O Recomeço
10 Capítulo Nove
Os últimos dias foram dedicados ao John, eles passaram juntos boa parte do tempo. As reuniões na Potere eram com altas doses de bom humor, horários de almoço só se fossem em diversos restaurantes, alguns jantares faziam parte do menu com toda certeza. Faziam amor quase todos os dias da semana, Elizabeth perdera a conta de todos os lugares em que eles fizeram nos últimos dias. Ela poderia estar considerando à ideia de seguir a vida com John melhor impossível. Aos poucos fora dando-se conta que ele era alguém muito confiável e que era um homem com um caráter invejável.
Seu celular não parava de tocar, mas John já estava em sua casa resolvendo algumas questões do trabalho; então deveria ser alguma outra emergência. De fato, não poderia ser Kimberly, elas ainda não estavam se falando desde o julgamento, só poderia ser Jennifer.
— Jennifer? Achei que você sabia que estamos resolvendo coisas do trabalho, está tudo bem? — Elizabeth disse, com um tom de preocupação.
— Elizabeth, por que não atendeu? É com a Jennifer mesmo — Mike disse, sua respiração estava ofegante.
Ela ajeitou-se na cama, suas mãos estavam trêmulas. Em sua cabeça passavam diversas coisas horripilantes. Se algo tivesse acontecido com Jennifer e ela tivesse demorado para atender? Elizabeth jamais se perdoaria. — O que houve?
— Ela está em trabalho de parto. Por favor, você pode vir para cá?
Elizabeth gritou até começar a sentir sua garganta doer.
— Elizabeth, eu estou assustado. Não faça isso — Mike choramingou.
— Eu estou indo — ela pulou da cama, saltitante —, agora.
Elizabeth tentou explicar tudo para John entre lágrimas e sorrisos, afinal, seus afilhados iriam nascer. Ela estava em êxtase, não conseguia parar quieta por nem um raro segundo.
Mike havia passado o endereço para Elizabeth por mensagem, explicado como fazia para chegar ao hospital. Entre alguns erros de digitação pelo nervosismo, ela conseguiu entender tudo que ele havia escrito na mensagem. Ele não era muito bom para controlar o seu nervosismo quando tratava-se dos seus filhos, mas dava para entender, ele era pai de primeira viagem.
Elizabeth pensou se deveria ligar para Kimberly, ela também era amiga de Jennifer, depois acreditou que Mike com certeza lembrou de fazer isso apesar de todo o nervosismo. Teria sido divertido se Kimberly estivesse com Elizabeth e John no carro indo para o hospital, ela só pensava nisso.
A chuva castigou os dois durante o caminho, estava muito forte naquela tarde, e o céu estava bem escuro ao norte de Verona. Elizabeth só teve tempo de vestir um moletom preto, coisa simples, não teve tempo de pensar em algo mais sofisticado para um hospital. Pra quê perder tempo com isso? Lembrou das vezes que Jennifer comentara o medo que sentia da hora do parto, ela optou pelo normal; ela acreditava que era melhor sentir dor apenas naquela hora, porque um iria sair dando espaço para o outro, depois do segundo a dor passaria e seria somente alegria. Naqueles relapsos momentos, Elizabeth lembrou-se de seu filho que nem chegou a conhecer. Teria amado ser mãe, apreciado até mesmo os momentos que seu filho choraria pedindo por seu colo, os momentos que precisaria agir como uma mãe leoa. Seus olhos ficaram marejados com memórias que nem chegou a apreciar, abraçou suas pernas na esperança daquela vontade de chorar apenas passar.
John desviou seu olhar brevemente para Elizabeth enquanto estava dirigindo. Ele entendeu por um momento aquilo, achou que seria melhor deixá-la com seus pensamentos, ela o teria para conversar caso quisesse, sabia disso.
Elizabeth tentou manter a calma enquanto procurava por Mike e pelo quarto. Ele, por um outro lado, estava no corredor, pálido. Parecia que iria desmaiar a qualquer instante, realmente não estava em seu melhor momento. Elizabeth não sabia dizer se aquilo significava emoção, medo, felicidade ou angústia.
Ela aproximou-se de Mike, abraçando o amigo suavemente. — Você está bem, Mike? Parece que vai desmaiar.
— E-ela... ela está estranha, Elizabeth — ele gaguejou. — Eu não consigo ver sangue, eu vou vomitar — Mike jogou o peso do corpo em cima de Elizabeth.
Ela ficou boquiaberta com a situação, tentou controlar sua risada. — Eu acho que vou ir ficar com ela, e o John vai ficar com você.
Elizabeth transferiu o corpo de Mike para os braços de John, ele forçou um sorriso para ela. — Claro, eu cuido — John disse, fingindo entusiasmo.
— Diga para ela que eu a amo, isso é patológico. Eu sei disso, diga — Mike disse, assustado.
— Eu digo, eu juro que digo — ela disse, entrando no quarto.
Jennifer estava respirando fundo, seu corpo estava muito suado. Elizabeth aproximou-se da amiga aos poucos, mas ela ainda não havia notado sua presença no quarto. Havia apenas uma enfermeira, que acolheu-a com um belo sorriso, seu rosto era muito simpático ao todo; tudo que Jennifer estava precisando naquele momento e, na realidade, ela parecia estar muito assustada.
— Tarde difícil? — Elizabeth disse, passando a mão sobre a testa da amiga.
Seus olhos estavam marejados, Elizabeth conseguiu notar quando Jennifer olhou para cima. Ela suspirou profundamente, acenando positivamente com a cabeça. — Tarde difícil, contrações o tempo inteiro — Jennifer disse, fechando seus olhos e fazendo uma cara de dor, soltou um grito ao longo disso.
— Qual é o problema, mamãe? Meus afilhados querem vir ao mundo — ela disse, sorrindo. — Você é corajosa, então seja agora.
Jennifer respirou fundo por trinta segundo sem parar, desviando o olhar para o teto. — Eu não me sinto nesse momento.
Elizabeth franziu a testa, suspirando profundamente ao ouvir aquilo. — Jennifer, você é muito corajosa. Você vai conseguir, meus afilhados querem conhecer o mundo. Eles estão prestes a ganhar os melhores pais do mundo inteiro, vocês vão se sair bem.
Jennifer assentiu com a cabeça. A enfermeira sorriu para Elizabeth, como se estivesse lhe agradecendo por algo. Ao olhar para o crachá da enfermeira, Elizabeth viu que seu nome era Rebecca. Um belo nome, ela pensou. Apenas foi o tempo da enfermeira apertar um pequeno botão vermelho para a médica entrar novamente no quarto esbanjando toda sua simpatia e alegria pela futura mamãe.
— Por Deus, Elizabeth, ela é feliz demais para mim — Jennifer murmurou, entre os dentes.
Elizabeth riu, rolando os olhos. — Acredite, você vai superar isso.
Mais contrações terríveis. Jennifer estava pronta para fazer força, para colocar os seus filhos no mundo finalmente. Gritava com tanta força que sentia sua garganta arder fortemente. Elizabeth retirou sua mão de perto dela, não seria boba de deixar ali para sentir seus ossos sendo quebrados.
Jennifer apertava o colchão fortemente, afundava suas unhas sem esforço algum. Sentia raiva em como Mike estava sendo frouxo, ao menos nesse momento era dessa forma que ela estava pensando, que ele estava sendo muito frouxo no nascimento dos próprios filhos. Pobre Mike, só estava amedrontado.
Na medida em que o tempo passava, Jennifer sentia o corpo amolecendo cada vez mais, então imaginava em relapsos momentos que seus filhos lhe dariam muito trabalho, já estavam dando para sair. Tentava acalmar-se toda vez que sentia a mão de Elizabeth sobre sua testa, mas não era o suficiente. Aquela dor insuportável estava revirando seus pensamentos a ponto de não conseguir pensar em absolutamente mais nada.
Ouviu o som do choro de seu primeiro filho. Era realmente muito lindo.
Fechou os olhos para apreciar aquilo, mas não teve muito tempo ao certo. Novamente já estava sentindo toda aquela dor, moderadamente agora. Suas pernas estavam tão moles que pareciam que iriam desmanchar por ali mesmo. Pensou que estivesse morrendo naquele momento, era a morte. Ela estava se tornando mãe, mas pensava nisso? Era mórbido.
Esse não deu tanto trabalho. Acabara de ouvir o choro de segundo filho. Os dois finalmente nasceram, Jennifer era oficialmente uma mãe. Sentiu-se aliviada, seu corpo relaxou em segundos. Foi instantâneo. Lágrimas rolaram de seus olhos, um sorriso invadiu os seus lábios. Era o sorriso da vida, da vida dos seus filhos.
— Parabéns, mamãe — Elizabeth disse, dando um beijo na testa de Jennifer.
Ela não conseguia proferir palavra alguma, só estava sentindo muito alívio. Alívio por tudo ter dado certo, por não estar mais sentindo dor. Era verdade quando diziam que a dor passava no mesmo instante, mas durante era infernal. Apesar de ser algo tão bom, Jennifer bem sabia que não queria nunca mais passar por aquilo.
Os bebês nasceram saudáveis. Saudáveis e com pesos excelentes. Mike já estava dentro do quarto admirando seus dois filhos, Kimberly estava do outro lado do quarto sorrindo para os dois bebês, mas não tinha falado com Elizabeth. Ela pensou que tudo bem, faria o jogo de Kimberly, nesse caso.
— Já sabem os nomes? — Elizabeth perguntou, segurando sua afilhada que dormia calmamente em seu colo.
Jennifer assentiu, sorrindo. — Sim, nós escolhemos há um tempo.
— Qual é? — Kimberly disse, paparicando o menino.
— A pequena se chamará Valentina em homenagem a minha madrinha — Jennifer disse, olhando para Elizabeth, referindo-se a mãe falecida dela. — E o pequeno se chamará George em homenagem ao nosso George.
Os olhos de Elizabeth ficaram marejados com tudo aquilo, olhou para a pequena Valentina em seu colo. — Oi, Valentina — ela disse, sorrindo. — Você recebeu um nome muito lindo, sabia? E acredito que você ganhou um anjo da guarda mais lindo ainda. Serei a melhor madrinha do mundo inteiro para você e para o George. Eu prometo.
John aproximou-se por trás de Elizabeth, sorriu ao observar como Valentina era linda. — Não precisa prometer, você vai cumprir.
— Eles são tão lindos, Phill — ela sussurrou, não queria acordar Valentina.
Ele assentiu. — Você quer ser mãe? Digo, depois de tudo aquilo.
John estava caminhando por terras desconhecidas ao perguntar aquilo, mas ele era daquele jeito. Ele perguntava todas as coisas que queria saber, não tinha como mudar.
Elizabeth balançou sua cabeça, pensativa. — Eu não sei — ela suspirou profundamente. — Depois daquele aborto espontâneo, prefiro me contentar sendo madrinha.
Ele balançou a cabeça, parecendo concordar com a decisão que ela havia tomado. — Sinto muito por isso.
— Tudo bem. A minha vez passou, mas agora vamos apreciar como os meus afilhados são lindos — ela disse, apreciando a beleza daqueles pequenos bebês.
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