O Reerguer Das Trevas
2 POV Sofia
Notas iniciais
Levantei-me e voltei a espreguiçar-me, tentando acordar de vez. Pela janela dava para ver o céu, completamente nublado, não dando para perceber que horas eram. Quem não soubesse, não conseguiria distinguir se era Verão ou Inverno. Abri a janela, á espera duma brisa fresca para me despertar, mas o ar estava mais do que abafado.
Espreitei para o beliche de cima. Estava vazio. Desci as escadas e espreitei para a sala de estar. O meu irmão jogava Wii, como seria de esperar, e a minha irmã estava entretida no meu portátil. Não eram eles quem eu procurava. Cumprimentei-os, e continuei a minha busca. O ruído de loiça chegou-me do meu lado direito. Segui-o e encontrei quem eu procurava.
– Bom dia, dorminhoca! Finalmente acordou!-exclamou a Rita, a minha melhor amiga. Ela tinha vindo passar alguns dias comigo, e, nesse mesmo dia, ela levar-me-ia de férias com a sua irmã e a sua avó.
– Preguiçosa? Eu? Tu é que és demasiado madrugadora...-resmunguei, alto o suficiente para a Rita ouvir.
Rita sorriu e eu deitei-lhe a língua de fora. Passa-me a faca do pão, por favor-pedi. Ela passou-ma e eu preparei o meu pequeno-almoço. Sentei-me ao lado da Rita e liguei a Fox.
– Então, que fazemos logo à tarde?-perguntei.
– Podíamos ir à piscina municipal. De certeza que está por lá alguém conhecido-sugeriu Rita
– Ou alguém que o possa passar a ser. – disse, com um sorriso malicioso.
– Então está combinado. Ainda queres ir à tua piscina antes do almoço?
– Bora-disse, engolindo apressadamente o resto do meu pequeno-almoço. Pusemo-nos prontas enquanto o diabo esfrega o olho e deitamo-nos a apanhar Sol enquanto fazíamos a digestão.
Passamos a manhã toda na piscina, entre competições e guerras de água e, á tarde, por volta das 15:30, fomos para a piscina municipal.
Encontramos algumas amigas nossas e ficamos a conversar com elas.
– Ai, estou cheia de calor!-exclamou a Ana, uma das nossas amigas.
– Bora á piscina?-sugeriu a Rita. Todas concordamos e saltamos juntas para a piscina. Fizemos algumas corridas (todas ganhas pela Rita), uma guerra de água e um concurso de saltos.
No fim da tarde já só lá estávamos eu e a Rita e um grupo de amigos, constituído por 2 rapazes e 2 raparigas, uma loira e outra com o cabelo castanho e uma tiara. De repente, vindos do nada, apareceram três humanóides com um só olho, ciclopes da mitologia grega. Os dois rapazes tiraram logo umas espadas de Deus-sabe-onde, a rapariga com a tiara desencantou um arco do nada e a loira pôs um boné dos Yankees e desapareceu.
Belisquei-me, para ter a certeza de que não estava a sonhar, e chamei a Rita, tocando-lhe no ombro.
– Estás a ver o mesmo que eu?
– Acho... acho que sim. Aquilo são ciclopes.
Acenei afirmativamente com a cabeça e fiquei a observar a batalha que se passava á nossa frente. em menos tempo do que levaria a ser descrita, a luta acabou com todas as criaturas não-humanas reduzidas a pó, literalmente. Eu e a Rita ficamos a olhar para os quatro adolescentes, e eles fizeram o mesmo. Agora mais de perto, dava para ver melhor os estranhos. O primeiro rapaz tinha o cabelo e os olhos pretos, e era mais novo que os outros 2 anos, tendo provavelmente 14 ou 15 anos, e trazia uma espada preta como tudo; o segundo rapaz tinha os olhos verde água e o cabelo escuro e desgrenhado, mais ou menos com 16 ou 17 anos, trazia uma espada com um leve brilho azul que fazia lembrar o mar; a rapariga da tiara e dos cabelos negros tinha os olhos dum azul eléctrico e tinha um estilo meio punk; a rapariga loira era muita bonita, com os olhos cinzentos e inquisidores, parecia ser muito esperta, o género de pessoa que não queremos como inimiga, e trazia uma faca dum material que parecia ser algum tipo de bronze.
Quando eu ia a abrir a boca, a Rita gritou ao meu ouvido. Pressionando o meu ouvido (acho que ela me rebentou um tímpano), virei-me para onde ela deveria estar.
– Mas que... RITA! — gritei eu, vendo que a Rita fora levada por uma espécie de mulher muito feia com asas de morcego e garras de águia. Ela tentava debater-se mas o único resultado obtido até agora tinha sido alguns arranhões nela mesma e um corte um bocado para o feio no seu braço esquerdo, muito perto do ombro.
– Façam alguma coisa!-gritei para os desconhecidos, virando para eles. A rapariga da tiara já tinha uma seta no arco e a loira estava a falar com o de olhos verdes água.
– Eu atiro e tu apanha-la, está bem Percy?-disse a rapariga da tiara. O rapaz dos olhos verde-água, aparentemente chamado Percy, acenou com a cabeça e aproximou-se da piscina. A rapariga da tiara largou a corda do arco e a flecha acertou numa das asas da Fúria. Logo outras duas flechas lhe seguiram, uma na outra asa e a outra no peito. A Fúria virou pó e a Rita, completamente coberta de pó de monstro, começou a cair a uma grande velocidade, não tencionando desacelerar se não quando batesse no fundo da piscina. Quando eu já temia o pior, uma mão de água elevou-se da piscina e pousou Rita gentilmente na parte funda. Ela nadou até à beira da piscina e eu aproximei-me dela.
Olhei para ela, à procura de qualquer ferimento, mas ela não tinha nenhuma marca. Onde eu vira o feio corte já não estava nada, nem sequer uma cicatriz. A rapariga loira, a que estava mais perto de mim, também pareceu reparar nisso, mas não lhe liguei.
– Estás bem?-perguntei.
– Estou ótima. Estava capaz de correr a maratona, mas preferia ter algumas respostas antes. — gracejou. Sorri e, quando ia ajuda-la a sair da piscina a rapariga loira falou:
– Esperem! Fica mais um bocado na água por favor, quero provar uma teoria... Cabeça de Algas entra na água — ela pediu ao rapaz de olhos verdes-água que eu julgava chamar-se Percy. Eu e a Rita entreolhamo-nos e eu encolhi os ombros. O tal Percy entrou na água como a loira pediu e a sua boca abriu-se num perfeito 'O'.
– Obrigada, também gosto do teu nome-disse a Rita do nada. Todos a olhamos inquisidoramente, exceto a loira.
– Tu leste-me o pensamento, foste atacada por um monstro, já não estás ferida e estás com muita energia, certo?-a Rita acenou afirmativamente, confirmando as afirmações de Percy. Este olhou para a loira que acenou afirmativamente e disse:
– Elas têm de vir connosco.
– As duas? — perguntou a da tiara.- Nós não temos prova alguma de que sejam ambas mestiças.
A loira virou-se para mim e perguntou.
– Tu viste tudo o que se passou claramente?
– Se por tudo queres dizer vocês lutarem com três ciclopes com armas desencantadas de Deus-Sabe-Onde, e depois a minha amiga ter sido raptada por uma Fúria que virou pó e uma mão feita de água a ter salvo de ir desta para melhor e, a dado momento tu teres estado invisível, então sim, eu vi tudo mais do que claramente.
– Então está decidido, partimos amanhã. E não se preocupem, nós falamos com os vossos pais. Encontramo-nos no Empire State Building, amanhã às 10.-disse a rapariga loira e virou-se para se ir embora. Os outros ia começar a segui-la mas eu chamei.
– Espera! Não nos vão explicar nada, dizer ao menos o vosso nome?-perguntei.
– Eu sou a Annabeth-disse a loira-esta é a Thalia-apontou para a raparia com a tiara- o meu namorado, Percy-apontou para o de olhos verdes-água-e este é o Nico- ela apontou para o rapaz mais novo, que não abrira a boca nem uma vez. — explicamos o resto amanhã. — e foram-se embora.
Fui buscar as nossas coisas enquanto a Rita saía da piscina. Ia passar-lhe a toalha mas ela abanou a cabeça.
– Não preciso. Estou seca.
Ontem, ou até hoje de manhã, isso ter-me-ia espantado mas, tendo em conta tudo o que acontecera na última meia hora, ela ter saído da piscina seca não era grande espanto.
O resto do dia passou a correr, e só tocamos no assunto à noite, quando já estávamos na cama, com uma mochila para cada uma de nós aos pés do beliche, já preparada para amanhã.
No dia seguinte pegamos nas mochilas e nas nossas motos e fomos para a piscina municipal. Estava lá um carro vermelho de uma marca que me é desconhecida. Não sou perita em carros nem nada do género, mas não me recordo de nenhuma marca cujo símbolo fosse um 'H'.
Todos estavam junto ao carro e pareciam discutir alguma coisa.
– Contamos no teu apartamento, durante a viagem ou só no acampamento?-perguntou o Percy.
– Hum... desculpem-interrompi, batendo ao de leve no vidro do carro-estamos aqui. á nos podem dizer onde e porque é que temos que ir convosco?
– Claro — respondeu o Percy. — Entrem.
– Então e as nossas motos?-perguntamos.
– Podem deixá-las na garagem do meu apartamento-ofereceu a Annabeth. — Sigam-nos.
Assim o fizemos. Seguimo-los até a uma arranha-céus novo e de aspeto moderno. Deixamos as motas no lugar respetivo ao apartamento da Annabeth e entramos no carro. Notei que o Nico não estava lá.
– Onde está o Nico? — perguntei.
– Ele foi durante a noite.
Após isso instalou-se um silêncio desconfortável.
– Bom...-disse Percy, tentando quebrar o gelo-por onde começar...
– Vocês sabem alguma coisa de mitologia grega ou romana?-perguntou a Thalia. Ambas acenámos afirmativamente-então, todas as lendas são reais. Os deuses estão vivos e ativos.
– Vocês sabem a origem dos mestiços ou semi-deuses, como preferirem?-perguntou a Annabeth.
– Claro. Era quando um deus ou deusa tinha um filho com um humano ou humana. Alguns dos mestiços mais famosos são, por exemplo, Perseus, da mitologia grega, ou Rómulo e Remo, da mitologia romana. — disse.
– Mas espera — disse a Rita — isso quer dizer que ainda existem mestiços ou heróis?
– Sim-responderam
– E monstros também, assumo-disse. Todos à minha frente acenaram.
– Como é que ninguém os vê, ou às lutas?-perguntou a Rita.
– Porque existe uma coisa chamada Névoa, que impede os mortais de ver todo o mundo mitológico.
– E porque é que nos estão a contar isto?
– Porque, a única razão para um monstro atacar alguém é se esse alguém cheirar a semi-deus...
– Ou seja, vocês acham que nós somos mestiças.
Todos acenaram e Percy acrescentou:
– Achamos ainda que sabemos quem é o pai da Rita, mas, para ter a certeza tens de ser reclamada. Normalmente acontece aos 13 anos, mas nunca se sabe.
A viagem foi rápida e eles passaram-na a explicar-nos tudo o que havia para saber sobre semi-deuses e afins, apesar de evitarem o assunto dos monstros. Contaram também sobre a guerra contra Cronos, a profecia do filho dos três grandes, como no fim o herói não fora realmente Percy mas sim Luke(ele amuou um bocado aqui)... Falaram também dos poderes que alguns mestiços tinham. Percebi que Nico podia viajar pelas sombras e que fora assim que ele fora para o acampamento.
Chegamos ao fim de mais ou menos duas horas de viagem aquilo que parecia ser uma simples colina com relva e um grande pinheiro no topo com... um dragão e um tosão de ouro? Depois desta primeira coisa estranha, elas não paravam. No topo da colina, a entrada para o acampamento dava-se por uma espécie de abertura do estilo grego. Se até aqui eu ainda não estava espantada, a minha boca caiu de espanto quando vi a cena que se me deparava. Quando se passava o pórtico e uma barreira mágica que provava que nós éramos mesmo mestiças (senão não passávamos), deparávamo-nos com uma verdadeira paisagem trazida da Grécia antiga.
– Bem-vindas ao acampamento!
Notas finais
Comentem!
Fale com o autor