O Retorno Dos Seis
18 Capítulo 17 - I Want To Kill Her
Notas iniciais
Bom, hoje não tenho nenhum recado para dar a ninguém, então... Boa leitura pessoal :D
Sarah não para de chorar e eu me sinto horrível. Mesmo contando a verdade, fui cruel. Estou aliviado, por finalmente dizer o que eu sentia, mas não deixo de me sentir um monstro. Olho para o vidro dianteiro do pequeno avião e vejo meu reflexo. Lágrimas saem de meus olhos negros. Ah John, no que você se tornou? Tento não pensar muito nisso e me ajoelho novamente na frente dela.
– Sarah, eu precisava te falar isso. Não aguentava mais ter que esconder isso de você. Você não sabe a dor que eu senti quando eu a beijei... Foi como perfurar meu coração. Eu ainda gosto muito de você, mas não fomos feitos um para o outro. Um dia eu voltarei para Lorien, e não quero ter que dizer adeus. Não quero me machucar... –
Ela levanta a cabeça, decidida a falar:
– Então, ao invés disso, você me machucou? –
As palavras perfuram meu peito e arrancam meu coração. Fui atingido e não sei se me recuperarei muito cedo. Tento pensar em Seis, no quanto eu a amo, mas nada resolve. Sarah ainda mexe comigo, mas não do jeito que Seis mexe... Sinto que vou desmaiar, mas primeiro preciso respondê-la.
– Sarah, eu não quis dizer isso... – Sem opção, falo a primeira coisa que me vem à cabeça. — Olha, esqueça o passado. Esqueça que um dia eu te amei, esqueça que um dia eu fui teu namorado, esqueça que eu existi em sua vida. Esqueça tudo. Será mais fácil para todos nós. –
Levanto-me e vou até a parte traseira do avião. Ele é pequeno, contém apenas três janelas de cada lado. Oito assentos posicionados dentro dele, quatro na direita e quatro na esquerda. Oito está sentado olhando para o céu que começa a clarear. Sento-me ao seu lado e começo a falar:
– Ouviu muita coisa? –
– Ouvi o bastante. Depois tentei dormir, mas o que vocês disseram me deixou inquieto... Espero que ela fique bem. E você também. –
Ele tenta sorrir, mas eu não aguento e choro no mesmo momento que ele termina a frase. Ele coloca a mão em meu ombro e diz:
– Tem certeza mesmo que é isso que você quer, John? –
Ignoro sua pergunta enxugando minhas lágrimas com as mãos:
– Acha possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? –
– Sim, eu acho. Mas se apaixonar, não. Pense bem John. Você terá que escolher entre elas. Mais cedo ou mais tarde. E você sabe disso. –
– Preciso falar com Seis, Oito. Necessito ouvir sua voz e só assim terei paz. Milhões de pensamentos corroem minha mente agora, e meus olhos estão queimando. Eu não sei o que fazer... – Volto a chorar, e Sarah entra na pequena ala. Enxuga as lágrimas rapidamente, mas ela já percebeu. Seu olhar frio fita o meu até ela se sentar ao lado de Nove, ao nosso lado.
Ela o acorda com um beijo na bochecha e os dois sorriem. Retorno a cabine e vejo que Vegas está perto. Aviso a todos e começo a descer.
Minha conversa com John me deixou irritada. Porém ele está certo. Quero esquecer tudo o que passei com ele, e me lembrar somente dele como um amigo de Nove.
Entrelaço meus dedos nos deles e pergunto:
– Nove, você ainda está bravo com John? –
Ele me olha um pouco chateado, mas responde a pergunta:
– Sim, eu estou. Não vou perdoá-lo tão cedo, se você quer saber. Ah, eu ouvi sua conversa com ele. Não tive coragem de ir lá te defender, me desculpe... – Ele me beija e continua. – Mas acho que isso só iria piorar a situação... – Eu assinto e o nos beijamos novamente. – Mas e você? Está bem? –
– Estou... Desde que eu esteja com você, o resto não me importa. – Nós sorrimos e continuamos abraçados. Oito vai até a cabine e ajuda John com o “pouso”.
– Vamos aterrissar em um deserto, perto de uma rodovia. De lá pegamos um carro e seguimos para Vegas, ok? – Oito grita.
– Ok. – Nove responde, sem nenhum entusiasmo.
O pouso é horrível. Quase capotamos, mas graças a Oito, estamos vivos.
Andamos até a rodovia e John assalta um carro. O único que estava passando por ali, na verdade. São quase cinco horas da madrugada e a estrada é livre. O homem que dirigia estava bêbado, por sorte não nos atropelou. John lhe deu três socos, o que bastou para apaga-lo.
Avistamos a placa de Las Vegas quase dois quilômetros depois.
– Esse carro só atinge 20 km/h, é um milagre estarmos aqui antes de Seis... – Nove reclama.
– Se você acha que demorou, porque não foi correndo até lá? Poderia ter sido mais agradável, sem você aqui. – John retruca.
Os dois trocam olhares intensos, quase soltando faísca.
– Ei, parem! Os dois! Chega dessa briga! – Oito grita. Ele deve estar acabado. É um tal de choro para cá, um tal de briga para lá... Até eu estou exausta disso tudo...
Chegamos ao hotel cerca de duas horas depois de aterrissarmos. O check-in está feito e tudo está pago. Obrigado Seis, penso. O lugar é pouco movimentado e bem bonito, para falar a verdade.
A sala em que estamos é branca e há um lustre enorme na entrada. Ao lado, um casino. Do outro, um restaurante. Ótimo... Nove vai “causar” por aqui...
Subimos de elevador para nossos quartos, que ficam no oitavo andar. Eu fico junto com Oito; Marina e Ella junto com Sarah; e Nove junto com Seis. Odeio a ideia de deixar Seis com ele, mas não posso discutir. Ninguém iria me ouvir mesmo...
Entro na suíte que contém duas camas, um banheiro enorme e uma vista incrível. Um dos melhores lugares que já fiquei... Me jogo na cama e sorrio. Tiro minha camiseta e jogo-a no lixo.
– Já vou avisando... Assim que Seis chegar, fora daqui, ouviu? – Eu sorrio para ele, que retribui o sorriso. – Ah, hoje a tarde, vamos fazer compras. Preciso de camisetas, calças, sapatos e bermudas novas. Talvez eu vá ao cabeleireiro, preciso arrumar esse cabelo feio... – Digo, mexendo em meu cabelo em frente ao espelho.
– Sem problemas, John... –
Vou ao banheiro e tomo um banho. Fecho os olhos e deixo a agua quente cair em meu corpo. A água está fervendo, algo insuportável para os humanos, mas, que, para mim, não faz diferença nenhuma. Demoro quase dez minutos para sair do banheiro. Enrolo-me na toalha e me jogo novamente na cama.
– Você não vai dormir assim né? – Oito me pergunta, fazendo uma cara um pouco nojenta.
– Eu não tenho roupa, cara! – Eu sorrio. – Estou brincando, calma... Vou colocar minha calça e vou lá embaixo ver se tem alguma coisa em uma lojinha barata. – Pisco para ele.
– Se puder, traga alguma coisa provisória para mim também, ok? –
– Ok. – Digo para ele, que já entra no banheiro enquanto eu coloco minha calça. Pego o cartão que abre a porta e as chaves do carro. Saio do quarto e ao bater a porta, vejo Sarah, no final do corredor. Tento imaginar no que ela está pensando, mas me preocupo em andar rápido, para que ela não me veja. Ela olha para trás e eu viro de costas. Começo a andar quando escuto Nove saindo do quarto e começando a falar:
– Então, já está melhor? – Ela começa a choramingar, o que me faz parar e escutar a conversa. – Olha Sarah, eu sei que nunca esquecerá o que viveu com John, mas você precisa. Será melhor para você, eu tenho certeza. –
– Mas eu não quero! – Ela grita e a ouço entrar no quarto, batendo a porta fortemente. Começo a andar novamente até o elevador e olho na direção de Nove, que coloca as mãos em seus olhos. Impossível... Ele enxuga as lágrimas e olha para a porta. Ele coloca as mãos e sua cabeça apoiadas na mesma e bate, começando a falar logo depois:
– Sarah, abra a porta, por favor... –
O elevador chega e a última coisa que vejo é Nove sentando na porta de seu quarto, que fica em frente ao de Sarah. Ele apoia novamente a cabeça em suas mãos, e depois olha para mim. Uma expressão dolorida que me faz sentir pena dele. Entro no elevador e tento esquecer o que vi.
O ar gelado percorre meu corpo e me faz sentir arrepios. Saio do elevador e sigo em direção ao nosso carro, que está na frente do hotel. Passo na recepção para perguntar onde tem uma loja 24hrs para comprar algumas coisas para nós.
– Temos a loja Everything & co. a um quilômetro daqui, porém ela abrirá somente às sete horas da manhã... – A recepcionista me avisa. Ela olha para a tela do computador e depois volta a me encarar.
– E você poderia me dizer que horas são? – Digo, gentilmente, tentando disfarçar o frio que me consome.
– São 6h15. Se o senhor for de carro bem devagar, é capaz de chegar lá às 7h30. –
– É pode ser... Obrigado. – Eu sorrio e sigo até a porta. Desisto de pegar o carro e decido ir andando. Estou começando a ficar um pouco acima do peso e tenho que voltar a forma ideal para combater guerreiros de outro planeta.
Começo com trotes leves e aumento a velocidade. Primeiro 20 km/h. Depois 30 km/h. 40. 50.
Quando percebo, estou a mais de 70 km/h. Paro devagar na frente de um bar que está aberto. Ouço alguns bêbados conversarem e música alta tocar. Ainda bem que ninguém mora aqui perto.
Continuo andando, me contendo do desejo de ir lá dentro do bar só para ver como é. Avisto a loja a quinhentos metros de mim. Atravesso a rodovia, que agora começa a se movimentar mais e entro. A loja é gigantesca. São exatamente 7h20 no relógio enorme que fica bem em frente dos balcões de atendimento. Procuro por roupas, e acabo achando algumas muito legais para falar a verdade. Pego três camisetas pretas simples e três bermudas marrons. Uma calça jeans para mim e uma calça moletom para dormir, por enquanto. Pego o mesmo para Oito e vou ao caixa.
O total é de trinta dólares e cinquenta centavos. Dou uma nota de cem e aguardo o troco. A atendente me dá a nota e a sacola com as compras.
Assim que saio da loja, lembro-me de comprar algo importante: Um relógio. Volto, compro o que achei mais útil e volto correndo para o hotel. Em menos de quinze minutos estou no elevador, subindo para oitavo andar. Entro calmamente no quarto, e coloco as sacolas no pequeno armário. Coloco uma bermuda e volto a me jogar na cama. Meu relógio de pulso marca exatamente 8h23. Penso em como e quando voltaremos a treinar, mas logo adormeço.
Estou completamente esgotada. Não de correr, de fugir ou de lutar. Mas sim de pensar em John beijando Seis. É uma imagem que me traz raiva, ódio. Levanto-me da cama e vou ao banheiro. Não tomei banho e muito menos dormi. Desço até a recepção e pergunto se eles poderiam me dar algumas toalhas, já que em meu quarto, não encontrei nenhuma.
Vejo uma pequena movimentação na frente do hotel e me aproximo para ver o que acontece. Três mulheres e dois homens descem do táxi, carregando mochilas. Não consigo ver muito bem por causa do vidro da porta, mas assim que ela é aberta, meu coração dispara: Seis.
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