O Reflexo Que O Espelho Tem...
13 Sentimentos Angustiantes
Notas iniciais
Desde que Celi acabara de explicar tudo que ninguém se atrevia a mexer. As respirações pareciam pesadas de tantos sentimentos confusos e negativos e os olhares inquietos das duplas pareciam querer encontrar nem que fosse uma simples fagulha de compreensão por parte dos garotos.
– Bom… — o sensei de cabelos rosados sussurra inquieto e aproxima-se do seu duplo para o começar a empurrar em direção à porta – Penso que seja melhor deixar-vos a sós.
O outro Ringo pareceu querer contestar a ideia devido à preocupação que sentia em relação à reação dos Starish para com as suas “imouto-chans”, mas a única coisa que conseguiu foi um olhar afiado vindo do rosado que ainda o empurrava.
Com a saída dos dois adultos, depois do barulho exagerado da porta a fechar-se, os garotos pareceram acordar, de alguma forma.
– Isso que contaste é mesmo verdade, Celi-chan…? – pergunta Aijima ainda abraçado à dupla pela altura dos ombros, mesmo com certa dúvida no que deveria perguntar.
– Hai… — sussurra a morena, aproveitando o abraço para esconder a face envergonhada no peito do outro.
Depois disso nem houve tempo para mais um momento de silêncio. Rapidamente todas as reflexos começaram a falar ao mesmo tempo, tentando desesperadamente fazer com que o peso na alma da princesa se desvanecesse um pouco mais.
– A culpa não foi tua Celi-chan! / — É óbvio que quem deveria sentir-se culpado seria o Bakaruko! / — Isto é muito estranho! Vamos falar de outra coisa! / — Se a Celi chora é hoje que aquele bicho engole os dentes! / — Deixa de ser violenta, Oyu-chan! / — Nhé!
Então, por entre as vozes confusas das garotas, ouve-se uma risada forte. As frases soltas travam gradualmente e todos os outros membros do Starish direcionam o seu olhar para o ruivo alto de olhos cristalinos.
– Está óbvio aqui que alguém tem culpa disto – anuncia Ren enquanto se aproxima de Rin para lhe passar um dos braços fortes por cima dos ombros pequenos que demonstravam toda a confusão do momento.
Nesse instante Celi parece encolher-se ainda mais dentro do abraço do seu duplo, ainda que estivesse com toda a atenção possível nas palavras do ruivo.
– É o dever de um cavalheiro ser gentil – continua Ren – As ovelhinhas apenas se apaixonaram pela pessoa errada. Está claro que a culpa de tamanha confusão não é delas – desta vez ele desce o olhar para a sua dupla que o encarava com expectativa.
Jinguji Ren estava a conseguir subir vários pontos na consideração da pequena Rin, mas é então que, num momento de fascínio, a jovem de cabelos alaranjados nem percebe quando o mais alto lhe deposita um beijo simples no topo da cabeça. A única reação de Rin é espalmar o saxofone contra a cara do Jinguji enquanto ela parecia extremamente desconcertada com o ato de carinho e compreensão.
– Obrigada! Estava com saudades dele! – exclama divertido, enquanto retira o instrumento musical das mãos da dupla sem receber resistência. – Mas, o que eu queria dizer com isto é que, Celi, — nesse momento a morena franze as sobrancelhas com medo de ser criticada – aqui o único culpado foi Nanami Haruko, apenas por não ter tido a coragem necessária para se declarar – afirma sério. – Talvez o próprio Haruko não fosse assim tão apaixonado quanto isso!
A última frase parece surpreender todos. Jinguji Ren não costumava tomar o papel do filosófico e conselheiro.
– Como assim, Jinguji? – pergunta Masato, sério.
– Ora! Então se eles foram amigos por tanto tempo… e se ele se dizia assim tão apaixonado a ponto de odiar a Celi depois… não seria lógico que ele explodisse de sentimentos? – pergunta o ruivo com uma expressão que indica o quanto aquilo lhe parecia simples.
Ao perceber as caras confusas decide terminar o assunto de uma vez por todas.
– Para mim existe algo a mais nessa história! Ninguém iria aguentar tanto tempo sem se declarar ou, pelo menos, demonstrar algo. Não acredito que a Celi seja assim tão ingénua.
Ao ouvir aquilo, a morena de olhos esmeralda direciona um olhar faíscantante ao ruivo.
– Ok, entendi: adjetivo errado! – concorda com um gargalhada. – Ah! Tenho fome! Ainda nem tomei o pequeno-almoço e já aconteceu tanta coisa! – exclama agora de forma preguiçosa e enquanto caminha para fora da sala – Será que a Haru-chan preparou algo doce…!
O ruivo acaba por desaparecer no corredor em direção à cozinha do Master Couse. Mais ninguém se atreve a falar, muito menos a discordar de um das poucas coisas sábias que o Jinguji fora capaz de dizer. Rin também já não se via: assim que o duplo saiu, ela segui-lhe os passos, como se ainda estivesse curiosa pela reação do rapaz.
– Só espero que o Bakaruko não tenha envenenado a comida…! – resmunga Shizuka ao sentir um cheiro bom no ar, parecendo determinada a averiguar tal ideia.
Quando a pequena estava prestes a sair também (sendo que mais ninguém parecia decidido a tal) é parada por alguém que lhe segura o braço. Syo estava agora lado a lado com a sua dupla, mas ambos estavam virados para direções diferentes, fazendo com que a loira não conseguisse identificar a expressão do Kurusu.
– Shizuka… — o loiro chama-a de forma calma, mas sem nenhuma outra emoção.
Se lhe perguntassem naquele momento, Shizuka diria que estava a tremer de medo de ser odiada pelo seu duplo. Bem lá no fundo ela sabia que não tinha feito nada de errado nesta história toda (a não ser apaixonar-se por um idiota, é claro), mas isso não impedia o medo de ser tachada como uma criançona oferecida, caso Syo assim decidisse.
– S-Syo…chan – murmura, com uma expressão preocupada.
Quando o loiro finalmente a olha nos olhos… Shizuka pode finalmente suspirar aliviada.
– Que raio de chute foi aquele, baixinha?! – reclamou o Kurusu, aproveitando para bagunçar os cabelos loiros da reflexo. – Ele chamava-te “coelhinha loira”! Devias antes ter-lhe acertado uma joelhada!
A pequena não conseguiu evitar rir perante a cara séria do duplo. Era muito hilário receber aquele tipo de sermão depois de quase ter um ataque de pânico ali mesmo. Mas, acima de tudo, Shizuka Kurusu estava aliviada.
– Isso tudo é ciúmes…? – perguntou brincalhona, acabando por imitar uma das famosas frase de Haruko.
– Talvez, mas sinceramente acho que Bunny-chan é mais adequado para ti. Pelo menos a Natsumi tem bom gosto para nomes!
– Espero que não voltes a chamar a Shizuka assim, Kurusu!
Ao ouvir aquele rosnado bem perto, o loiro só tem tempo de pegar na sua dupla ao colo como se fossem recém-casados e de fugir dali rapidamente: Natsumi estava de volta à ativa e prestes a estrangular alguém. Fujam todos!
– Natsumi-chan, por favor acalma-te… — choraminga Natsuki acabando por também começar a correr atrás daqueles três que faziam uma confusão por onde passavam.
Na sala ficaram ainda quatro casais, todos com uma grande gota na cabeça depois das últimas reações.
– Eles não são normais… — murmura Oyuki, acabando por, sem perceber, copiar Tokiya na frase em simultâneo.
Os dois entre olham-se como se soltassem faíscas dos olhos. No ponto de vista de ambos o outro é que era o culpado por tal ato constrangedor. Mas estavam tão concentrados em matar um ao outro com olhar que Oyuki só se apercebeu da expressão pensativa do seu duplo quando ouviu um “doce de morango…?” sair dos lábios do ruivo.
– Não acredito que só fixaste isso naquela história toda! – reclama a ruiva indignada.
– O quê? “Doce de morango”? – pergunta Otoya, parecendo acordar dos seus pensamentos, sem entender muito bem a que é que a sua dupla se estava a referir.
Sem se conseguir controlar, a reflexo ruiva acaba por corar ao ser chamada daquela forma e, para além disso, pelo seu duplo que, segundo ela, fazia uma cara confusa demasiado fofa para que ela se conseguisse irritar.
– Arg! Isso é constrangedor, Otoya! – resmunga cruzando os braços, sem conseguir disfarçar as bochechas coradas.
Então Ittoki ergue o dedo indicador até ao próprio queixo, voltando a ficar pensativo. A garota apenas o encarava com a expressão cada vez mais carregada de constrangimento e apreensão.
– Moranguinho!
– Isso é demasiado infantil, Otoya!
– Então… Hime!
Oyuki foca a sua atenção total no duplo sem entender o porquê da alcunha repentina.
– Hime…?
– Hai! – exclama o outro, animado – Oyuki significa “rainha das neves” então acho que Hime é adquado!
Só então Otoya percebe a expressão carregada de constrangimento da sua reflexo. Oyuki permanecia de braços cruzados, com a franja ruiva a cobrir os seus olhos inquietos de maneira quase sombria. Estaria ela zangada?
E sou só eu que acho que eles inverteram os papéis muito rapidamente?!
– Baka… — murmura a garota, completamente corada e sem o conseguir evitar, caminhando para sair da sala.
– Espera! Oyu-chan!
Por mais que o ruivo a chamasse, Oyuki não parecia ouvi-lo. Ou não queria mesmo ouvi-lo.
– Hime~… — acaba por soltar, mais como uma lamúria.
Então, de repente, a sua “Hime” parece responder ao chamado já que trava como se estivesse a aguardar que o seu duplo a alcançasse. Ittoki parece ficar feliz com tal ato, pois trata de alcançar a sua hime rapidamente para começar a arrastá-la em direção ao doce aroma de pequeno-almoço.
Quase em simultâneo a estes pequenos acontecimentos, tanto Tokiya como Masato olhavam para as duplas de cabelos azulados com expressões chateadas e indignadas. Segundo Tokiya, ele estava confuso com o porquê de Toya se manter quieta quando já sabia que o rosado andava a ser infiel e, aliás, o mesmo acontecia com todas as amigas da sua reflexo. O Hijirikawa, por outro lado, parecia não conseguir atribuir um lao de “boba-cega-e-apaixonada” a Masami.
– Isto ficou totalmente desequilibrado… — murmura Masato, com um suspiro cansado e quase conformado com as confusões daquele dia.
Estava o azulado prestes a sair também quando sentiu o seu braço direito a ser envolvido de uma maneira que, pelo menos para ele, lhe parecia demasiado vergonhosa.
– Desde quando é que dei autorização para me agarrares…? – murmura tentando parecer indiferente e contrariado, embora estivesse claro o tom rosado na sua face.
– Masa-chan… — a sua dupla descai o lábio levemente, num beicinho tristonho – Não precisas de ter ciúmes daquele traste…
Os dois continuavam pelo corredor vazio mas mantinham o tom de conversa em nada mais que sussurros e murmúrios.
– E porque é que eu ficaria com ciúmes, Masami-san…? – retruca, cada vez mais corado, mas sempre sério.
No momento em que a garota solta uma risada leve, Masato não consegue evitar olhá-la para perceber o que é que era tão engraçado assim. Aquilo é um assunto sério! Mas então ele é surpreendido por um beijo leve na bochecha e aí já não havia maneira de disfarçar o vermelho na sua face.
– Se queres mesmo saber, Masa-chan… — comenta Masami, num tom entre o divertido e o malicioso – Tu já estiveste muito mais perto do que o Bakaruko…
E a conversa terminou por aí, uma vez que Hijirikawa Masato se encontrava demasiado submerso em pensamentos quase orgulhosos e lembranças da manhã do quase beijo (que fora, de um modo bem chato, interrompido pelo Ittoki).
No grande salão de ensaios permaneciam ainda dois casais.
Os Aijima conversavam baixinho enquanto Celi desabafava o quanto se sentia mais segura e tão feliz por ser apoiada. O príncipe, por sua vez, parecia encantado por vez finalmente um sorriso no rosto da sua dupla depois de tanta tensão no ar.
– Fico feliz que tenha ficado tudo bem… — confessa a morena em meio a um suspiro.
É então que a atenção do Aijima é puxada para o casal atrás de Celi. Toya permanecia parada, confusa e com uma expressão angustiada… enquanto via Tokiya sair da sala sem lhe dirigir uma única palavra…
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