O Rei nem tão Destruído
6 Capítulo 6: Revelação Interceptada
– Então seu nome é Maokai? – Perguntou Sarah ao Ent.
A criatura-árvore-viva-morta assentiu.
– Você nos assustou – disse Brian.
– Vocês estavam me atormentando. Não gosto disso.
Mais uma vez Sarah e Brian se entreolharam.
– Há quanto tempo exatamente você vive aqui na Ilha?
– Desde que eu era um brotinho, sabe? – Maokai percebeu que a garota estava confusa, tentando decifrar um amuleto. – Ei, isso é da bela-guerreira. Onde conseguiu?
Sarah tentou esconder a Insígnia de Kalista o mais rápido que pôde.
– O Quê? Como assim? – Tentou disfarçar rindo.
– Ei, por que você está escondendo?
– Do que ele está falando Sarah?
– Eu não sei, não faço ideia. – Disse ela olhando para Brian como se Maokai fosse louco.
Todos ficaram em silêncio. A fogueira recém acendida por eles começava a estalar suas brasas. Eles resolveram esquecer a conversa anterior acreditando ter sido um devaneio de Maokai. Olhavam para as labaredas desmembrando-se do fogo ardente e se desfazendo no ar. Os sons da noite remetiam uma noite aparentemente calma. Embora a Lua estivesse brilhando radiantemente, desta vez não era possível vê-la perfeitamente porque algumas nuvens se formavam no céu escuro, ainda que bem estrelado. O vento também soprava de uma forma que refrescava, anunciando uma chuva. Ninguém sabia o que falar. Os humanos não acreditavam que Maokai fosse uma ameaça, mas ainda assim ele era uma criatura da Ilha das Sombras. Sarah estava pensativa, Brian desenhava na terra com um graveto.
– Maokai... – Sarah quebrou o silêncio. – O que você sabe sobre o Rei Destruído?
– Só o que todas as árvores desta floresta sabem. Estamos aqui desde o início do mundo praticamente. Inclusive sei muitas versões diferentes, mas prefiro guardar apenas a real, a de Kalista.
Uma chama de esperança se acendeu em Sarah e por alguns instantes ela pensou em perguntar tudo sobre Kalista para o Ent, mas ela se deu conta que não podia demonstrar interesse nem surpresa então pensou em perguntar, mas Brian se antecipou.
– Kalista?
Sarah ficou aliviada.
– Sim. A mulher que está no amuleto dela – Apontou para Sarah.
– Não tem amuleto! – A moça se exaltou. Brian admirou-se.
– Tudo bem.
– Não, desculpe, estou errada. Poderia nos contar a história?
– Gostaria de usar a desculpa de que já contei ela tantas vezes, mas nunca tive a quem contar...
– Tudo bem, pode contar resumidamente, acrescente os detalhes que achar relevante. Eu já conheço algumas versões desta história.
– O Rei Destruído foi um nobre, afortunado e respeitado rei, que governou a Ilha das Sombras bem antes dela se tornar o caos que é hoje. Todos o amavam, exceto os invejosos, claro. E então, houve a traição. O rei foi assassinado, a ilha se tornou o que é hoje. Os próprios traidores têm orgulho em contar esta história. Eles só omitem um detalhe: Kalista, bela-guerreira que os atormenta até hoje.
Sarah ficava cada vez mais com vontade de explodir de tantas perguntas que tinha para fazer, mas devia se controlar ou tudo estaria perdido. Ela se aclamou e depois de arquitetar tudo em sua mente, pediu.
– Ah... Maokai, precisamos da sua ajuda.
A criatura pareceu coçar a região da cabeça e Sarah prosseguiu.
– Estamos indo em busca de respostas sobre o Rei Destruído e você parece saber de muita coisa... você poderia nos ajudar? – Maokai pareceu hesitar. Sarah tocou o ombro de Brian e sorriu para o Ent. – Este aqui é o herdeiro do Rei Destruído.
Maokai, embora surpreso, sabia que era verdade, por algum motivo.
– As criaturas desta ilha são perigosas, se eles souberem que o herdeiro está aqui... – Maokai fixou em um ponto dentro da fogueira e memórias ruins lhe vieram à cabeça. – Eles me fazem mal. Fazem mal a todas nós... – Apontou para as árvores, que, diferente dele, não se moviam ou falavam.
– É eu sei, por isso precisamos da sua ajuda. Vamos vingar o rei, você e...
– Kalista? – Completou o Ent, fazendo Sarah suar frio. Estava cada vez mais difícil esconder sobre Kalista. Novamente demorando um pouco para responder por estar calculando suas palavras, ela disse.
– Por que deveríamos vingar Kalista?
– A bela-guerreira morreu para defender o rei. – Sarah relembrava os detalhes de quando ouviu essa história pela primeira vez no Pátio da Vingança.
– Ela lutou a até a morte e jurou vingança, mas agora ela... – tentou dizer Maokai, quando alguma coisa prateada se fixou em sua “boca”.
– Mas o quê!??? – Espantou-se Brian, involuntariamente saltando para trás quando uma aranha pequena subiu pelo seu sapato.
Os três olhavam ao redor, e cada vez mais aranhas surgiam das árvores. Sarah foi até Maokai para retirar a teia quando outro disparo prateado a derrubou. Brian, que estava pisando em algumas aranhas, ouviu o baque e correu até Sarah, desvencilhando-a do material pegajoso.
– O que está acontecendo, que diabos são essas aranhas!
Sarah levantou-se e mais uma vez tentou destapar a boca de Maokai e pela segunda vez foi atingida por uma teia, dessa vez com grande força que grudou a garota em uma árvore.
– Quem está aí???
Maokai tentava arrancar o material, mas não conseguia, emitindo sons ilegíveis. Sarah se soltou, Brian colocou a mochila nas costas e falou.
– Vamos, vamos sair daqui!
A noite de uma hora para outra havia mudado de calma para espantosa, não havia mais estrelas ou lua, estava tudo escuro pelas nuvens negras. A chuva se aproximava, pois, ventava mais forte.
Eles começaram a correr, sempre olhando para trás, sem prestar atenção no que havia a frente, quando se engancharam numa enorme teia de aranha. Maokai os alcançou e tentou cortar a teia, mas era muito resistente.
– Vão a algum lugar? – Disse Elise, saindo de trás de uma árvore, arreganhando os dentes e exibindo as garras afiadas das mãos – vamos minhas crias, o jantar está servido.
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