O Retorno dos Antigos
18 Epílogo - Mundo de Ciclos Infinitos

“Esse é o momento de uma Revolução!”
Henry esperava que suas últimas palavras pudessem ser o suficiente. Palavras mudam pessoas e pessoas mudam o mundo. Ele queria que o mundo mudasse. Que se tornasse um lugar bom para todos, inclusive ele.
Mas, isso era tarde demais. Ele não faria parte do novo mundo, assim como muitas outras pessoas que acreditavam ou ainda acreditariam nessa possibilidade.
Ele fez o que era necessário e os deuses sabiam disso.
Henry sentiu a realidade se cortando. Se dividindo. As coisas mudaram tão subitamente… Ele pôs a mão na barriga e sentiu algo molhado e quente. Deixou o microfone cair. O cinegrafista continuava a gravar, mas agora se abaixara para se proteger como reação ao som do tiro.
Henry se virou e viu Sig, apontando na sua direção uma pistola. Não teve tempo de reagir. Ouviu mais um disparo e sua realidade foi abalada novamente, caindo, olhando para o céu. O chão estava quente nas suas costas e aquilo era bom. Estava chovendo e ele gostava daquela sensação.
Porém, doía. Só havia dor quando a vida se esvazia do corpo e alma se soltava para seja lá onde as almas fossem.
As pessoas viram ele morrendo? Viram ele sendo baleado pelas costas? Esperava que sim, pois isso poderia tornar as coisas um tanto que interessantes.
As pessoas falam que quando morrem, toda sua vida passa diante de seus olhos. Henry se tentou a soltar um sorriso quando descobriu que era realmente verdade.
Sua família acreditava nos mitos antigos e assim ele fora criado. Acreditando em deuses e espíritos e em magia. Coisas além da realidade banal que os outros preferiam fazer de tudo para manter.
Mas Henry era diferente. Ele era um hospedeiro. E, além disso, gostava muito de viajar. Ele já tinha visitado diversos lugares do mundo, colocando portas mágicas em cada um deles, permitindo que elas se abrissem para aqueles que estavam do seu lado.
Ah, sim. Era uma longa história.
E em mais alguns poucos minutos, ele não estaria mais ali.
...
Eventualmente, Kurt desviava o olhar da tela de pintura a sua frente para a hospedeira dos Símbolos logo atrás e depois voltava a encarar a tela vazia, pensando em qualquer coisa que pudesse ajudar a desvendar aquela pergunta misteriosa.
Cosmos seria o símbolo de proteção contra os poderes do espírito dos símbolos de proteção? Só de pensar nisso já era o suficiente para travar o cérebro, ainda mais sendo supervisionado atentamente por Ramza, se bem que ela não parecia sentir qualquer mudança do tempo, já que estava apenas parada, o olhando.
Ah, tudo bem. Vamos lá.
Ramza é o espírito dos símbolos de proteção e tem tatuagens por todo o corpo, obviamente com símbolos contra o poder de todo o tipo de espírito ali… Mas e o dela? Ela não desenharia o próprio símbolo de proteção na pele, obviamente, mas, mesmo assim…
De repente, houve uma explosão de uma ideia absurda na mente de Kurt. Ah, isso seria realmente muito ridículo, se estivesse certo, mas era sua única possibilidade. Uma pegadinha absurda.
— Eu já sei. — disse Kurt, tentando parecer confiante, mas com um pouco de medo de que essa confiança se desfizesse completamente em frustração caso ele estivesse errado a respeito daquilo.
— Hm.. — Ramza riu. — Já sabe, não o mesmo?
Kurt se levantou e ergueu o painel branco sobre Ramza.
— Esse é o seu símbolo de proteção. O vazio.
Ramza voou em um círculo, olhando para o garoto. Kurt sentiu calafrios.
— Estou bastante surpresa que você tenha descoberto com tanta facilidade. Vou cumprir com a minha promessa.
Ela se posicionou na frente de Kurt, de olhos fechados. O garoto se aproximou e pressionou o papel branco contra o rosto do espírito por longos segundos, a ponto de ser algo constrangedor, e a mulher desapareceu em uma nuvem de esporos.
E então ele ouviu um som. Nitidamente alto e cortante. Mas que droga acabou de acontecer?
Tudo ao seu redor começou a girar.
…
O almoço ruim havia chegado por um guarda que aparentava estar com bastante pressa, deixando a bandeja sob seus pés machucados, agarrados nas correntes que também prendiam suas mãos no chão. Richard, o hospedeiro do Destino, estava completamente nu e sujo, como era comum de se ficar os prisioneiros, com os pulsos e tornozelos ardentes onde o metal os prendia.
Ele apenas observou enquanto o guarda se afastava apressado e fechava a porta de metal da câmara com três fortes estalos. Depois disso, Richard voltou a olhar para a comida. Depois de tanto tempo, já havia se acostumado.
Entretanto, Richard podia perceber que tinha alguma coisa de errado. Ele sabia. Os símbolos de proteção pela câmara limitavam seu poder a praticamente zero, mas ainda assim, ele podia sentir alguma coisa acontecendo.
Foi então que ele ouviu. Não apenas ele, mas sim todos os outros prisioneiros e guardas daquele e instalação em Lunari. E, ainda além disso, em todas as outras doze capitais. Eles puderam ouvir o som da Trombeta. Era algo único, abalando a alma dentro do corpo. Ele já foi ouvida algumas vezes ao lado da história conhecida e não conhecida, como quando o primeiro hospedeiro conseguiu seus poderes do deus do Cosmos preso em seu próprio sangue DiImortalis.
Então, sim. Alguma coisa muito importante estava acontecendo.
Richard sentiu de súbito como se todos os seus males estivessem acabado. Ele começou a se sentir mais forte e mais forte, como se nunca estivesse sentido isso durante muito tempo, ao longo de muitos anos, o que, de certa forma, era verdade.
Seus poderes… Eles estavam voltando. O espírito do destino tocara a sua trombeta. Significava que algo muito grande tinha acontecido…
Richard se concentrou e tentou se reconectar com seu espírito patrono. O que estava acontecendo? Ele precisava saber. As respostas veio quase se forma imediata.
Os selos estão libertos e os símbolos de proteção, desativados.
Os símbolos…
Só pode estar de brincadeira. Richard se obrigou a se levantar e olhou para os símbolos desenhados nas paredes. Não pareciam tão ameaçadores. Não faziam efeito. Eram as únicas coisas que impediam com que um hospedeiro fosse contido e, agora que eles não faziam o seu trabalho…
Droga. O destino não tinha muitos poderes capazes de lidar com correntes metálicas. Entretanto, Richard não precisava.
Se os símbolos de proteção foram desativados, seja lá como, em todos os lugares do mundo, uma nova revolução começaria.
E todos os hospedeiros fariam parte dela.
Porque os que estavam presos, não estariam mais.
Ele ouviu um barulho metálico além da porta de sua câmara. Em seguida, o grito de um homem.
— Vamos! Vamos! — gritou uma voz agitada. O hospedeiro do Destino continuou prestando atenção na porta, na qual, pela luz do vão, pode ver diversas sombras passando para um lado. — Libertem os outros! Vamos!
O homem que gritara parou na frente da porta da câmara de Richard, podendo ver apenas sua sombra. Ele estendeu as mãos para a porta metálica, que começou a se envolver com uma camada de água, que começou a congelar. A medida que o gelo foi se expandido e, como o metal não tinha a mesma capacidade, a porta de envergou e entortou, sendo lançada para frente quando o homem do outro lado lhe deu um soco forte.
Ele se aproximou. estava nu, assim como todos os prisioneiros. Entretanto, suas mãos estavam cobertas de água, como dois grandes tentáculos sob o seu controle. Não deixou de notar as pessoas passando atrás, pelo corredor.
— Richard. É bom ver você novamente, amigo.
— Digo a mesma coisa, Rody.
O hospedeiro da água levantou os braços e transformou seus braços d’agua em longos chicotes, com as pontas formadas por uma foice de gelo, que estraçalhou o metal das correntes do hospedeiro do destino com um só golpe.
Richard tocou os machucados das mãos. Estava finalmente livre.
— Obrigado.
Os dois seguiram para o corredor, onde mais hospedeiros se juntavam, finalmente livres, rumo a um novo destino.
…
Henry conseguiu esboçar um sorriso quando ouviu a trombeta. Os outros olhavam ao redor, pensando a respeito de onde o som viera. De lugar nenhum e de todos eles, Henry quis responder. Mas, em vez disso, usou suas últimas forças para fazer surgir a chave do selo dos portões em sua mão. Tudo a sua volta pareceu insignificante.
— Selo do Espírito dos Portões! Eu o Abro!
Uma força revigorante percorreu pelo corpo de Henry. A chave brilhou e uma estranha porta brilhante apareceu. Passando por ela, um homem gigante se ergueu, com aparencia de um idoso, se apoiando em um cajado que se alongava até a altura do seu peito. O mundo ao redor dos dois parecia estar temporariamente paralisado.
— Eu quero um último pedido. — disse Henry para o espírito. — Minha vida está chegando ao fim, mas eu quero que você faça mais uma coisa.
— Será um prazer ajudá-lo, meu jovem. — O velho esboçou um sorriso. — Foi uma honra estar com você nessa vida e espero que também seja nas próximas que estão por vir.
Henry se sentiu feliz com aquele comentário. Uma lágrima involuntário escorreu por suas bochechas.
— Eu quero que você cuido dos outros. Dos outros hospedeiros. Quero que você guie eles para um lugar seguro.
— Às suas ordens.
O espírito recuou para atrás da porta e a mesma se fechou, junto com todo o resto do mundo.
…
Estava uma loucura. Em Lahmar, era tarde e a noite já se erguia quando a trombeta pôde ser ouvida. Parecia que a cidade estava no meio de uma guerra civil.
E talvez fosse isso mesmo.
As pessoas seguiram para as principais ruas da cidade, ignorando o toque de recolher, passando a protestar a favor da legalização do uso da magia. Daniel nunca imaginaria que algo assim pudesse acontecer. Uma morte ao vivo na televisão foi o motivo daquilo. A fagulha que acendeu uma explosão que queimaria até conseguir chegar em seu objetivo.
E, assim como as pessoas que eram a favor da legalização da magia, havia aquelas que ainda eram incrivelmente contra. Elas não iriam aceitar uma coisa daquelas e, com isso, iniciou a verdadeira confusão e lutas nas ruas entre os dois grupos. Parecia uma guerra, ainda mais depois que a polícia chegou e começou a tacar gás em todo mundo que estava na frente, independente de sua posição no assunto, para que eles se dispersassem.
Bom, pode até ter funcionado, de certa forma, em meio a pessoas correndo desesperadas, caindo nas ruas e passando mal.
Deuses, o que está acontecendo?
Daniel havia ido para as ruas também, e lá ele estava, observando o tumulto mais adiante, a uma distancia consideravelmente segura por um período de tempo que acabaria em breve. Estava tudo um caos.
Na outra noite, ele havia falado novamente com a garota de cabelo branco. Ela lhe disse que aquilo iria acontecer. Disse que Daniel precisava vir com ela para a cidade subterrânea sob a floresta. O lugar onde os já conhecidos assassinos e criaturas noturnas saíam.
Ela havia dito que a cidade lá estava um caos também. Mas a diferença, na opinião do jovem hospedeiro da Lua Negra, era que ele poderia ser bem mais útil lá do que ali, em Lahmar. Ainda mais considerando que seu pai estava com a polícia, o que não seria muito bom considerando que ele também era um hospedeiro.
Um hospedeiro da Lua.
Em uma terra na qual o Sol ainda reinava.
Era como um chamado. Algo na qual ele não podia simplesmente negar. Era o melhor momento que ele tinha e nem sequer ousou em preparar suas malas. Não iria precisar da vida antiga.
Na noite na qual a trombeta tocara, como um sinal de que ele deveria seguir seus instintos, Daniel saiu da cidade e caminhou por pouco menos de uma hora pela estrada principal e adentrou na floresta, onde a garota de cabelos brancos estava empoleirada em uma árvore.
— Chegou cedo. — disse ela. — Imaginei que iria levar mais algumas horas para se decidir.
Daniel se virou para ela quando esta pousou ao seu lado.
— Na verdade, eu estou atrasado demais.
…
Andreia não fazia ideia de onde estava. Não era nenhum lugar conhecido (Por isso ela não fazia ideia de onde estava). Antes de atravessar o portal, o mesmo sofreu problemas e a enviou para um lugar aleatório do mundo que não fosse a casa de campo em Náturi. Esperava que pelo menos Katy e Chris tivessem tido um pouco mais de sorte.
O lugar onde estava poderia ser descrito como um quarto. Um quarto típico de adolescente, na qual se quer demonstrar sua personalidade voltada na decoração.
Na parede, Andreia pôde ver um conjunto de fotografias presas em um grande quadro de avisos. Eram imagens de diversos lugares do mundo. Alguns, inclusive, que ela mesma conhecia das capitais.
Então, começou a notar os barulhos vindos do lado de fora da janela, que, naquele momento, se encontrava fechada. Andreia a abriu e olhou para a rua, de um apartamento que ficava em um dos andares mais altos de um prédio. De lá, era possível ver a aglomeração de pessoas que se juntara nas ruas e a confusão que se desenvolvia lá embaixo.
Porém, tinha algo errado. O lugar onde estava era estranhamente familiar. Andreia cambaleou para trás e esbarrou na beirada da cama. Ah, não. Eu não acredito que estou aqui…
Ela se virou para uma escrivaninha e começou a fuçar nas gavetas, procurando por qualquer coisa. Não era possível que ela estivesse ali, na cidade em que, mesmo distante, seu passado continuava a assombrá-la. Na cidade em que matara uma pessoa e se arrependera disso, obrigada a fugir.
Ela estava em Cosmari, a antiga primeira Capital.
E havia algo ainda mais surpreendente de onde estava. Na gaveta, ela conseguiu descobrir uma foto pequena, como daquelas que se coloca nas identidades. Estava um pouco desgastada, mas não foi difícil de reconhecer a pessoa. Era o mesmo homem que havia ajudado ela e os outros em Gali.
No verso, ela pode ler um nome.
Estava na casa de Henry.
…
Katy e Chris se levantaram, tossindo, depois de caírem em um chão completamente empoeirado, logo depois de pular pelo portal que, pelo visto, agora não mais existia.
Os dois se entreolharam, claramente sem saber onde haviam ido parar. Parecia uma casa abandonada.
— Hey! — gritou Chris. — Tem alguém aí?
Tudo o que puderam ouvir foi o som do vento batendo inutilmente na janela.
Chris tirou sua mochila do pacote plástico anti-magia e seu leopardo se materializou, saindo de dentro dela em uma fumaça branca.
— Onde acha que estamos? — perguntou Chris à Katy.
— Não sei. — a garota passou o dedo por um móvel, que ganhou um risco contrastante com a poeira ao seu redor.
Os dois caminharam pelos cômodos. Tudo estava vazio. Na cozinha, entretanto, a mesa estava jogada no chão e pratos, quebrados. O leopardo caminhou para fora da casa, pela porta da frente que estava entreaberta, e os dois o seguiram.
Andando sem rumo, em meio a ruas vazios, Chris e Katy perceberam que haviam acabado de aparecer em uma cidade completamente vazia. A princípio, acharam que não havia ninguém ali, mas eles estavam enganados.
Havia os fantasmas das pessoas que morreram, com os olhos arrancados dos rostos.
...
As irmãs gêmeas entraram no grande salão do palácio da antiga capital das sombras. O líder da cidade estava sentado em sua cadeira, sem a presença de qualquer segurança ou algo do tipo. Afinal sequer era necessário.
Elas passaram pelas colunas dispostas em intervalos regulares e se ajoelharam simetricamente, diante do homem que transmitia nada menos que a sensação de estar constantemente com a presença da morte, o que de certa forma não era verdade.
— Meu senhor. — as duas disseram em uníssono e se levantaram. Sabiam que Razut não estava nem um pouco alegre com os acontecimentos da semana. Um dos seus servos desobedecera uma ordem direta, com a garantia de que conseguisse fazer com que tudo doasse certo, mas não fosse isso que aconteceu.
Sig falhou na sua missão.
A Cavalaria estava seguindo os passos da antiga hospedeira da Escrita desde muito tempo. Muito mais que qualquer outro hospedeiro, em um gasto constante de recursos que seriam justificados com a conclusão do plano que eles tinham em mente, de libertar uma reserva infinita de dor. A mulher havia se matado antes que pudessem ter colocado as mãos nelas e tudo o que restara seria esperar até que a próxima hospedeira nascesse e crescesse, para que eles pudessem a identificar e capturar. Assim, o plano estaria completo. O ingrediente final.
Mas ele estragara tudo. Foi terrivelmente precipitado em resolver as coisas do seu jeito e a nova hospedeira da Escrita escapuliu por pouco de suas mãos.
Razut não iria deixar aquilo daquela forma. O Caçador de olhos havia servido bem até então e feito sua tarefa, mas ninguém poderia decepcionar o Seguido pela Morte.
— Ele está aqui. — disse a primeira irmã.
— Aguarda pelo seu chamado. — completou a outro, como sempre costumavam fazer.
— Pela sua sentença. — corrigiu a outra.
— Pelo seu destino.
Razut levantou-se subitamente.
— Tragam-no aqui. — disse ele, com um ar natural de superioridade.
As irmãs saíram e regressaram. Obrigaram Sig caminhar a sua frente, na direção de Razut. Não havia como escapar das duas, mesmo se tentasse fugir. Tudo o que restaria era aceitar o que tivesse por vir com dignidade.
Mas nem isso foi capaz.
— Você me decepcionou. — lançou Razut, quando o Caçador de olhos ajoelhou perante ele.
— Mas se…
— SEM MAIS!
A som do grito pareceu cortar mais profundamente que uma espada.
— VOCÊ ME DESOBEDECEU! — as irmãs se entreolharam rapidamente enquanto seu líder assumia uma postura completamente diferente. A raiva parecia transbordar e nem sempre era bom que um hospedeiro da morte tivesse tamanho desequilíbrio emocional, mesmo que justificado. Sig estremeceu e caiu no chão. — VOCÊ TRAIU A TODOS NÓS!
Razut se lançou em um soco que fez com que Sig voasse para o lado e batesse em uma das colunas, seguindo o movimento de seu pescoço e emitindo um grunhido, cuspindo sangue no chão de mármore, cambaleante.
Razut se aproximou. Sig não tinha mais forças para fugir nem para implorar por misericórdia ou qualquer coisa que fosse.
— NINGUÉM ME DECEPCIONA! — Razut envolveu a cabeça de Sig em seu braço, levantou e a golpeou com toda a força no chão, fazendo seu crânio se quebrar e explodir em vermelho.
As irmãs observaram em silêncio enquanto Razut colhia a alma de Sig bruscamente. Era uma fumaça verde e escura, que se estendia no ar como um tecido, até que Razut abriu sua boca e a comeu. As duas observaram enquanto ele a engolia e voltava a se sentar em sua cadeira, como se nada estivesse acontecido.
— Concedo às duas a missão de capturá-la. Temos poucas semanas. Não me decepcionem.
— Sim senhor.
As duas se viraram e saíram.
A caçada havia acabado de começar.
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