O Retorno

17 Capítulo 18: Eclipse


"Há quinze mil anos atrás, no planeta Terra, houve uma espécie de invasão de seres extraterrestres. Este seres pesquisaram sobre tudo a cerca dos habitantes deste mundo e chegaram a conclusão que poderiam inocular um ser original no mundo pesquisado. Este ser alterou os habitantes para melhor adaptar e desenvolver-se. Deu-lhe habilidades únicas que garantiam vantagens evolutivas.
Assim surgiu o homo-sapiens...
A inteligência desta espécie tinha a função de servir de suporte para a estrutura do ser em questão. O homem, para esta criatura, é o veículo,
servo e hospedeiro. Para a humanidade, o ser era onipresente, invisível, mas poderoso e protetor.
Assim surgiu a Deusa..."

- Que historinha sem pé e sem cabeça! — sentencia Presto amarrado juntamente com os outros homens do grupo com a exceção de Scheila que está igualmente presa e narrando o texto acima. Vê se eu entendi? Esta tal de Deusa criou a humanidade, mas a humanidade que inventou o conceito religioso para explicar uma troca parasitária entre uma forma de vida extraterrestre e a espécie humana?

- Exato. — diz Scheila.

- Isto que é ficção científica... — diz o mágico.

- Realismo fantástico. — corrige Nicolai. Ficção científica trata da criação de contos com base científica, mas de impossível aplicação na realidade. Já o realismo fantástico, há uma possibilidade de existir, mas parece uma ficção.

- É o está na minha mente... — diz Scheila.

- Por que não está na nossa? — pergunta Bob.

- É porque vocês são homens... — e Scheila baixa a cabeça.

- Que loucura! Um vírus sexista! Era só o que faltava!!! — reclama Presto.

- Então essa revolução feminista é causada por uma espécie vírus, bactéria ou germe inteligente que controla todas as mulheres... — conclui Hank.

- Agentes patológicos são oportunistas. Está na Natureza deles... — diz Nicolai Garacosi.

- Pro diabo o que eles são! O que a gente vai fazer para sairmos daqui? — pergunta Bob.

- Há uma coisa que estou curioso... — cogita Presto. O que a Scheila está fazendo aqui? Você não é uma mulher?

- Eu não sirvo para a minha senhora... — diz a Scheila deprimida.

- Servir, você serve, mas acho que você está aqui para nos espionar... — conclui Zoroastro.

- Também. — diz com sinceridade Scheila. Porém eu não consigo servir a minha Deusa de corpo e alma...

- Indução patogênica . — diz Nicolai Garacosi. Na Terra, existem parasitas que habitam o cérebro de ratos e formigas, como o dicrocelium dendrictrum e o toxoplasma gondii, que induzem os hospedeiros a comportamentos estranhos e realizar os seus objetivos reprodutivos. Estamos diante de uma versão mais avançada disso. Acho que esse ser só é ativado com a presença do cromossomo X ou é incompatível ao cromossomo Y.

- Como é feita a contaminação? — pergunta Bob.

- Pelo comportamento da Diana... Acho que é pelo ar. Essa não!!! — exclama Nicolai. Ocorreu-me algo realmente assustador. Se a humanidade foi a origem deste parasitismo, então está aí o motivo cultural que a maioria das tradições são machistas. Em algum ponto da pré-história, as mulheres foram superiores aos homens e estes se rebelaram. Para limitar o poder feminino, estabeleceram leis culturais que serviam de uma forma asséptica inconsciente para controlar o vetor. Há dez mil anos atrás foi eficaz, porém hoje em dia...

- São bilhões de hospedeiros!!! — exclama Presto.

- Homens... — diz Scheila com um certo desprezo. O que tem as mulheres assumirem o poder? — conclui indignada.

- A questão não é essa, Scheila. O problema é que não serão as mulheres que vão governar o mundo, mas sim uma parasita que nos considera como gado de corte. — conclui Nicolai.

Antes do confronto contra Tiamat, Wendy Mackenzie acompanha o resto do grupo com uma certa displicência. A loira não gosta nem um pouco dessa tal de Lilith Astarte, como também o fato de estar exilada num mundo alienígena e sendo observada de uma forma nada respeitável tanto pelo homens quanto pelas mulheres. Para a estagiária, as únicas exceções são os homens e mulheres que possuem as tais "armas mágicas" e a garota de cabelos verdes a qual nutriu uma simpatia muito grande. Wendy percebeu que a menina é muito mais madura do que ela. Talvez seja pela educação cultural que a alienígena tenha recebido. A loira gostava de passar horas conversando com a garota sobre a cultura dos dois mundos.

Asherat é uma E. T. muito simpática...

Enquanto caminhava em direção da "base de operações" onde está a ponte estrelar, a mulher escuta um ruído estranho. Ninguém nota, por isso Wendy se separa do resto do grupo. Cuidadosa, a estagiária segue os seus que ecoam na floresta. O ruído parece um berro de um filhote de algum caprino em apuros. Sensibilizada, Wendy Mackenzie vê um filhote de algum cavalo, mas muito melhor que um pônei, lembra um cãozinho de pequeno porte, crina escarlate e um único chifre no centro de sua testa. A criatura estava presa, atolada, numa espécie de areia que a afundava cada vez mais devido ao seu desespero. Com inteligência e calma, Wendy retira a criatura da areia movediça. A criatura lambe o rosto da garota como um cachorro agradecido.

- Ai! Tudo bem! Que gracinha! Onde está a sua mãe? — pergunta.

- Béééé!!! — foi a resposta.

- Que idiota que sou! — recrimina-se. Vou deixá-lo aqui. Cuide-se! — e levanta-se.

- Béééé!!! Béééé!!! — berra a criatura.

- O que houve?! Que desespero é esse? — e Wendy olha para frente. Oh, meu Deus!!!

E vê um imenso urso pronto para golpeá-la com a sua pesada pata e no momento seguinte, ele não está mais...

- O que aconteceu?! — questiona a loira.

- Nós te salvamos, humana... — diz uma voz idosa, mas delicada e gentil.

Wendy gira o rosto em direção do som e descobre quem é proprietária da voz...

- Eu não acredito! Unicórnios! Vocês existem?

- Claro que existimos, humana. — responde a criatura.

- Béééé!!! Béééé!!! — e o pequeno eqüino vai em direção de um dos unicórnios.

- Então, essa é a sua mãe... — comenta Wendy.

- O filhote executou muito bem a sua missão em recrutar a nossa nova porta-voz para o reino humano. — diz a aparente líder dos unicórnios.

- "Porta-voz"?! — indaga a loira.

Todos os homens continuam amarrados e frustrados pela situação de total impotência. Eles escutam vozes femininas próximo do local de onde estão presos. A intenção era se libertar da situação incomoda que se encontram, porém sem armas e poderes fica um pouco difícil de se realizar.

A primeira a entrar no local é Argana. A bela cigana estava excessivamente linda. Não é preciso ser um gênio para perceber que a maga estava usando uma magia chamada "glamour" que faz o seu usuário ficar muito mais atraente do que costume.

- Garotos! Hoje é o dia de sorte de vocês, rapazes! — diz a cigana.

- Como assim? — pergunta ingenuamente Presto.

A Mestre dos Magos o encara.

- Por acaso, és virgem?

- Não. Ao contrario... — só aí ele entende. Ih, caramba!

- Tá de brincadeira!!! — exclama Hank.

- Eu quero a lourinha!!! — grita Nicolai.

- Que lourinha? — pergunta Argana.

No ímpeto de se aproveitar da situação, Nicolai descobre que Wendy Mackenzie não foi contaminada e também a traiu, pois ela poderia ser grande a valia para uma eventual fuga. O cientista tinha que pensar rápido.

- Quer dizer, eu quero uma lourinha... — e sorri.

- Hunf! Homens... Vocês são uns vermes! — diz Scheila desapontada.

- Que isso, querida... É da Natureza dos machos mamíferos espalhar o máximo o seu código genético. — diz Argana. Afinal, nós temos um belo espécime aqui. — e olha para Hank.

- Piranha!!! — grita Scheila.

- Sabe... Eu estou afim de fazer um "showzinho" para os meninos aqui... Ensinar como se faz... — e pisca o olho.

Scheila, louca de ciúmes, pula em cima da Maga, mas um gesto da cigana faz que a mulher seja jogada contra a parede.

- Agora entende o porquê que está presa junto com os rapazes. — diz
Argana. Você é muito possesiva. Está em sua personalidade. Uma falha em seu cérebro, mas em breve, quando chegarmos em seu mundo isto será corrigido.

- Por que você quer ir no mundo deles? — pergunta Zoroastro. Você não tem tudo em nosso mundo?

- Não. Neste mundo há muitas criaturas não humanas e igualmente inteligentes. E podem ser opositores ou predadores naturais aos meus hospedeiros. Temos um instinto de sobrevivência muito grande. Mas lá, não há inimigos naturais ou predadores. Só microorganismos. Lá é o paraíso para uma criatura como eu. E com um único objetivo. Reproduzir! Seremos milhões, bilhões, trilhões!!! A Vida eterna!!! — e os olhos brilham.

- Legal. — diz Bob. Quem garante que estes micróbios da Terra não sejam predadores de vocês?

- Tolinho... Quem disse que não fiz isto? — e olha em tom de desafio para o justiceiro. Eu já estava circulando em meio de vocês e ia e volta do mundo de vocês.

- Por que não aproveitou logo a sua ia Terra e se "reproduziu" lá? — pergunta Presto.

- Ela é do tipo "rainha". — responde Nicolai. Como as formigas e cupins.

Ela envia subordinados para testar no lugar dela. Ainda mais um vírus parasita inteligente...

- Aposto que a rainha está no corpo da Argana... — diz Hank. Agora, diga a verdade. Argana nunca existiu. Ela é uma casca que você controla.

A cigana faz um outro gesto que faz Hank levitar e ficar em pé diante da bela mulher.

- Ai, seu gostoso!!! — e o beija.

Leitor, acredite, é um beijo pornográfico. Scheila tenta se libertar, mas em vão. Depois de quase três minutos, Hank arfa, por da falta de ar, e Argana delicia-se.

- Sou o que você quiser. — diz a Maga.

Hank olha para Scheila e vê a sua amada as lágrimas...

- Senhora! — diz Asherat ao entrar subitamente. Desculpe, mas há uma garota que te falar.

- Deixe que entre. — ordena.

E assim é feito.

Ali encontra-se Wendy Mackenzie diante de todos e reverencia-se diante a Mestre dos Magos.

- A sua "lourinha" acaba de chegar, Nicolai. — e sorri.

Notas finais
( Fim do capítulo 18 )