O Renascimento:
2 Capítulo II
– U-um shinigami? — foi o que eu perguntei debilmente. E sorri. Tudo fazia sentido, tudo fez um sentido infernal desde aquele momento.
Eu estava de pé, encarando o ser à minha frente. Golaz, não? Esse era o nome dele. Percebi que era assim que Kira matava, com um caderno! Os shinigamis são os deuses da Morte da mitologia japonesa e realmente existiam. Eu sempre procurei uma coisa de racional na habilidade de Kira em matar, mas parecia sempre que o sobrenatural fazia mais sentido. E realmente esse era o fato. Olhei para o fundo cadavérico que deveria ser os olhos de Golaz e vi a mais profunda escuridão de uma alma, mas permaneci sorrindo.
– Um caderno? — eu disse, baixinho. — Kira matava com a ajuda de um shinigami? — me aproximei da cama, pegando um caderno negro que ali estava. Golaz abriu espaço, no caderno estava escrito, logo na capa, "death note". Olhei para a parte de trás da capa e vi uma lista de regras em inglês, a primeira era "aquele que tiver o seu nome escrito neste caderno morrerá".
Me sentei na cama, com Golaz ao meu lado, mas eu não estava sequer suando frio. Estava apenas curioso, então dei uma olhada em cada uma das regras, todas em inglês, meu idioma natal — sentia vontade de gargalhar alto, mas se o fizesse, atrairia a atenção das pessoas dos outros quartos. Percebi que provavelmente L sabia sobre tal assombroso caderno e a existência dele fora ocultada para não causar terror. Estava tudo tão claro! As pessoas que não tivessem a causa de morte escrita morriam de ataques cardíacos em quarenta segundos e Kira preferia matar assim para que o mundo percebesse que alguém estava causando os assassinatos e os crimes parassem de ser feitos.
– Ora, ora — eu disse -, vocês, shinigamis, não cansam de brincar com humanos? — eu disse calmamente. Golaz saiu da cama, flutuando no ar, ficando à minha frente.
– Como assim, jovem? — ele perguntou.
– Ficam enviando esses cadernos para que os humanos matem. Primeiro Kira, depois o assassino de idosos e agora eu? Qual é o sentido nisso? — eu questionava, sem o olhar, meus olhos estavam fixos no caderno. O abri e analisei suas páginas, não estavam gastas e nem borradas, o que denunciava que era novo, além de não ter nada escrito. A melhor conclusão era que Golaz o pegou justamente para outra pessoa usar.
– O sentido é a diversão — ele disse.
– E parece que mais ninguém pode te ouvir, não é? — eu sorri novamente. — Interessante.
– Só podem me ouvir e ver quem tocar no caderno — ele disse.
– Bem, suponho que ele agora seja meu — eu disse -, ou estou errado? — olhei para ele.
– Sim, é. E o que você fará com ele? — ele perguntou.
Parei e pensei um pouco, me levantando da cama com cuidado. Já tinha a resposta na ponta da língua.
– O guardarei, ele entrará para a minha lista de preciosidades — respondi seriamente.
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