O Reino de Março
14 Abele não é pequenininha
Notas iniciais
Abele Edmond
—Caramba, cadê essa peste?
—Ali!-Bete fala, apontando para o fim do corredor, onde tinha uma garota com Oroa, estavam em uma distância legalzinha, mas mesmo assim não gostei dela.
—Vou matar ele.-eu sussurro.
—Você já está ciumenta?-Bete ouve o que era para ser um sussurro.
—Ele é meu melhor amigo, não é? Melhores amigas também tem ciúmes...
—Hum... Sei.-ele fala e dá uma risadinha.
Caminhamos muito até chegar no fim do corredor, pois a escola era grande.
—E aí, Oroa?-Bete fala, e olha pra mim, meio que dizendo ''Não vai perguntar quem é a piranha?''.
—Oi.-disse, estranha.
—Oi, Abel. Essa é a Marina, minha ex-colega lá de Paris...
—Oi. Você é pequenininha, gostei de você.-ela disse, odeio que me chamem de pequenininha, menos quando é Oroa, porque ele é de boa.
—Eu não posso dizer o mesmo...-murmuro, olhando para trás.-Hum... Oroa, Maria deve estar nos procurando. Melhor irmos...-Maria nos esperava na frente de casa.
—Ah, claro. Tchau, Marina.-ele fala, dando um SORRISO e acenando.
—Bete, não quer ir na nossa casa hoje?
—Claro.-ele fala, sorrindo. Ele e Oroa ficam conversando o caminho todo, de vez em quando me perguntavam alguma coisa ou outra.
—Até que enfim! Sabem quanto tempo eu tive que esperar por vocês? Uma hora!-Maria gritou/falou brava.-Por que demoraram tanto?
—Oroa ficou falando com uma amiguinha dele.-Bete falou, olhando para o chão.
—Quem é esse?-Maria pergunta apontando para Bete.
—É o Betert, nosso amigo.-eu e Oroa falamos quase ao memso tempo.
—Hum... Peguem isso.-ela nos entregou três pacotes de batatas.-era pra ser duas para Abele e uma para Oroa, mas como trouxeram um amigo...-ela diz e nós três rimos.-Tudo bem... Vou indo. Até logo.-ela sai, sem esperar respostas.
—Então... Se vocês quiserem eu posso fazer comida. Prometo que não explodo a casa...-eu falo e eles riem.
—Sim... Claro. Pode ser.-Oroa fala, jogando a sua bolsa no chão. Jogou tão forte, que fez um barulho. Eu até dei um pulinho.-Foi mal.-ele diz e nós rimos.
Eu separei os ingredientes de pizza na mesinha, eu poderia virar uma cozinheira famosa nesse reino. Oroa e Bete ficaram conversando no quarto/sala. Eu estava tranquila, quando ouvi um barulho de coisa explodindo. Quando olhei para trás, era o saco de farinha que tinha caído e deixado minhas pernas todas brancas e Oroa também, já que ele estava de pé atrás de mim.
—Ficou maluco?-eu pergunto e ele começa a rir.
—O que tá acontecendo?-Bete pergunta, entrando na cozinha.-Caramba...
—Como vamos limpar isso?
—Não vamos limpar.-Oroa fala, pegando um pouco de farinha nas mãos e jogando na minha cara.
—Vou te matar!-eu pego um monte de farinha e começo a jogar nele, acaba peando em Bete. Ele não poderia sair ileso.
—Mas o que é isso?-alguém pergunta e quando eu vejo é Maria.
—Oroa derrubou o saco de farinha.-eu falo, ainda rindo.
—Hum... Eu vim aqui pra devolver essa roupa.-ela fala, olhando para a roupa. Era o moletom de Oroa.-Aqui, Oroa.
—Obrigado, Maria.-Maria acena e fecha a porta.
—Quem vai limpar? Não vai ser eu.-eu falo, levantando as mãos.
—Nem eu...-Bete fala, indo para o quarto junto comigo.
—Vocês não são legais...-Oroa fala/grita da cozinha e eu e Bete rimos.
Eu e Betert ficamos deitados enquanto Oroa não terminava de limpar a bagunça.
—Você gostou da Marina?-Bete me pergunta.
—Ela me chamou de pequenininha. Você acha que eu vou gostar dela?
—Mas ela só disse verdades, sem querer ofender. Mas você é fofa.-Bete fala, bagunçando meu cabelo.
—Eu sei disso.-eu falo e ele ri.
—Claro que sabe. Você usa essa fofura contra as pessoas.
—Eu só uso quando preciso. Por exemplo, quando eu quero batatas. Sabe?-ele ri.
—Hum... Sobre o que estão falando?-Oroa pergunta, vindo em direção a cama.
—Sobre a fofura da Abele.-Bete fala e me abraça, quase me esmagando.
—Oroa já limpou a cozinha?
—Claro. Só está meio branca.-ele fala, se sentando.
—Posso continuar fazendo minha pizza?
—Pizza?-Bete pergunta.
—Sim, é um negócio redondo de comer.-eu falo e Oroa dá risada.
—É uma massa com queijo e molho de tomate que se coloca no forno. E é de comer, claro.-Oroa fala e Bete balança a cabeça positivamente, soltando um ''Hum...''.
Eu fui para a cozinha, separei os ingredientes novamente em cima da mesinha e comecei a fazer a massa, depois o molho. Quando já estava parecida com uma pizza, coloquei no forno, que era tipo um buraco com uma fogueira em baixo.
Depois de um tempo, eu fui tirar a pizza do forno e me queimei.
—Ai, caralho.-sussurro/grito, mordendo o dedo.
—O que houve?-a voz de Oroa pergunta atrás de mim.
—Você por acaso é um X-men?-eu pergunto e ele ri.
—Talvez... Você se queimou na mão?-ele pergunta, apontando para a minha mão.
—Não, isso é só uma tatuagem que eu fiz com o fogo.-eu respondo, sorrindo irônica.
—Que engraçadinha. Vai ter que ficar assim, não tenho nada de remédios ou curativos...
—Nossa que cheiro bom! O que é isso?-Bete pergunta, correndo em minha direção.
—Pizza.-eu respondo, sorrindo.
—E o que é isso no seu dedo?-ele pergunta, apontando para meu dedo.
—Ela se queimou, porque é burra.-Oroa fala no meu lugar. Eu lanço meu olhar mortal para ele.
—Calado, Oroa.-Bete fala, balançando a mão para Oroa.-Coloca água com limão que melhora.-ele fala, se afastando. Eu assinto.
—Obrigada.-começo a tirar a pizza do forno. Depois coloco um pouco de água com limão no meu dedo.
Eu corto em sete pedaços, iria sobrar um para mim, claro.
—Nossa, que negócio bom!-Bete fala, comendo o segundo e último pedaço.
—Eu aprendi a cozinhar com sete anos.-eu falo, com a boca cheia.
—Não fale com a boca cheia, Abel. É feio.-Oroa fala e Bete ri.
—Não estou nem aí. Você sabe.-eu falo, ainda com a boca cheia.
Alguém bate na porta, eu vou atender. Quando vejo que é a Marina.
—Oi, o Oroa está?
—Está sim.-eu respondo, dando um sorriso forçadíssimo.
—Posso falar com ele?
—Claro. Oroa! Vem aqui!-eu grito para Oroa.
—Não pode nem deixar a pessoa comer em pa...-ele para de falar quando vê quem é.-O que está fazendo aqui?
—Queria perguntar se eu poderia dormir aqui...-ela fala e eu saio, indo em direção a Betert.
—Quem era?
—A Marina... Ela perguntou se poderia dormir aqui.
—Mas você acha que ele vai aceitar?
—Claro que não...
—A Marina pode jantar com a gente?-Oroa pergunta da porta.
—Pode...-Bete fala, balançando a cabeça positivamente e olha pra mim, como se dissesse ''Fala que sim, garota, senão te esgano.''.
—Pode.-eu falo, olhando séria para Marina.
—Sentada você fica mais pequenininha ainda!-ela fala e ri, eu lanço meu olhar mortal. Ela arregala os olhos. Por falar em olhos, os olhos dela eram azuis, e seu cabelo loiro.
—Isso não me impede de te dar uma voadora.-eu murmuro, olhando para trás. Oroa me olha com uma cara de ''Eu ouvi.''. Medo.
E essa foi nomeada a pior noite de minha vida.
Fale com o autor