O Reino Que Nunca Dorme
2 02 - O Quarto Proibido
6h da manhã — Reino Doce
O sol ainda não tinha aparecido completamente. O céu lilás começava a clarear atrás das torres do castelo, enquanto pequenas nuvens rosadas passavam devagar sobre o Reino Doce.
As padarias começavam a acender as luzes. Alguns doces despertavam lentamente. Mas dentro do castelo… o silêncio parecia pesado demais.
👑 Princesa Jujuba
Laboratório secreto subterrâneo. As telas continuavam ligadas desde a madrugada. Jujuba não tinha saído dali. Os olhos vermelhos de cansaço percorriam dezenas de monitores ao mesmo tempo.
Ela revisava: registros apagados, câmeras corrompidas, acessos desconhecidos,
Mas algo continuava errado. Muito errado.
…
Na tela principal:
CORREDOR LESTE — Uma porta apareceu entreaberta. A porta do setor proibido.
Ela congelou. Aquela porta nunca ficava aberta. Nunca.
Jujuba
— Não…
Ela puxou rapidamente os registros da câmera anterior. Erro. A anterior também. Mordomo Hortelã observava em silêncio atrás dela. As mãos cruzadas. Expressão calma demais.
Mordomo Hortelã
— Alguém encontrou o corredor. — Ela virou imediatamente.
Jujuba
— Isso é impossível. — Mas nem a própria voz dela parecia convencida.
…
Mordomo Hortelã
Laboratório secreto — junto de Jujuba.
Mordomo Hortelã colocou novos relatórios na mesa. Entre eles: listas de movimentação do castelo.
Mordomo Hortelã
— Alguns guardas relataram passos durante a madrugada.
Jujuba
— Quem?
Mordomo Hortelã
— Ninguém viu rostos. — Ela apertou os dedos contra a mesa. Irritada. Ansiosa. Então olhou novamente para a porta aberta na tela. Como se aquilo fosse pior do que um ataque inimigo. Porque significava: alguém estava perto da verdade.
…
Finn
Casa na árvore — junto com Jake. Finn já estava acordado. Sentado perto da janela. Algo raro. Normalmente ele acordava cheio de energia. Mas naquela manhã… parecia inquieto.
Jake ainda dormia profundamente enrolado nos cobertores. Finn observava o castelo à distância. Uma das torres ainda estava iluminada.
— Ela tá acordada de novo… — Ele lembrava da última conversa com Jujuba. Ela tinha: mudado de assunto rápido demais, escondido telas quando ele entrou, fechado portas pela primeira vez na frente dele, Finn franziu a testa.
— O que você tá escondendo…?
No fundo da cena… uma pequena câmera escondida presa numa árvore girou lentamente na direção dele.
…
Jake
Casa na árvore. Jake abriu um olho devagar.
Jake
— Cara… você tá olhando pro castelo desde cedo? — Finn continuou encarando a torre.
Finn
— Você não acha que as coisas tão estranhas? — Jake bocejou.
Jake
— Todo reino é estranho antes do café. — Mas quando viu a expressão séria de Finn… ele parou de brincar.
…
Guarda Banana Carlos, Guardinha Banana Tina
Corredor oeste do castelo. Os dois faziam ronda interna. As paredes do castelo pareciam silenciosas demais.
Tina
— Você ouviu isso? — Carlos parou. Um barulho metálico distante. Como uma porta fechando rapidamente.
Carlos
— Deve ser laboratório.
Tina
— O laboratório faz barulho de passos?
Os dois se entreolharam. Desconfortáveis. Então perceberam algo estranho: a porta do corredor proibido estava mal fechada.
…
Pão de Canela
Padaria central — junto da Dona Suspiro. Pão de Canela ajudava a organizar bandejas de doces recém-saídos do forno. O cheiro doce preenchia o lugar inteiro.
Dona Suspiro
— Você parece distraído hoje.
Pão de Canela
— O castelo ficou com luz acesa a noite toda de novo… — Dona Suspiro ficou em silêncio alguns segundos.
Dona Suspiro
— Antigamente a princesa sorria mais. — Pão de Canela olhou imediatamente pra ela. Como se ninguém nunca tivesse falado aquilo em voz alta antes.
…
No laboratório… Jujuba finalmente abriu o mapa interno do castelo. Uma luz vermelha piscava lentamente. Movimento detectado.
SETOR PROIBIDO.
Ela respirou fundo. Então a câmera ligou sozinha. Imagem tremendo. Corredor vazio.
…
Depois… uma sombra passou diante da lente. Parando exatamente na frente da câmera. Como se soubesse que ela estava olhando. E então a transmissão caiu.
8h da manhã
O Reino Doce finalmente estava acordado. As ruas coloridas enchiam lentamente de cidadãos doces: crianças correndo com pirulitos, padeiros abrindo lojas, guardas banana trocando turnos, carrinhos de sobremesa passando pela praça, Tudo parecia normal. Mas havia algo estranho no ar. As conversas diminuíam quando certos assuntos apareciam. Os olhares duravam tempo demais. E o castelo parecia observar tudo lá do alto.
Princesa Jujuba
Sala principal do castelo. Jujuba finalmente apareceu em público. Vestido impecável. Coroa perfeita. Expressão calma. Como sempre.
Mas por dentro… ela estava destruída de cansaço. Ao redor dela: Conselheiro Rocambole, Dona Suspiro, Guardas Banana, cientistas doces,
Todos esperando ordens.
Conselheiro Rocambole
— Os cidadãos estão perguntando sobre o aumento das patrulhas.
Jujuba
— Segurança preventiva. — Resposta rápida. Fria.
Dona Suspiro
— Também houve reclamações sobre corredores fechados no castelo… — Ela interrompeu imediatamente.
Jujuba
— Áreas em manutenção. — O silêncio ficou estranho. Porque normalmente ela explicava tudo. Hoje… parecia esconder coisas. Enquanto falava… Jujuba percebeu algo pior: ninguém olhava diretamente nos olhos dela.
Mordomo Hortelã
Atrás do trono da princesa. Mordomo Hortelã observava a sala inteira em silêncio. Ele percebia: cochichos, desconforto, medo crescendo lentamente. Um Guarda Banana se aproximou dele discretamente.
Guarda Banana Marcos
— Senhor Hortelã… é verdade que alguém entrou no setor proibido? — Mordomo Hortelã nem piscou.
Mordomo Hortelã
— Certos corredores não dizem respeito aos guardas. — Marcos imediatamente abaixou a cabeça. Mas o medo não desapareceu.
...
Finn
Praça central — junto com Jake.
Finn ajudava cidadãos a organizar barracas derrubadas pelo vento da madrugada. Mas ele continuava olhando o castelo. Distraído.
Jake
— Você tá pensando nisso de novo.
Finn
— Ela tá escondendo alguma coisa. — Jake suspirou.
Jake
— Todo mundo esconde alguma coisa. — Finn ficou quieto. Então respondeu mais baixo:
Finn
— Mas não desse jeito. — Na praça… dois cidadãos doces pararam de conversar quando Finn passou perto. Ele percebeu.
Jake
Praça central.
Jake começou a perceber que: as pessoas estavam tensas demais. Uma criança doce perguntou:
Criança Pudim
— Finn… é verdade que o castelo tá espionando as pessoas? — Finn congelou. Jake olhou imediatamente pra criança.
Jake
— Quem falou isso? — A criança apontou para adultos cochichando perto da fonte.
...
Marceline
Varanda externa do castelo. Marceline observava o Reino Doce lá de cima. Braços cruzados. Expressão séria. Ela viu: guardas extras, patrulhas diferentes, cidadãos olhando o castelo desconfiados. Então viu Jujuba atravessando o salão principal. As duas trocaram olhar rapidamente. Jujuba desviou primeiro. E isso assustou Marceline. Porque: a princesa nunca desviava olhar.
...
Pão de Canela
Padaria central — junto com Dona Suspiro. A fila da manhã estava menor do que o normal. As pessoas pareciam distraídas. Falando baixo.
Cliente Bala de Morango
— Minha irmã disse que ouviu vozes dentro das paredes do castelo.
Cliente Caramelo
— Dizem que existem salas escondidas lá embaixo… — Pão de Canela ficou nervoso imediatamente.
Pão de Canela
— A princesa nunca faria nada ruim! — O silêncio veio rápido. Ninguém respondeu. E aquilo machucou mais do que uma discussão.
Guardinha Banana Tina
Corredor interno do castelo. Tina fazia ronda sozinha. Mas toda hora olhava pra trás. Como se alguém estivesse observando ela.
Então percebeu algo estranho. Uma pequena câmera escondida no teto. Muito pequena. Quase invisível. Ela se aproximou lentamente. Confusa.
Tina
— Isso sempre esteve aqui…?
...
No salão principal… Jujuba observava os cidadãos através da janela enorme do castelo. O reino inteiro parecia diferente. Distante. Silencioso. Atrás dela… Mordomo Hortelã falou baixo:
Mordomo Hortelã
— Eles começaram a perceber. — Ela apertou as mãos lentamente.
Na praça abaixo… duas crianças olharam diretamente para uma câmera escondida presa num poste. E acenaram para ela.
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