O Retorno
8 Capítulo 8: A estagiária.
A jovem moça dos seus vinte poucos anos aguarda a sua vez de ser chamada. A secretária observa a pequena loira de cabelos curtos e de rosto infantil. O seu corpo revela que é uma mulher bem desenvolvida, apesar dos seus 1m e 64cm de altura, usando uma maquiagem leve, um "toiller" cinza, meia calça, sapatinhos que combinam com a roupa.
Subtamente, a secretária pede para a garota entrar na sala da presidência da Corporação Knight. Segurando a sua pasta, sem alça, entre os braços cruzados ao seu tórax, a loira entra confiante na espaçosa sala, onde, no centro, está uma imensa mesa executiva.
Sentada na cadeira, onde uma brilhante plaqueta indica presidente, está uma mulher de cabelos longos e negros, olhos profundos e, igualmente, pretos, o seu rosto aparenta que ela é alta e magra, não é tão bela quanto a loira, mas tem a carisma típica dos lideres.
Ali está uma mulher de poder.
Fazendo um aceno para a loirinha se sentasse, que é prontamente atendida, a mulher de vestido azul marinho com detalhes brancos, se levanta e vai até a janela que dá vista de uma grande metrópole.
- Então, creio que você seja a voluntária para levar os documentos do Sr.
Eric, não é? — pergunta a mulher em tom austero.
- Voluntária, não, convocada, senhora. — corrige.
- Tanto faz. A sua missão está em cima da mesa. É levar esta caixa metálica até o Sr Eric e, se puder voltar, deve retornar para a nossa empresa.
A loira se assusta com o "se puder voltar" e não resistindo a tentação pergunta, por quê?
A mulher de cabelos negros vira-se na direção à loirinha e responde:
- E porque você é uma estagiária.
Um pouco indignada, a garota pondera:
- Sou uma estagiária, sim, porém não sou uma estafeta! Não sou paga para ser escrava da firma, mas sim para aprender os segredos da minha profissão.
A mulher de cabelos negros sorri.
- Calma! Somos todos amigos aqui, Srta. Wendy Mackenzie. Não vou mandá-la para uma missão suícida. Eu também acho que você é uma boa , não, excelente estagiária. Controla os processos, é esforçada, tem responsabilidade e pontual. Nós temos a maior confiança em você.
Garanto que a sua universidade terá a melhor recomendação que uma empresa pode dar a uma promissora advogada. A melhor!
Sem se convencer com os elogios, Wendy pergunta:
- Por que o "se puder voltar"?
A mulher respira fundo e explica:
- O problema não é entrega, mas sim a viagem até lá. O projeto que estamos executando é ultra-confidencial e precisamos de alguém de extrema confiança. Sabe, Wendy... Se a Corporação Knight não precisasse tanto de mim, eu mesma iria lá. Porém, de todos os canditados, você é a que melhor encaixa para esta missão. E solteira, competente, confiável, inteligente, tem um bom porte físico... Em suma, perfeita para uma viagem dimensional.
As palavras "viagem dimensional" caem como bombas em sua mente.
- Como é?! — exclama Wendy.
- Creio que conhece o projeto "StarGate" do Dr. Garacosi? Bem, deu certo! Neste momento, o nosso presidente e o Dr. Garacosi aguardam estes documentos. Afinal foi indicação do próprio doutor quis que fosse você a pessoa que executasse esta missão.
A loirinha fica tonta. Ela sabe quem é o Dr. Garacosi e seus insistentes assédios. Wendy entende o porquê foi escolida. Exibição. Caracterista típica de um macho procurando seduzir a fêmea. No fundo, Wendy fica envaidecida, mas o medo a domina. Ela pensa mais um pouco e conclui que, se não aceitar, a sua carreira será destruida, então a garota aceita o sacrifíco.
Quando começa a deixar a sala, a mulher pede que ela dê o seguinte recado:
- Diga ao Eric que as ações da empresa cairam três pontos e precisamos de alguma prova do progresso do projeto, sem que se revele tudo, é claro!
- Darei o recado, senhora...
- Summors! Elisa Summors, sou a irmã dele.
Wendy fica estarrecida ante a grandiosidade do aparelho. Devia ter uns dez metros de raio, lembrem-se que é um círculo, dentro ter uns dez metros de raio, lembrem-se que é um círculo, dentro da área há uma espécie de espiral energética. A loirinha fica hipnotizada.
- O Dr. Garacosi é um gênio mesmo. Ele previu que os nano-táquions se comportam dessa maneira. — diz um dos técnicos que está sentado atrás da estagiária, no jipe. Uma espiral.
- O número áureo. — completa outro. Foi a única fórmula matamática que estabelecia um controle aos táquions.
- Rapazes! Vamos logo levar a moça para o outro lado! Eu odeio viajar nessa... "Coisa". — diz a motorista que é uma das chefes dos cientistas.
- Ahn... É perigoso viajar? — balbucia Wendy.
- Ai que está! Não sabemos. — responde a motorista. Há pouco que se sabe , mas está havendo uma distorção temporal.
A loirinha não entendeu, mas sabe que não vai gostar da resposta.
- Devido ao "StarGate" a diferença temporal entre a Terra e Neo-Órion está sincronizando-se.
- Sincronizando? — pergunta Wendy sem muito afinco.
- Quando fomos a primeira vez, havia uma diferença do "tempo planetário" da Terra com do planeta alienígena que batizamos de Neo-Órion. Com a ativação da ponte estrelar, os nano-táquions estão "traduzindo" a diferença temporal de nossos cérebros ou corpos. Graças ao Dr. Garacosi, a Ciência descobriu que o tempo não é uniforme, é uma espécie de "noção" mental que temos. Afinal, se os planetas tem velocidades diferentes devido a proximidade de suas estrelas e do tamanho, por que não a percepção de tempo entre eles? A Terra é muito mais rápida que Neo-Órion.
- Ou os nano-táquions criaram esta "noção" temporal. Para adaptar-mos àquele mundo, estes "robôs" estabeleceram uma "tradução" de nossos corpos para sobrevivermos naquele planeta. Isto é muito mais avançado que possamos imaginar.
- Ei, pessoal! A garota não quer saber sobre as nossas teorias... — recrimina o último técnico. Vamos leva-la até lá. Ordens da nossa chefe.
E assim foi feito. O jipe, que leva o grupo, sobe na esteira e vai lentamente em direção da ponte estrelar.
A motorista conversa, através do rádio, com os técnicos responsáveis com o monitoramento do aparelho. Wendy engole em seco quando o jipe começa a entrar no "túnel". A loirinha lembra a sua primeira vez quando entrou num avião. A sensação é a mesma.
Quinze segundos depois, Wendy estava num mundo alienígena.
O "outro lado" parecia uma base militar. Inúmeros guardas, helicópteros, carros, caminhões, empilhadeiras, etc. A estagiária fica atordoada quando olha para o céu. Era noite. A sua irmã mais velha, fã de astronomia, a ensinou a reconhecer as constelações. Principalmente, o zodíaco. Por motivos óbvios. Entretanto, ela não reconhece nenhuma constelação. Parecia a noite da Terra, só um detalhe que era impossível não notar.
Havia duas luas.
- Bem-vinda a Neo-Órion! — diz a motorista. Acorde, menina! Depois você vai fazer o seu turismo, agora tens que pegar um helicóptero. Eric está esperando.
- Sim! — e Wendy sai do carro com a bendita caixa metálica.
Sem ter que pensar muito, a estagiária sobe no helicóptero e parte rapidamente dali.
Devido a escuridão, Wendy não consegue visualizar nada da paisagem, mesmo com um poderoso farol do helicóptero. Pois só se podia ver as copas da árvores. A loirinha divaga um pouco a respeito de que tipo de criaturas existam neste mundo. Porém, o veículo atrvessa os muros do castelo. Wendy percebe que tinha chegado ao seu destino.
A garota mal pôs os seus pés no solo que logo foi arrastada por um grupo de soldados armados. Wendy fica um pouco assustada, pois o que tem de tão de valioso nesta caixa? Pensa a estagiária quando fica diante a outra garota de cabelos verdes.
- Então, quem é essa mulher? — questiona.
- A mensageira do Imperador, Imperatriz. — responde o guarda.
"Imperador?! Imperatriz?!" Cogita a loira. E ela fica um pouco surpresa, pois é primeira vez que fica diante de uma alenígena. Além de ser bonita, jovem e de cabelos verdes.
- Ela é bonita demais para ser mensageira. — e toca no queixo da loira com o indicador direito. Parece mais uma cortesã...
O sangue ferve na cabeça da estagiária.
- Asherat!!! Pare de implicar com a menina! Eu nem sei o nome dela! — diz Eric. Pode levá-la ao meu escritório.
Os homens obedecem, mas antes, a consorte dá o seu último comentário:
- E precisa saber? — e vira o rosto em sinal de desprezo.
Rapidamente, Eric pega a caixa metálica e puxa, de um compartimento secreto, um fio que conecta ao seu laptop e, digitando uma senha, a caixa se abre. Dentro, há papeis que Eric lê de uma forma voraz.
Depois, Ele senta-se e pergunta a garota:
- Foi a minha irmã que enviou-me isto?
- Sim, senhor.
- Bem... Infelizmente, terás que ficar aqui.
Chocada, indigna-se, mas Eric explica:
- Se for o que está escrito aqui, não há como você voltar ao planeta Terra. Sinto muito...
- Por quê?!
- Da mesma maneira que invadimos este mundo, nós fomos invadidos! Tudo culpa minha!!!
E Eric abaixa a cabeça...
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