O Reino de Março
8 Uma história de romance
Notas iniciais
Abele Edmond
—E Oroa como Jordae-eu arregalei os olhos e olhei para Oroa, ele estava rindo. Eu não entendo ele, ele ri nas piores situações.
—Não vai ser tão ruim.-ele diz, rindo.
— O que seria pior do que fazer uma peça de romance com você?
— Como você sabe que é de romance?
— Ué, um nome feminino e outro masculino no título de uma história só pode ser romance.-eu concluí, olhando para cima.
— Hum... Não tinha pensado nisso.
— Mas você sabe a história.
— Sim...-ele desenha algo na mesa, quando me aproximo posso ver que é um pênis.
— Que feio, dá a borracha, vou arrumar.-ele coloca a borracha em minha mão, rindo e eu começo a desenhar.-Ficou lindo!
— Nossa... Nunca imaginei que você soubesse desenhar um pênis tão bem.
— Você também não desenha mal... Espera, por que a gente tá falando disso? Apaga!
— A borracha tá com você.-eu olho pra minha mão, ela estava ali mesmo.
— Hum... Pronto.
— Senhorita Edmond, poderia me acompanhar? E você, Skens, venha também.-nós levantamos e seguimos o professor.
— Muito estranho...-eu sussurro para Oroa.
— Deve ser porque você estava falando demais.
— Você também estava falando comigo, senão não teria vindo. Burro.
— Hum... Pois é.
— Podem entrar, suas roupas estão lá dentro, vistam e façam as mudanças necessárias.-nós entramos, em cima de uma mesa, havia um vestido azul com detalhes dourados. Legalzinho, mas eu não gostei muito.
— Hum... Que feio.-eu falo e Oroa ri.
— Pelo menos você não tem que usar isso aqui.-ele mostra as suas roupas, as calças eram aquelas frouxas na coxa e justas mais pra baixo. Esquisito...
— Ei... Abele, não é?-uma garota loira me chamou.
— Sim.
— Você poderia me ajudar a arrumar esse negócio?-ela fala, balançando o vestido que estava usando, todo frouxo.-Sou sua mãe...
— Hum... Bom saber.-eu falo, costurando algumas partes, para ficar mais justo.-Prontinho, agora só falta chamar alguém que saiba realmente como se arruma.
— Obrigada, até logo, filha.-ela acena pra mim. Eu não aceno de volta, não estou com vontade.
— Fez um belo trabalho.-Oroa fala, nem tinha percebido que ele estava ali.
— Por que não vai se vestir?
— Não quero. Não vou usar essas roupas feias.
— Eu digo o mesmo, não quero que meus órgãos saltem para fora. Esse vestido é feioso.-ele riu, pegando o vestido e olhando.
— Não é feioso, só é estranho uma criatura esquisita como você dentro dele.
— Hum... Você vai se arrepender de ter dito isso quando eu te ver com essas roupas.
— Terminaram?-uma senhorinha pergunta, abrindo a porta.
— Nem começamos...-eu falo baixinho.
— Sim senhora, as roupas ficaram ótimas.-Oroa diz e eu olho pra ele com uma cara de ''Eu vou fazer você engolir suas roupas.''.
— Então me entreguem as roupas...
— Aqui está.-Oroa diz, entregando as roupas.
— Vão para a aula de corrida, depois tomem banho no banheiro.-como se eu fosse tomar banho na cozinha...
— Tudo bem.-eu digo, saindo da sala.-Você sabe onde fica esse negócio de corrida?-eu pergunto para Oroa, olhando para os lados.
— Não.
— E os banheiros?-Maria tinha nos mostrado os banheiros, mas eu não me lembro.
— Não.
— O que você sabe?
— Não.-ele parou um tempo para pensar.-Nada.
— Hum... Ali!-eu aponto pra uma plaquinha esquisita, que estava escrito ''Corrida''.
— Prefiria ficar perdido nos corredores...-ele diz algo assim, enquanto entramos na sala, que mais parecia um estádio.
— Que negócio enorme.-eu falo, olhando em volta.
— Então vocês deverão correr vinte vezes em volta da quadra.
— Eu realmente prefiria ficar perdido nos corredores...
— Eu também...
Nós corremos vinte vezes, eu fui a última, que parecia um esquilinho correndo. Mas não um esquilinho fofo, um esquilinho esquisito.
— Ca...Cara, que merda.-eu falei e Oroa riu, fazendo a professora nos olhar esquisito. Medo.
— Podem ir tomar banho, não quero fedor em meu nariz.
— Onde são os banheiros, professora?
— Ali no fundo, virando a esquerda.
— Hum... Obrigada.
— Mas que isso?-Oroa diz, quando entra no banheiro masculino, eu começo a rir, entro em meu banheiro e tiro as roupas, as jogando em um banquinho que tinha por ali.
— Quente...-a água era quente. Muito quente. Quando eu saí do ''chuveiro'', que na verdade era um jato de água que vinha de um cano, não achei as minhas roupas.-Cadê essa porcaria?-eu revirei tudo com os olhos e não achei. Saí do banheiro apenas com uma toalha enrolada em meu corpo desnutrido. Mentira. Só um pouquinho magra de mais, apesar de comer um monte. Eu esbarro em alguém, Oroa-burro, só podia.
— Que isso, menina?-ele pergunta, me olhando de cima a baixo.
— Alguém roubou as minhas roupas.-ele começa a rir.-Por que você tá rindo? Vou te estuprar com um cabo de vassoura cheio de pregos.
— Não vai não.
— Como eu vou ficar andando pela escola enrolada em uma toalha?
— Pede pra professora uma roupa, sei lá.
— Hum... Tá. Mas se eu descobrir quem roubou as minhas roupas, esse alguém vai morrer.-eu falei, porque se fosse ele, ele iria ficar com medo e me devolver as roupas... Ou não?-Professora!
— Sim, senhorita?-ela se vira, arregalando os olhos.-Mas por que você está enrolada em uma toalha, senhorita?
— Alguém roubou as minhas roupas.
— Venha comigo, vou te dar algumas roupas que guardamos caso isso acontecesse...
— Tudo bem...-ela me puxa pelo braço e começamos a caminhar pelo corredor, onde pessoas estranhas me olhavam.
— Espere aqui, senhorita.-caramba, ela não vai parar de me chamar assim?-Aqui está, senhorita.-ela me entrega uma blusa enorme, provavelmente masculina e uma calça enorme, provavelmente masculina também, e também uma calcinha e um sutiã, óbvio. Mas que sutiã estranho. Ele era grande, mas pequeno. Com algumas coisas penduradas. Estranho.
— Obrigada...-eu vou até um banheiro próximo, depois de procurar por meia hora e me visto.-Que linda...-falo para mim mesma, enquanto me olho no espelho. Eu saio do banheiro e procuro Oroa, meu único conhecido naquele negócio.
— Caramba, tá parecendo uma formiguinha feiosa com essas roupas.-Oroa fala, rindo de mim.
— Cala a boca. Onde é que é a sala de coisar aquelas coisas?
— É lá no fim do corredor.-ele entende o que eu falo porque ele é um alien, igual a mim. Ele acha que eu não sei.
— Estão atrasados.-o professor feioso falou, olhando para mim de cima a baixo.-Mas o que aconteceu com as suas roupas, senhorita Edmond?
— Alguém roubou, professor.-eu respondo, indo em direção à minha mesa.
— E você, Oroa, o que aconteceu para se atrasar?-foi o que eu pude ouvir.
— Eu estava procurando Abele, professor.
— Hum... Sente-se logo.-Oroa vai em direção à sua mesa também, que era ao lado da minha. Tipo dupla.
— Essa aula não termina nunca, caramba...-Oroa diz, batendo o lápis na mesa feiosa.
— Vão para o intervalo, já está na hora.-o professor fala, abrindo a porta. Eu quase fui esmagada pelas vadias que me empurraram na porta.
— Vou cozinhar o cérebro inexistente delas.-eu digo, lançando um olhar mortal para as vadias.
— Como se cozinha algo inexistente?-Oroa pergunta, olhando para elas também.
— Só cozinhar algo inexistente. Não cozinhar nada. Mas preparar tudo...-eu falo, tentando raciocinar.
— Hum... Entendo o seu raciocínio, Abel.
— Quem mais entenderia?-eu penso alto, viajando.
— Ei, Oroa, quer ir na minha casa depois da aula?-uma vadia pergunta.
— Não, eu prefiro ir na casa dessa aqui.-ele fala, apontando para mim.
— Que mal gosto...-ela diz, se afastando.
— Hum... Você realmente preferiria ir em minha casa?-eu pergunto, estranha.
— Claro, você é esquisita, mas é a única que não me julga pelos meus defeitos...
— Hum... Tipo você ser feioso? Eu sinceramente não sei como aquela vadia te achou bonito.-eu falei, rindo.
— Eu não sou feioso, você que é esquisita.
— Me dá o dinheiro, vou comprar batatas.-eu falo, quando vejo uma espécie de lanchonete. Oroa me dá o dinheiro e me segue até a lanchonete.
Comprei as batatas e fiquei feliz, como todas as vezes que fico quando como as batatas, são muito boas, eu devia pedir uma receita para quem cozinha essas batatas.
— Vamos, acho que o intervalo já acabou...-eu falo, puxando Oroa pelo braço.
— Ok... Qual é a sala?
— Aquela ali.-falo, apontando para uma sala feiosa. No meio do corredor.
— Que cheiro feioso, caramba!-eu falo, tapando o nariz. Estava com cheiro de várias coisas esquisitas juntas.
— Vocês estão atrasados. De novo.-o professor disse, nos deixando passar.
— Desculpe, professor.-eu falei, puxando uma cadeira e me sentando.
— Vocês irão cantar alguma música criada por vocês, trabalho para amanhã, boa sorte.-eu abri um sorriso enorme, pois seria fácil ''criar'' uma música.
— Que música você vai cantar?-Oroa me pergunta, puxando a mança de minha camisa.
— Você vai ver. E você, que música vai cantar?
— Você vai ver.-ele fala, me imitando.
— Hum...
— Podem ir para casa, não esqueçam da música!-o professor diz e abre a porta, nos deixando sair.
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