O Reencontro.
1 Aconteceu uma coisa muito chata.
Notas iniciais
Olá pessoal!! Estou voltando com um trabalho novo, também original pq é a minha "pegada", pra quem já conhece meu trabalho, sabe do que estou falando.
Espero que vocês curtam a história como eu estou curtindo.
Beijos e até o final do cap.
LIBRIANA
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É domingo de páscoa!
Pensei em lhe fazer uma surpresa. Ela odeia surpresas, eu sei, eu sei... Mas e se essa surpresa incluísse chocolate, um ursinho de pelúcia e eu? Será que ela ainda sim odiaria? Eu prefiro acreditar que não. A saudade é algo que arde no peito e cada segundo sem vê-la é como uma adaga cortando pouco-a-pouco minha alma. Ontem brigamos feio e já faz horas que ela não visualiza as mensagens que deixei em seu celular avisando que estou indo vê-la. Acho que deve ser o orgulho impedindo-a de falar comigo... Ela é uma daquelas definições perfeitas de agridoce, onde dentro de si existem varias personalidades, as vezes doce, as vezes ogra, as vezes flor, as vezes espinho, é difícil saber com qual humor ela estará pronta para me receber. Ela é como um furacão devastador, tempestade torrencial, mas também sabe ser brisa de outono e chuva de verão. Mas como seria diferente se estamos falando de uma geminiana? Ela é dona de mil faces e personalidades. Dentro de si mora um universo inteiro. Ela não sabe ser clara e um quebra-cabeça sempre será sua melhor definição. E o mais irônico de tudo é que eu gosto disso. Enquanto admiro a paisagem passando pela janela do ônibus, desenho em minha cabeça suas possíveis reações. Luce nunca fez a linha previsível e mesmo que eu tente, nunca vou conseguir prever suas ações. Será que ela ficará tão feliz em me ver quanto eu estou com a possível ideia de abraça-la? Aperto ainda mais forte em meus braços o ursinho de pelúcia que levo comigo e fecho os olhos com um largo sorriso, não vejo a hora de vê-la. Ela é minha profunda incógnita.
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LEONINA
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Acordo exatamente as 4h da manhã, na cama de alguém, a qual eu não lembrava o nome. Levanto devagar, ainda zonza depois de tanta tequila. Procuro minhas roupas, e tentando não fazer barulho, visto minha calcinha, e meu sutiã. — Agora onde será que eu joguei minha calça? — estava ainda escuro e o sol ainda nascia preguiçoso lá do alto.
Procurei meu celular e ascendi o brilho da tela. — Achei. — Tento enfiar uma perna, e quase caí na tentativa. Agora só faltava mais uma. — Não deveria ser tão difícil como a primeira. — Enquanto tento me equilibrar e colocar a outra perna, eu caio. Não seria eu se não caísse. Mas acabei a acordando...
— Já está acordada? — Ela disse sonolenta.
— Sim, já são 4h, preciso ir. — Disse um tanto seca. Eu não sabia ser diferente. Eu tinha criado regras, algo para não me apegar. "Nunca ficarás para o café da manhã." Esse era o meu primeiro mandamento.
— Eu não vou te deixar ir. E ainda não tem ônibus. Qual o problema de você ficar mais um pouco? — Ela fazia cara de "manhosa" com um olhar de suplicas que me tentava de uma forma inevitável. Mesmo assim me mantive firme.
— Não dá, preciso ir. Já que não estamos mais transando ou bebendo, não tem o porquê de eu ficar. — Meu coração estava fechado, e falar aquelas coisas não me davam nenhum peso na consciência. Mas antes de tudo eu alertava, odiaria ter alguém desavisada no dia seguinte me cobrando qualquer coisa que seja.
— Então, se para ficar você precisa de sexo ou de bebidas... — Ela levanta enrolada no lençol. — Então, vamos continuar que a noite ainda não acabou. — Ela solta o lençol, o qual desce desenhando suas curvas. Ela era mesmo uma bela mulher. — Vem cá. — Me puxa pelo cinto e me beija...
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LIBRIANA
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É incrível como a lembrança da minha geminiana ainda toma minha memoria de forma pertinente e vivida. Não há um só dia, desde que a conheci, que eu não acorde e durma pensando no quão linda ela é. E quando digo l-i-n-d-a não consigo falar de uma parte isolada, é o conjunto... É a forma como ela aperta os olhos quando sorri, ou a maneira que seu cabelo escuro contrasta com seu rosto enquanto a água do chuveiro cai sobre seu corpo despido. É a maneira que ela tem de transformar simples palavras em sons que você ouviria diariamente, só pela maneira gostosa que ela tem de pronunciar os sons. É impossível dizer o que ela tem de mais lindo, pois aquela geminiana até descabelada é uma obra de arte. E o melhor de tudo isso? É a minha. Só minha! Uma vez minha amiga me perguntou o que eu havia visto na Luh, e bom, eu apenas sorri... Não se trata do que eu vi nela, se trata de como a vi. E eu a vi de perto, conheci sua alma e me apaixonei quando ela despiu até seus defeitos para mim. Me mostrou suas falhas e me fez entender que o amor é uma evolução. É nos transformarmos no melhor que podemos ser (para alguém e para si). Não se trata de ser perfeita, se trata de evoluir e buscar ser a melhor que consegue ser. Enquanto devaneava, nem bem notei que da janela do ônibus o congestionamento de Fortaleza já se fazia presente: — é amiguinho, acho que chegamos! — falei encarando aquele coelhinho de pelúcia. Conferi o celular pela milésima vez e vi que ela realmente ainda não tinha lido as quase mil mensagens que deixei. Eu já estava ficando preocupada. O que afinal poderia ter acontecido para que ela sumisse assim? Era páscoa, e apesar de ela não saber em si sobre minha chegada em sua cidade, ela já devia ter me mandado ao menos uma mensagenzinha que fosse, são quase 13:00 horas da tarde afinal! Okay, Okay, sei que tivemos uma briga feia ontem, mas nosso amor está bem acima disso, e bom, nem foi tão seria assim, vai? Foi só um desentendimento de casal. E que casal não tem isso? Custava ela engolir essa droga de orgulho? É páscoa... Isso deveria contar alguma coisa.
Peguei o coelhinho e os chocolates e me encaminhei para fora do ônibus. Andei a passos lentos e encarei outra vez a tela do meu celular... nenhum sinal dela. Senti meu coração batendo cada vez mais pesado, um medo absurdo de que todos os meus planos para essa surpresa se convertam em frustrações tomou meus pensamentos. Liguei uma, duas, três vezes e nada. Sentei em um banco qualquer daquela rodoviária e me senti sozinha no meio de todas aqueles estranhos que me rodeavam. Todos carregando bolsas e mochilas por todos os lados e em minha bagagem só ecoava o vazio que a ausência dela deixava. E se ela não atendesse? Eu e minha mania de ser impulsiva. Eu deveria ter previsto que ela ainda estaria enchendo seu peito de orgulho e evitando-me. Por que vim afinal? Estou começando a sentir medo. Lágrimas caiam inevitavelmente de mim e eu me sentia a garota mais idiota do mundo... Era a minha primeira vez em sua cidade, e pela primeira vez entendi que um namoro a distância não é tão fácil como os filmes românticos mostram. O medo me tomando e sem saber em exato o que fazer em uma cidade desconhecida, procurei entre meus contatos de whatsApp alguém que pudesse me ajudar e foi então que no meio de todos aqueles números, vi a foto de Bianca, uma garota que conheci há muito tempo, uma ex namorada na verdade, que também morava nesta tal cidade que havia transformado-se no meu pior pesadelo. Foi então que sem pensar duas vezes digitei e enviei:
"Eu estou em fortaleza... Aconteceu uma coisa muito chata. Você pode vir me encontrar na rodoviária?"
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LEONINA
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Já eram 11h da manhã e nem vimos direito o tempo passar... Conseguimos praticamente virar a noite, dando um pequeno intervalo para o cochilo. A tia dela batia na porta.
— Monalisa? Monalisa, você não vem tomar café da ma... — Ela abre a porta e vê a gente na cama. — nhã...
— Tia isso é jeito de ir entrando? — Eu me cubro rapidamente com o lençol. Ainda bem que a gente só estava deitada, ela fumando seu cigarro mentolado e eu me concentrando para poder ser firme dessa vez é finalmente ir embora.
— Você deveria ter trancado a porta. Já que tinha, ér... "Visita". — Eu não sabia quem estava mais sem graça, se era eu ou a tia dela.
— Ér... Oi? — E na técnica infalível dos pinguins de Madagascar, eu apenas sorri e acenei.
— Tia, fecha essa porta. — A tia dela fez prontamente o que ela ordenou. Estava visivelmente constrangida.
Eu levanto da cama e vou até a porta e tranco. Agora eu procurava insanamente por minhas roupas. Ela balbuciava coisas na tentativa de me fazer ficar mais. E eu que sempre duvidei da fama sexual que faz o esteriótipo das escorpianas, descobri na pratica que na arte do sexo elas são realmente incríveis. Aquela garota era insaciável. E eu gostava disso, mas já tinha passado da hora. E conhecer qualquer parente que seja violava mais uma de minhas regras.
— Tá na hora de eu ir. — Falei enquanto me vestia. E até que me vesti rápido. Enquanto isso, ela se aninhava como uma predadora em cima da cama. Uma escorpiana como de fato é... tentando me envolver e me prender, me tragando sem antidoto com seu veneno de sedução e encanto.
— Tá cedo ainda... E eu ainda tenho fogo. — Ela sorri bem safada.
— Não, não e não... — Ela já desvia meu zíper novamente. E me olhava perversa. — Não me olha assim, você é uma diaba!
— Eu sei... E você gosta disso! Se não gostasse, não estaria aqui ainda. — Agora ela foi longe. Falou as palavras erradas.
— Posso gostar, mas odeio que insinuem coisas do tipo. — Eu subo novamente meu zíper. Ninguém além de mim assumiria o controle da situação. Eu quem estava no comando do meu barco. E não seria um par de pernas em minhas orelhas que iria mudar isso.
Ela começa a se vestir, viu que vacilou com as palavras. Estava convencida demais. E logo eu, leonina não me renderia a uma escorpiana. Sim, conversamos um pouco depois entre um gozo e outro e lembro bem de quando eu concordei sobre os dotes sexuais que espalhavam por ai sobre as escorpianas.
Saímos do quarto e a sua tia tinha preparado o nosso café da manhã, mas já era quase hora do almoço.
— Feliz Páscoa! — A tia dela nos abraça.
Eu não sabia o que fazer. Que confusão era aquela que eu havia me metido?
Estavam também a mesa seu avô, sua prima, o marido e seus filhos.
— Você não pode recusar. Ela preparou isso tudo porque você está aqui. — Ela falou cochichando em meu ouvido.
— Você tá de sacanagem? — Eu respondo.
— Não. Nunca falei tão sério.
— Eu já tô indo embora... Não precisava de tudo isso. — Falei sem jeito.
— Você é convidada. Não pode ir sem comer. — A tia me senta numa cadeira e já vai me servindo café. A prima pega um pedaço de pão de coco, e passa manteiga. E me serve.
Monalisa se senta ao lado e assiste a tudo com um sorriso vitorioso no rosto. Então tudo era de caso pensado? Eu me rendo. Tomo o café junto daquela família bem simpática. Mas sabendo que eu nunca mais os veria.
— Agora eu posso ir? — Tínhamos voltado ao quarto.
— Tem certeza? — Ela fazia biquinho.
— Tenho. Eu nem sei que horas são... — Olhei no relógio, já eram 14h:30. — Caralho, já é tudo isso?!
— Pra mim está cedo ainda. Mas entendo, deve ter alguma garota te esperando.
— Na verdade não tem. Mas realmente eu tenho que ir.
Ativo o meu 4g, e várias mensagens no whatsapp chegando de uma vez. Minha mãe como sempre exagerada, achando que tinha acontecido algo. Mas a culpa é minha. Gosto de sair às 4h da manhã para poder chegar em casa antes que meus pais acordem. Não gosto de preocupá-los.
Ela me acompanha até o ponto de ônibus, e logo subo. Deu tempo apenas de dar um curto selinho. E eu nem disse "Tchau".
Depois de mais ou menos uma hora e meia, chego em casa. Então recebo uma mensagem de alguém que eu jurava nunca mais saber notícias...
"Eu estou em fortaleza... Aconteceu uma coisa muito chata. Você pode vir me encontrar na rodoviária?"
Notas finais
É isso, e até o próximo capítulo!
Beijos da Ny.
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