O Retorno Dos Seis
17 Capítulo 16 - Preciso te contar uma coisa
Notas iniciais
Haha finalmente mais um cap. né? Desculpa postar tão tarde assim, é que é o único momento que consigo :s
Bom, espero que gostem :3
bjbj
Seguro a mão de Nove e começamos a caminhar entre a multidão. Ouço os pikens se aproximarem e o medo retorna a me consumir. John vai até o balcão de informações e pergunta onde podemos comprar passagens para Vegas. A moça nos orienta a seguir em frente e virar na segunda direita, seguir pelo corredor e virar a esquerda.
John agradece e anda apressadamente. Nove vira constantemente para trás para ver se os mogs não nos encontraram. Avistamos o segundo corredor uns trezentos metros a nossa frente. Percebo que o aeroporto é extenso, e é capaz de abrigar milhares de pessoas que vão e vem, saindo e entrando da cidade.
Seguimos pelo corredor vazio e quieto. Nenhum de nós diz nada, embora todos estejam pensando no que iremos fazer. John corre ao ver o balcão de compra. Ele para bruscamente na frente da moça e pede quatro passagens para Las Vegas. Sua voz rouca ecoa na sala, como um pedido de socorro.
Dez minutos se passam e nada de mogadorianos. Muito menos pikens. Não acredito muito que eles tenham ido embora, e sim que seremos atacados brevemente.
John conclui a compra e apressa a moça. Ela, educadamente, indica nossos assentos no papel. 20, 21, 22 e 23. Decido ir com John dessa vez, pois se o voo for tranquilo, conversaremos bastante.
Nove não liga muito de ir com Oito, afinal os dois irão dormir de qualquer jeito. Estão esgotados... Fico imaginando onde ficaremos dessa vez. Em um hotel luxuoso ou em um hotel barato. Uma casa de um andar, de dois ou de três. Um prédio alto, um prédio baixo. Perto do centro da cidade ou mais afastado. Uma grande recepção ou uma pequena. Vários funcionários ou apenas alguns. Minha imaginação é acordada por um barulho, lá fora. Um barulho ensurdecedor. Meus ouvidos doem e por mais que eu coloque minhas mão para cobri-los o som continua alto.
O som sessa e logo após isso a parede do corredor que passamos agora pouco se transforma em pedacinhos inúteis de concreto. Um piken pequeno corre em nossa direção, seguido de vinte ou trinta mogs.
Minha única reação é correr. Pego as passagens e coloco-as no meu bolso. Puxo Sarah, que puxa Oito e Nove e corremos em disparada a sala de embarque. Nosso voo é em meia hora e não sei o que faremos até lá.
Graças a Deus, fazer check-in para voos de pequena distância não é necessário. Devemos apenas esperar, lutar e vencer esses mogs idiotas.
No final da grande sala de compra de passagens, há uma janela que se estende do chão ao teto. Dela é possível ver a pista de decolagem. Perfeito, penso. Seguro a mão de Sarah e grito o máximo possível, para todos ouvirem:
– Vamos pular, ok¿ — Ninguém me responde, apenas assentem com a cabeça. – Oito preciso de sua ajuda. Atrase esse piken o máximo que conseguir. Vou tentar pegar um avião pequeno para nós. Sarah vem comigo. – Oito para e se transforma novamente no lobo gigante, porém agora sua cauda é três vezes maior. Os espinhos são mais pontiagudos e pegam fogo. Esse legado é incrível, cara. Estou a um metro da janela. Nove corre tanto quanto nós, porém não dou importância. Com minha telecinesia, quebro o vidro, estilhaçando-o em milhares de pedacinhos.
Meus últimos passos antes de pular são firmes. Pulo o mais alto que consigo e seguro Sarah junto a meu corpo, mas dessa vez eu não caio, muito menos uso telecinesia para diminuir o impacto antes de cair no chão. Eu flutuo a mais trinta metros do chão. Nove tenta ao máximo se segurar na parede do prédio, tentando suavizar a queda. Penso em ajuda-lo, mas sei que ele é capaz de fazer isso.
Sarah me abraça e coloca seu rosto em meu ombro. Sigo até o menor avião que avisto e desço. Entrego Sarah a Nove e subo as escadas até a porta do aeromodelo. Abro-a sem mover um músculo e entro. Ligo o motor e espero o mesmo “esquentar”. Não faço a mínima ideia do que estou fazendo, mas tento mesmo assim. Sento-me na cadeira e puxo o manche para mim, que eu imagino que seja a “marcha ré”. Alguns funcionários gritam para eu parar mas simplesmente ignoro. Nossa, esse negócio é pesado. Prefiro dirigir um caminhão ao invés disso. Assim que me dou conta, é tarde demais. Paguei passagens à toa, para dirigir um aeromodelo. Quinhentos dólares jogados fora. Seu imbecil.
Amaço cones e passo em cima de algumas placas que estavam atrás do avião. Bem que esse negócio podia ter um retrovisor, né. A escada que usei para subir até aqui continua grudada no avião, fazendo um barulho chato de ferro arrastando no asfalto. Uso minha telecinesia para jogá-la longe, e acabo acertando um avião maior que está estacionado a minha direita.
Pelo vidro dianteiro, consigo ver Oito e o filhote de piken lutando. Os dois sangram muito e não param um instante. Os mogs, que estavam atrás do filhote, tentam passar pela luta dos dois, porém muitos morrem ao serem atingidos pela cauda pontiaguda de Oito.
Não sei o que fazer. O pequeno avião está na pista, porém de lado. Oito está sendo ferido. Nove e Sarah se protegem embaixo de uma escada usada também para subir até os aviões. Levanto-me e assim que saio do avião, decolo. Voou até Oito e mogs começam atirar. Agora são cinquenta deles. Acendo meu lúmen e quando um tiro vem em minha direção, paro-o com minha telecinesia e coloco a mão sobre ele. Meu corpo incendeia no mesmo instante. Um sorriso se forma em meu rosto. Deu certo. Jogo bolas de fogo dentro do pequeno saguão e espero o lugar explodir. Alguns mogs voam e outros queimam desesperados. Oito e o piken caem na pista com o impacto da pequena explosão. O piken demora vinte segundos para se levantar, enquanto Oito não levanta. Um minuto se passa, e nada. Oito está imóvel, mas respira.
Saio do abrigo e tento caminhar até Oito, que se transformou novamente em menino. Tento correr até ele, mas sou impedida pelo monstro. Ele se aproxima cada vez mais e o pânico retorna a me invadir novamente. Estou paralisada. Preciso correr. Antes que ele tente fazer algo. No momento que tento me mexer, vejo sua cauda vindo em minha direção. Tento me mexer mas sou impedida pelo medo. A cauda acerta minha barriga e sou jogada longe. Tão longe que apenas a altura me deixa desnorteada. O impacto será forte e não há nada que eu possa fazer. Não grito, não esperneio. Apenas espero cair e apagar. Talvez morrer.
– Sarah! – Grito seu nome, porém vejo que ela não me escuta. Deixo os mogs de lado e voo em sua direção. O mais rápido que consigo. Ela está prestes a cair no chão, quando eu seguro sua mão e a levanto. Olho para ela. Um olhar de alívio. Em seus lábios vejo a palavra OBRIGADA se formar. Meu coração se enche de orgulho e de paz. Saber que não vou perdê-la. Não hoje.
John segura minha mão fortemente. Sei que com ele aqui, não vou me machucar. Sei que ele não vai me soltar. Sei que ele irá me proteger. Porém, sei que ele ainda não é o mesmo de antes. Seus olhos negros ainda me encaram. Dentro deles, vejo ondas se formarem. Ondas fortes, igual as de uma tempestade. Um ódio tão grande, que a força é igual a de uma onda, constante, que arrasta e mata tudo o que vê pela frente.
Atingimos o chão e eu corro de volta para Nove. Ele me abraça e beija minha testa. Eu o amo e ele me ama. Disso eu tenho certeza. Só não tenho certeza se esse amor durará para sempre.
Volto a voar e a ajudar Oito. Tento distrair o piken, enquanto Sarah e Nove retiram-no do meio da pista, levando-o diretamente para o avião. Vejo Sarah me chamar, porém não posso deixar esse piken vivo aqui e decolar.
Tento achar minha adaga lórica, mas lembro que a deixei em Denver. Droga. Tenho que mata-lo com minhas próprias mãos. Literalmente. Voou para cima dele, e com ódio, perfuro seu olho com um soco. Puxo-o para fora. O sangue preto espirra em mim e volto a sentir a mesma sensação que senti em Denver. Ódio e raiva. Meus olhos queimam novamente e sinto que eles se escurecem ainda mais.
O piken uiva de dor e cambaleia. Voou até a janela, onde a sala ainda pega fogo. Ouço alguns mogs gritando uns com os outros e tentando apagar o fogo, mas é inútil. Pego uma espada qualquer em meio ao fogaréu. Volto até o piken e acerto sua cabeça. A espada perfura seu nariz e sua boca. Ele ainda está vivo, porém não causa mais nenhum dano. Vou novamente até a sala e acendo meu lúmen, que pega fogo. Jogo duas bolas de fogo no monstro e ele se enche de chamas. Prontinho.
Voou até o avião e entro, fechando a portinhola. Tranco-a bem e chamo Sarah para sentar ao meu lado, como copiloto. Ela o sorri para mim, mas estou tenso demais para retribuir o sorriso. Aperto o botão azul a minha frente e coloco o manche para a direita. Espero que isso seja o “acelerador”. O avião começa a se virar e eu me encho de orgulho.
– Isso! – Grito, um pouco alto demais.
Agora o avião está perfeitamente posicionado para decolagem. Coloco o manche para frente e não o retiro dessa posição até que ele esteja totalmente fora do chão.
Assim que atinjo uma altura estável, aperto o botão de piloto-automático e relaxo os músculos, antes tensos.
– Orgulhoso? – Sarah me pergunta.
– Nunca pensei que fosse tão fácil... – Eu sorrio e ela encara o céu escuro. Um minuto depois ela retribui o sorriso e começa a falar.
– Olha John... Precisamos conversar... –
– Eu sei. Preciso te contar uma coisa... –
– O que foi? –
– Sarah... – Eu levanto e me ajoelho ao seu lado. Viro a cadeira para mim, e ela fica exatamente a minha frente. Beijo sua mão e continuo:
– Eu preciso que você saiba disso. – Lágrimas brotam dos meus olhos, porém eu as ignoro. – Nesses últimos cinco anos eu juro para você que não me envolvi com ninguém. Ninguém mesmo. A menos de uma semana atrás, eu comecei a sentir sua falta, comecei a me questionar o porque te deixei em Paradise sendo que podia tê-la trazido comigo, e decidi ir até você. Seis não gostou nada da ideia e me levou para a sala de treinamento do apartamento de Nove. Foi lá que eu soube que eu não sentia sua falta. Eu sentia falta de amar. Amar alguém e ser amado. –
– John, eu não entendo... –
– Eu a beijei Sarah. Eu beijei Seis. Beijei mais de uma vez. E não me arrependo. Eu a amo, Sarah. E quero ficar com ela, por mais que eu ainda goste de você, é com ela que eu devo ficar. –
Ela começa a chorar, porém não enxuga suas lágrimas.
– Você não tinha o direito de fazer isso, John! –
Ela grita, fazendo Oito acordar. E continua:
– Você ainda é meu namorado! E não tinha o direito de me trair! –
– Sarah, você beijou Nove na minha frente, sem ao menos conversar comigo! –
– Mas você fez isso primeiro! Você a beijou! –
Ela soluça e tenho medo do que será capaz de fazer. Continuo ajoelhado e passo a mão em seus cabelos.
– Eu esperava mais de você, John... Me trair... Ainda mais com ela! –
– Eu não consegui evitar Sarah! Foi algo instantâneo! –
– Então olha nos meus olhos e diz que não me ama mais e que não quer ficar comigo! – Ela me encara, com os olhos cheios de lágrimas afundando nos meus. – Assim posso amar quem eu quiser! Mark, Nove ou até mesmo Sam! –
– Espera ai... Mark? O que Mark tem a ver com você? –
– Nada, nada... –
– Sarah, fala para mim que você não o beijou... –
Ela coloca as pernas na cadeira e as abraça. O choro dela é algo dolorido de ouvir, mas continuo.
– Sarah! – Grito. Meus olhos voltam a queimar.
– Não John, eu não o beijei, tá legal? Eu só sai com ele, mas te respeitei! Na hora que ele se aproximou de mim, eu fui embora! Satisfeito? –
Ela volta a abaixar a cabeça e chora. Não sei o que dizer...
Levanto-me e penso em uma resposta.
– Me desculpa, tá bom? Não deveria ter duvidado de você... –
– Não John eu não desculpo! Não por ter duvidado de mim, e sim por ter beijado Seis! Como teve a coragem de fazer isso comigo? –
Me descontrolo e logo grito:
– Porque eu não te amo mais, tá legal? –
Notas finais
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