O Reino de Março
10 Passeando pela escola com Oroa
Notas iniciais
Abele Edmond
Nós dormimos na casa de Maria depois das aulas, Oroa me disse que o marido dela tratava as mulheres como escravas e que Maria só ficava com ele por pena. Acho que por medo.
Eu descobri que tinha beijo na peça, eu e Oroa treinamos o roteiro, menos a parte do beijo, claro. Eu cantei Sad Girl e ele Sunny Afternoon. Ninguém aplaudiu a mim, nem Oroa, mas a ele, várias e várias vadias aplaudiram. Um mês se passou, Oroa estava sendo mais legal comigo, mas não tipo príncipe, tipo amigão, sabe?
—Você não vai me abandonar quando virar popular, vai?
—Nem se eu não fosse popular eu te abandonaria. Por que acha que eu vou virar popular?
—Você é surdo? Não ouve todas as vezes que esse bando de pirisgléias te chamam de gostoso, delícia e lindo?
—Você é uma pirisgléia mental?-ele pergunta, rindo.
—Você lê mentes, por acaso?
—Você admitiu?-ele pergunta, sorrindo.
—Mas eu não falei nada.
—Hum... Tá.
—Com licença, meu nome é Betert, poderiam mostrar a escola pra mim?-um garoto perguntou, ele olhava estranho para Oroa, tipo apaixonado.
—Claro. Venha.-eu puxo ele pelo braço, espero que ele não tenha me achado uma doida.
—Aqui é a sala de corrida, digo estádio, ali são os banheiros, lá no fundo, os chuveiros ou jatos de água quente. Aquele ali é o corredor do segundo ano, aquele o do terceiro e aquele outro do primeiro.-Oroa explicou tudo, eu só seguia, puxando Betert.
—Oroa Skens?-um professor pergunta e Oroa assente.-Venha comigo.-o professor começa a caminhar. Eu olho para Oroa.
—Se fodeu.-eu sussurro de longe, ele ri e começa a caminhar, seguindo o professor.
—Abele, vocês são namorados?
—Não. Só amigos.-eu respondo, séria.
—E você gosta dele?
—Gosto, claro que gosto. Quem não gostaria?-eu pergunto, esquisita, mais do que já sou.
—Vocês se amam, dá pra perceber de longe.
—O único que parece apaixonado por ele aqui é você.-eu digo, rindo.
—Bem... Verdade, mas eu gosto de ver vocês juntos, mesmo os conhecendo há menos de cinco minutos.
—Então você é amiguinho?
—Claro que sou.-ele fala, rindo.
—Então... Eu gosto dele e...
—Sobre o que estavam falando?-eu ouço Oroa perguntar atrás de mim.
—Sobre focas, você não acha elas fofinhas?
—Sim, parecidas com você. Só que mais bonitas.-ele fala, pegando uma batata.
—Sabe o que rima com Oroa? Baleia chifruda. Você é gordo.-Oroa ri e Betert também.
—Não sou gordo.
—É sim.
—Quer ver?-ele pensa que eu vou responder algo como ''Não! Credo.''. Errado ele está.
—Quero.-ele faz uma cara surpresa/maliciosa e tira a camisa. Eu fico com uma cara de ''Isso é pecado''.
—Blusa tirou você.-eu falo apontando para ele.
—Feche essa boca, vai acabar nos afogando com a baba.-ele fala, rindo.
—Cala a boca.-eu falo, ele me oferece o braço e nós passeamos pela escola, vadias babando e me olhando com raiva, tudo o que via. E Betert estava rindo, atrás de nós.—Cadê a sua camisa?
—Sei lá.-ele fala, tranquilo.
—Mas pode cair uma chuva de fogo justo quando estamos no meio do caminho de casa.
—Mas é claro, fogo se atrai por mim.-ele fala, sorrindo e olha pra mim.-Você tá vermelha, que fofa.-eu coloco uma das mãos no rosto.
—Eu vou te matar, Oroa.
—Você que disse que queria.
—Não disse que queria passear pela escola com você sem camisa.
—Mas o que significa isso?-uma voz esquisita grita, atrás de nós. Era o Sr Baleuza, que saudades.-Por que você está sem camisa, Oroa?
—Estava muito calor, Sr Baleuza.-ele fala, sério.
—E por que resolveu passear pela escola sem camisa?
—Perdi ela, Sr Baleuza.-eu tentei não rir da situação.
—E senhorita Edmond, por que está agarrada ao braço de Oroa?
—Porque tinha um mosquito no braço dele e eu tentei pegar.-Oroa e Betert começaram a rir e eu também.
—Vocês serão punidos por isso. Os três. Terão que ficar em uma sala trancada por cinco horas, sem comida e nem água.
—Tudo bem, Sr Baleuza. Quando começamos?-eu pergunto.
—Agora. Naquela sala ali.-ele aponta para uma sala, pequena, mas cabíamos todos.
—Ótimo, perdendo mais cinco horas do meu dia.-eu resmungo, indo para a sala.
—Pare de resmungar, Abel.
—Não acredito, cinco horas! Sem minhas batatas!-eu grito, e logo depois, ouço o barulho de chave. O Sr Baleuza trancou a sala.
—Tudo que importa pra você é comida?-Betert pergunta.
—Sim.-Oroa responde por mim.
—Que sono... Vou dormir. Não me estuprem, se não eu arranco os chifres de Oroa e enfio cada um em cada cú.-eu falo, sorrindo e fechando os olhos.
—Boa noite, senhorita.-Oroa imita a professora, eu rio, dormindo meio acordada.
**
—Abel, Abel.-Oroa me chama, cutucando meu ombro.
—Hm? Que?
—Já passaram cinco horas. Vamos sair, acorda logo.
—Tá...-bocejo-Mas e a porta? Ela ainda tá fechada.-Oroa olha para a maçaneta da porta, que gira e abre.-Harry Potter!-ele começa a rir e Betert fica com cara de confuso.
—Oroa e Abele, vocês tem que ir para o palco treinar a peça.-o professor fala.
—Sim, professor.-eu respondo, ainda dormindo.
Nós caminhamos até o palco feioso que tinha no meio do estádio de corrida.
—Oroa, cadê a sua camisa?-eu pergunto a ele.
—Não achei ainda.
—Que bom... Cof cof cof.-ele começa a rir.
—O que disse?
—Nada.
Nós treinamos tudo, menos o beijo, novamente.
**
—Não vão treinar o beijo? Eu sei que na história tem beijo.-Betert fala.
—Podemos deixar isso para mais tarde.-eu falo, olhando os papéis.
—Hum...-eu olho para Betert e ele está olhando para Oroa, que está olhando para ele, balançando a cameça positivamente.-Telepatia?-eu pergunto.
—Digamos que sim.-Oroa fala.
—Com licença, Abele, posso falar com você?-uma professora pergunta.
—Claro.-eu vou até ela, acenando para Oroa e Betert.
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