O Retorno
13 Capítulo 14: Psicopompo
Asherat faz de tudo para resucitar o seu amado. Ela usou um coração artificial no lugar daquele que foi destruido, todos os rituais de cura que conhecia e até mesmo um golém vegetal para aprisionar a alma de Eric.
Todas tentativas infrutíferas...
Desesperada, a ex-consorte gasta o mais poderoso feitiço que um elemental da Terra pode fazer.
Invocar o seu Deva direto.
É um ritual complexo e de gasto absurdo de energia. Asherat gasta horas para elaborar o desenho do círculo mágico, outras tantas para retirar a seiva de frutos, árvores, raízes e legumes para elaborar a poção e outras tantas para recitar o texto sagrado de invocação.
Depois de tanto trabalho, ela consegue.
O seu Deva é uma espécie de "Anjo", mas é uma criatura mágica de imenso poder. Quase um Deus. Só não o é, pois serve a um. Os cabelos longos e multi-coloridos, um roupão coberto de pontos luminosos, as asas imensas e igualmente brilhantes. A Beleza manifistada.
Entretanto, Asherat não está interessada e comtemplações.
- Deva! Tenho direito a um desejo!
O Ser, sabendo do que se tratava, responde:
- Pelas regras, reviver um ser de nosso mundo é possível, porém este não é um nativo...
- Dane-se! Eu sei disso! Se fosse possível, o Golem dava conta. Eu desejo que me seja cedido um avatar seu!
O Ser angelical fica surpreso, mas atende o pedido. O Deva põe a sua direita no interior do tôrax esquerdo e retira uma versão miniatura do próprio ser.
- Eis teu servo, elemental. — diz a pomposa criatura.
Asherat estica as usas mão e o pequeno anjo de 20cm voa para ela. Ao pousar, o ser se transforma em um broche azulado e com um anjo estilizado.
- Invoque-o quando precisar... — e desaparece.
Depois que o ser parte, e ex-consorte desmaia de cansaço, mas a sua mente sabe que há outra missão que deve feita.
O corpo de Eric é envolto por inúmeras raízes que o fazem suspender do solo formando uma espécie de câmara mortuária. O cavaleiro parecia que estava um tapete verde e coberto por um cobertor de flores silvestres. A impressão que se tinha era que o homem estava somente dormindo.
Asherat ajoelha e chora. Ela sabia que tudo que podia fazer foi feito, mas, infelizmente, tinha falhado. Em prantos, a ex-consorte promete ao corpo do seu amado:
- Eric, meu marido! Eu prometo vingar-te com toda força do meu ser, para isto tenho que deter uma criatura que todos imaginávamos uma lenda.
Certamente alguns desistiriam de lutar contra ela, mas eu, meu amado, tenho um plano...
Os cinco amigos continuam avançar na floresta. Cuidadosos e atentos, o grupo fica a espreita esperando o inesperado. Porém com um objetivo, resgatar Eric.
O clima tenso causado pela revelação da identidade do inimigo não impede que os amigos conversem entre si.
A floresta, a qual entraram, é um pouco aberto e plano deixando a iluminosidade solar atingir o solo. Com contraste das sombras, faz do local um lugar belo e misterioso.
Subitamente, o grupo ouve um choro.
Scheila e Diana são as primeiras a ouvir e como também as que chegaram a fonte do ruído.
Era uma criança, dos seis ou sete anos encolida e escorada na árvore.
Com as duas mãos esfregando nos olhos, esta não percebe a presença das duas mulheres.
- Oi, meu amor... Está perdida? — pergunta Diana.
Os soluços diminuem. Entretanto, a menina fica desconfiada com as estranhas.
- Quer a nossa ajuda? — pergunta Scheila.
A menina esfrega os olhos com os braços para tirar a humidez do rosto.
O grupo restante aproxima do local onde as mulheres estão. Só aí, a garota pára de chorar.
De súbito, brotam do chão milhares de pequenos tentáculos que agarram os heróis. Todos tentam, em vão, libertar. Neste momento, as mulheres constatam que a criança é a responsável pelo ataque. Pois a origem dos tentáculos vem dela. Hank, percebendo isto, dispara as suas flechas no corpo da criança...
Porém, nada acontece.
- Vou segurá-los até a minha mestre chegar. — diz a criança com uma voz potente.
Presto faz um encanto que faz do chapéu saísse dardos, abelhas, raios e tudo que pudesse dar dano no monstro. Tudo em vão.
- Tolos! Sou imune aos seus ataques! — e o monstro gargalha.
Súbito, as raízes da árvore onde a "criança" estava escorada começam a enroscar no pescoço da criatura. Antes que pudesse fazer alguma coisa o seu pescoço é quebrado. Em seguida, outras raízes enrolam aos tentáculos forçando-os a soltar todos do grupo.
Minutos depois, todos estão libertos.
- É isto que chamam de "missão de resgate"? — pergunta uma voz feminina.
Hank reconhece a garota.
- Você é a consorte! Eu lembro de você! Como estão as coisas? E Eric? — questiona o loiro.
A garota abaixa a cabeça.
- Eric está morto. Tiamat o matou. — diz sem nenhum tato e sem muita emoção.
Os presentes ficam surpresos e estarrecidos.
Wendy Mackenzie caminha displicentimente em direção a uma ravina.
Depois de subir de uma forma ágil, a loirinha obtém o seu prêmio, uma vista panorâmica de grande parte do território. A visão que tem é maravilhosa. Os pássaros, as montanhas, um pequeno rio, uma floresta que recobre todo o sopé do monte, nuvens meio rosadas...
- Bela vista que se tem daqui, não acha?
Wendy se assusta. A última pessoa que poderia esperar ali era ele.
- O que quer, Nicolai? — pergunta de uma maneira umpouco ríspida.
O romeno está deitado no chão, com uma haste de mato no canto da boca.
- Vendo o quão bonito é este mundo. Além de perceber o quanto estragamos o nosso...
- Você tem um pouco de razão, mas eles tem a Magia, nós não.
O romeno fica um pouco surpreso.
- Conhece a Magia deste mundo, Srtª Mackenzie?
- A tal de Argana fez questão de nos apresentar...
A loira lembra da briga entre dois técnicos e a Mestre dos Magos deu-lhes uma pequena amostra do seu poder.
- Muito simpático da parte dela.
- Nem diga.
- Wendy, o que pretende fazer depois que isto terminar?
- Não sei. Talvez escreva um livro ou algo assim.
- Legal... Há vagas para um namorado?
A loirinha dá um sorriso engraçado.
- Não sei... Estou pensando.
- Tenho chance? — pergunta o romeno.
- Quem sabe em outra Vida...
- Que isso?! — e levanta do chão. Ora, sou um cientista de sucesso, tenho um bom emprego, tento ser simpático...
- És arrogante, tarado, mulherengo...
- Andou me investigando, nhem?
- Lógico! Vindo de um sujeito que faz as secretárias ficarem suspirando e depois as lágrimas...
- Elas não representam nada para mim.
- Aí que está! O seu desprezo pelas mulheres. Você nunca respeitou os sentimentos delas. Preza mais o corpo do que o caráter. Tens um pensamento machista, retrôgado e egoísta. Pensa que vou ser mais uma na sua coleção de roupas íntimas que tem atrás do armário está muito enganado? — desabafa Wendy.
- Quem te contou isso?!
A loira fica calada.
- Deve ser uma mal-amada que dispensei e agora está fazendo intrigas a meu respeito.
- Era a minha prima, desgraçado!!! — e bate no rosto dele.
Alisando o seu rosto, o romeno diz:
- Entendi. Inveja.Sua prima deve ter ficado louca ao saber que eu estava afim de você...
Wendy fica pálida.
- Sabe, entendo que esteja confusa com a narrativa equivocada de sua parente, mas, afinal, você é muito mais inteligente e interessante do que ela. — e chega mais perto. O que este tipo de sentimento é capaz de provocar nas pessoas, um ódio secreto que faz de tudo para destruir a felicidade do seu alvo. Mente, engana, move céus e terras para destruir a fonte de sua dor. Pobre, Wendy... — e a abraça.
Nisso, a loira chuta os testículos do cientista.
- Inveja é o caramba!!! Você que é um canalha mesmo!!! Tchau, babaca!!! — e parte dali deixando o romeno vendo estrelas em plena Luz do dia.
Diana observa o corpo, aparentimente, sem vida do cavaleiro. Uma lágrima involutária escorre no rosto da bela negra. Presto toca no rosto frio do amigo e soluça de emoção. Os irmãos abaixam a cabeça. Hank tem uma expressão de raiva. Logo, o líder do grupo faz um discurso:
- Eu nunca imaginei que eu veria um amigo tão problemático quanto Eric numa situação extrema e que culminasse em sua morte. Todavia, sabemos que ele foi responsável pelos fatos que ocorreram aqui, porém a sua ousadia fez que, novamente, estivéssimos reunidos e prontos para lutarmos, não por vingança, mas por justiça. Vamos ser fortes para seguir em frente e deter uma criatura que quer destruir o nosso mundo. Pela memória de Eric!!! — e Hank pára.
Quando a emoção domina o arqueiro, nisso Asherat escora o loiro a descer do púpito improvisado. A ex-consorte pergunta se mais alguém quer dizer mais alguma coisa.
O silêncio é sepultral.
O túmulo de raízes feito pela elemental da terra lembra um casulo de um bicho-da-seda só que feito por minúsculas raízes de carvalho e deixando o rosto do empresário a mostra. É feito mais uns gestos e a ex-consorte ordena que o túmulo fosse enterrado entre as raízes do velho carvalho.
As lágrimas escorrem ainda mais.
Por fim, está tudo terminado.
Quando a pequena cerimônia finda, Diana chega perto de Asherat.
- O corpo vai ficar conservado no meio daquelas raízes? Sabe que depois que terminarmos com isso, gostaríamos que levássemos o corpo de Eric para à Terra. Dar-lhe um enterro cristão...
Asherat fica um pouco confusa, afinal, no seu mundo, a maior honraria de uma pessoa é ser enterrada entre as raízes de um velho carvalho, mas a garota vai respeitar a decisão dos alienígenas.
- Não se preocupe. Há um encanto de conservação. Ele vai ficar como deixamos. Basta dizer a senha que o corpo será exumado.
- Obrigada. — agradece Diana cabisbaixa.
Lentamente, o grupo parte dali. O objetivo é encontrar os outros e elaborar um plano para contra-atacar a terrível Tiamat.
Depois que todos saem dali, uma silueta fenimina fica diante o carvalho.
- "Eric Summors, amigo amado, descance em paz." Epitáfio sem graça... — e estende a mão.
Em seguida, o corpo é exumado.
- Material de pesquisa, tra, lá, lá, lá...
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