O Rei nem tão Destruído

3 Capítulo 3: O Primeiro Ataque


– Ah, obrigado por revelar onde estamos! – Reclamou Brian.

– Cala boca, vai.

Ainda de costas coladas fitando cada centímetro da orla da floresta, os jovens suavam frio ao passo que escutavam os trotes. Estes mantinham um padrão que denunciavam ser de algo como um cavalo. O barulho vinha de dentro da floresta e ecoava por toda a clareira, fazendo com que os garotos não soubessem de que direção eles se originavam.

Depois de algum tempo, do lado oposto ao que a Lua se punha, uma luz tenebrosamente esverdeada, que ia ficando cada vez mais intensa e vívida, alcançou as últimas árvores antes do gramado. Era o centauro Hecarim.
Apesar de saber de quem se tratava, Brian temeu.

– Névoa Negra. – Sarah sussurrou ao identificar. Brian olhou para ela, sem entender.

Parecendo hesitar por algum tempo, a criatura ficou observando antes de começar sua corrida. Mesmo tão entendida do assunto, quando os trotes foram iniciados em sua direção, Sarah juntou-se a Brian no quesito medo. Ambos estavam imóveis, pernas bambeando. O centauro se aproximava cada vez mais e Brian já aceitava a morte certa quando Sarah pareceu acordar de um transe. Levou a mão direita para dentro do bolso da jeans e puxou de lá um amuleto. Tinha a mesma cor que a Névoa Negra e no centro havia o rosto talhado de uma mulher. Ergue-o em direção à criatura e gritou.

– ABERRAÇÃO, AFASTE-SE EM NOME DE KALISTA!

O centauro freou imediatamente, ficou sob duas patas e se pôs a correr pela direção em que entrou na clareira. Depois que ele saiu pela orla e não se ouviu mais os trotes, Sarah desabou, exausta, mas Brian a segurou antes que tocasse o chão. Com cautela, deitou-a na relva e não resistiu ao cansaço, adormecendo logo depois de Sarah.
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Quilômetros de distância dali, um pouco mais tarde, uma reunião acontecia.

– O que vamos fazer agora? – Perguntou uma das vozes.

– Os mortais mencionaram o nome dela.

Houve um silêncio sepulcral e com certeza a voz mais imponente dali tomou a palavra:

– Desperte a aranha.
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Mal amanheceu na clareira e Sarah já estava acordada organizando sua mochila e, da maneira que fazia isso, dava para perceber que estava furiosa. Terminou, levantou-se e jogou a mochila nas costas. Olhou para Brian e viu que ele ainda estava dormindo profundamente, então começou a cutuca-lo com o pé e praguejando.

– Acorda, demônio – vendo que não conseguia grandes resultados, chutou-o.
Brian acordou com um grito, recostou-se na grama, bocejou e coçou a cabeça. Sarah se pôs a caminhar.

– Aonde você está indo?

– Onde já deveríamos estar se você – com muita ênfase – não tivesse me deixado dormir!

– Eu o quê? Garota, você desmaiou.

– Você deveria ter me acordado!

– Espera um pouco, a culpa é minha?

– É, sim! Eu salvo sua vida e é assim que você me agradece, me fazendo perder tempo! Inacreditável.

Brian percebeu que jamais iria ganhar aquela discussão, então passou a mão na testa, retirando o excesso de sangue coagulado. Sarah abriu a mochila, pegou um pano e o molhou com a água do cantil e depois jogou para ele com uma certa força. O pano se chocou com o peito do rapaz e caiu no chão.

– Você quer me matar? – Disse ele, sorrindo.

– Por que não? – Resmungou ela, indiferente.

Ele continuou encarando-a por um tempo até que ela desviou o olhar.

– O que está esperando? Acha que vou aí limpar para você?

Ele recolheu o tecido úmido da grama e começou a passar na testa. Ela observava de longe e pensava como ele era irritantemente desajeitado. Andou até ele, agachou-se e tomou o pano para si, executando um trabalho muito bem feito, limpando completamente o rosto ensanguentado do garoto.

– Obrigado.

– Não me agradeça. Fiz isso porque se não ficaríamos horas aqui esperando você se limpar.
Ela se levantou e ficou encarando ele.

– O que é? Precisa de ajuda para se levantar também? – A garota deu as costas para ele e pela primeira vez naquela manhã, ela sorriu.