Notas iniciais
Para quem é fã de Mousse e Shampoo tem uma palhinha nesse capítulo deles rs

O dia passou rápido e o sol já desaparecia no horizonte, anunciando a chegada do anoitecer. Um casal estava dormindo semi-nus, cobertos apenas por um único lençol.

De repente, Mousse abriu suas pálpebras sonolentas e sentou-se na cama sem fazer barulho, pois não queria despertar a bela adormecida. Ele contemplou a beleza da amada e acariciou o rosto, depositando um beijo terno nos lábios arosados que respiravam tranquilamente.

Passeou o olhar pelo quarto que passara os melhores e os piores momentos da sua vida. Ali tivera sua primeira noite de amor com uma mulher. Encontrara uma gatinha muito especial. Opa! Falando nela, cadê a Lianhua?

– “Estranho... ela está demorando demais para voltar...” – Mousse vestiu-se rapidamente e saiu do quarto em busca da sua pequena companheira – “Será que ela se perdeu?”

Ao sair do aposento, Mousse escutou o barulho forte de chuva e apressou os passos, e percorrendo os corredores, adentrou nos quartos vazios, seguindo rumo à outros pavilhões e palácios sem dar importância em se molhar de cabeça aos pés.

Depois de muito correr, alcançou o jardim imperial e vasculhou a área toda e quando estava a um passo de deixar aquele local, ouviu miados baixos e fracos vindo das moitas. Vasculhou todas elas desesperadamente, gritando seu nome:

– Cadê você? – Ele explorou a última moita e esboçou um sorriso aliviado – Lianhua!

Mousse estendeu a mão, mas a gatinha recuou alguns passos para trás. Ela parecia bastante nervosa com sua presença. Ele abaixou-se na altura da Shampoo e arriscou uma nova aproximação, entretanto, ela desviou mais uma vez.

– Calma, sou eu... – o amazona disse, com uma voz doce.

– “Vai embora seu traidor!” – Lianhua pensou, mostrando suas unhas afiadas.

Shampoo deu um salto e arranhou o belo rosto do seu amigo de infância, descontando todo seu ódio e decepção. Após inúmeras tentativas, Mousse conseguiu embrulhá-la em seus braços, fazendo bater coração com coração.

– “Pára por favor... pára de ser carinhoso comigo... se não eu vou acabar confundindo as coisas seu baka...” – ela pensou, deixando lágrimas escorrerem livremente da face.

– Eu quero que saiba de uma coisa: você também faz parte da minha família e vou te proteger com todas as minhas forças, ouviu bem? – o amazona sorriu, sem ligar para seus machucados.

Todos os seus ressentimentos acumulados, as feridas na alma e no orgulho de mulher cairam por terra ao ouvir aquelas palavras tão puras e sinceras segregadas na boca do Mousse. Ela encostou seu rostinho na dele e começou a lamber ferida por ferida, alcançando os temidos e desejosos lábios do homem. Seu único desejo era que os deuses parassem o tempo.

Shampoo se fantasiou na sua forma de humana e beijou o amazona cheio de fervor, sentindo urgência em explorar todos os cantos daquela cavidade. Afastou-se da boca somente para respirar e junto com essa necessidade veio a razão que ela havia deixado de lado.

– Boa menina... – Mousse disse, acariciando as proximidades das orelhas empinadas.

– “Eu... eu beijei ele...” – a gatinha pensou, tocando os próprios lábios com a pata.

– Está com frio? – o amazona ocultou Lianhua dentro da sua indumentária, deixando apenas o rostinho à mostra – vou ver se eu consigo alguma coisa para te aquecer...

Mousse seguiu a um dos edifícios onde ficavam hospedadas as criadas e encontrando a primeira janela acesa, entrou discretamente no aposento, pedindo água quente. Ela o conduziu a uma espécie de sauna e preparou um banho num pequeno tanque utilizada normalmente pelas empregadas.

– O senhor só me promete que não vai comentar com ninguém que esteve aqui? – a mulher comentou, receosa – caso alguém descubra, não sei o que será de mim...

– Fique tranquila – Mousse piscou – isso vai ficar entre eu e você.

– “Seu abusado...” – a gatinha colocou para fora suas garras e arranhou a face direita do amazona, irritada – “você não era assim Mu-Tsu!”

– Senhor, está tudo bem? – a serviçal indagou, assustada com a agressividade da gata.

– Não se preocupe com a Lianhua... – o jovem general escondeu o rosto da pequena na roupa – ela não costuma ser assim tão violenta...

– Bom, aqui está tudo o que necessita – a serviçal disse, entregando uma toalha seca e roupas improvisadas.

Ao ver a criada sair da sala de banho, ele começou a despir-se na frente da sua pequena companheira, retirando peça por peça até ficar completamente nu, revelando seu corpo talhado em músculos de amazona. Shampoo deu as costas para ele, tentando afastar qualquer pensamento ínfimo.

Mousse caminhou em direção a Lianhua e enrolou-a carinhosamente na toalha, secando os pêlos encharcados. Shampoo não teve outra escolha a não ser encará-lo de frente, no entanto, permaneceu de olhos fechados.

– Agora sim podemos entrar – ele comentou.

Shampoo engoliu seco e sacudindo a cabeça em sinal negativo, imaginou o escândalo que seria caso ele descobrisse sua real identidade ao se banharem juntos. Com movimentos rápidos, ela escapou das mãos grandes que tentavam lhe capturar a qualquer custo.

– O que houve? – ele tirou as próprias conclusões – ih, eu já entendi – completou – você não gosta de tomar banho, acertei?

– “Eu adoro banho seu baka, mas não posso...” – a gatinha cobriu o rosto com uma pata e bufou sozinha – “tudo culpa sua...”

– Então vou fazer o seguinte... – disse.

Mousse pegou a toalha pendurada em seu pescoço e mergulhou no enorme tanque, torcendo firmemente até não pingar nenhuma água, a envolvendo no corpo da pequenina para esquentar.

Ele soltou um espirro e indagou, sorrindo – está melhor assim?

Os dois não demoraram muito no banho e retornaram para o aposento onde Yu dormia num sono pesado. Mousse entrou calmamente com a Lianhua no colo e enfiou-se debaixo das cobertas, colocando a gata entre ele e a sua amada, como se criasse uma barreira invisível.

As horas passaram depressa e os primeiros raios solares adentravam pela pequena janela daquele quarto, anunciando a chegada do amanhecer. Yu despertou num pulo, assustando-se com a presença da gatinha ao seu lado.

Tanto o amazona como a Shampoo despertaram logo em seguida devido ao grito abafado da Yu e Mousse esticou seus braços preguiçosos, bocejando alto enquanto a Lianhua pulava de susto para fora da cama.

– O que significa isso? – Yu esbravejou, extremamente nervosa – Você querer cuidar desse gato tudo bem, mas dormir na sua cama já é demais!

– E qual é o problema eu posso saber? – Mousse indagou, surpreso com a reação violenta da jovem guerreira.

– Esse seu apego por ela, eu não sei... – a chinesa disse, desconfiada.

– “Porque Mu-Tsu me ama sua lesada” – Shampoo repensou, insegura – “eu quero dizer, acho que ele ainda me ama...”

– Eu queria mesmo saber o porquê desse alvoroço todo por causa de uma gatinha... – o amazona falou, confuso.

– Ah deixa para lá – Yu falou, chateada – Com tanto que esse gato não durma mais com a gente, eu te perdôo – ela não permitiu Mousse falar e continuou – vamos treinar um pouco...

Os próximos dias transcorreram sem grandes tumultos e Shampoo aproveitava em assistir os treinos do seu amigo de infância, constatando o quão Liang Hu era um homem verdadeiramente incrível, forte e tranquilo. O amazona também a surpreendia a cada treinamento, ele aperfeiçoava técnicas antigas, aprendia golpes novos e adquiria poder e equilíbrio, preparando-se para um grande dia do confronto que não tardaria a chegar...

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Enquanto isso, a inteligência chinesa planejava uma invasão no palácio Imperial, contratando milhares de atiradores e lutadores de artes marciais. Seguir acordo de paz? Isso estava totalmente fora de sua cogitação! Aproveitaria o desleixo da oposição para golpear pelas costas.

Era um plano perfeito.

– Esse assalto será executado quando vossa majestade? – o homem indagou, em reverência.

– Hoje de madrugada meu caro Lei Li – a autoridade respondeu, sorrindo cinicamente.

Lei Li significava “O Trovão Forte”. O homem era um lutador profissional de Kung-Fu e um dos braços direitos da máxima autoridade de toda a sociedade chinesa. Ele tinha cabelos negros e soltos assim como seus olhos que escondiam muitos segredos.

– E quanto a minha oferta está de pé? – Li perguntou.

– É óbvio que sim, mas... – a autoridade disse, dando ênfase na voz – como prova eu quero a cabeça do Liang Hu na minha mesa, fui claro?

– Eu estou às suas ordens... – Lei respondeu, abaixando a cabeça.

– Esse homem que tanto falam é uma espécie de “escudo do imperador” de acordo as fontes que eu obtive – disse.

– Tem apenas uma coisa que me preocupo... – continuou – a Yu me disse na última carta que Liang está com um aprendiz novo...

– E qual o nome dele? – perguntou, curioso.

– “Mousse”, segundo ela – esboçou um sorriso debochado – parece que homem não bate bem da cabeça e diz que “veio de outra época”, fora que o idiota caiu direitinho no lábio dela...

– Eu não sei, não confio em mulheres – comentou – elas sempre acabam “misturando as coisas”...

– Imagina – sorriu, seguro – ela como uma profissional, não trocaria uma grana preta por causa de um “casinho amoroso”.

– Nesse caso – o homem bateu na mesa e ordenou – eu quero que acabe com qualquer um que cruzar o nosso caminho!

– Fique tranquilo – falou, sorrindo – o governo está do nosso lado, eles estão interessados demais em transformar aquela Cidade em ponto turístico...

– E certamente será o fim da última dinastia chinesa! – gargalhou alto, ecoando para todos os lados daquela sala.

Comentários inúteis da autora:

Como vamos entrar no capítulo 11, eu quero fazer alguns esclarecimentos aos meus leitores... (a Ranma-chan que sempre acompanha ele)

Bom, a primeira é sobre a Yu, no começo sua “função” era só “tumultar” o relacionamento entre Mousse e Shampoo (mais do que já estava), mas no decorrer dos capítulos tive algumas idéias e agora que vocês leitores já sabem que ela é uma espiã enviada por uma espécie de “clã protestante ao do Liang Hu” ou “máfia ligada ao governo”. Enfim... vamos ver no que isso vai dar nos próximos capítulos...

Agora é sobre a Cidade Proibida. Nada que se passa ali, vejam bem NADA que se passa nessa fanfic é REAL ou tirada de algum documentário (como o filme “A Última Dinastia Chinesa” ou coisa parecida), ela é totalmente fictícia, saiu da minha cabeça e lógico, os filmes chineses como “O Clã das Adagas Voadoras” e “Herói” entre outros me serviram como alguma inspiração já que quem assistiu alguma delas são filmes meio sem nexo e com finais alternativas (no caso do segundo filme que citei aqui).

Bom, é isso... e para não perder o costume (estava demorando rs), qualquer esclarecimento, dúvida, chumbada na caixinha aí embaixo o/

Notas finais
O que será do Mousse? Aliás, alguém me dá um Mousse de presente? Pode ser embrulhado em caixa de papelão velho 8D