O Relâmpago Vermelho
3 Capítulo 3 - Missão Rank S
As próximas semanas após sua demissão da ANBU não foram fáceis. Para começar, Kakashi teve que passar por aconselhamento pelo esquadrão de inteligência de Konoha para "ganhar" permissão para ensinar crianças. Claro, era procedimento padrão para qualquer agente ANBU aposentado que se tornasse jounin-sensei, mas Kakashi não era obrigado a gostar. Como era de se esperar, Danzou e os anciões não ficaram nada satisfeitos de perder um agente tão talentoso de seu esquadrão de assassinato, mas a palavra do Hokage era final.
"Hatake-san, você é um jovem ainda", a responsável por sua avaliação tinha-lhe dito em um tom de repreensão. "Não deveria estar vivendo para matar, esperando a morte te encontrar também. O Hokage está lhe dando uma oportunidade para relaxar e passar o tempo com os seus amigos. Você precisa encarar o fato que guerras acabam, e existindo conflitos ou não, a vida precisa continuar. Por favor, tenha isso em mente".
Yamanakas podiam ser irritantes com aquela habilidade especial deles.
O fato era, Kakashi não tinha amigos para "passar o tempo". Não mais. Kakashi olhou novamente para o pergaminho em sua mão. O selo oficial do Hokage encarou-o de volta como se zombasse do ex-anbu. Sim, sua mais nova missão.
Rank: S.
Duração: vitalícia.
Se Obito estivesse vivo, estaria rindo de se acabar agora. Kakashi, o lendário ninja copiador, reduzido à uma mera babá de um pirralho. Sim, era o pirralho do seu sensei, mas mesmo assim...
Kakashi não queria se apegar. Não podia se apegar. E no entanto, o Terceiro tinha-lhe confiado a proteção da vida do filho de Minato-sensei, como se esperasse Kakashi formar algum laço com o menino. Como diria Shikaku "problemático...".
O ninja de cabelos prateados guardou o pergaminho com sua missão oficial, e começou a se dirigir lentamente para os gramados do campo de treinamento onde sua primeira equipe genin já estava o esperando havia... hum, vamos ver... Uma hora. Ai. Kakashi estremeceu e riu, mas ninguém a sua volta percebeu por causa da máscara. Os pirralhos genins deveriam estar furiosos e com muita fome. Kakashi poderia muito bem espancar um pouco as crianças antes de mandá-las de volta para a Academia. Afinal, ele não tinha nenhum interesse em cuidar de crianças e estava se sentindo um pouco vingativo.
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— Então devo entender que todos aqui concordam com o decreto que regulamenta a idade mínima para formatura na Academia? — disse o ancião Koharu Utatane.
Hiruzen olhou para os anciões calmamente, enquanto por dentro estava muito aborrecido. Em sua opinião, a formatura na Academia já era um assunto velho, e todos concordavam que deixar crianças se formarem mais cedo era um grande erro, não importava o quão talentosa elas eram.
Claro, no passado vários estudantes foram permitidos se formarem antes dos 12 anos, mas isso foi em tempos de guerra, onde a necessidade de soldados ficava acima de questões éticas e morais.
Como esperado, todos comentaram suas concordâncias, mesmo que o rosto de Fugaku Uchiha demonstrasse um desprezo ao olhar para o ancião Danzo do outro lado. O fato dessa regra ter sido flagrantemente ignorada no caso do herdeiro do clã Uchiha ainda era um ponto sensível nas relações com o clã do sharingan. Afinal, ao empurrar Itachi para uma posição na ANBU em uma idade tão jovem dava ao Shimura uma chance maior de exercer domínio psicológico sobre a criança.
De fato, ao olhar para a expressão de seu velho rival, Danzou parecia extremamente descontente com o resultado da votação, por algum motivo que Hiruzen queria descobrir.
Hiruzen sabia que seu velho colega não tinha tentado nada do tipo "lavagem cerebral" em Itachi, mas também sabia que Danzo não estava acima de tais práticas questionáveis. O grande defeito do homem era enxergar shinobis apenas como ferramentas e seu desgosto pelo passional clã Uchiha era bem conhecido por todos sentados naquela mesa.
— Está decidido pela permanência da lei que restringe a idade mínima de formatura para 12 anos — disse o Hokage mecanicamente.
— Agora para a próxima questão — disse Danzou impacientemente. O Hokage franziu a testa. Que questão?
— A votação para permissão da entrada precoce do kyuubi jinchuuriki na academia este ano.
Hiruzen quase revirou os olhos. Droga, Danzou! Ele deveria esperar uma jogada suja dessas da velha raposa.
— Como sabem, a entrada padrão para a Academia é sete anos, idade em que todos concordam que o cérebro e emoções de uma criança consegue lidar com o conhecimento de uma carreira ninja — começou Danzou, fazendo seu discurso olhando principalmente para Inoichi Yamanaka. Os Yamanakas, sendo peritos no estudo da mente humana, sabiam mais do que ninguém da importância de se manter uma mente segura e sadia. Danzou estava apelando.
— Ele estaria sendo protegido e vigiado pelos mais leais ninjas — interrompeu o Hokage — Não vejo nenhum impedimento nesse sentido.
— Não seria cedo demais para expor as outras crianças? — Koharu perguntou. Ele podia ver os chefes de clãs se entreolharem disfarçadamente com aquilo. Hmm. Eles já estavam ganhando o argumento ao apelar para a proteção dos filhos dos chefes de clãs. — Temos muitos prodígios que iniciarão a Academia. Seu sobrinho é um deles, não é Hiashi-sama?
O Hyuuga de olhos brancos permaneceu com o rosto inalterado, a não ser pelo pequeno aceno com a cabeça. Hiruzen precisava intervir.
— Naruto viveu cercado de crianças em um orfanato e isso nunca foi um problema — o Hokage cortou rudemente — Está tentando implicar que um menino de cinco anos deveria ter seu direito básico de cidadão de Konoha ameaçado ao não poder frequentar a academia como qualquer outra criança dessa vila?
— Como você mesmo disse, o menino é uma criança ainda. Não temos garantias que ele vai conseguir controlar a besta dentro de si em um ambiente novo — disse Danzou e pela sua fala entusiasmada, ele estava chegando no "x" da questão — Acredito que o melhor para a... criança é que seja cuidada no quartel general ANBU até que tenhamos certeza de que ele possa controlar o biju.
"Até que você tenha certeza que Naruto estará completamente em suas mãos", pensou o velho Hokage, vendo com um pouco de decepção o subterfúgio de Danzo. Não estava surpreso. Sabia que a paranoia do velho rival e colega de equipe corria mais profundamente do que o saudável para um ninja.
Então era por isso que Danzou queria trazer de volta a votação para a idade mínima da Academia. E ele ainda dizia "criança" no mesmo tom em que se referia a uma gosma nojenta presa no sapato.
— O garoto possui um guarda designado por esses mesmos motivos, que aliás, já foram revisados em outras diversas reuniões — o Hokage respondeu impaciente, sabendo que seu tom rude iria irritar o outro homem e seus aliados naquele conselho.
— Acho que não precisamos nos preocupar com o domínio da criança sobre a kyuubi. — a voz enganosamente suave de Shikaku soou das sombras — Afinal, o selo do Yondaime é uma obra-prima que nem mesmo o Sandaime conseguiria repetir. Sem ofensas, Hokage-sama.
— Concedido — Hiruzen respondeu presunçoso. Se, por qualquer que fosse o motivo, Shikaku estava disposto a jogar junto com o velho macaco ao invés da velha raposa, com certeza Inoichi e Chouza iriam apoiá-lo. O trio nunca se separava.
— Um selo que não foi examinado oficialmente — reclamou Danzou, sentindo a virada de sorte.
— Exceto, examinado por eu próprio, o Hokage — Hiruzen respondeu ironicamente — E além disso, não acho que haja nessa sala ninguém que acredite que o Yondaime iria prejudicar deliberadamente Naruto. De fato, todos aqui podemos concordar que não havia pessoa melhor em todo o mundo para executar essa técnica em Naruto do que Minato Namikaze.
Lá. Hiruzen estava apelando para seu próprio decreto agora, implicando fortemente, sem realmente dizer, o verdadeiro status de Naruto como filho do Yondaime. Desde que era um "segredo" (só para os de menor patente na vila), ninguém naquela sala poderia aludir à essa informação sem sofrer punição da lei, a não ser o próprio Sandaime.
Agora com o flagrante desafio do Hokage, ninguém mais teria vontade de alimentar aquela linha de pensamento, sem correr o risco de quebrar a lei de silencio. Hiruzen podia se safar com um pouco de intimidação. Heh, era bom lembrá-los que o velho macaco ainda governava.
Realmente, a política era muito previsível.
— Ninguém gostaria de privar o jovem Naruto Uzumaki da experiência de ser um ninja — começou Hiashi.
— É melhor que o filhote esteja gastando sua energia na Academia do que na rua — concordou Tsume Inuzuka.
— Tsc — Danzou parecia especialmente irritado naquele momento — Voto aberto para que o jinchuuriki não seja permitido na Academia.
Somente Danzou e os anciões levantaram a mão. Nenhum chefe de clã, nem Hiruzen os seguiu e com isso Naruto se livrou de mais um perigo iminente.
— Então está decidido, Naruto terá direito de frequentar a Academia a começar esse ano — disse o Sandaime e observou Danzou se virar para os outros velhos como alguém que fora obrigado a engolir uma caixa inteira de limões.
— Conselho dispensado.
Enquanto todos saíam, Hiruzen se recostou na cadeira e tirou o cachimbo. Mentalmente, ele se cumprimentava de sua extrema atitude preventiva ao protocolar a missão para Kakashi dias antes.
Naruto não podia pedir por um melhor cão de guarda do que o jovem Hatake.
Pelo menos por enquanto, o menino estava a salvo da ganância de Danzou.
E no entanto, o filho de Minato merecia mais alguma proteção, mesmo que na forma de um padrinho altamente inconstante. Hiruzen suspirou. Mais um dia que passaria até tarde no escritório.
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No tempo em que ficou observando o menino, Kakashi não conseguiu deixar a nostalgia de lado. Seus cabelos eram um vermelho da cor de sangue, exatamente como os de Kushina, mas espetados para os lados como os de Minato-sensei. O formato do rosto, e estrutura óssea em geral, eram inteiramente de Minato-sensei. O ninja de cabelos prateados pensava que se não fosse o cabelo e a cor dos olhos diferente, o Sandaime teria muitas dificuldades para explicar porque o jinchuuriki do demônio de nove caudas parecia-se exatamente como uma cópia do amado relâmpago amarelo de Hokage. E não era somente a aparência, mas a personalidade e estilos. Mesmo as crianças com educação incompletas tinham características únicas em seus estilos preferenciais que os destacavam do resto. Umas eram naturalmente inclinadas para o taijutsu, outras com uma tendencia natural para genjutsu. Era assim que os professores da academia conseguiam ranquear alunos com diferentes vantagens para formar equipes equilibradas.
No caso de Naruto, ele dava preferência para velocidade e força, assim como Minato. Porém, diferente do pai, Naruto tinha uma resistência física de nível chunnin, podendo aguentar horas e horas de atividade extenuante sem nunca se cansar. A quantidade de chakra que o menino possuía em seu corpo era francamente assustadora e parecia que com treinamento adequado, o potencial do menino era infinito. Gai ficaria doido para ensinar um genin com aquela característica.
Durante o auto-aprendizado do menino, Kakashi observou que ele era muito talentoso. Quando Naruto não estava lendo (e ele lia muito), ele estava praticando seu controle de chakra (ou pelo menos tentando).
Naruto não era naturalmente bom nisso, mas já era de se esperar com uma reserva de chakra daquele tamanho, e além disso com o chakra da Kyuubi em seu sistema, que seria muito difícil uma criança controlá-la.
No entanto, Kakashi não era chamado de gênio por nada. Talvez ele pudesse ajudar o pirralho a obter um controle melhor de seu chakra. Seria uma boa base de partida para estabelecer um relacionamento com a criança sem que Kakashi se tornasse muito apegado. Isso serviria principalmente para ajudar o pirralho a se proteger quando Kakashi estivesse incapacitado ou ausente.
Talvez fosse fácil, pensou o ninja copiador ociosamente, já que fisicamente Naruto não lembrava muito Minato. Talvez fosse fácil enxergar o pirralho como uma pessoa com seus próprios pensamentos, ao invés da sombra de seu sensei, Kushina-san e Obito.
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O único barulho que era ouvido na clareira era do estrondo da água que caía da cachoeira e os pássaros cantando. Naruto respirou o ar puro da natureza, fechando o seu livro e se afastando do rio.
Nos livros Naruto havia encontrado seus melhores amigos. Livros eram confiáveis e abertos à contarem todos os seus segredos, se você fosse esperto o suficiente para entendê-los. O guia básico se provou extremamente útil, pois embora fosse extremamente raso de informações, continha tudo o que um civil poderia querer saber ao ingressar em uma carreira ninja.
Em retrospecto, Naruto poderia entender porque os livros eram tão superficiais e de pouca ajuda para quem realmente gostaria de estudar: aquela parte da biblioteca era pública, portanto qualquer pessoa poderia ter acesso àqueles conhecimentos, ou seja, seria irresponsável disponibilizar segredos da arte ninja para qualquer um por aí.
De qualquer forma, Naruto aprendeu que tudo na vida de um ninja se baseava em controle de chakra. Qualquer ser vivo possuía chakra, a diferença estava no fato de que ninjas sabiam acessar e controlar essa força ao seu favor, ou seja, realizar jutsus. Pensando nessa maneira, Jutsus, em sua forma mais pura, eram manifestações de controle de chakra e como esse chakra pode interagir com o ambiente ao seu redor. Por exemplo, levitar folhas ou andar sobre a água, que eram os fundamentos básicos de um ninja.
Naruto também descobriu que tinha uma enorme dificuldade para controlar seu chakra. De fato, andar sobre a árvore tinha se provado um exercício surpreendentemente difícil. Ele ainda não havia dominado a técnica, para sua grande vergonha. Tinha que haver uma explicação lógica para aquilo!
Por isso, Naruto resolveu passar para o próximo exercício básico ninja que o livro mencionava (não estava descrito de que maneira ele deveria andar, por isso o ruivo deveria descobrir sozinho).
O ruivo olhou para o rio à sua frente. O livro não explicara, mas Naruto deduziu que a habilidade de andar sobre a água, de uma visão mais científica, seria um tipo de jutsu. Isso porque para andar sobre a água ou em árvores, era necessário um controle específico do seu próprio chakra. A forma mais "pura" do chakra de um shinobi teria que interagir com a superfície da água e, conforme um cuidadoso controle de chakra, o shinobi conseguiria se manter acima da água. Como a água era um elemento mutável, Naruto teorizou que exigiria um pouco mais de controle de chakra do que subir andando em árvores, cuja madeira é um elemento imultável. O controle cuidadoso de chakra também permitia que um shinobi pudesse controlar objetos ao seu redor por exemplo bonecos, ou se esquivar de uma kunai. A teoria também não explicava porque algumas pessoas tinham mais facilidade em realizar alguns jutsus e outras não, mas Naruto tinha um palpite que cada pessoa possuía um tipo diferente de chakra que se dava bem com determinados elementos.
Naruto fechou os olhos, concentrando-se.
Estava tão quieto que ele podia ouvir o barulho do seu coração "batendo" nos ouvidos, bombeando sangue pelo seu corpo. Sentia uma sensação de quentura na marca estranha na barriga...
Ele abriu os olhos e não estava mais em frente ao rio, mas em algum tipo de esgoto. Naruto pulou, assustado, olhando em volta. O que estava acontecendo?
E então ele ouviu.
Uma voz grossa, raivosa com uma intenção maligna vindo da frente do esgoto. Não conseguia enxergar, mas podia sentir a enorme criatura do mal à sua frente, rosnando e gritando com ele, falando alguma coisa que Naruto não estava entendendo. Parece que ele tinha que chegar mais perto para entender...
Naruto deu um passo para frente, encolhendo-se e protegendo o rosto quando um rugido animalesco formou uma forte corrente de ar.
O que era aquilo? E como Naruto veio parar ali?
Sua curiosidade guerreava com sua razão, mas foi o primeiro que venceu.
Ele deu mais um passo e então...
— Uma boa armadilha a que você tem aqui.
O esgoto sumiu, junto com os sons da criatura. De repente, o barulho da floresta à sua volta quase o desorientou. O ruivinho quase caiu na água de susto.
Levantando-se e virando-se rapidamente para o intruso, Naruto viu um ninja que parecia de alto ranking olhando criticamente para a sua armadilha de corda e rede de pesca, que estava surpreendentemente bem escondida no meio da vegetação. — Você tem um talento natural para isso — continuou o ninja calmamente.
Naruto balançou a cabeça, sem entender o que tinha acabado de acontecer com ele, mas disposto a ignorar por enquanto para se concentrar no intruso à sua frente. Alguma coisa naquele homem parecia familiar... Naruto estreitou os olhos, pensando. Então...
— EI! Você é ninja-san! — exclamou o menino em um tom de voz tão alto que Kakashi estremeceu interiormente. Claramente o pirralho herdou os pulmões de Kushina-san. Olhando para os olhos no exato tom de violeta da Habanero, Kakashi sentiu um sorriso sendo formado em seus lábios. Era muito mais fácil olhar para Naruto quando ele não se parecia com seu sensei.
— Sim, eu sou um ninja — disse Kakashi, fechando seus olhos na forma de "U" para o menino. Kami, era normal que crianças nessa idade fossem tão pequenas? Naruto era minúsculo.
— Não é isso que eu quis dizer, você é o ninja-san — retrucou o menino — Você foi o guarda que eu enganei quando fui para a biblioteca na primeira vez!
Uma gota desceu da testa de Kakashi. Ele não esperava que a pequena ameaça lembrasse desse ocorrido. Era vergonhoso que um pirralho minúsculo tivesse conseguido enganá-lo deliberadamente, mesmo que por meio segundo antes de Kakashi perceber o que o menino havia feito.
— Maa, acho que você me pegou. — ele comentou, coçando a cabeça preguiçosamente enquanto se aproximava. Kakashi nunca comentaria, mas as armadilhas do menino eram realmente boas para um pirralho semi-analfabeto como ele era. Nunca confirmaria, mas a corda invisível realmente o tinha feito tropeçar, principalmente porque Kakashi não estava esperando uma coisa tão obviamente ridícula e inútil como uma corda para tropeçar.
E no entanto, a genialidade das melhores armadilhas estavam no fato de serem completamente inesperadas.
Naruto o encarava com grandes olhos curiosos. — Porque você está falando comigo agora?
O ninja copiador se impediu de suspirar. O menino provavelmente estava confuso do porque Kakashi nunca o respondera durante seu tempo como guarda ANBU e só estava estava entrando em contato. Kakashi ficaria ofendido e com orgulho ferido, se não soubesse dos outros guarda ANBU que Naruto sempre sabia onde eles estavam.
O que levava a outra questão...
— Eu vou responder a sua pergunta se você me dizer como você sabia que eu estava te observando na sua casa?
Kakashi estava curioso, pois o menino parecia ter herdado um talento raro de um sensor natural de chakra, um pouco como Jiraya.
Naruto piscou inocentemente — Não era para eu saber?
— Uh... Na verdade não...
— Hum, entendo... Você deve ser bem ruim se não consegue se esconder de um civil não treinado... — comentou Naruto num tom gentil. Uma sobrancelha prateada tremeu — Mas não se preocupe ninja-san, eu sou muito bom em descobrir onde ninjas estão escondidos. Quanto mais forte mais fácil é!
— Hum, certo... Espere, o que você quer dizer com "quanto mais forte mais fácil é"?
O sorriso de Naruto se tornou um pouco mais amplo — Eu te conto se você me dizer porque está me perseguindo!
Droga, o pirralho é sorrateiro... Como um verdadeiro ninja deve ser.
Kakashi estava um pouco irritado e impressionado. A criança deveria ter o que? Cinco anos? E parecia muito mais maduro do que Kakashi esperava. Crianças eram barulhentas, sujas, impulsivas e inocentes. Naruto parecia mais velho do que realmente era. Será que era um resultado de como havia crescido?...
O ninja copiador se lembrou do dia em que salvou Naruto daqueles punks. Não tinha dado muita bola após o incidente, porque Naruto se curou em uma taxa desumanamente alta, mas ele se perguntava se era a primeira vez que Naruto sofria violência física. De alguma maneira, estava óbvio que não. As pessoas tratavam Naruto como se ele fosse uma bomba relógio prestes a explodir, mesmo que o menino fosse apenas uma criança muito sozinha...
Não pela primeira vez, Kakashi sentiu a culpa se retorcendo em seu peito.
Na sua frente, o olhar travesso do menino começou a se transformar em um mais tímido com a falta de resposta do ninja.
Kakashi coçou a cabeça novamente — Maa, tudo bem. Eu queria ver como você estava depois que aqueles punks te atacaram. Você parece ter se curado bem.
— Sim, eu me curo rápido — Naruto deu de ombros — E posso sentir força colorida em cada um. Agora eu sei que é o seu chakra, não é?
— Sim, o que você sente em cada um é chakra — afirmou Kakashi — E você está certo em afirmar que quanto mais forte o ninja, mais fácil é sentir seu chakra.
As bochechas do menino ficaram vermelhas com o elogio. Heh, o menino podia ser fofo, mas era um pouco estranho também.
— Ei, ninja-san você quer me ajudar a treinar?
— Huh, treinar? — Kakashi piscou, olhando em volta para os livros e pergaminhos na grama. — Eu lembrei que tenho que dar comida ao meu gato.
Para sua surpresa, Naruto revirou os olhos e murmurou — Mentiroso...
Kakashi fingiu não ouvir — Estou aqui porque vou levá-lo para a Academia amanhã.
— Academia? — os olhos do menino se iluminaram com a revelação — Academia ninja?
— Duh, qual mais? — Kakashi respondeu — Encontre-me em frente a biblioteca às oito em ponto. Eu não tolero atrasos.
O ninja de cabelos brancos se perguntou ociosamente se a criança ruiva sabia ler as horas. Bem, ele descobriria amanhã, não é? E de qualquer maneira, Kakashi não planejava chegar no horário... Deixe que isso seja a primeira lição ninja do menino.
Naruto vibrou no mesmo lugar — Oito? Sim! Eu vou para a Academia! Eu vou ser um NINJA! Obrigado ninja-san!
— Me chame de Kakashi — disse o mais velho.
O pirralho bateu palmas com um sorriso grande, acenando com a cabeça. Kakashi não sabia o que dizer nem o que fazer com a criança hiperativa na sua frente. Ele então fez o que sabia de melhor e fugiu dali.
Naruto viu o ninja se afastar e prontamente tropeçar em uma de suas cordas invisíveis que definitivamente não pertenciam a nenhum kit de armadilhas vendido em lojas. Ele sorriu.
Parece que Naruto havia ganhado um nii-san!
Continua...
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