O Reinado da Escuridão

11 Fazemos um tour com um fantasma grego


Notas iniciais
P.O.V: Sarah

Caminhamos por, aproximadamente, meia hora até chegarmos aos limites da cidade. Não pude deixar de admirar a beleza das construções feitas em pedra e a quantidade de pessoas que por lá circulavam. Vi diversos grupos turísticos com guias falando as mais variadas línguas: inglês, espanhol, francês, italiano, etc. Entramos no meio do grupo mais próximo, que, infelizmente, falava francês, uma língua que nenhum de nós entendia muito bem. Mantivemo-nos em silêncio enquanto o guia explicava algum coisa sobre as construções que nos cercavam. De repente, ouço Selene:

– Ei, gente. Aquela guia que está explicando em grego não parece uma das “velhinhas” que estavam no Acampamento? – nos viramos para a direção que ela apontava e lá estava a tal guia. Ela sorria e aparentava ter seus vinte anos, mas eu sabia que sua idade era muito mais que isso. Usava um casaco marrom (pois fazia frio àquela altitude), jeans e botas de caminhada igualmente marrons. Seus belos cabelos loiros se encontravam presos em uma trança e sua característica mais marcante eram seus olhos cinzentos e intensos, como uma nuvem de tempestade. Na mesma hora que eu a vi, eu soube que ali estava o fantasma de Annabeth Chase. Porém, diferentemente do que eu esperaria de um fantasma, ela não parecia translúcida, algo que me surpreendeu um pouco.

– É Annabeth Chase, filha de Atena. – respondi a Selene – Ela é nosso próximo desafio.

Fomos nos distanciando discretamente do nosso grupo até chegarmos ao de Annabeth. Ela terminava uma explicação sobre a descoberta de Macchu Picchu, em 1921, e parecia muito animada com isso. Comecei a prestar atenção e me encantei com a maneira com que ela ligava os fatos. Ela seria uma ótima professora de História...

– Agora, vocês estão livres para andarem pela cidade e entrarem nas construções. Qualquer dúvida sobre os monumentos... – a multidão se dispersou rapidamente, deixando-a falando sozinha – ...podem vir me consultar. E divirtam-se. – seu tom havia mudado para uma espécie de melancolia.

– Ah, com licença, senhorita Chase... – Cibelle começou.

– Olá! Desejam perguntar alguma coisa? – ela voltou a se animar e exibia um grande sorriso.

– Senhorita Chase, somos os escolhidos para encontrar a profecia. – disse, expondo meu braço esquerdo a ela que leu a mensagem lá escrita e arregalou os olhos.

– Sarah, venha comigo. – seu tom de voz era sério e ela não mais sorria.

Começamos a nos afastar dos outros quando Violette, muito preocupada, perguntou:

– E quanto a nós, o que devemos fazer? Ficar aqui esperando enquanto ela arrisca a própria vida por um pedaço de papel idiota?

Annabeth olhou tristemente para a romana e, logo após um breve suspiro, respondeu:

– Infelizmente, isso é tudo o que podem fazer.

Continuamos a nos afastar do grupo, até chegarmos a uma pequena casinha sem janelas, feita de pedras e com telhado de palha. Ela deu um passo à frente, pronta para empurrar a frágil porta de madeira, quando se voltou para mim, o medo estampado em seu rosto:

– Escute bem o que vou dizer agora: quando entrarmos lá dentro, eu não serei mais a mesma pessoa que você está vendo. Os desafios despertam o que há de pior em seus criadores e testam ao máximo suas qualidades. Então eu gostaria de pedir que, caso seja necessário, você lute com todas as suas forças, pegue o papel da profecia – ela tirou um pedaço de papel amarelado do bolso do casaco, no intuito de mostrá-lo – e fuja. Faça o que for necessário para sobreviver e não se preocupe comigo, porque eu provavelmente não estarei me preocupando com você.

Meu queixo caiu. Eu não fazia ideia de como reagir a isso. Apenas assenti, demonstrando que havia entendido o recado. Ao mesmo tempo, minha expressão deve ter denunciado meu choque. Annie sorriu de maneira compreensiva para mim, tranquilizando-me. Ela, então, tirou o colar de contas do Acampamento que usava e entregou-me. Olhei para o simbólico presente, composto de dez contas e dois anéis de formatura, e recusei-o na hora. Disse que eram suas lembranças do tempo de campista, que eu não merecia algo tão importante.

– Sarah, querida, esse colar foi, por muito tempo, um amuleto da sorte para mim e gostaria que ele lhe trouxesse a mesma sorte. Ele também me lembrou de constantemente ser grata pela mãe sábia que tenho. Sabe, Atena pode não ser a mais atenciosa, carinhosa, ou a mais bondosa das deusas, mais ela ama a cada um de seus filhos e zela pelo bem estar deles, por mais que não pareça. Então, se por um acaso, passar no Olimpo um dia desses, converse um pouco com ela e fale tudo o que sente. Ela vai entender.

– Obrigada por tudo. – falei – É uma honra poder te conhecer e descobrir que você é ainda mais incrível do que dizem por aí. Fico muito feliz de realizar o seu desafio e o vencerei como uma filha de Atena.

– Isso é o que vamos ver – retrucou minha irmã, um sorriso estampado na face e os olhos com um brilho típico de um filho de Atena competitivo.

Abri a porta da casinha e entramos. O salão em que nos encontrávamos era imenso. O chão de mármore imitava o padrão de um tabuleiro de damas. As paredes amareladas e desgastadas continham diversos archotes para iluminação. Além deles e de nós duas, a sala estava vazia.

Annabeth foi em direção a um canto do recinto e pediu que eu me posicionasse no outro canto. Quando já estávamos em nossos lugares, cartas começaram a surgir de lugar nenhum e a formar um pequeno baralho na mão estendida de minha irmã.

– Que tal uma partida de card game? – ela perguntou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.