O Reino

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Oie pessoal (aceno) tudo bom? Os comentários no capítulo anterior me deixaram muito feliz, então resolvi continuar com a fic! Espero que gostem:

Foi você, não foi? Isso tudo foi armado?!— gritei, enquanto andava de um lado para o outro.

— Se acalme, Olívia, não vai querer acordar todo mundo— ele falou, sua voz estava sonolenta.

Estávamos no quarto de hóspedes de meu papa. Ele iria embora na manhã seguinte, e como eu era uma selecionada, ficaria em Meyer até a competição acabar.

— Acordar? São 22:00 da noite, ninguém dorme a este horário!— esbravejei novamente— Fale papa, me fale se não foi você! Sei que faria de tudo para conseguir o que quer!

Ele se levantou da poltrona e veio como um tigre para cima de mim. Não me encolhi, muito pelo contrário. Enchi os meus pulmões de coragem. Não iria me rebaixar.

— Sim fui eu! Era isso que queria ouvir?!— ele explodiu.

Fiquei quieta. Por fora demonstrava surpresa, mas uma parte de mim já sabia que havia sido ele. Uma parte de mim queria que ele falasse que não, não tinha sido ele.

Seus olhos verdes me encaravam. Eram mais frios que gelo.

— Como você pode?— perguntei, sentia os meus olhos marejados.

Ele se afastou, sentando na poltrona novamente. Passou a mão pela testa, como se estivesse com uma grande enxaqueca.

— Eu fiz isso por você, por nós. Imagine o quão poderosa você vai ser quando ganhar. Rainha da França e de Meyer! Te fiz um favor.

Fiquei estática. Não acreditava. Como ele podia ser tão ganancioso?

Virei os meu calcanhares, caminharei até a porta do quarto, ignorando a voz de meu pai, que pedia gritava para que eu ficasse.

Merci, papa, acabou de arruinar a minha vida— sussurrei, e depois, bati a porta do seu quarto.

Andava pelo corredor do palácio como uma bêbada. Cambaleava para os dois lados, mais perdida do que cego em tiroteio. Não havia tirado o meu vestido verde. Depois do Jornal, o utilizei por um momento no jantar, até pedir licença e me retirar. Agora, me arrependi. Estava começando a ficar desconfortável.

Apoiei uma das mais na parede para tirar os meus saltos. Senti-me melhor ao poder caminhar sem nenhuma dor. Não queria voltar ao meu "quarto". Estava cansada, porém sabia que não comseguiria dormir.

Desci todas as escadas até chegar no primeiro andar. O palácio parecia estar vazio. Não encontrei ninguém em todos os andares que passei, mas achei que foi melhor assim. Eu não conhecia ninguém, e certamente, se encontrasse alguém, eles me parabenizariam por algo que eu não queria fazer parte. E além disto, era 22:00. A minha cota de sorrisos falsos já havia se expirado.

Queria urgentemente sentir um pouco do ar fresco. Talvez conseguisse encontrar o jardim. Segurava os meus saltos com uma das mãos, e com a outra, o a barra do vestido. Andei até onde me lembrava que era o jardim, e me surpreendi a ver um grupo de guardas em sua porta. Um deles notou a minha presença, e imediatamente avisou aos outros. Todos pararam de conversar e arrumaram as suas posturas. Recebi quatro reverências, porém, nem me dei ao trabalho de sorrir.

— Senhorita, o que está fazendo aqui?— um dos guardas perguntou, logo sendo repreendido por um mais velho.

— Perdoe-o Alteza— ele pediu.

Fiz uma careta. Até parecia que eu já havia ganhado a Seleção.

— Eu não sou a princesa de vocês, não tem porque me chamarem de Alteza— retruquei.

Eles piscaram, surpresos por minha resposta. Todos ficaram quietos, e o ambiente ficou em silêncio até que outro falasse:

— Mas mesmo assim, você é a princesa da França. E além do mais, foram ordens do rei que todos a tratassem assim durante a sua estadia.

Não pensei duas vezes até dizer:

— Ele não é o meu rei. Agora, me deixem passar, s'il vous plaît— pedi, me aproximando mais da porta.

— Me desculpe, Alteza, mas o príncipe está ali dentro. Ele pediu por privacidade.

— Eu tenho certeza de que este jardim é grande o suficiente para nós dois.

— Não podemos, me desculpe.

S'il vous plaît! Não irei incomodar— pedi novamente,

Sentia que o guarda estava pronto para negar novamente, mas foi interrompido por uma voz que veio de dentro do jardim.

— Deixem ela entrar— falou, mas não apareceu na porta do jardim.

Os guardas hesitaram, mas logo abriram passagem. Sem esperar mais nenhum segundo, entrei correndo no jardim, sentindo um vendo frio atingir-me a face. Joguei os meus saltos no chão, e soltei a barra do vestido. Corri para a grama, sentindo os meus pés a tocarem. Fechei os olhos, aproveitando aquela sensação. Estava frio, mas estar no jardim estava me fazendo melhor do que me encolher no quarto de hóspedes.

Me sentei na grama, passando a mão nas folhas caídas das árvores. Se alguém me visse naquele estado, provavelmente levaria uma bronca, mas agora, eu não me importava. Só queria aproveitar a minha última noite de liberdade.

Ouvi uma risada vindo de trás de mim. Me virei rapidamente, percebendo o príncipe a alguns metros de distância. Ele ainda estava com o seu terno, mas a sua postura estava relaxada. Parecia mais jovem agora. Estava sentado em um banco de pedra com um sorriso no rosto.

Chier, você me assustou!— falei, assumindo uma expressão brava.

Ele riu mais ainda.

— Desculpe, não era a minha intenção— se desculpou, enquanto se levantava do banco.

Voltei a minha atenção para o céu, que estava estrelado.

— Posso me sentar ao seu lado?— ele perguntou.

Olhei para cima, vendo-o bem próximo de mim. Dei de ombros. Ele se sentou um pouco longe, mais ainda dava apara ver o seu rosto.

— É sempre assim?— perguntei, mas não desviei o meu olhar do céu.

— Perdão?

— Você atrai as garotas para o jardim só para a assustar?— perguntei, mantendo a minha expressão séria.

Virei para ver a sua reação. Ele parecia não ter entendido, mas logo um sorriso tímido surgiu em seus lábios.

— Não, essa é a primeira vez— respondeu, cravando os seus olhos no céu.

— Ótimo— sussurrei.

Ficamos em silêncio, mas não era um constrangedor, e sim acolhedor. Talvez nós dois estivesse absorvidos em pensamentos sobre a Seleção.

Puxava a grama com a minha mão, em um gesto nervoso. Não era pelo motivo de estar ao lado do príncipe, mas porque eu estava pensando demais no que aconteceria nas próximas semanas.

— Talvez seja mais fácil para você do que para as outras garotas— ouvi o príncipe dizer. Desta vez, ele me encarava.

— O que?— perguntei, mas não por não ter ouvido, e sim porquê não acreditava que estava dizendo aquilo.

— Quer dizer, você já é uma princesa. Sua vida já é pública desde que nasceu. Vai ser mais fácil para você.

— Só porque a minha vida já era pública não quer dizer que eu não estaria perdendo nada. Eu tinha planos— falei, alterando um pouco o meu tom de voz.

Escondi o meu rosto para que ele não visse. Provavelmente eu fosse chorar, mas eu não tinha certeza. Me sentia triste, com raiva.

— Com licença, Alteza, mas você vai chorar?

— Não me chame assim! Eu não sou sua princesa!— exclamei, olhando com fúria para a sua direção.

Ele pareceu surpreso assim como os outros guardas mas não ofendido. Sua expressão parecia mais... pensativa.

— Você tem razão. Você não é minha princesa e eu não sou o seu príncipe. Porém, faço isso por educação.

Dei um riso debochado.

Débile— murmurei.

— Você espera que eu não entenda francês?— perguntou, arqueando as sobrancelhas.

Sorri mais ainda.

— Muito pelo contrário— respondi, seca.

Eu não era boba o suficiente para pensar que o príncipe não iria saber falar francês.

Tirei o meu sorriso da face. Mesmo se eu quisesse fugir, os meus pensamentos sempre se voltavam a competição. Eu pensava mas 34 garotas que teria que conviver, pensava nas equipes de filmagens perambulando pelo palácio. Pensava em não voltar para o meu país por um bom tempo.

— É assim mesmo que você quer encontrar a sua esposa?— perguntei, parte por curiosidade e parte para o alfinetar.

Ele pareceu pensar. Sua cabeça estava baixa, mas logo a levantou de novo, com um sorriso contido. Parecia triste, mas ao mesmo tempo, esperançoso.

— Você deve saber que é difícil para mim conhecer pessoas. As únicas garotas que já conheci eram filhas de diplomatas e princesas. E quase nunca tínhamos algo em comum— contou, com um sorriso triste estampado em seu rosto.

Pobre menino rico.

— E prender 35 garotas em um palácio é o jeito certo?— perguntei, usando o tom de voz mais frio que conseguia.

— Prender? É isso que você pensa?— os seus olhos transbordavam compaixão. Talvez tivesse um pouco de empatia.

— Sim, é isso que eu penso— confirmei.

Ele riu, desviando o olhar para o céu.

— Eu também já pensei desta forma. Mas certamente será uma experiência interessante.

— 34 garotas brigando pelo príncipe, certamente interessante. Divertido? Não.

— 34?— ele pareceu decepcionado.

— Sim, esta não é a minha luta.

Isaac hesitou. Estava pensando se deveria ou não dizer algo.

— Você luta pelo o que?

Eu sabia a resposta. Desde que nasci, ela estava na ponta da língua.

— Eu luto por mim. É o que todos deveriam fazer.

Silêncio. Conseguia ouvir o vento batendo batendo nas folhas das árvores. Parecia que elas dançavam silenciosamente. Meditei sobre as palavras que havia dito. Possivelmente eu tivesse sido um pouco dura com príncipe. Não era culpa dele. Não somos nós que cuidamos da nossa vida. Isso infelizmente cabe ao nossos pais.

Virei o rosto, pronta para pedir desculpas, mas me surpreendi ao ver o seu lugar ao meu lado vazio. Levei um susto ao sentir um tecido macio tocar os meus ombros, mas novamente, ouvi a sua risada.

— Deixarei você sozinha com os seus pensamentos— concluiu, pegando uma de minhas mãos a beijando.

Ele caminhou elegantemente para fora do jardim, agora somente com a sua camisa social branca. O seu paletó havia ficado em meus ombros.

— Boa noite— o ouvi dizer, dando uma última olhada na minha direção.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Me contem nos comentários! Mini dicionário para vocês: —Merci: Obrigada/Obrigado —Débile: Estúpido. —S'il vous plâit: Por favor. —Oui: Sim. Beijos mores ♥