O Relógio de Areia

7 Capítulo 7 – O Jogo de Bola Fedida


Teen Titans não me pertence.

**Data de primeira exibição do episódio 'Spellbound': 9 de Outubro de 2004

Capítulo 7 – O Jogo de Bola Fedida

Dois meses haviam se passado. Os treinos com Ravena não poderiam estar dando resultados melhores. A empata fazia Terra passar por vários testes para entenderem como seus poderes funcionavam, e conversavam muito sobre os momentos em que ela perdera completamente o controle e como ela se sentia. Com isso elas perceberam que ela só perdia o controle em ocasiões críticas. Quando ela sentia muito medo, raiva ou aflição. Seus poderes lhe davam o que ela mais desejava na hora: escapar.

Terra ficou aliviada quando percebeu que seus poderes não eram como os de Ravena. Ela estava com medo de ter que viver como a amiga, sem sentir nada o tempo todo. Porque, segundo a empata, era como ela vivia. Mas Ravena disse que seus poderes obedeciam a suas ordens o tempo todo. Mas em momentos críticos, em que ela não conseguia pensar direito, as ordens de seu coração predominavam, e seus poderes obedeciam a ele, e isso era algo muito difícil de controlar.

E foi nisso que elas se concentraram daí pra frente. Ravena a fazia meditar com ela durante duas horas de manhã, e meditar sozinha durante uma hora à tarde. Isso porque de manhã Ravena a ajudava a encontrar seu centro e esvaziar a mente. Durante a tarde ela devia tentar fazer isso sozinha. Depois da meditação da manhã, Terra devia correr na pista de obstáculos da Torre tentando esvaziar sua mente de qualquer pensamento que não fosse chegar até o final. No começo fora muito difícil, ela se distraía facilmente, mas com o tempo ela conseguiu se concentrar e virou uma coisa normal a se fazer quando ela lutava.

Então depois de um mês veio a parte mais difícil do treinamento: controlar as emoções que a faziam perder o controle. Ravena a fazia fechar os olhos e criava em sua mente situações que a faziam sentir raiva e medo. Era algo extremamente cansativo para ambas. Ravena começou com coisas simples, como alguém pegar seu pedaço de pizza ou a empurrar. No começo, só isso já fazia a ilha tremer um pouco. Com o tempo, nada acontecia. Então Ravena foi piorando as situações aos poucos. Uma vez, a empata a fez ver a Torre em chamas e todos os titãs mortos. A ilha tremeu tanto naquele dia que tudo caiu no chão, inclusive os titãs. Para sua surpresa, Ravena não brigou com ela, mas pediu desculpas, dizendo que ela ainda não estava pronta para esse nível.

Outra vez, Ravena a vez ver Mutano beijando outra garota. Novamente tudo foi ao chão. Outra, Slade a chamando para se juntar a ele. O tremor foi ainda mais intenso. Depois de coisas como essas, elas meditavam juntas e então voltavam para a mesma cena. Isso ajudou muito Terra. Depois de dois meses, ela não perdia o controle em quase nenhuma situação. Além disso, ela começou a gostar e confiar muito na empata. Um dia, quando as duas conversavam sobre suas piores perdas de controle, ela teve vontade de contar à amiga que se sentira tentada a aceitar a proposta de Slade. Mas o medo de que Ravena ficasse zangada e parasse de confiar nela foi maior, e ela não disse nada.

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Quarto do Mutano, 17 de outubro de 2004, 01h04min.

Mutano virava de um lado para o outro, mas não conseguia dormir. Apesar de estar exausto pela luta que travara ao lado de seus amigos apenas algumas horas atrás, e sentir cada pedaço de seu corpo dolorido, simplesmente não conseguia.

A raiva de Malchior ainda latejava em sua cabeça. Ele estava indignado por ter deixado que um babaca dentro de um livro tivesse machucado uma de suas melhores amigas. Justo Ravena, que todos sempre tinham a impressão de ser inalcançável. Ele se sentia culpado, também. Talvez se ele não a tivesse deixado tão sozinha, poderia ver o que estava acontecendo e impedido tudo isso. Mas ele não tinha mais tempo para ver Ravena. Ele estava com Terra agora. E Terra queria fazer coisas divertidas o tempo todo. Ele adorava demais isso, mas não podia abandonar seus amigos. Muito menos Ravena.

No fundo, ele parara de ir vê-la porque se sentia culpado em relação à Terra. Ele tinha medo que ela descobrisse que em um dia muito distante, ele tivera uma pequena queda pela empata. Mas isso já estava totalmente superado. Antes mesmo de Terra chegar e ele se apaixonar por ela. Porque Ravena nunca teria olhado para ele desse jeito. Ela mal olhava para ele de qualquer forma boa. Ela era... Como se diz mesmo? Platônico. Uma paixão platônica.

Mas ele tinha um carinho especial pela empata e sempre teria. Assim como ele tinha por Estelar, e também ficaria muito zangado se ela fosse ferida. Mas Ravena era diferente. Ela não demonstrava quando não estava bem, e nem deixava os outros verem o que era melhor para ela.

"Cara, agora definitivamente já chega." Ele pensou, abrindo os olhos. "Eu não vou mais deixar a Ravena passar por algo como isso de novo. Todo mundo deixa ela em paz como ela quer e não percebe que isso não é o melhor para ela. Então, quer ela goste quer não, eu vou cuidar para que isso não aconteça de novo. E a Terra vai entender. Ela também gosta muito da Rae."

E com esses pensamentos, ele se levantou, colocou os tênis e correu para o quarto da empata.

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Ravena já consertara o teto de seu quarto com seus poderes, e agora arrumava as coisas caídas e quebradas. Quando terminou, se voltou para o livro, que ela deixara em cima da mesa. O pegou com cuidado e o guardou em um baú com o olhar triste. Seu coração doía muito mais do que seu corpo por causa da batalha. Ela suspirou e, antes que pudesse pensar no que fazer primeiro, ouviu batidas à porta.

–Ravena? – ela ouviu a voz de Mutano do outro lado. – Sou eu. Olha, eu sinto muito.

–Por que? – ela perguntou com amargura. – Não foi você que...

–Não! Sinto por ele... Ter magoado você.

–Eu sei que foi tudo mentira – ela continuou. – Mas ele foi a única pessoa que não me fez sentir uma... Esquisita. E não tente me dizer que não sou.

–Tá bom... Legal. Você é esquisita – ele concordou, para sua surpresa. – Mas não quer dizer que tenha que ficar trancada no seu quarto. Você acha que está sozinha, Ravena, mas não está.

Subitamente, ela saiu de seu quarto e o abraçou, sem pensar em mais nada. E durante o abraço, ela se sentiu aquecida e consolada. Realmente era muito melhor do que ficar sozinha tentando não sentir o que não podia evitar sentir. Então relaxou o abraço e se afastou, percebendo que a mente de Mutano disparara, e muitas emoções juntas se manifestavam numa confusão. Antes que pudesse perceber qual era a que predominava, porém, uma bola verde atingiu a cabeça do metamorfo, derrubando-o. Parece que eles não eram os únicos a não conseguir dormir. Ela virou a cabeça na direção que a bola viera e viu Ciborgue com um sorriso vitorioso, dando socos no ar.

–Hahahaha, éééé! Bola Fedida! – gritou ele, dançando.

Ravena sabia que isso era infantil e sem sentido. Mas ainda sentia seu coração aquecido, e não pode evitar de pegar a nojenta bola da cabeça do amigo verde e entrar na brincadeira.

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Sala principal da Torre Titã, 17 de outubro de 2004, 09h26min.

Terra virou a caixa de cereais em um prato fundo e colocou leite e açúcar. Passou a caixa a Estelar, que também a virou em prato, mas adicionou mostarda. Robin estava sentado do outro lado da alienígena, tomando uma xícara de café e lendo jornal.

–Que estranho que Ciborgue ainda não levantou. – disse Terra, ainda mastigando cereal.

–É verdade. – concordou Estelar. – Quando eu chego aqui, ele normalmente já está preparando seu café da manhã à base de ovos e carne de porco.

–Ontem de madrugada eu escutei ele e Mutano gritando pelos corredores. – disse Robin, sem levantar o olhar do jornal. – Estavam jogando algum jogo com uma bola...

–Bola Fedida? – perguntou Terra. – Que estranho. Ontem, depois da luta com aquele dragão, eu estava tão cansada que desmaiei na cama.

–Eu também, apesar de ter ficado preocupada com a amiga Ravena. – disse Estelar tristemente. – Ela deve ter ficado muito triste.

–Por falar nisso, Terra. – Robin abaixou o jornal. – Agora que Malchior se foi, quando Ravena estiver se sentindo melhor, eu acharia bom se vocês continuarem com o treinamento.

–Ah... Ok. – murmurou Terra colocando outra colher de cereal na boca. Aquela semana livre de treinamento fora tão boa que ela quase se sentiu feliz por Ravena ter encontrado o tal Malchior. Ela pudera passar mais tempo com Mutano e saíra mais com Estelar. Além do mais, ela particularmente achava que não precisava mais de treinamento. Estava tudo sob controle.

Nesse momento, Ciborgue apareceu na porta principal, se espreguiçando e bocejando.

–Amigo Ciborgue! – exclamou Estelar, com mostarda nos lábios. – Estávamos justamente nos perguntando quando você iria se levantar!

–Ah, eu dormi demais... – disse ele, abrindo a geladeira e pegando ovos e um pacote de bacon. – Ontem à noite não conseguíamos dormir então jogamos Bola Fedida até umas duas e meia da manhã...

–Você e Mutano? – perguntou Terra.

–E Ravena. – respondeu ele sorrindo. Os três pararam o que estavam fazendo para olhar para ele. – Por incrível que pareça.

–Amiga Ravena jogando um jogo de correr com uma bola? – perguntou Estelar, com um sorriso enorme. – Que bom! Eu achei que ela estaria inconsolável...

–Isso é realmente ótimo, eu também achei que ela demoraria a se recuperar. – disse Robin, também sorrindo.

–Acho que Mutano teve algo a ver com isso, quando eu atirei a bola nele, ele estava na frente do quarto dela. – respondeu Ciborgue, fritando os ovos. – Ele vai demorar pra acordar hoje...

Terra, ao contrário dos amigos, não estava sorrindo. Estava intrigada. O que seu namorado poderia ter feito para deixar Ravena, a pessoa mais ranzinza que ela já conhecera, feliz a ponto de jogar Bola Fedida? E por que eles não a chamaram para jogar também?

De repente, a porta se abriu e Ravena passou por ela, flutuando. Ela parecia a mesma de sempre, o rosto tranqüilo, mas sem sorriso.

–Bom dia, amiga Ravena! – exclamou Estelar, se levantando e lhe dando um abraço esmagador. – Fico feliz de saber que está se sentindo melhor!

–Ahhh... Bom dia, Estelar. – respondeu Ravena sem ar. – Obrigada, eu estou.

A alienígena a soltou e a acompanhou até a cozinha, onde todos lhe deram bom dia com sorrisos sinceramente alegres. Exceto o de Terra, que parecia um pouco incerto, mas ela não percebeu isso. Ravena então colocou sua chaleira com água no fogo, para fazer seu eterno chá de ervas, e a manhã correu normalmente a partir daí. Ninguém falou nos acontecimentos da última semana. Mas todos sentiram falta da presença de Mutano, que estava sempre tagarelando, sem contar a usual luta carne versus tofu toda manhã.

Terra terminou sua tigela de cereal e estava saindo quando Ravena a chamou.

–Eu imagino que você continuou meditando durante essa semana de folga, não? – perguntou ela, derramando a água da chaleira em uma caneca azul.

–Hã... – começou Terra. Não, ela não tinha meditado nem uma vez. – Ah, sim, só alguns dias eu esqueci...

–Sei. Continuaremos amanhã no horário de sempre. – disse ela, pousando a chaleira e cobrindo a caneca com um pire. Terra concordou com a cabeça e correu pela porta, se sentindo desanimada com a expectativa de voltar a acordar às cinco da manhã.

Ela resolveu ir ver Mutano. Ele já tinha dormido demais. Correu até seu quarto e bateu com força na porta, para acordá-lo. Ela escutou movimento, então ele apareceu na porta, com os olhos semi abertos e o cabelo bagunçado.

–Oi, Mutano! – disse ela, se inclinando e lhe dando um beijo. O metamorfo sentiu um arrepio correr pela espinha e acordou imediatamente. Terra quase nunca lhe dava um beijo por conta própria.

–Oi, Terra. Desculpe, eu dormi muito... – balbuciou ele, coçando a nuca.

–Tudo bem. – falou ela, dando de ombros. – Fiquei sabendo que você teve uma sessão de jogos ontem à noite com o Ciborgue e Ravena.

–Ah, é... A gente não conseguia dormir. – murmurou ele. Não gostara muito do jeito como Terra disse aquilo.

–Então, como você fez a Miss Esquisita jogar com vocês?

–... Eu só fui conversar com ela sobre o que aconteceu. Er, não fale dela desse jeito.

–Ah, desculpe, mas foi você que disse que ela era esquisita. – respondeu Terra inocentemente.

–Eu sei, e retiro isso. – disse ele, passando os dedos pelo cabelo. – Bom, eu só não quero que isso aconteça de novo.

–Isso o que?

–Bom, você sabe, ela se machucar por causa de um babaca.

–Ah, é... Mutano, hoje é meu último dia de folga, você não quer ir ao cinema ou algo assim?

–Claro, Terra! Vou me arrumar e tomar café e vamos! – respondeu ele animado e entrou rapidamente.

Quando eles voltaram do cinema, Estelar chamou Terra para pintarem as unhas em seu quarto. Isso levou cerca de uma hora. Saindo do quarto da amiga, com os dedos esticados e separados, para o esmalte preto secar, ela viu Mutano na frente do quarto de Ravena, conversando com a própria.

–Ah, Terra, que bom que você está aqui. – disse a empata ao avistá-la. – Pode por favor levar o seu namorado embora para eu poder meditar em paz?

–Mutano, incomodando a Ravena de novo? – perguntou ela rindo.

–Eu não estava incomodando, só chamando para outro jogo de Bola Fedida! – ele se defendeu.

–Tudo bem, eu posso jogar com vocês. – respondeu Terra. – Pode ficar tranqüila, Ravena.

–Até que enfim. – disse a empata, e entrou em seu quarto, fechando a porta.

–Tchau, Rae! – gritou Mutano, e pegou a mão da namorada loira, se afastando.

–Mutano, por que você fica indo no quarto da Ravena se sabe que ela fica irritada com você? – perguntou a loira sem entender.

–Ela fica irritada, mas acho que a deixa feliz no fundo, Terra. – respondeu ele, encolhendo os ombros. – Ninguém entende isso. Se todo mundo deixar a Rae "em paz" – ele fez aspas com os dedos – ela vai acabar se sentindo muito solitária e infeliz.

–Você acha mesmo isso?

–Acho. Olha só o que aconteceu dessa vez.

–É, eu suponho que você tenha razão. – disse a loira, depois de pensar um pouco.

–Você não se incomoda com isso, não é? – perguntou ele, hesitante. Sua namorada ficou em silêncio por alguns instantes.

–Não, eu não me importo. – respondeu ela, e abraçou seu braço. – Você é uma pessoa muito boazinha, Mutano.

–Obrigado. – disse ele, sentindo uma espécie de descarga elétrica passar por seu corpo.

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Nota da Autora: Aqui termina a primeira de três fases dessa fic. Se você achou que está muito BBxTerra e com pouco BBxRae, posso garantir que a partir do próximo capítulo isso mudará.

Alguns temas mais adultos serão abordados também, mas a fic é e continuará sendo +16, ou seja, algumas coisas serão mencionadas ou implícitas, mas não aprofundadas.