Pego minhas coisas, sei que nunca mais voltarei, para que? eu não tinha mais razão nenhuma para voltar, saio pela cidade, meu dinheiro era pouco, apenas o que tinha economizado e a moeda estranha que eu carregava no meu colar desde criança. De pertences pessoais só algumas roupas e meu espelho, não poderia deixar ele para trás, algo me prendia a aquele objeto, sempre que pensava ter perdido ele reaparecia, como, nunca entendi.
Por nenhum instante olho para trás. Apenas examino por onde ando, tentando encontrar o hotel mais barato em que pudesse passar a noite, tinha combinado de ligar para ela quando me acomodasse, tinha prometido que não a esqueceria. E por nenhum momento o faria, andando pelas ruas mais imundas da cidade achei um hotel com um quarto disponível, entro no quarto, e mando uma mensagem; Pronto! Sabia que não precisava falar mais nada, ela iria me encontrar, ela sempre me encontrava, de algum modo.
Olhando ao redor de meu quarto vejo uma portinha que dava acesso a um banheiro, imundo, é claro. A água do chuveiro parecia ser mais fria do que a neve, mas me atrevi a tomar um banho, eu precisava de um depois do dia que tive, de algum modo quando estava limpa e com boa aparência, meu humor melhorava, e tudo o que eu mais precisava era uma mudança de humor. Não ajudou muito, nada me ajudaria, só conseguia me lembrar daquele sonho; Tudo ficaria bem ela disse, e repetia, tudo ficaria bem. Coloquei a roupa mais surrada que tinha e cai em cima da cama, nada parecia importar, peguei meu espelho para ver quanto estava acabada. Mas assim que o pego tenho vontade de gritar e largar ele no chão, mas não faria isso.
A mulher sorriu, provavelmente a mais linda mulher que já vi em minha vida, so sorria, e ai sim eu gritei.
- É assim que me trata? — A mulher falou como se tivesse a ofendido de todas as formas possíveis — Passa a vida toda procurando por respostas. Agora se acalme e as ouça!
Assustada como nunca viro para trás para olhar para a mulher, mas ela não estava lá, ela estava falando comigo de dentro do espelho.
- Sempre quis respostas, só nunca pensei em ouvi-las de uma mulher dentro de um espelho — A expressão do mulher se tornou ainda mais rígida, mas ao perceber que não estava de jeito algum querendo ofende-la, a sua expressão suavizou e ela me lançou um olhar de simpatia.
- Realmente não me apresentei, sou Afrodite.
- Como a deusa grega?
- Sim, como sua mãe.
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