiga história a respeito dessa floresta. Sobre coisas que dizem que aconteceram há muito tempo, quando os deuses ainda caminhavam por nós…

…

— Eu quero lhe mostrar os primórdios…

A voz do velho pareceu diminuir gradativamente como um eco na cabeça de Annie. Tudo era muito estranho e durante todo o momento, ela se viu flutuando na escuridão. Perecia uma dimensão completamente surreal.

E talvez fosse isso mesmo.

Diante de si apareceram cidades pequenas como se fossem maquetes. Eram pequenos vilarejos, cada um com seu estilo próprio — embora alguns fossem semelhantes — lhe concedendo uma estranha sensação de familiaridade.

As cidadezinhas apareciam como fumaça de tinta colorida caindo na água. Notou uma delas com traços que lembravam muito de Luziari, a capital da Luz, sua cidade natal. Soube disso por causa das antigas lamparinas mágicas. Postes onde cresciam plantas que brilhavam fortemente no escuro. Annie tinha conhecimento delas apenas pelo que lera nos livros de Teceu. Nunca vira tais plantas fluorescentes. Onde elas deveriam estar existia apenas um simples poste com uma lâmpada que se ascendia através de energia elétrica.

Observou as outras cidades girando ao redor dela e se deu conta do que eram. Claro, as doze capitais.

Então, cada uma das cidades se transformou em tinta e foram assumindo a forma de doze pessoas diferentes que Annie não conhecia.

Acima delas, diferentes símbolos com diferentes cores surgiram em aquarela. Reconheceu todos os doze. Desde a esfera e os raios do Sol e o Arco da Lua até as montanhas da Terra e as núvens do Céu.

Então, os símbolos se uniram às pessoas e as mesmas brilharam, com os mesmos clavados em seus peitos. Elas começaram a se transformar, sofrendo mutações e aumentando drasticamente de tamanho. Mutações que faziam com que não fosse mais possível assimilar os doze pelo que eles foram um dia. Não eram mais humanos e não havia palavra melhor para classificá-los senão deuses.

O deus do Cosmos era enorme, com a pele totalmente formada por um conjunto de nebulosas roxas e azuis em meio a uma textura de estrelas. A deusa da Luz era uma mulher igualmente gigante, com pela branca e translúcida, que usava um belíssimo vestido prata cuja saia era formada por tiras de tecido de seda. O deus das Sombras parecia fumaça viva, tão densa que parecia sólida, com duas depressões vazias que sugeriam que fossem os olhos. Correntes flutuavam pelo peito e pelos braços, unindo as ombreiras e o peitoral, igualmente escuros.

Os outros deuses não eram muito diferentes. Pessoas normais que ganharam um enorme poder dos espíritos primordiais e se tornaram deuses. Um reflexo daqueles que lhes deram tal força.

Annie lembrou que se perguntava sobre como era os deuses e o que via não era nada como ela esperasse que fosse. Pensava que todos tivessem forma humana, assim como os hospedeiros, porém, sendo muito mais fortes. Bom, eles eram muito poderosos, sim, mas tal poder mudara totalmente suas aparências.

As cidades surgiram novamente na frente de cada um dos doze deuses. Desta vez, elas foram evoluindo gradativamente, como deveria ter acontecido durante anos e mais anos na realidade. Aquelas cidades eram completamente diferente do que as capitais eram hoje em dia. Luziari era formada por enormes torres e basílicas de mármore bege e branco. No centro da capital, uma torre enorme se erguia como se fosse um farol. Uma videira inteira crescia dentro dela e no topo, a planta gigante despencava formando uma espécie de um imenso guarda-chuva que brilhava de amarelo na escuridão.

“Como eles conseguiram acabar com tudo isso?”

A cena mudou novamente, como se a visão estivesse lendo seus pensamentos, lhe apresentando a representação de diversas catástrofes.

Annie viu a deusa da Água e o deus da Magia aprisionando o deus do Cosmos em uma pirâmide formada pelo seu próprio sangue. Viu a deusa da Terra liderando seu exército que parecia minúsculo perto dela, enquanto lançava montanhas inteiras por sobre sua cabeça, contra o exército inimigo liderado pelo deus do Fogo, arremessando cometas e ondas de chamas.

Annie observou também o deus do Sol, com uma forma humana, mas resplandescente; incrivelmente belo e completamente coberto por uma armadura dourada empunhando uma espada da mesma cor enquanto lutava contra a enorme espada prateada em forma minguante da deusa da Lua…

…

— Houve uma guerra entre o deus do Sol e a deusa da Lua. — continuou Oliver enquanto clavava o número 72 em mais outra árvore e rabiscava a mesma localização em um mapa que segurava debaixo do braço. Daniel mal prestava mais atenção na missão na qual resolvera se voluntariar, de mapear a floresta e descobrir da onde as criaturas da noite surgiam, curioso com toda aquela história. — Antigamente, a Capital do Sol e a da Lua eram vizinhas, mas o deus do Sol ganhou a batalha e expulsou a deusa e todo o seu povo para o outro lado do mundo. Construíram então uma nova Capital da Lua em uma ilha que passou a ser parcialmente invadida pelo mar durante todas as noites de lua cheia.

— Como isso explica alguma coisa? — perguntou Luke, sem nenhuma expressão em especial.

— Bom, acho que primeiro eu tenho de terminar a história. — disse Oliver com o ar de professor que dá uma bronca em um de seus alunos. — Antes da deusa da Lua ir embora, ela se dividiu com sua outra metade: A deusa da Lua Negra. Esta resolveu não aceitar a misericórdia do Sol como uma covarde, por assim dizer.

— Hã, isso significa que eram duas deusas da Lua em uma só. — revisou Daniel com cuidado, com medo de receber uma bronca por ter se manifestado, mas isso não aconteceu, o que deixou ele aliviado. — Uma delas fugiu e a outra ficou.

— Exatamente. — afirmou o homem. — O Sol então lançou uma poderosa maldição contra a Lua Negra e todo o povo Lunari que resolvera se juntar a ela. — Oliver parou e pôs a mão na barba. Daniel observou a copa das árvores balançarem como se estivessem ao vento, mas ele nada sentia.

Parecia que estavam… escutando…

“Pagarás por sua rebeldia

Lanço-lhe esta maldição

Jamais verás a luz do dia

Essa será sua punição.”

— É uma rima interessante. — comentou Kant, quebrando o silêncio, alguns segundos depois que as árvores pararam de se mexer, ao fim da última palavra. Eles haviam parado e voltaram a caminhar.

— Então os Lunari da Lua Negra ficaram proibidos de ver a luz do Sol. — observou Luke, parecendo prestar agora um pouco mais de atenção no assunto.

Daniel olhou ao redor e agachou perto de uma árvore, onde havia notavelmente marcas de garra que poderiam ter sido feitas por um lobo ou algo parecido.

— Mas então, mesmo com a maldição, acharam um lugar na qual poderiam viver. — os outros pararam e pensaram junto com ele por um momento. — Aqui.

…

O deus do Cosmos, aprisionado em seu próprio sangue DiImortalis, concedeu parte de seu poder — poder referente às estrelas. — a um humano, que deveria iniciar sua jornada pelas doze capitais com um livro chamado de Almanaque Virte, com todos os segredos necessários para que o então primeiro hospedeiro desse fim à era dos deuses, que ameaçava destruir o mundo.

Com o conhecimento dos símbolos de proteção, o primeiro hospedeiro partiu em sua viagem para banir os deuses para uma outra dimensão que só poderia ser chamada de Vazio. A medida que tais deuses foram sido banidos para lá, parte de seus poderes se fragmentaram e se uniram aos espíritos de pessoas escolhidas., dando início então à primeira geração de hospedeiros de Teceu.

Toda a história dos primórdios continuou passando aos olhos de Annie como se fosse uma visão de tinta.

Quando a deusa da Lua Negra foi banida, parte do espírito da Vingança que nela residia foi passada para uma mulher de seu povo que fora amaldiçoado pelo Sol.

Atormentada com o desejo de seu espírito patrono, Mirian, a primeira e única hospedeira da Vingança deu início a seu plano para punir todos aqueles que viviam na superfície, sob a luz do Sol que ela fora privada de contemplar.

Com a ajuda de seu povo, ainda completamente ressentidos com sua punição, Mirian fez um pacto com a Morte, entregando sua alma para que esta fosse comida pelo espírito do manto de preto após a sua morte e a promessa de que muitas outras fariam parte do banquete, em troca dos ceifadores para que estes armazenassem as dores da guerra de humanos e deuses, para que fossem usadas no pagamento do dízimo do poderoso feitiço.

No meio tempo em que os ceifadores faziam o seu trabalho e os deuses eram derrotados, Mirian passou anos estudando o Sol e a Luz. O Dia e a Noite. O Claro e o Escuro. Tudo afim de recriar a maldição do Sol em uma escala global.

E assim ela o fez.

Mirian e os Lunari da Lua Negra criaram um enorme arco de mármore sob a cachoeira da cidade subterrânea que fora batizada de Rosa Negra e com O selo dos Portões, um pingente com uma moeda de prata com uma face esculpida em cada lado, um dos muitos objetos poderosos que se depreenderam dos deuses quando eles forma banidos, transformaram o arco em um enorme portal que os conduziu até o alto do Pico dos Quatro Ventos, na fronteira das capitais do Ar e do Céu.

Porém, o primeiro hospedeiro do Sol soube dos planos da poderosa bruxa hospedeira da Vingança, por meio do seu espírito patrono. Ele e um grupo de aliados e outros hospedeiros seguiram jornada para o alto do maior pico do mundo, chegando a tempo de impedir Mirian de concluir seus planos.

Se vendo encurralada, Mirian se autorizou a receber toda a dor armazenada pelos ceifadores da morte e, mesmo sabendo do sofrimento constante na qual teria de sofrer até que alguém a libertasse, a bruxa lançou uma Maldição da Profecia sob o espírito patrono de um dos hospedeiros presentes que acompanhavam o hospedeiro do Sol, na qual ele seria a chave para libertá-la em outra vida. Depois disso, ela então armazenou o seu próprio espírito em uma chave que carregava: O Selo da Vingança.

O hospedeiro do Sol capturou a chave e a guardou, escondendo-a em um lugar que apenas ele e alguns poucos de completa confiança sabiam, no interior de seu próprio castelo, guardada por espíritos guerreiros do Sol.

Foi proibida que tal história fosse contada nos livros, para que ninguém se interessasse pelo objeto que poderia causar a destruição da humanidade.

Reza a antiga lenda que a cada segundo que passa, a bruxa e o espírito da Vingança ficam mais fortes pelo sofrimento eterno que tiveram de carregar. Um sofrimento que acabaria apenas quando ela fosse libertada, pelo hospedeiro que seria uma encarnação do mesmo que tivera seu espírito patrono amaldiçoado a carregar a chave da destruição…

…

Katy seguiu pela viela estreita, para longe de toda o amontoado de gente que se seguia na praça central de Gali, se limitando a olhar apenas para frente, enquanto andava.

O beco era vazio comparado à rua na qual viera. Não havia nada de especial ali além de caçambas de lixo e animais característicos de lugares como aquele. Apenas continuou andando até que ouviu um ruídos estranhos atrás de si e alguns grunhidos e se virou para olhar.

Uma mulher estava parada atrás de dois homens caídos. Katy não conseguia ver completamente o seu rosto, apenas sua silhueta. Poderia sentir medo daquilo, mas não o fez. Sentiu calafrios percorrer o seu corpo em seguida e como por puro reflexo, desviou para o lado quando um pássaro gigante com penas escuras avançava para cima de outro homem, que cambaleou e rolou, passando por ela, até que a ave o segurou com suas garras e seguiu para o céu em uma rajada de vento que fez os cabelos de Katy balançarem.

— É um prazer conhecê-la pessoalmente, hospedeira da escrita — disse a mulher, com o rosto se tornando gradativamente visível. Katy notou que ela lentamente esboçava um sorriso. — Temos algumas pessoas para salvar.

— Sabia que vocês estavam aqui em algum lugar. — disse uma voz masculina e turbulenta, vinda de cima. Na frente de Katy, um homem desconhecido aterrissou, mas não parecia algum inimigo. Pela expressão da mulher atrás, parecia que os dois estavam juntos naquilo. — Vejo que já conheceu Andrea, a hospedeira estelar da Observadora.

— Bom, eu não tinha me apresentado, exatamente. — comentou a mulher.

— Tá. — disse ele silenciando-a. Andrea levantou as sobrancelhas — Desculpe pelos modos. Muito prazer. — disse a cumprimentando. Katy se sentiu desconfortável. — Você é uma espécie muito interessante, repleta de histórias. Meu espírito patrono gosta muito de você.

— Arthur, por favor. — retrucou Andrea.

— Ah, tudo bem. — disse ele, abaixando a cabeça. — Desculpe. Eu sou o hospedeiro da Chuva.

…

— Onde você acha que ela foi?

Renta estava inquieta, andando de um lado para o outro do quarto, enquanto Igor não parava de fuçar no computador para ver o que mais conseguiria descobrir pelas informações que conseguira roubar para o seu HD.

— Não sei, mas Andrea sabe o que faz. — disse ele, sem tirar os olhos da tela.

Renata se jogou na cama e olhou fixamente para sua própria mão, fazendo-a mudar de textura.

— Você acha que tem alguma coisa a ver… Bom, você sabe.

— Talvez. — disse Igor, dessa vez olhando para a mulher serpente. — Ela está tentando se redimir consigo mesma.

— Ela não ficaria muito feliz em saber que você andou dando uma olhada pela mente dela. — disse Renata. — Não é algo que se faça.

— Eu me arrependi, na verdade. Tinha muita dor lá dentro. Eu também vi por sua mente. Você foi criada na rua e tal.

— Sim, mas eu deixei você ver. É diferente. — afirmou Renata, ainda brincando com sua própria pela. — Por mais difícil que é a vida de cada um de nós, a dela é pior. — Igor pareceu se inclinar ainda mais para frente do monitor. — O que foi? Encontrou alguma coisa?

— Não sei. Aqui tem relatos estranhos sobre missões da Cavalaria em diversos lugares. — Renata se levantou para ver mais de perto. — Tem informações sobre a escavação que eles fizeram na antiga Solari. Deviam estar buscando o objeto que guardava o espírito de Mirian e parece que o encontraram. Mas até aqui, nenhuma novidade.

— Quem são essas pessoas? — perguntou Renata. Havia uma lista com o rosto de diversas pessoas e, ao lado, uma barrinha. A maioria das barras estavam na cor vermelha e algumas poucas, na cor verde.

— São as pessoas que morreram tentando chegar no selo da Vingança, Mesmo assim, parece que conseguiram.

— Tem como descobrir onde o espírito daquela bruxa filha da mãe está sendo guardada agora?

Igor balançou a cabeça.

— Não. — disse ele. — Não tem nada aqui a respeito disso. Eles realmente não quiseram que ninguém soubesse. — Igor continuou mexendo no computador, abrindo e checando diversas pastas e arquivos. — Mas achei uma coisa também muito suspeita. — ele navegou até chegar no arquivo que queria. — Olha só isso.

Na tela, havia a foto de uma mulher velha e embaixo estava o seu nome, ao lado, uma barrinha vermelha.

— “Naomi.”— leu Renata. — “Hospedeira da Escrita. Morreu há 15 anos atrás, aos 78 anos. Se suicidou em sua própria casa onde abrigava quatro rebeldes, com uma agulha perfurada na garganta. Dois dos rebeldes fugiram, um foi executado e outro é um hospedeiro e está preso na prisão Lunari.”— Minerva leu rapidamente mais algumas partes para si mesmo e depois deu de ombros. — Mas o que tem haver ela? Era uma hospedeira poderosa, mas está morta.

Igor rolou a página, revelando uma enorme lista.

— Olha. Não há um único hospedeiro que nunca foi tão caçado quanto essa mulher. São 87 missões para capturá-la, e nenhuma dera certo. Você realmente acha que não tem nada de errado nisso?

Renata franziu a testa. Se limitou a não dizer algo como “87 vezes? Nossa, ela era boa”. Aquilo era realmente sério.

— Espera aí. — Renata tentou raciocinar. — Nesse período, Sig já liderava a Cavalaria, não é?

— Aham. — concordou Igor.

— E tem a bruxa que ele quer libertar… Eu nunca vi a história original, mas ainda assim, sei que ela amaldiçoou o espírito de um hospedeiro que estava lá para impedí-la. Ele então se tornou a chave para libertá-la.

— Você não quer dizer… Não… Ela não podia ser a chave… Ah, merda.

— Foi o hospedeiro da Escrita que fora amaldiçoado pela bruxa. É por isso que Sig tanto caçar essa Naomi. — Minerva começou a andar novamente. Não conseguia ficar parada enquanto as informações passavam pela sua cabeça. — Ele precisava logo da chave, para que quando conseguisse armazenar dor o suficiente com os olhos, pudesse libertar Mirian. — A mulher serpente parecia que iria surtar, colocando a mão da cabeça e arregalando os olhos. — Por isso Naomi se matou. Fez com que Sig não conseguisse o que queria, para que ele tivesse então que procurar a próxima hospedeira da Escrita, o que demoraria anos.

Igor pegou um controle jogado em um canto e ligou a televisão. “Sig está nesse exato momento seguindo de carro até a praça da cidade, onde se encontrará pessoalmente com os rebeldes…” — dizia a repórter.

Igor ficou com o rosto paralisado.

— Ele está perto de encontrar Katy.. Tenho certeza disso.

— Espera. É isso! Sabemos exatamente onde está o Selo da Vingança está. Está com Sig. Ele não irá esperar para libertar Mirian. Ela ficou mais forte. Quando o selo da vingança e a hospedeira da escrita se tocarem, a primeira parte estará completa.

— Mas tem os olhos. — observou Igor. — Como eles se encaixam nisso tudo? Ele ainda precisa da dor para libertar ela!

Renata correu pela casa e foi para a cozinha. Igor seguiu logo atrás dela.

— O que você está fazendo?

Renata pegou um bocado de ingredientes e espalhou eles pelo chão. Depois, desenhou o símbolo da Lua e lançou a moeda que surgira entre seus dedos, fazendo-a desaparecer dentro do círculo.

— Se eu estiver certa, deve ser lua cheia.

— Hã, na verdade, a lua hoje está minguante. — afirmou Igor. Uma esfera reluzente surgiu na frente dos dois, no meio do símbolo.

— Não aqui, idiota.

A esfera tremeluziu e mostrou as nuvens e o céu noturno, visto de cima, como se fosse a visão da própria Lua. Eles puderam ver, um espaço plano no topo de uma enorme montanha, um ritual sendo preparado por seres encapuzados de negro que flutuavam no ar. Milhares de olhos dispostos em fileiras ao redor de uma plataforma circular vermelha.

— Eles estão preparando o ritual. Depois que Sig conseguir o que quer, ele deve se teleportar até o topo do Pico dos Quatro Ventos. Depois disso, nada conseguiria detê-lo.

— Que droga! — Igor se levantou e saiu pela casa. — Não posso deixar que o mundo acabe hoje.

— Não temos muito tempo! — Renata gritou quando Igor parou na frente de uma das portas mágicas, segurando fortemente em sua maçaneta.

— Espírito das Portas, guie-nos para o melhor caminho!

— O que você está fazendo? — perguntou Renata.

Igor virou o rosto para ela:

— Eu não faço ideia.

Ele sentiu o poder preenchendo a porta. Confiou no espírito para decidir qual lugar eles deveriam seguir e a abriu. Os dois então pularam no desconhecido...

Notas finais
Terão tempo de fazer alguma coisa ou talvez seja tarde demais? ~risadinhas malignas~ Próximo Capítulo vai ser um especial contando a história de Sig, o Caçador de Olhos :D