O Relógio de Areia
28 Capítulo 28 – O Retorno do Relógio
Teen Titans não me pertence.
Capítulo 28 – O Retorno do Relógio
It's not over tonight
Just give me one more chance to make it right
I may not make it through the night
I won't go home without you
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10 de Março de 2011, 18h25min
Mutano demorou um pouco para entender o que estava acontecendo. Primeiro, estava beijando Terra, a garota dos seus sonhos já há alguns meses. Em seguida, ela não era mais essa garota. Sua mente parecia estar sendo puxada de um lado pro outro que nem caramelo.
E por algum motivo Ravena estava o encarando com lágrimas nos olhos. Nos olhos vermelhos. Ele abriu a boca para falar algo, mas foi impedido por um tapa forte no rosto. Conforme os passos de Ravena ecoavam cada vez mais longe, mais vazio seu coração parecia ficar.
Mas não conseguia entender por que.
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10 de Março de 2011, 18h27min
Ravena sentia seu coração se quebrando conforme corria, e os cacos perfurando seu peito de dentro para fora. Lágrimas quentes escorriam por seu rosto e sua garganta ardia e fechava cada vez mais forte.
Entrou no seu quarto e fechou a porta, trancando-a. Se apoiou contra a porta e deslizou até ficar sentada no chão, abraçando suas pernas e chorando lágrimas amargas.
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10 de Março de 2011, 18h28min
Robin estava concentrado analisando dados vindos da prisão de Jump City sobre os detentos quando a tela do computador explodiu na sua cara.
"Mas o que..." ele disse, se levantando e verificando se tinha se ferido.
Do outro lado da sala, na cozinha, Estelar gritou. Ele se virou para ver que a panela onde sua namorada estivera cozinhando também explodira, espalhando gosma verde e quente para todo o lado.
No momento seguinte, Ciborgue entrou correndo, sendo perseguido por ferramentas de sua oficina, que se cravaram no sofá quando ele pulou para usá-lo de forte.
"O que está acontecendo?" perguntou o homem-robô detrás do sofá.
"Não sei..." respondeu Robin.
"Poderia ser... A amiga Ravena?" sugeriu Estelar, protegendo o cabelo com uma frigideira.
"Poderia?" repetiu Robin, com uma expressão séria.
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10 de Março de 2011, 18h30min
O quarto de Ravena estava um verdadeiro caos. Os livros eram expulsos da estante violentamente, a cama tremia no lugar, as mesas foram derrubadas, o espelho de sua penteadeira explodiu, lançando cacos para todos os lados.
A empata levantou a cabeça ao sentir uma dor lancinante no braço. Olhou para baixo e viu que tinha sido cortada por um dos cacos do espelho. O retirou e, de relance, viu o teste de gravidez positivo, que tinha sido jogado longe com a explosão.
Subitamente, tudo parou. Nada mais explodia, os objetos que voavam caíram no chão e lá ficaram, e um silêncio pesado se estabeleceu.
Não podia fazer isso. Não podia perder o controle.
Tinha o seu bebê.
Se ela corria perigo, seu bebê corria perigo. E isso ela não podia permitir.
Uma estranha calma se apoderou dela. Colocou a mão esquerda sobre o braço direito sangrando e o curou. Então se levantou.
No momento, a criança crescendo em seu ventre era prioridade. Ela não tinha pedido para existir, não tinha culpa de nada. Precisava ser protegida.
E para protegê-la, Ravena não podia se dar ao luxo de perder o controle. Não podia se dar ao luxo de sentir nada além daquele sentimento que enchia seu peito no momento.
Você poderia chamar de instinto materno.
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10 de Março de 2011, 18h30min
Mutano piscou, ainda segurando o relógio.
"O que foi isso?" ele perguntou sem entender.
"Não foi nada" respondeu Terra, colocando suas mãos no rosto do metamorfo.
"A Ravena parecia triste..." ele fez menção de segui-la, mas Terra o impediu.
"Você... Quer ir atrás dela... Ou ficar aqui comigo?" ela perguntou, com uma voz insinuante.
Mutano sentia sua cabeça doer. Assim como seus braços. Subitamente, teve a certeza de que se soltasse o relógio, iria se sentir melhor. Então o pousou na cômoda próxima.
As memórias voltaram com tanta rapidez que ele sentiu uma tontura e o chão lhe faltou aos pés. Ele caiu desmaiado.
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10 de Março de 2011, 19h24min
Quando acordou, estava encarando um teto iluminado e branco. Reconheceu imediatamente a enfermaria da Torre. Se levantou rapidamente.
"Ravena!" ele chamou.
"O verdinho, estávamos preocupados!" disse uma voz ao seu lado. Ele se virou, encontrando Ciborgue e Estelar.
"Cadê a Ravena?" ele perguntou com urgência.
"Calma... A Ravena está bem" disse Ciborgue. "Ela está no quarto dela e..."
Mutano saiu da cama, correndo para o quarto da namorada. Antes de chegar à porta da enfermaria, porém, ele caiu para o lado e ficou paralisado como uma tartaruga de costas.
"Pô cara, que história é essa de sair correndo nessa condição?!" gritou Ciborgue, o pegando do chão e colocando na cama de novo. O empurrou quando ele tentou escapar.
"Amigo Mutano, por favor!" pediu Estelar, preocupada. "Você levou uma forte pancada na cabeça, precisamos ver se não houve efeitos colaterais."
"Não... Eu tenho que ver a Ravena... Eu... fiz uma coisa horrível..." ele balbuciou, à beira das lágrimas. "Ela nunca vai me perdoar..."
"O que aconteceu exatamente?" perguntou o homem-robô com seriedade. "Tudo na Torre começou a explodir do nada, Terra apareceu com você desmaiado e Ravena não sai do quarto de jeito nenhum..."
"Eu... Eu beijei a Terra" ele contou, com a voz embargada. Os dois olharam para ele com choque e surpresa. "Eu não sei o que aconteceu! Eu... é como se eu tivesse... voltado no tempo, esquecido, não sei! Aí a Ravena entrou e..."
Ele não pode continuar, escondendo o rosto nas mãos. Estelar cobrira a boca com ambas as mãos e Ciborgue coçava a nuca, sem saber o que dizer.
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10 de Março de 2011, 19h30min
"Ravena" ele chamou pela porta do quarto da empata. Podia ouvir uma movimentação lá dentro. "Ravena, por favor, fala comigo."
Nenhuma resposta.
"Eu..." de repente, Mutano não sabia o que dizer. O que ele diria? Que foi enganado? Como? Como Terra poderia tê-lo ludibriado para beijá-la como se Ravena não existisse? O que ele poderia oferecer de explicação, sendo que ele mesmo não tinha ideia do que havia acontecido?
"Eu sinto muito..."
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10 de Março de 2011, 19h30min
"Ele está mesmo bem, Ciborgue?" perguntou Estelar, preocupada com seu amigo.
"Eu não sei, Estelar" respondeu o rapaz, parecendo cansado. "Mas não ia adiantar prender ele aqui por muito mais tempo..."
"A batida foi muito feia?" ela questionou, recebendo uma risada sem humor em resposta. "Eu... falei alguma coisa engraçada?"
"Essa história está muito mal contada, Estelar, é só isso..." ele se levantou e ligou um painel, mostrando uma radiografia da cabeça do metamorfo. "Está vendo alguma coisa anormal aqui?"
"Não..." disse a Tamaraneana, após examinar a imagem alguns minutos. "Receio que eu não veja nada."
"Pois é. Nem eu" falou Ciborgue, para sua surpresa. "E não tinha nenhum galo ou ferida na cabeça do verdinho. Assim como no quarto dele, nada parecia ter caído de um lugar alto o suficiente para atingi-lo."
"Você... está dizendo que a amiga Terra mentiu?" Ciborgue deu de ombros.
"Alguma coisa está errada, só disso eu tenho certeza" ele declarou, se sentando de novo. "Sinceramente... Você acha que Mutano beijaria Terra?"
Estelar balançou a cabeça, resoluta.
"Amigo Mutano e amiga Ravena estavam muito felizes juntos" ela disse com firmeza. "O amigo Mutano nunca mais olhou para a amiga Terra dessa maneira."
"É o que eu acho também, Estelar... Mas, então, o que poderia ter acontecido...?"
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10 de Março de 2011, 19h30min
Terra estava trancada em seu quarto, de novo, andando de um lado para o outro, mas dessa vez, com medo ao invés de raiva.
O que aconteceria se os titãs descobrissem o que ela tinha feito?
Sua ideia não funcionou. A mente de Mutano voltara no tempo, sim, mas só enquanto ele estava segurando o relógio. E ela não podia fazê-lo segurar aquilo para sempre.
Talvez aquela tivesse sido uma ideia muito ruim...
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10 de Março de 2011, 19h35min
Robin estava em seu quarto, acessando os dados da Torre do seu computador, já que o da sala comum ainda estava inutilizável, quando ouviu um barulho familiar atrás de si.
"Ravena" ele disse, se virando, para encontrar a garota em pé na sua frente, com seu uniforme de sempre e o capuz levantado. "O que aconteceu hoje?"
"Robin" ela disse, com sua antiga voz, aquela desprovida de qualquer emoção "Eu estou deixando os Titãs."
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10 de Março de 2011, 23h40min
"Mutano?" Terra chamou, passando na frente do quarto do ex-namorado, e o encontrando sentado na frente da porta, a cabeça nas mãos. Ele levantou o olhar lentamente, e Terra ficou surpresa ao ver que ele havia chorado.
"Você está feliz agora, Terra?" ele perguntou, com raiva na voz. "A Ravena não fala comigo. Nem abre a porta. E eu nem tenho a coragem de continuar tentando depois do que eu fiz."
Os dois se encararam por alguns minutos de silêncio. Foi então que Terra percebeu que não, não o queria mais. Ela realmente estava satisfeita só pelo fato de tê-lo tirado de Ravena. Seu estômago se remexeu com algo parecido com culpa e ela se perguntou, mais uma vez, se era uma pessoa ruim.
"Mutano..."
"Vai embora, Terra" ele mandou com os dentes acirrados. "Não quero ver a sua cara. Eu não sei como, mas foi você quem fez isso."
"Mas eu..."
"VAI!"
Ela prendeu a respiração e correu para longe. Qual seria seu destino agora?
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11 de Março de 2011, 6h04min
Mutano não dormiu a noite toda. Quando o sol começou a despontar no horizonte, ele sentiu uma dor aguda no peito por não estar acordando ao lado de Ravena. Foi aí que ele se decidiu. Não podia deixar isso estragar o que tinha com ela. Ele iria forçá-la a ouvir, deixaria até ela ler sua mente se fosse preciso para convencê-la de que seu amor por ela nunca vacilara, que ele não pensava em Terra desde que começara a sentir o que sentia por ela.
"Mutano, a gente precisa conversar..." começou Robin, mas o metamorfo passou direto pelo líder, na direção do quarto de sua namorada. Sim, ela não tinha oficialmente terminado com ele, por isso ainda era sua namorada.
"Ravena!" ele chamou, a voz alta e confiante dessa vez, batendo na porta do quarto dela repetidamente. Mas não esperou tempo suficiente para ela responder. Abriu a porta.
O que encontrou dentro do quarto foi o suficiente para fazer seu mundo cair definitivamente.
Vazio.
A cama sem lençóis, as estantes sem livros, a penteadeira onde ela sentava e escovava os lindos cabelos violeta toda a manhã com as gavetas abertas e sem nada dentro. Sem Ravena.
Ele caiu de joelhos, percebendo que, agora, era tarde demais.
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11 de Março, 6h00min
A manhã estava parcialmente iluminada, e o trem finalmente começava a se mover.
Uma mulher jovem lia um livro com a cabeça encostada na janela, mas já há algum tempo não saía de uma mesma página. Tinha a pele muito branca, cabelos negros caindo até os ombros com uma franja cheia quase até as sobrancelhas e olhos azuis escondidos atrás de lentes escuras.
Outra mulher, loira e na casa dos quarenta entrou no vagão e andou até a sua poltrona.
"Com licença." pediu. A morena levantou o olhar e viu o bilhete da mulher, 28. Assentiu sem graça, sem sorrir. Ela colocou a mala no bagageiro e sentou-se na poltrona 28. Reparou no livro que ela lia.
"Não é um pouco cedo pra ler esse livro?" perguntou ela com um sorriso.
"Eu só... Queria estar preparada para o que vai começar a acontecer." respondeu a outra sem jeito.
"Ansiosa?"
"Um pouco."
"Também fiquei da primeira vez. A segunda foi mais fácil." ela olhou em volta e pareceu se preocupar. "Você não está sozinha, está?"
"... Não. Estou indo encontrar minha mãe." mentiu.
"Não há lugar como o nosso lar, não é?" Ravena sorriu um sorriso triste com a citação. Internamente, seu coração pareceu finalmente terminar de se partir. Não há lugar como o nosso lar.
"Se importa se eu der um palpite? Sou boa nessas coisas."
A empata piscou.
"Acho que vai ser um menino."
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I asked her to stay
But she wouldn't listen
She left before I had the chance to say, oh
The words that would mend
The things that were broken
But now it's far too late she's gone away
–o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
Música: Won't Go Home Without You por Maroon 5
Tradução:
Não Irei Para Casa Sem Você
Eu pedi para ela ficar
Mas ela não me ouviu
Ela partiu antes que eu tivesse a chance de dizer, oh
As palavras que concertariam
As coisas que estavam quebradas
Mas agora é tarde demais, ela foi embora
Não está acabado hoje à noite
Apenas me dê mais uma chance para fazer isso certo
Eu posso não sobreviver durante a noite
Eu não irei para casa sem você
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