O Rei das Fadas

4 Capítulo 4 - A pedra mágica


Notas iniciais
Demorou, mas aqui está: o penúltimo capitulo da fic "O Rei das fadas"
Enjoy ^^

Kyoko tinha acordado na mesma casa vazia que adormecera.

A mãe não voltara nem para mudar de roupa ou pelo menos era o que Kyoko pensava até ir ao quarto dela.

As gavetas e as portas do armário estavam abertas e havia roupas desaparecidas tal como as malas da última viagem de negócios que ela tinha feito.

E, tal como da última vez, ela estava sozinha.

Mas não ia chorar desta vez, porque agora tinha Corn e ele dava-lhe mais força do que ela alguma vez poderia pedir.

Com as lágrimas nos olhos, Kyoko vestiu-se e preparou-se para ir para a escola. No entanto, não podia saber que aquele não tinha acabado de piorar.

- Quero que passes mais tempo com o meu filho. – fora o que o senhor Fuwa dissera quando ela chegara à casa deles para ir com Shotaro para a escola – Peço-te, Kyoko. Ele tem andado tão calado desde que começaste a passar as tardes noutro lugar.

- Mas…

- Pelo menos hoje. – pediu ele – Façam os trabalhos de casa juntos e até podes jantar cá.

Ela não teve coragem de negar o pedido. Afinal, a família Fuwa tinha-a ajudado quando ela precisou. Por isso, ao chegar da escola, ela brincou com Shotaro e ajudou-o com os trabalhos de casa mas o seu pensamento continuava a desviar-se para Corn.

À beira rio, Kuon também pensava nela. Tinha que lhe dizer que ia embora, não podia abandoná-la sem sequer avisá-la.

Pensou em ir procura-la mas não fazia a mínima ideia de onde ela vivia e, se ele fosse perdia a credibilidade como fada que ela pensava que ele era.

Por isso, decidiu ir embora por hoje. Amanhã tentaria outra vez.

Mas passaram-se mais dois dias até Kyoko poder escapar-se até à floresta e a semana que restava a Kuon já estava a acabar.

- Desculpa, Corn. – pediu Kyoko verdadeiramente arrependida – Não consegui vir…

- Não faz mal. – ele não queria que ela ficasse assim. Pelo menos aproveitaria aqueles últimos dias sem que ela chorasse – Divertiste-te?

Kyoko sorriu. – Estive com o Shotaro. Sim, foi divertido porque eu amo-o.

Kuon suspirou. Era demasiado cedo para uma criança como ela estar a usar uma palavra como “amo-o” tão facilmente.

- E lá em casa? – perguntou ele vendo o sorriso dela a desaparecer – A tua mãe zangou-se outra vez.

- Não. – Kyoko não queria estragar aquela visita depois de tantos dias sem se verem – Está tudo bem, a sério.

- És uma péssima mentirosa, sabias? – murmurou Kuon de maneira a que ela não ouvisse. Se ela não queria contar-lhe, ele não estava no direito de a forçar a fazê-lo.

A tarde passou mais rápido do que algum deles quereria que passasse mas estava na altura de Kuon lhe contar.

- Kyoko-chan. – começou Kuon chamando-lhe a atenção – Eu vou-me embora.

- Eu sei. – disse Kyoko sorrindo inocentemente – Mas amanhã eu volto. Prometo.

- Não. – aquilo estava a custar-lhe mais do que deveria custar – Para sempre. Nunca mais vou voltar.

O sorriso desapareceu num instante. – Foi porque eu não vim nestes últimos dias?

- Não! – respondeu Kuon imediatamente – Não é nada disso mas eu tenho que voltar para casa. Já está na hora, percebes?

Apesar de estar a conter as lágrimas, o lábio inferior dela começou a tremer. – Mas posso escrever-te, não posso. Podemos continuar…

- Lamento Kyoko-chan. – disse Kuon abando a cabeça penosamente – Mas nós vivemos em mundos diferentes. Provavelmente nunca mais vamo-nos ver outra vez.

Agora as lágrimas corriam em silêncio, fazendo o sentimento de culpa de Kuon crescer até ser capaz de lhe esmagar o coração.

Instintivamente, Kuon levou a mão ao bolso e pegou na pedra que tinha encontrado no seu primeiro dia de férias, ali.

- Quero-te dar uma coisa, Kyoko-chan. – disse Kuon esticando a pedra para ela ver.

Hesitante, ela pegou na pedra e pôs-se a olhar para ela com os olhos turvos das lágrimas que tinham parado recentemente. – O que é isto?

- Isso é uma pedra mágica. – explicou Kuon fazendo um gesto para que ela apontasse a pedra para o sol. Depois de ela ver a pedra a mudar de cor, Kuon continuou – Quando te sentires triste, magoada ou com vontade de chorar, aperta-a bem e ela vai ficar com todos os teus sentimentos maus. Guarda-a bem e nunca te sentirás sozinha porque eu vou estar ao teu lado.

- A sério? – o humor de Kyoko melhorou um pouco, enquanto ela empurrava a pedra contra o peito – São os poderes das fadas?

- Sim. – confirmou Kuon vendo-a a limpar as lágrimas.

- Foste tu que fizeste a pedra? – perguntou Kyoko.

- Não, mas eu pus os meus poderes aí. – disse Kuon. E, até certo ponto era verdade. Os seus sentimentos por ela estavam naquela pedra apesar de ele saber que ela não a guardaria durante muito tempo, provavelmente.

Quando deixasse de acreditar em fadas e criaturas mágicas iria aperceber-se que tinha sido apenas um rapaz normal – e mentiroso – a dar-lhe uma pedra sem qualquer poder, que podia ser encontrada por todo o lado.

— Se é assim, vou guardá-la para sempre. – disse Kyoko a falar a sério.

Pela primeira vez, Kyoko levantou a cabeça e viu cada traço, ao pormenor, da cara dele. Aquele sorriso que mostrava tanto alegria como dor e depois…Acordou.

Kyoko acordou na enorme cama do quarto de hóspedes de Ren e lembrou-se do sonho que tivera com o doce Corn da sua infância. Sentou-se e esfregou a testa com dois dedos sabendo que tinha que se preparar para ir gravar a segunda música com os Vie Ghoul.

Nunca tinha tido um sonho assim. Nas suas memórias nunca tinha conseguido ver bem a cara de Corn…correção, Kuon, mas ali ele aparecia com clareza com aquele sorriso que era-lhe extremamente familiar.

Tentou ligar as peças mas a sua cabeça doía-lhe, por isso decidiu não pensar mais nisso, por enquanto, e ir trabalhar.

Lembrava-se que tinha sido naquela altura que a mãe tinha desaparecido durante meses sem dar alguma notícia ou explicação.

Com um sorriso na cara, ela saiu para a sala, encontrando Ren encostado à mesa e chegou à conclusão que nada daquilo importava. Ela tinha dito a Ren que o amava e agora eles eram namorados em segredo, pelo menos até ela fazer dezoito anos.

Mas, naquela manhã, o sorriso que Ren lhe deu era igual ao de Kuon no último dia em que eles tinham falado.

Alegria, mas tanta, tanta dor…

Notas finais
Este e o próximo capitulo estão bastante ligados à fic original "Enquanto o amor durar"
É uma prenda para os leitores que se deram ao trabalho de ler esta fic ^^
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