O Reinado da Escuridão
3 Uma briga olimpiana entre irmãos
Notas iniciais
Quando chegamos no Empire State depois de localizar aquele serpopardo (por seu rastro de veneno e destruição), vimos que uma multidão de deuses curiosos se amontoava em volta de nós (já que não era nem um pouco frequente nós, egípcios, irmos à Manhattan, ainda mais inesperadamente e caçando um monstro letal) e, depois, vimos Quíron vindo em nossa direção, totalmente perplexo, perguntando-nos o que um serpopardo fazia lá e onde estavam os outros. Eu já ia responder que sabíamos tanto quanto ele o porquê daquele monstro estar lá quando, de repente, uma garota começou a esbravejar com ele. Seus cabelos levemente cacheados eram da cor do mel, iguais a seus olhos. Ela pareceria uma garota muito meiga se não a tivesse visto gritar daquele jeito, sua voz carregada de desapontamento e fúria. Tenho de admitir que ela era muito corajosa.
Enquanto acusava Quíron de mentir para ela, algumas lágrimas brotaram em seu rosto, que ficou vermelho. Então, ela saiu correndo, provavelmente para não chorar na frente de mais da metade do panteão greco-romano. Uma deusa, que reconheci ser Anfitrite, esposa de Poseidon, saiu correndo atrás dela. Atena assistia a cena com um certo desprezo em seu rosto, o mesmo sentimento estampado no rosto de Poseidon ao olhar para a deusa. Zeus, então, olhou severamente para os dois, que fizeram uma careta e voltaram sua atenção para o Senhor dos Céus.
– Muito bem, acalmem-se todos! — nesse momento todos os ruídos cessaram. — Antes de discutirmos a gravidade da situação, gostaria de saber desses dois jovens o que aconteceu.
Então comecei a explicar nossa situação. Contei que estávamos lutando contra o serpopardo, mas que ele nos escapou. Então, começamos a perseguí-lo, até que o achamos lutando contra as caçadoras. E, que não fazíamos ideia do porquê ele foi ao Empire State, já que monstros egípcios nunca vão até Manhattan.
Zeus parecia analizar cada palavra que eu dizia, sempre com uma expressão indecifrável no rosto. Após alguns minutos, ele finalmente se pronunciou.
– Bem, consegui concluir que essas crianças sabem tanto quanto nós sobre esses estranhos acontecimentos. E que algo muito importante está prestes a acontecer, por mais que não saibamos o que é.
Nesse momento, muitos dos presentes ficaram confusos (incluindo eu e minha irmã).
Para esclarescer a situação, Ártemis explicou:
– Se monstros egípcios apareceram por aqui, a situação é seria. Devemos tomar cuidado com a "mistura" de egípcios e greco-romanos.
Muitos deuses concordaram, incluindo Éris, a deusa da discórdia. Acabei soltando uma risada quase imperceptível, mas fui repreendido por Cibelle. Como ela era irritante!
Depois dessa "assembleia" para decidirem se falávamos ou não a verdade, os deuses começaram a voltar para seus respectivos domínios. Os únicos que ficaram foram os habitantes do Olimpo em tempo integral, o sr D. e Ártemis. As caçadoras foram convidadas a se hospedarem no Acampamento Meio Sangue, assim como nós e outras duas garotas que vestiam camisetas roxas. Aceitamos todos o convite de bom grado e nos dividimos em 2 grupos: eu, Cibelle, as duas meninas, a garota “irritadinha”, o sr D. e Quíron iríamos na van do Acampamento, enquanto as caçadoras pegariam uma carona com Apolo (o que as deixou bem desconfortáveis, principalmente a tenente Jennifer e Ártemis).
Nossa viagem na van foi muito silenciosa, e não trocamos uma palavra sequer sobre o ocorrido. Me sentei entre duas garotas, uma de camiseta roxa, e a “irritadinha”, de laranja, que descobri se chamarem Violette e Sarah (ela insistia em não trocar uma palavra com Quíron), já que Cibelle ficara empolgadíssima com a ideia de ir no banco da frente ao lado do motorista.
Khloé, a outra de roxo, sentou-se junto a Quíron no banco à nossa frente, onde havia um espaço para sua cadeira de rodas. Ela tentava puxar assunto, mas sem sucesso, pois ninguém tinha disposição para conversar.
Chegando no nosso destino, vi as caçadoras (muito mal-humoradas, por sinal) desembarcarem do veículo mais brilhante e dourado que eu já tinha visto. Ele parecia feita de um pedaço do Sol, pois ofuscava a vista das pessoas a seu redor com sua cor chamativa.
Ártemis discutia fervorosamente com seu irmão do lado de fora da van equanto as últimas caçadoras desciam do carro com suas bagagens. Obviamente, Apolo havia feito alguma "gracinha" com uma das garotas e a deusa ficara irritada.
– E não me chame de "maninha"! Assim parece que sou mais nova que você! — a ouvi dizer.
– Tudo bem, Ártemis, você é quem sabe… mas da próxima vez que eu for dar uma festa, lembre-se de chamar as suas "amiguinhas". Principalmente aquela tenente… qual o nome dela mesmo? Ah… Jennifer!
– Suma da minha frente!!! E não apareça até o próximo milênio!!!
E, com essas palavras "carinhosas" da irmã, Apolo levantou vôo com sua van dourada.
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