O Reino dos Morangos
1 Segundo Big Bang
Capítulo um: Segundo Big Bang
Por volta de 2100 o Brasil tornara-se uma potencia mundial.
Passaram-se três gerações de governantes que fizeram um bum na história do país, melhoraram as relações internacionais, deram um salto tecnológico investindo nas jovens mentes e, fator decisivo para a ascensão do país: investiram nas características inatas deste. Seu clima que tornava possível a vida ativa durante todo o ano, a terra do qual tudo brotava, imenso litoral e rios navegáveis por todo o território, diversidade de fauna e flora e culturas, tudo havia sido aproveitado e por fim, acontecera o inevitável.
A prosperidade do país tropical, que era o novo número um do planeta, atraiu a ira dos Estados Unidos da América, antiga maior potência que havia se deteriorado devido a uma ditadura intolerável que durava anos, Michael Evans, o atual presidente americano, era considerado o Hitler do novo milênio.
No entanto, Michael Evans não seria um tirano digno de entrar em um romance se cometesse os mesmos erros que a história mundial conta com detalhes. Não promoveu massacres, prisões, sem guerras, em sangue, fora pior. Através de um golpe de Estado muito bem planejado, após a morte de Carlos Pinheiro (o presidente brasileiro vigente na época), Evans ameaçou o território Tupiniquim. Ou aceitavam sem pestanejos o governante que ele indicasse, ou enfrentariam uma guerra contra os americanos que, embora decadentes, eram sem dúvidas donos da maior força bélica, já que era extremamente necessário para manterem a ditadura sangrenta em que viviam por tanto tempo. Meter-se em tal guerra seria a ruína do próspero Brasil, e estavam seguros que, alguns anos com um mal governante não seria tão grave, visto que havia ainda outros políticos influentes, como deputados e ministros, para amenizar maiores estragos. E foi assim que, cedendo à ameaça americana, o Brasil teve seu novo presidente, Gabriela Nunes.
Foi um choque para toda a nação. De onde viera? De um orfanato. Sua instrução? Sabia ler, obrigada por perguntar. Sua idade? Doze anos. Evans estava pronto para a revolta brasileira, pronto para encarar a maior guerra da história, mas surpreendeu-se. O Brasil engoliu Gabriela como se fosse um acarajé¹ com pimenta demais.
Passaram-se os anos e a situação estabilizou-se. Parecia haver alguma força realmente muito forte atuando em favor do país, que só prosperava, enquanto o poder de sua presidenta era aumentado cada vez mais, embora fosse inutilizado, Gabriela não movia um dedo nos assuntos do Estado, só brincava de bonecas e participava de encontros internacionais. O Brasil ganhou fama nos Conselhos Mundiais, por ter uma boneca como representante, pois era só isso que ela significava. Por de trás das paredes da Casa Presidencial, Gabriela tinha atitudes estranhas, aos 20 anos ainda dizia ter os famosos amigos imaginários e sentava-se a mesa com 10 cadeiras, sempre vazias. Trocava o dia pela noite freqüentemente, sumia por semanas dentro de uma floresta, e voltava como se viesse de um spá. Obviamente as ‘loucuras’ da presidenta eram abafadas e, sem muito custo e garantindo a total insatisfação americana, ela foi aceita. Não só pelo Brasil, mas quase que fantasticamente, por todo o mundo.
* * *
O Japão não ficara para trás no Novo Mundo. Estava no topo em diversos setores científicos e tecnológicos. Devido a sua educação rígida, os japoneses que completavam 25 anos sem cometer suicídio, mostravam-se extremamente inteligentes, quase gênios. O Japão era dono da maior média de QI mundial, e também da menor expectativa de vida. As principais causas de mortes eram, além do suicídio, anemia, AIDS e os desaparecimentos, que com os anos tornavam as pessoas consideradas mortas.
E é neste país que encontramos a segunda pessoa da nossa lista de responsáveis pelo Segundo Big Bang. No mesmo ano em que Gabriela Nunes completou seus 20 anos, Amaterasu Hajime completou 315, e como se desse um presente a si mesmo, revelou à comunidade internacional seu maior invento, o sangue sintético. Após receber diversos prêmios, como o Prêmio Nobel e de aparecer na televisão com várias criancinhas que diziam “Amaterasu-san salvou minha vida!”, declarou, às onze e meia da noite, em cima de um palanque em praça pública ao dia 21 de fevereiro de 2138,
“Sou um Vampiro”.
¹ — acarajé- é um ‘bolinho’ feito de massa de feijã-fradinho, no qual podemos botar qualquer coisa dentro xD É típico da Bahia, e sempre leva MUITA pimenta.
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