O Retorno
6 Capítulo 6: O casamento profano.
No interior do imponenete castelo imperial, uma bela adolescente de cabelos verdes, mas em desalinho, chorava com os braços cruzados apoiados a uma escrivaninha espelhada. A garota contrita em seus lamentos não percebe a chegada de uma mulher dos seus quarenta anos que apoia as suas mãos nos ombros delicados.
— Asherat, minha filha... — diz a mulher.
— Mamãe!!! — e a abraça. Eu não quero me casar com aquele homem! Ele é asqueroso, monstroso, assassino, porco, nojento, biltre, animal, asno... — e por aí vai.
— Calma, minha filha! Este invasor não sabe o que espera. Além do mais, não creio que ele queria a sua pureza. Acho que este é um casamento de conveniência. O povo já o odeia, por ter matado a nossa Imperatriz. Não importa quais desculpas ele possa inventar. Ninguém o aceitará.
Os soluços diminuem. Mais controlada, a Consorte do Império Aspisíneo olha para a mãe, que tem uma aparência similar ao dela, só que com mais idade, e diz:
— O que fazeremos? Depois que este desgraçado sumir do mapa, quem governará o Império?
— Estive conversando com os Duques dos reinos do norte e do oeste, eles apoiam a sua permanência como governante, já os do sul querem uma nova eleição. Os circunvizinhos a capital têm simpatia por você, mas estão neutros. — explica a mãe.
— Temo por uma guerra cívil. Depois da morte do crápula...
— Já estão planejando o que fazer depois da minha morte? — diz uma voz muito conhecida. Apressadas...
Tanto mãe quanto filha se calam. Quando o usurpador do Império entra no quarto da Consorte, a mão abraça a filha, por instinto, e diz para o homem:
— Você já fez muito mal a este mundo. Quer um conselho? Fuja. Fuja o mais rápido possível daqui, enquanto pode...
— Por que, querida? Alguém vai me pegar? — debocha. Quem? Diga. Quem vai machucar o meu rostinho lindo? — e sorri.
A mãe da Consorte olha para o rosto de Eric e sentindo ânsia de vômito só de olhar para o bigode farto do homem, vira o rosto e diz:
— Morra, maldito!!! Que tenha uma morte tão horrível quanto a nossa amada Imperatriz.
— Entendo. Suas fantasias ilusórias chegaram ao fim, eu os libertei disso.
— Suas mentiras não vão convencer ninguém, assassino! — diz a adolescente.
Um pouco irritado, Eric diz de uma forma dura para a garota:
— Amanhã, nesta hora, nós estaremos casados, menininha. Não se preocupe. Eu não vou tirar a sua "integridade donzélica", só quero o documento com a sua assinatura.
— Amanhã, nesta hora, assinarei um documento com o seu sangue apoiado em seu corpo mutilado e frio. Sabe qual documento será este? A comemoração de sua morte, decretando oito dias de festas, ineterruptas!!! — responde a Consorte.
— Você tem tanta certeza que vou morrer assim?
— Espere e verá... — diz a garota com um olhar parecido com a Imperatriz do espelho.
— Com licença, sogrona! — e separa a mãe da filha, depois joga a mãe da Consorte na cama. O assunto é com a princesinha aqui. Olha aqui, garota! Eu não estou com paciência para servir de babá ou aturar faniquitos de uma guria mimada! Você vai assinar aquele documento! Entendeu?! — e puxa a garota no braço, com força.
— COVARDE!!! — e cospe no rosto de Eric.
O homem bate no rosto da garota que cai no chão, sentada.
— Animal!!! — e toca a sua mão no seu rosto delicado e vermelho pelo tapa.
— O que falta acontecer agora?! — pergunta aos céus o empresário.
De súbito.
— Senhor! Senhor! — diz alguém.
— O que foi?!
— Os prisioneiros fugiram, senhor!!!
Com um sorriso nos lábios, Eric diz:
— Até que enfim!!! Uma boa notícia!!!
A capital do Império Aspisíneo está agitadíssimo devido ao casamento da consorte e do chamado, populamente, usurpador. A cidade toda fala na morte do homem e na possível possibilidade da sucessão imperial. Em nenhum momento, Eric é tratado como monarca ou libertador, só de "o infeliz que vai morrer em breve".
Até os comerciantes estão vendendo os supostos pedaços do cavaleiro para as crianças. Há bolsas de apostas de quanto tempo Eric ficará vivo depois da cerimônia. O valor das apostas estão altas para antes de completar vinte e cinco minutos. (!)
É óbvio que o empresário está ciente de tudo isso. Ele mesmo ganhou o conjunto completo do boneco dele, mesmo desmontado. O estranho é que as peças não se juntam.
— Sabe, Nicolai... O que me dá mais raiva não é a antipatia do povo, mas a certeza da minha morte. — comenta o empresário.
— Foi aquilo que observei, chefe. Existe algo muito mais poderoso que nós não conhecemos.
— Hunf! Este suspense que me tortura... Quero ver logo que tipo de criatura estará desejando a minha morte. Ou planejando...
Subitamente, surge a bela consorte cantarolando e rodopiando a sua saia.
— Ela parece feliz, senhor. — observa.
— Espere um pouco, Nicolai. — e Eric sai do trono e vai na direção da garota.
Alegre e feliz, Asherat, a consorte, nem percebe a chegada do homem. Dançando e cantando uma música imaginária, a garota só nota a presença do cavaleiro quando este segura fortimente a sua mão. Logo, a consorte abre os olhos e o encara.
— Bom dia, senhor defunto! — provoca.
Sem dizer nada, Eric agarra a garota e dá-lhe um beijo na boca. São querenta e cinco segundos de agonia para a jovem. Quando consegue se desvenciliar, o ar falta-lhe e uma ânsia de vômito atinge o seu estômago. Tonta, a garota fica de quatro e ofegante. Com um olhar de satisfação, eric diz para a consorte:
— Bom dia! Até que você é bem bonitinha.
A consorte volta a dizer o seu repertório de palavrões e termos chulos.
— Agora sim, está bem melhor. — e Eric retorna ao seu trono.
A noite chega.
Começa a cerimônia. Os convidados de todo o Império comparecem, a nobreza, pessoas ilustres, embaixadores dos estados aliados e satélites.
Uma curiosidade. Todos de preto.
Eric não gosta da vestimenta dos convidados, pergunta o motivo e obtém a seguinte resposta:
— Todos estão esperando o funeral depois da cerimônia. — conclui a mãe da consortecom um sorriso nos lábios.
De súbito, as trombetas tocam.
Os imensos portões do palácio são abertos. Nota-se que são necessários seis pessoas para mover cada porta. Depois de abertos, os dois portões revelam a belíssima noiva. A consorte está com o rosto borrado, como se chorasse a muito tempo, um véu cobre o seu delicado rosto e seus cabelos verdes. O vestido lindíssimo, como aqueles princesas de contos de fada, mas a cor do vestido é todo negro.
Quando fica de lado do empresário, a garota tira um lenço, também negro, borrando ainda mais a maquiagem.
— Por que está chorando? Você não disse que está feliz pelo fato que vou morrer?
Aos soluços, a garota responde:
— O problema é que, tão jovem, vou ser viúva e também tu robaste o meu primeiro beijo, seu animal!!! Perdi a minha pureza!!! — e chora.
Eric faz uma cara de nojo.
A cerimônia prossegue.
Depois de alguns minutos do ritual do casamento, o sacerdote perguntas o clássico questionamento:
— Se alguém é contra este casamento, fale agora ou cala-se para sempre...
Neste momento, um terrível estrondo ecoa no salão da cerimônia.
O cavaleiro sente uma poeira no seu rosto que cai do teto. Quando olha para cima, Eric vê um dos dos pessadíssimos portões incrustado no teto. Detalhe, o teto tem trinta metros de altura.
— Quem?! — grita um voz potente. Quem foi o canalha que tocou na minha irmã?!
O empresário olha na direção da voz e vê um homem, ou melhor, uma criatura humanóide, pois não se dá para perceber se é humano devido a tanta musculatura em seu corpo.
— Foi ele, irmão!!! — e a consorte aponta para Eric, que engole em seco devido aos três metros de altura da criatura.
Com um salto, o ser fica, praticamente, em cima de Eric. Devido ao impacto, o empresário cai sentado.
— Já fez as suas preces, desgraçado!!!
— Ah, sim! — diz debochada a ex-futura-sogra. O nome dele é Lorde Gilgamesh! O ser mais poderoso de nosso mundo. Tenho muito orgulho de ser a mãe dele.
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