O Reflexo do Verão
3 O Acampamento e a Barraca Dividida
O sol começava a baixar, pintando o céu de laranja, enquanto o grupo terminava o almoço. A atmosfera era de despedida, e Conrad, sempre o mestre dos planos, bateu as mãos na mesa, chamando a atenção de todos.
— Já que é nosso último mês de liberdade, tive uma ideia — anunciou Conrad, passando o braço pelos ombros de Ariel. — Amanhã vamos acampar no Vale das Sombras. Só nós três: eu, Ariel e o Mike. Barracas, fogueira e nada de civilização.
Sarah, que até então estava em silêncio observando Michael, endireitou a postura imediatamente.
— Eu também quero ir — disparou ela, antes que pudesse se conter.
Conrad arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Você, Sarah? No meio do mato, com mosquito e dormindo no chão?
— Eu aguento — ela retrucou, desafiadora, lançando um olhar rápido para Michael. — E eu também estou de férias. Mereço uma aventura antes de vocês sumirem na faculdade.
Conrad olhou para Ariel, que deu de ombros com um sorriso cúmplice, e depois para Michael, que parecia ter ficado subitamente interessado em uma formiga no chão.
— Quer saber? É uma ótima ideia — Conrad riu, com um brilho malicioso nos olhos. — Assim o Mike não fica sobrando sozinho na barraca dele enquanto eu e a Ariel... bem, enquanto a gente aproveita o nosso tempo de casal.
Ariel soltou uma risadinha e deu um beijo estalado na bochecha de Conrad, enquanto ele piscava para o melhor amigo.
— Conrad! — Mônica e Zayra exclamaram em coro, em tom de repreensão.
— Menos, Conrad, bem menos — Ricardo Santiago completou, pigarreando, enquanto Marcus Styles escondia um sorriso atrás da taça de vinho. — Respeite a sua irmã e os seus pais na mesa.
— Qual é, pai! Só estou sendo prático — defendeu-se Conrad, rindo da situação. — Sarah fica na barraca com o Michael e todo mundo sai ganhando.
Michael sentiu o sangue subir para o rosto. A ideia de dividir o espaço confinado de uma barraca com a nova versão de Sarah Santiago era, ao mesmo tempo, o seu maior desejo e o seu pior pesadelo.
— Por mim, tudo bem — Michael disse, tentando manter a voz o mais casual possível, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. — Se a "pirralha" não tiver medo de escuro.
Sarah sorriu, um sorriso que não tinha nada de infantil.
— Pode deixar, Michael. Eu não tenho medo de nada que possa me encontrar naquela floresta.
O desafio estava lançado. Enquanto os pais continuavam a dar sermões sobre comportamento e limites, Michael e Sarah selaram um acordo silencioso. O acampamento, que deveria ser uma despedida entre amigos, acabava de se tornar o cenário perfeito para o perigo que Michael tanto tentava evitar.
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