O Rei nem tão Destruído
5 Capítulo 5: Pedido e Intromissão
Os garotos subiam por um caminho íngreme com muitas falhas na grama. As árvores se tornavam maiores, mais grossas e mais fantasmagóricas. O sol estava prestes a se pôr e a estrada parecia não ter fim. Os jovens estavam cansados.
– Sarah, aquela noite, quando você me salvou...
A garota parou de andar, imaginando que teria uma longa conversa. Por fim suspirou e virou-se para ele.
– Sim, o que tem?
– Você disse o nome de alguém, sabe. – A garota percebeu que ele se referia à luta mais recente. – Parecia que você estava fazendo uma prece à algum deus... quem era?
Ela tinha de ser breve e agir como se aquilo não fosse importante, do contrário estaria encrencada nas explicações futuras. Mesmo tendo em mente tudo isso, ela suava frio, não queria mentir, porque também sabia que isso se tornaria uma bola de neve.
– Ah, você não vai querer saber agora – Tentou enrolar. – Tem a ver com as tradições de onde eu vim. Enfim, não se preocupe com isso agora, você vai entender mais para a frente.
– Mais para a frente? Quando chegarmos a civilização depois de sair da ilha?
Sarah revirou os olhos, parou e sentou. Seria duro convencê-lo, mas ela havia treinado. Indicou com os olhos para que Brian fizesse a mesma coisa.
– Já vai anoitecer, tem certeza que quer parar? – Indagou Brian.
– Já disse, estou segura aqui – ela esclareceu, e percebendo o olhar curiosamente incrédulo de Brian, concluiu – De um jeito ou de outro. Relaxa.
– Está bom, você bate neles né?
– Para, não sou tão hostil assim. – Disse erguendo as sobrancelhas e mostrando os caninos comuns.
– Você é mais assustadora quando não quer parecer, serio. Agora vamos voltar ao assunto.
–Cara, a gente não vai sair da ilha agora...
– O quê?!
– Espera, se acalma. Lembra aquela noite, quando eu ia começar a te explicar sobre você ser o herdeiro do Rei Destruído? Aí aconteceu aquilo...
– É, você falava da fama e fortuna do rei da ilha e aí você pirou...
– Estava tentando fazer com que você não morresse até que conseguíssemos nosso objetivo.
– “Nosso objetivo”?
– Se você entendesse...
– Você não explica, como vou entender?
– Nós estamos indo atrás de respostas...
– A respeito de...?
– Da morte – Ela própria se interrompeu, limpando a garganta e continuando – Do assassinato do Rei Destruído.
– E por que isso me interessa?
– Porque você é o herdeiro, ora...
– Mas e se eu não quiser ser herdeiro de nada? EU só quero ir para casa, já fazem 4 anos... desde meu 13° aniversário eu estou preso aqui... – Ele suspirou e levantou-se. – Achei que você poderia me ajudar, mas me enganei. Obrigado por me libertar. Eu já vou indo.
Ela se levantou e gritou.
– Espera! – O garoto parou. – Eu preciso que você me ajude...
– Te ajudar? Qual seu interesse nisso?
Sarah tremeu.
– Eu saí da minha vila para isso. Prometi a todos no Pátio da Vingança que retornaria com o herdeiro.
– Sem querer ser rude, mas... porque prometeu algo por outra pessoa?
Por incrível que pareça, ela parecia estar ficando sem argumentos.
– Por favor Brian, eu te peço. Me ajude só uma vez, você não vai se arrepender, eu garanto. E depois, se não quiser assumir o trono quando isso terminar, mesmo assim eu te levarei para sua casa, seus pais estão preocupados com v...
– Você conhece meus pais? – Ele voltou para perto de Sarah. – Como eles estão? Onde eles estão? – Ele parecia um pouco exaltado e isso assustou a garota. Quando ele percebeu se desculpou.
– Está tudo bem com seus pais... fique tranquilo, eles querem que eu te leve de volta a salvo, mas o único jeito de sairmos daqui agora é recuperando meu barco. Eles devem ter confiscado.
– As criaturas da ruína?
Sarah assentiu com a cabeça.
– Vamos Brian... vamos acabar logo com isso e sair desta ilha. Não tem como nada dar errado, você é o herdeiro e eu... – Ela hesitou – posso nos defender – Disse levantando o punho direito em sinal de força.
– Tudo bem. – Finalmente concordou. A garota sorriu e estendeu a mão para que o garoto a apertasse. – Mas me explica direito como eu posso ser o herdeiro de alguém que morreu há tanto tempo... meus pais sabiam disso?
O sol acabara de se pôr.
– Está tarde... vamos acampar por aqui e eu tento te explicar...
Eles começaram a coletar galhos e folhas secas quando perceberam movimentações estranhas nos arbustos. Sarah ficou quieta e alertou Brian.
Os dois se aproximaram e ficaram de costas coladas, como antes, cobrindo a maior área que seus olhos alcançavam.
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– Maldição! – Praguejou Elise, que estava em cima de alguma árvore, vigiando os jovens – estávamos tão perto! Árvore estúpida! Arrrgh
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– Quem está aí? – Tentou Brian.
– Sério? – Disse Sarah, encarando-o com um olhar de profunda decepção.
Houve um pouco de silêncio e de repente uma árvore se mexeu.
– Parem de me atormentar – disse, pausadamente, uma voz grave e que vinha direto da árvore que se mexia.
Sarah estava prestes a retirar o mesmo objeto da noite em que espantou o centauro, quando a criatura se revelou. Os dois jovens gritaram e a árvore começou a gritar também.
Sarah e Brian se entreolharam. A árvore parou de gritar e ficou encarando-os.
– Eu já tive paz um dia – a voz soava chorosa e sincera.
– Sarah, que diabos é isso? – Sussurrou Brian.
– Eu não sei – sussurrou também. Ela pensou em dizer sobre as escrituras da Insígnia de Kalista, mas preferiu ficar calada.
O Ent estava batendo sua “mão” na região onde seria sua cabeça para afastar alguns corvos.
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