O Reflexo do Verão

37 ​O Epílogo: Novas Raízes no Vale


O sol se punha mais uma vez sobre a casa de praia em Hamilton, mas desta vez o cenário não era de despedida ou reconciliação, mas de uma promessa vibrante de futuro. Um ano havia se passado desde o casamento, e o quarteto estava reunido para um jantar de celebração. Sarah e Michael haviam acabado de voltar de uma temporada em Milão, enquanto Conrad e Ariel desfrutavam de uma rara folga dos hospitais e das quadras.


​A mesa estava farta, e o clima era de uma leveza absoluta. Conrad contava sobre uma enterrada fenomenal que Michael havia feito no último jogo beneficente, enquanto Michael apenas ria, servindo o vinho para todos — exceto para Sarah, que segurava apenas uma taça de água.

​— "Você está muito silenciosa, Sarah," — observou Ariel, estreitando os olhos de médica. — "E desde quando você recusa um Chardonnay da Toscana no nosso jantar de reencontro?"

​Sarah olhou para Michael, e um sorriso cúmplice iluminou o rosto dos dois. Ela respirou fundo e colocou uma pequena caixa sobre a mesa, empurrando-a na direção de Conrad e Ariel.

​— "Na verdade," — começou Sarah, a voz suave mas carregada de emoção, — "eu achei que o quarteto estava precisando de um novo integrante para as aventuras na praia. Michael e eu... bem, vamos precisar de um par de sapatos bem pequenos em sete meses."

​Houve um segundo de silêncio absoluto antes de Conrad soltar um grito que provavelmente foi ouvido em toda a vizinhança.

​— "EU VOU SER TIO?" — Conrad levantou-se, abraçando Michael com tanta força que quase o derrubou da cadeira. — "Um pequeno Styles! Michael, se ele não souber segurar uma bola de basquete aos dois anos, eu vou ficar muito decepcionado!"

​Ariel, no entanto, não gritou. Ela ficou paralisada, olhando para Sarah com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso incrédulo.

​— "Isso é sério?" — Ariel perguntou, a voz trêmula.

​— "Completamente sério, Dra. Styles," — respondeu Michael, rindo.

​Ariel soltou uma risada que logo se transformou em um choro de felicidade. Ela olhou para Conrad e depois voltou para Sarah.

​— "Isso é... inacreditável. Sarah, eu também tenho algo para contar." — Ariel abriu a bolsa e tirou um envelope de ultrassom, colocando-o ao lado da caixa de Sarah. — "Eu estava esperando o momento certo para dizer ao Conrad, mas acho que não existe momento mais perfeito. Eu estou grávida de quatro meses!"

​Desta vez, foi Sarah quem gritou. A cozinha explodiu em uma celebração caótica. Os quatro se abraçaram em um círculo, exatamente como faziam quando eram crianças, mas agora com o peso e a beleza da vida adulta.

​Diálogos de Pura Felicidade

​— "Espera um pouco," — Conrad disse, tentando processar a informação enquanto limpava o rosto. — "Nossos filhos vão crescer juntos? Aqui? No mesmo vale onde a gente aprontava tudo?"

​— "Eles vão correr nessa praia com as aranhas de borracha da Sarah," — Michael brincou, puxando Sarah para perto de si. — "E eu prometo que vou estar lá para cuidar de todas as crises, de todos os choros e de todas as primeiras enterradas."

​— "Eu já consigo ver," — comentou Ariel, abraçando a própria barriga. — "A gente sentada na varanda, vendo eles correrem, enquanto o Conrad e o Michael discutem quem é o melhor técnico."

​— "Eu vou ser a tia legal que leva eles para Paris," — Sarah afirmou, rindo. — "Mas, acima de tudo, eles vão ter o que a gente sempre teve: um porto seguro."

​O Brinde Final

​Michael levantou sua taça, e os outros o seguiram.

​— "Aos nossos pais, Ricardo e Mônica, que nos ensinaram o valor da família," — iniciou Michael. — "E às novas vidas que estão chegando para ocupar esta casa com risadas. O quarteto está crescendo, e o amor que a gente achou que tinha quebrado... ele apenas se multiplicou."

​— "Aos novos sobreviventes do vale!" — Conrad brindou com entusiasmo.

​— "Aos novos sobreviventes!" — todos repetiram em coro.

​A noite em Hamilton seguiu com planos para quartos de bebê, apostas sobre quem nasceria primeiro e, acima de tudo, a certeza de que a dor do passado era agora apenas uma sombra distante diante da luz que brilhava naquela mesa. O ciclo havia se completado. Eles haviam sobrevivido à tempestade, e agora, colhiam as flores de um jardim que nunca deixou de ser regado pelo amor.

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