O Reflexo do Verão

20 O Refúgio nos Braços do Irmão


Depois do confronto devastador no corredor do dormitório, Sarah caminhou como se estivesse em um transe, sentindo o ar frio queimar seus pulmões. Ela não tinha para onde ir, exceto o único lugar onde ainda restava um pouco de família naquela cidade estranha: o apartamento que Conrad e Ariel dividiam.


​Quando Sarah chegou à porta do apartamento, sua visão estava embaçada pelas lágrimas. Ela bateu com força, e no segundo em que a porta se abriu, revelando o rosto preocupado de Conrad, suas pernas fraquejaram.

​— Sarah? O que você... — Conrad começou, mas não teve tempo de terminar.

​Ela desabou. Sarah caiu nos braços do irmão, soluçando de um jeito que o deixou em pânico. Conrad a segurou com força, fechando a porta com o pé e carregando-a para o sofá. Ariel apareceu logo em seguida, com o rosto pálido; ela já sabia o que tinha acontecido assim que viu a expressão da cunhada.

​— Ele estava com ela, Con... — Sarah conseguiu dizer entre os soluços. — No seu quarto. Ela estava na cama dele.

​Conrad endureceu o corpo. Seus olhos brilharam com uma fúria protetora que raramente mostrava. Ele olhou para Ariel, que estava sentada ao lado de Sarah, acariciando suas mãos.

​— Me conta, Ariel — exigiu Conrad, a voz baixa e perigosa. — Me conta tudo o que você sabe agora.

​Ariel suspirou, as lágrimas também surgindo em seus olhos por ver a dor de sua melhor amiga.

​— O nome dela é Chloe — começou Ariel, a voz trêmula. — Ela é da liga de vôlei, do mesmo círculo social dos atletas que o Michael frequenta. Começou há cerca de dois meses. Michael começou a ir a festas com os caras do time para "esparecer" por causa da saudade da Sarah, e ela estava sempre lá.

​Sarah apertou a mão de Conrad, sentindo o peito arder.

​— Eu tentei avisar ele, Sarah. Juro que tentei — continuou Ariel. — Eu disse que ele ia destruir a vida dele se continuasse com essa palhaçada. Mas ele dizia que era "só uma amizade", que a Chloe entendia a pressão que ele sofria aqui. Michael começou a se sentir sozinho e carente, e a Chloe se aproveitou disso. Ela sabia de você, mas não se importava.

​— E como isso chegou ao ponto dela dormir no quarto deles hoje? — Conrad perguntou, as veias do pescoço saltadas.

​— Ontem teve uma festa de encerramento do semestre — explicou Ariel. — Michael bebeu mais do que devia. A Chloe o levou de volta para o dormitório porque você estava aqui comigo, Con. Ela planejou isso. E Michael, na sua fraqueza e covardia, deixou que ela ficasse. Ele parou de te ligar, Sarah, porque não conseguia olhar para você sem sentir o peso da traição, mas em vez de consertar, ele se afundou ainda mais na mentira.

​Sarah escondeu o rosto no peito de Conrad, sentindo cada palavra de Ariel como uma facada.

​— Eu achei que ele fosse diferente — Sarah murmurou, a voz quase inaudível. — Eu achei que o nosso verão fosse sagrado.

​— E era — disse Conrad, beijando o topo da cabeça da irmã, enquanto olhava para a porta como se esperasse Michael aparecer para que pudesse acertar as contas. — O problema não foi o verão, Sarah. O problema foi o Michael. Ele não foi homem o suficiente para sustentar o que prometeu.

​O silêncio caiu sobre o apartamento, quebrado apenas pelos soluços baixos de Sarah. Naquela tarde, o trio que partiu do aeroporto com tantos sonhos estava oficialmente quebrado, e a garota que amava Michael Styles tinha acabado de ser substituída pela sombra da traição.