O Retorno Dos Seis

32 Capítulo 30 - Lorieno x Lorieno


Notas iniciais
Heeey! Mais um capítulo!
Espero que gostem!

Nove se levanta, batendo seus punhos fechados fortemente na mesa. Ele procura palavras para tentar explicar, mas não consegue, então desiste. Eu olho feio para ele, e Nove torna a se sentar. Ele abaixa a cabeça e eu sorrio gelado. Seis continua me encarando, e logo depois se levanta da mesa e abre uma porta de metal, saindo e batendo-a fortemente.



Nove pensa em ir atrás dela, mas antes de se levantar, ele me olha, e eu o fito, com ar desaprovador, fazendo-o abaixar a cabeça novamente. Sarah olha para mim e eu assinto. Ela sai em direção à porta de metal, e vai atrás de Seis.



Todos estão a nossa volta e Nove parece sem graça. Sam está com medo do que possa acontecer, mas vejo um sorriso em seu rosto por me ver aqui.



– Sam, aposto que está um lindo dia hoje... Porque não leva o pessoal para dar uma volta? – Eu digo, em voz alta e em bom tom.



– É mesmo pessoal, vamos lá... — Ella diz em seguida, segurando a mão de Sam e indo para a porta da frente. Oito, Marina, Malcolm, Bernie e Jones os seguem, mas Cinco permanece na cozinha, chocado e assustado com o que aconteceu em seu primeiro encontro com os lorienos.



– Está tudo bem, Cinco. Vá passear com eles... — Eu digo, sem nem sequer desviar os olhos de Nove. Mas Cinco ainda não parece confiante o bastante para deixar o local. — Sério, cara. Pode ir.



Ele assente e se afasta aos poucos, olhando para trás repentinamente. Ele não consegue atravessar a porta da frente e fica sem saber o que fazer diante da situação. Mas, para me ajudar, Marina o puxa para o carro, fechando a porta da casa e eles partem. Ouço o carro deixar o gramado e sorrio, me apoiando na cadeira à minha frente.



– Pois é, Nove... Mais uma vez, só eu e você.



Seis está sentada no final do terreno, observando a paisagem. Ouço-a soluçar enquanto me aproximo. Ela me vê indo em sua direção e se vira rapidamente, enxugando as lágrimas e tentando esconder que estava chorando.



O sol bate em meu rosto assim que chego bem perto dela, e de repente tudo começa a ficar nublado. As nuvens negras se formam em cima de nós e começa a chover. Uma chuva forte e repleta de trovões e relâmpagos.



Meu cabelo começa a ficar molhado, assim como minhas roupas novas.



– Se importa de eu me sentar aqui? — Pergunto. Seis olha para o lado oposto ao que estou e assente. Sento-me e tento iniciar uma conversa. — Seis... Você se importaria se pudesse parar de chover?



Ela não responde. E a chuva não para. Ela me olha piedosa e com o olhar cheio de culpa e lágrimas. Seis está branca igual papel e me preocupo com ela. Ela volta a soluçar de tanto chorar e me abraça logo em seguida, fazendo a chuva se intensificar.



Simplesmente não sei o que fazer.



– Me desculpe, Sarah! Não deveria dizer que amava John, sendo que isso não é verdade! — Ela soluça mais ainda.



– Tudo bem, Seis... Está tudo bem. — Digo, abraçando-a.



– Mas eu quero me redimir, Sarah. O que fiz não foi certo. Eu menti para John, beijei Nove quando estavam juntos e trai minha amizade com você, mesmo que não sejamos tão próximas... Não quero mais confusão com ninguém, nem mesmo com Nove! — Ela diz, se afastando um pouco e enxugando as lágrimas, fazendo a chuva parar aos poucos.



– Seis, todos cometemos erros. O meu foi não acompanhar John, assim como foi de ter beijado Nove. Está tudo bem agora, não está? Estamos todos aqui, e é isso o que importa. — Sorrio para ela. Seis sorri de volta, o que faz o sol aparecer de novo. — E por sinal, esse legado seu é incrível, não?



– É sim... Mas não posso deixá-lo ser afetado por minhas emoções. Preciso treinar isso ainda.



– E nós vamos treinar. Começando hoje. – Digo, me levantando e estendendo a mão à ela. Seis aceita a ajuda e se levanta também. — Agora, um abraço. Venha cá. — Ela me abraça forte e sussurra em meu ouvido um “obrigada”sincero. Acredito que seja por não bancar a idiota, como seu que John definitivamente irá bancar com Nove. Mesmo ele merecendo, acho que John deveria pegar leve.



Encaramos-nos por alguns minutos. Ele não se mexe, quase não respira. Apenas olha para mim, fixo em meus olhos negros. Ouço a chuva, que apareceu do nada, parar devagar e imagino que seja Seis. Ouço as meninas conversando lá fora e olho para a porta de metal. Foi a deixa.



Nove pega uma faca que estava na mesa e a joga em cima de mim. Eu a paro no ar com minha telecinesia e ele se levanta, correndo para fora da casa pela porta dos fundos. Jogo a faca na parede e vou atrás dele. Ele corre o mais rápido que pode até o final do terreno gramado. Paro assim que saio de casa e sinto meu ombro fraquejar. A dor começa a me invadir novamente e grito, mas logo me recomponho.



Vejo um carrinho de mão enferrujado e com telecinesia retiro uma das partes que empunhamos para movimentá-lo. Atiro o pedaço de ferro na direção de Nove com toda força que consigo, mas ele desvia. E depois corre em minha direção. Eu também corro, mesmo que minhas condições físicas não permitam muito.



Assim que estamos perto o bastante, ele pula em minha direção, me derrubando e fixando a ponta da faca em meu ombro na terra molhada. Ele me soca duas vezes, mas na terceira vez eu o impeço. Acerto seu rosto com tanta força que ele cai para o lado.



– Então, que acha do nosso treino agora, hein? Bom o suficiente para o grande Nove? — Digo, me levantando e cuspindo o sangue. Ele escorre pelo canto da boca, mas não há nada que eu possa fazer para parar. Nove também levanta, colocando as mãos em posição de lutador. Ele cambaleia uma vez, mas logo se estabiliza. — Sem legados, sem armas, sem nada. Só nós e nossas habilidades.



E ele parte para cima, socando minhas costelas da direita e depois meu rosto com a mão esquerda. Mas no terceiro soco, me impulsiono para trás. Acerto um soco em seu queixo e jogo-o para trás.



Me aproximo e coloco o pé em cima de seu peito. Olho para ele vitorioso e vejo o sangue percorrer pelo pescoço, manchando a camiseta cinza.



Seis tenta se aproximar, mas Sarah a impede, acalmando-a. Eu olho rapidamente para as duas, mas no mesmo instante Nove me derruba com uma rasteira. Ele se levanta rapidamente, chutando minha barriga e meu rosto repetidas vezes. Sinto tudo doer, meus olhos ficarem negros e faca se locomover em meu ombro. Desta vez é Sarah quem tenta se aproximar, mas Seis a segura.



Mas John está fraco! Não vou deixa-lo ali! Ouço Sarah pensar, o que me enche de energia o suficiente para provar que sou forte o bastante para enfrentar esse idiota.



Em um movimento rápido, pego a perna de Nove no exato momento que ele chutaria meu rosto e o jogo para o chão. Levanto-me e me afasto um pouco, tentando me curar, porém não consigo me concentrar direito para fazer esse legado funcionar.



Nove se levanta rapidamente e joga alguns galhos de árvores para cima de mim com sua telecinesia. Seu olhar furioso começa a me amedrontar um pouco, mas continuo a lutar.



Ele se aproxima, jogando tudo o que possa ser arremessado contra mim. Não vou aguentar ficar aqui só fazendo isso, então começo a correr contra ele, desviando qualquer coisa que me impedir. Incendeio-me inteiro e lanço algumas bolas de fogo. Vejo Seis formando uma nuvem cinza em cima da casa, mas, não como nem porque, impeço-a de que faça isso. Ele não entende porque o céu não muda de cor, ou porque as nuvens não se formam, mas continua tentando. E eu continuo correndo e a impedindo de que estrague tudo.



Mas, Nove puxa o ferro que joguei nele no início da luta para sua mão quando estamos a centímetros de distancia e acerta minha perna, atravessando-a. Caio no mesmo instante e sinto o pedaço de ferro derreter dentro de meu corpo. Grito até não poder mais e apago segundos depois.



Nove não parou para ver se John estava bem ou não. Ele simplesmente fez isso e continuou a correr, até entrar em casa, chorando, e se trancar dentro do quarto.



John está dormindo no sofá da sala enquanto eu e Seis tomamos café na cozinha, tentando esquecer o que aconteceu. Tanto sangue em uma pessoa só... Foi horrível.



Nós corremos até John quando ele apagou, pois não estávamos percebendo o que aconteceu. Vimos Nove correr até a casa e bater a porta tão forte que ela rachou a parede. Ao ver o que tinha acertado John, Seis colocou a mão na boca e começou a lacrimejar. Ela me mandou não chegar perto, mas eu não me importei. Precisava ajudar meu namorado.



Assim que vi, pensei em matar Nove naquele exato momento. Mas primeiro peguei a cabeça de John e apoie-a em meu colo. Senti sua pulsação. Ao menos isso estava ok. Ele só estava desmaiado.



Seis tentou estancar o sangue com um pedaço da calça de John que ela rasgou, mas de nada adiantava. Pensamos em retirar o ferro, mas iria piorar a situação. Então tivemos que carrega-lo até o sofá, o que não foi nada fácil. Depois, pegamos algumas ataduras e enrolamos no ferimento da perna. Retiramos o tecido que estava no ombro e colocamos ataduras novas.



E até então estamos aqui há mais de três horas depois do que aconteceu sem nenhum sinal vital dos dois meninos.



Seis olha para a porta, esperançosa que o pessoal chegue logo. Mas também nenhum sinal deles. Termino o café e coloco a caneca na pia, sem me importar em lavá-la. Sigo para a sala e sento-me na poltrona, em frente ao sofá de John. Encolho minhas pernas e as abraço, para não sentir tanto frio. Já passam de meio-dia, mas não estou com nenhum pingo de fome.



Vejo Seis vindo pelo corredor. Ela avisa que vai tentar descansar um pouco e entra no quarto. Eu assinto e olho para John, desejando que ele não sofra nenhuma dor, ou pesadelo. Até que me lembro do que Setrákus fez com ele no carro.



Me levanto em desespero e tento acordá-lo, mas ele não abre os olhos. Chamo-o algumas vezes e nenhum sinal. Tento sentir sua pulsação, mas não sinto nada. Meu coração dispara e começo a andar de um lado para o outro no cômodo.



Corro até o quarto que Seis entrou e abro a porta rapidamente. Ela acorda assustada e pergunta o que houve.



– Não sinto a pulsação do John! – Falo, começando a chorar.



Seis se levanta e vem até mim. Ela me abraça e me leva até a sala, deixando-me sentada na poltrona.



– Calma, ok, Sarah? Vai dar tudo certo. Eu prometo. – Ela diz, confiante.



Vejo-a tirar a colcha de cima de John e colocar as mãos em seu peito. Vejo um brilho branco descendo pelos seus braços e atingir o corpo dele, fazendo-o estremecer. Ela coloca a mão no seu pescoço, sem sucesso. Ela dá outra descarga elétrica. Nada. Outra, mais potente. O corpo de John estremece mais uma vez, mas ainda não é o suficiente para reanima-lo.



– Desculpe-me John... – Murmura Seis. Ela então desce uma descarga muito mais potente no corpo de John e ele abre os olhos.



– AI! – Exclamo e vejo Seis sobre mim. – Porque fez isso?



– Você não estava respirando. Tivemos que reanima-lo... – Ela responde.



– Ah... Obrigado, Seis. – Ela assente e depois olha para Sarah. Mas antes de me virar para vê-la, olho para minha perna. Vejo um pedaço de ferro enterrado nela e me assusto. Tento me lembrar do que aconteceu, mas não consigo. A atadura que estanca o sangue está totalmente vermelha, e penso no tanto que já perdi de sangue, considerando que posso estar dormindo há horas, dias, ou até mesmo semanas.



Seis sai em direção a um quarto e entra nele. Sarah vem até mim, e se senta no que resta do sofá. Ela me beija suavemente e acaricia meu cabelo.



– Fiquei com medo que Setrákus pudesse te atormentar em seus sonhos, por isso tentei acordá-lo, mas vi que não estava respirando, por isso chamei Seis.



– Fez bem. Aquelas descargas elétricas acordam qualquer um... – Eu sorrio. Mas esse sorriso se desfaz em segundos.



Vejo Nove sair do quarto junto de Seis, que o empurra até ficar a minha frente. Sarah se levanta e vai com Seis até qualquer outro cômodo, deixando-nos sozinhos.



Eu o encaro, agora normalmente, sem sentir meus olhos escurecerem. Ele olha para meu ombro e para minha perna.



– Bom, já pode se sentir o mais poderoso, agora que sou totalmente inútil. Mas claro, graças a você. – Digo.



– Olha John... – Nove tenta se explicar.



– “Olha” nada, Nove. Você já tentou me matar uma vez. Não podia esperar nada menos que isso, não acha? Me desculpe por ter agido como um idiota no início, e por ter te machucado na luta, mas só me faça um favor.



– Claro, John.



– Nunca mais fale comigo a não ser que seja sobre voltar para Lorien. Não temos mais nenhum assunto para conversar. Treinaremos, venceremos e voltaremos para nossa casa. Lá a gente vê o que pode acontecer.



Notas finais
Espero que tenham gostado! Até mais!