O Retorno de Milena

12 Marie Françoise Rosé


Séculos se passaram, o tempo mudou demasiado. Marie sentia saudades das glamourosas festas, dos vestidos e suas imensas saias, dos espartilhos, dos perfumes franceses, dos castelos e feudos, do mistério que circundava sua pessoa. Agora, nada tinha graça. Era uma grande Tremére, é verdade, mas conhecida apenas no Dark World. As pessoas não a viam, os tempos mudaram muito. Nem sua casa parecia um castelo!

Os perfumes franceses não são mais os mesmos. Cremes, toucador, nada disso a importava. Sua pele era morta, não absorveria nada. Sua eternidade já a estava enfadando. O mundo moderno era realmente chato!

Observava sua sala de estar. Um luxo. Sempre primou pelas coisas caras e de muita qualidade. Um decorador profissional cuidou de todos os detalhes com bastante elegância. Realmente ele era muito talentoso, e seu sangue demasiado saboroso...

A sala era decorada com requinte, tudo da mais alta tecnologia e beleza, praticidade e conforto, mas sem deixar de lado o chique e o elegante. A pintura era suave, mas o tom pastel das paredes deixava a sala um pouco mais escura. As cortinas combinavam, em tons pastéis, beges, amarelos. O tapete chamava a atenção, em cores vivas e fortes, como Marie sempre gostou, com muito laranja, vermelho e dourado. O sofá, em contraste com este jogo de cores quentes, era discreto e simples, do mesmo tom pastel das paredes. Os móveis, centros, mesa, cadeiras, raques, tudo de madeira de lei. Um piano do século XVIII bastante conservado brilhava com seu tom acastanhado no canto do cômodo.

As cortinas cerradas, mas as janelas abertas, o vento batia e o tecido dançava, formando sombras pelas luzes das velas. Nessa nostalgia, Marie viajava em seus pensamentos, voltando no tempo, relembrando sua antiga França, os grandes bailes e suas vítimas. Com este devaneio, seus sentidos praticamente neutros não perceberam a chegada de alguém. Mas é impossível enganar um vampiro ancião auspício, do porte de Marie.

Quando a pedra foi lançada pela janela, Marie a pegou no ar, já aguardando sua trajetória. O vampiro que a lançou era rápido demais para ser pego, e Marie não teve o interesse. Já sabia quem era.

— Um Brujah!

Estava longe. Marie correu os olhos pela pedra e encontrou, enrolada nela, um pedaço de papel. Um bilhete. Abriu-o e o leu, escrito em Holf Toschia.

Tremére Marie,

Ana vanish pleas rhafi von made ante preciosi khumarium. Lofta ante von shar stulbach, iutah kamar, embareh kwes saori. Made luvs ante behav, faint holfs ante behav. Draw, ana trus corel sangüe soho, Tremére sangüe, náin ana.

Ahia ante stulbach.

Milena.

Eu tenho o prazer de escrever para fazer a você um precioso convite. Esteja diante do mar amanhã, lua alta, antes do sol nascer. Faça o que quiser, leve vampiros que quiser. Na realidade, eu imagino que haverá sangue diluído à água, sangue Tremére, mas não o meu.

Vejo você amanhã.

Milena.>

Marie lê e relê o audacioso bilhete. Sente-se injuriada, mas bastante eufórica. Finalmente algo para se fazer, com dia e hora marcados; a arena, a praia. Enfim, seria a rainha dos condenados da região recifense, derrotaria os Brujah, os Toreador, acabaria com os Malkavian idiotas e subjugaria os demais Tremére, teria o poder em suas mãos. Estaria lá, com seus aliados. Depois de derrotar Milena e seus amigos, destruiria Lázarus e se livraria dele de uma vez por todas! Finalmente!