O Reencontro

3 Capítulo 3


Mimi Tachikawa estava sentada em um banco no parquinho aonde sempre ia quando queria pensar. Tai, que estava indo pegar comida em sua casa já estava atrasado pelo menos em 10 minutos, o que a deixava preocupada.

- Está escuro, onde está o Tai?

Ela então se levanta e olha ao redor. Uma sombra estava vindo em sua direção. Uma silhueta masculina magra e mais ou menos de sua altura. Mimi deu um grito e empunhou sua bolsa de couro.

- Mimi, sou eu...

Antes de abrir a boca para perguntar quem era ela reconheceu a voz. E neste momento seu coração palpitou mais forte.

- I... Izzy? – Mimi parou de andar para trás e deixou que aquela silhueta se aproximasse. Era Izzy, que parou a pouco menos de meio metro dela. Estava com o rosto levemente corado e a voz trêmula ao dizer as palavras

- Quanto tempo

- Pois é, são dois anos já, e parece que foi ontem que voltamos do Digimundo.

Izzumi fazia o maior esforço do mundo para olhar nos olhos de Mimi, que ficava de cabeça baixa por não conseguir fazer o mesmo. Ficaram assim por apenas alguns minutos, o que pareceu horas e até dias para os dois. Mimi não entendia porque seu corpo e suas reações eram aquelas, pois sempre conseguiu se expressar espontaneamente para aquele garoto. Izzy estava com as mãos suadas de tanto apertar os punhos, e sua cabeça maquinava loucamente procurando as palavras certas a dizer.

- Ah... Como foi de viagem?

- Foi calma, sem turbulências, agora perdi o medo de voar.

A conversa estava tensa, nenhum dos dois mudava a sua postura. Izzy estava quase desistindo de sua investida quando pensou em sua conversa com Tai e como o amigo se ofereceu para ajudar. Aquele era o momento e talvez não existisse outro. Ele então estufou o peito e tentou uma conversa normal:

- Morar nos Estados Unidos deve ser legal. Conhecer novas pessoas, um ambiente totalmente diferente, a tecnologia...

Mimi ao ouvir aquilo sentiu certo alívio. Olhou diretamente para os olhos do menino e sentiu alegria. Uma alegria inesperada.

- Ah, sim, é muito bom. No começo é difícil porque eu me enrolava demais com o alfabeto e as pronúncias diferentes, mais meus novos amigos me ajudaram bastante.

- Novos amigos?

- Sim, não são melhores que vocês, mais quebram um galho – Disse com bom humor. Os dois riram. Naquele momento toda a timidez foi embora e foi como se os apertos no coração nunca tivessem existido. Conseguiram conversar minutos, ou talvez horas normalmente.

- Mimi, lembra quando recém fomos para o Digimundo e a ilha se dividiu?

- Claro, foi assustador. Achei que ia ficar sozinha com a Palmon, mais aí nos encontramos!

- Sim, e eu queria te pedir desculpas.

- Desculpas? Pelo que?

- Você estava com medo e queria encontrar os outros, mais eu fui egoísta e te tratei mal. Se não fosse por mim você não teria se perdido no labirinto.

- Não tem problema Izzy, você só queria descobrir o que estava acontecendo e isso precisava de concentração – Mimi sem pensar pega as duas mãos de Izzy – Está desculpado!

Izzumi leva um susto com tal reação e anda uns passos para trás, ficando coberto pelas sombras da noite.

- Mimi

- Sim?

- Feliz Aniversário – O garoto pegou uma sacola e entregou a ela. Seu rosto, mesmo no escuro estava notavelmente vermelho. Mimi abriu o embrulho. Era o colar de coração.

- Nossa Izzy... É muito lindo, lindo mesmo!

Ele então tomou o colar em suas mãos e quando Mimi se virou para que ele fosse colocar, sentiu o seu perfume como um veneno irresistível. Domado pelo cheiro, falou irracionalmente:

- Ele também tem um significado... – Neste momento, Mimi Tachikawa se virou novamente e falou:

- Koushiro Izzumi, não precisa falar mais nada – E assim ele a envolveu em seus braços e a beijou de leve nos lábios. Nenhum dos dois soube dizer quanto tempo ficaram ali, parados, com os pés nas nuvens sentindo o amor do seu primeiro beijo.

- Izzy, eu nunca imaginei... Desde quando você...

- Desde sempre, mais só agora pude perceber isso como um sentimento de verdade. Estou tão feliz e aliviado!

- Eu também. Tinha algo que me incomodada, que não deixava olhar para os outros garotos, eu tentava compreender mais não conseguia!

E assim deram mais um beijo. Não demorou muito e decidiram ir até a casa de Matt. Sabiam que Tai não tinha ido buscar comida. Apenas tinha feito aquilo para juntar os dois. Por mais que tivessem vontade de sair pelo mundo gritando que estão apaixonados, resolveram guardar apenas para si. O sentimento inocente do primeiro amor que enchia de calor os seus corações. Todos os Digiescolhidos quiseram saber por onde os dois andaram, estavam desconfiados, e não foi Taichi, nem Izzy e nem Mimi que contaram o que aconteceu. Mais do jeito que estavam felizes, nem precisou.

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