O Recomeço.
3 Desespero
Notas iniciais
Santuário – Casa de Gêmeos.
Após se alimentar e descansar, Seiya procurou silenciosamente o cosmo de Saga, encontrando-o tranqüilo em sua sala. Caminhou lentamente até o local.
– Ah! Olá Seiya... Descansou bem?
– Olá, Saga... – ele desviou o olhar ao responder – Um pouco. Eu...
– Venha, vamos conversar em outro lugar mais tranqüilo. Pensei em chamar o Aioria para nos acompanhar. O que acha?
Inesperadamente, Seiya levanta o rosto e em seus olhos surgem um brilho de felicidade. Aioria era como seu segundo pai. Ele e o leonino adoravam passar momentos divertidos na infância de Pégaso enquanto aprendiz.
– Claro! Adoraria revê-lo!
Ambos saíram conversando de Gêmeos rumo à Leão. Saga sorrindo quando Seiya se distraia em algum assunto. Mas seu coração estava apertado, temia que a reação do menor fosse algo extremo.
Ao chegarem em Leão, Saga chamou o guardião do quinto templo e segundos depois o mesmo apareceu. Seiya havia se escondido para fazer uma surpresa. Assim que Aioria se aproximou, Pégaso pulou em suas costas gritando.
– Ora, ora! Olha quem temos aqui!!! – o leonino riu, tirando o menor de suas costas e o abraçando. – Quanto tempo, meu amigo!
Seiya corou e sorriu.
– Pois é... – ele coçou os cabelos na nuca.
– Vamos? Temos muito que conversar... – os três desceram pelo caminho em silêncio.
Na Arena...
Ao chegarem, procuraram um lugar com sombras e se sentaram na grama, formando um semicírculo no meio de um aglomerado de árvores ali por perto.
– Seiya, nós sabemos por que voltou. – começou Aioria, quebrando o silêncio e olhando-o fixamente. – Já sabíamos que viriam.
Seiya sentiu os olhos marejarem no mesmo instante. Aquele lugar... mais do que nunca. Ali, a primeira jura de amor foi trocada, o primeiro beijo...
– Por quê? Não consigo entender o motivo disso... Se ela não queria mais nada... Se eu não estava certo, ela podia ter me dito não é? Eu poderia mudar onde estivesse errando e...
– Seiya... – Saga o interrompeu de olhos fechados, os abrindo em seguida. – Muitas coisas mudaram. Não só aqui como no Olimpo também... – o geminiano engoliu em seco. Quase revelara o segredo que todos mantinham. Em uma rápida troca de olhares com Aioria, percebeu que ainda não era hora. O impacto de tal notícia poderia ser mal recebida, e todos sabiam que Seiya muitas vezes se descontrolava em suas reações.
Pégaso estava com o olhar perdido, sua mente revivendo cada passo, cada palavra e cada jura de amor que tivera com Saori. Sim, a dor era insuportável, mas ele era um Cavaleiro acima de tudo.
Por mais doloroso que fosse, sabia que deveria suportar em segredo. E algo em seu interior dizia que algo estava errado com a Deusa que protegia.
– Por favor, me digam a verdade... – Seiya se pronunciou sério, com a voz rouca e grave. Nem Saga nem Aioria reconheceram o sempre brincalhão Pégaso. – O que está havendo? Sinto que muitos sabem e escondem algo de mim... Se for isso, quero a verdade agora.
Gêmeos e Leão se entreolharam e baixaram a face ao mesmo tempo, pesarosos. Então Aioria tomou a frente, respirou fundo e disse:
– Athena foi chamada de volta ao Olimpo, Seiya. E agora Zeus está com o controle total. Não sabemos ainda onde a jovem Saori foi deixada então o que nos resta por enquanto é esperar...
– Seiya, não sei o que tem em mente mas, saiba que nós e todos os outros deste Santuário estão dispostos a... Seiya!
Pégaso levantou-se interrompendo o amigo e começou a caminhar rumo ao lago perto da Arena. Todos sabiam que em certo ponto o lago era seguro, mas depois começava a aprofundar-se e se tornar mortal. Saga olhando-o ficou apreensivo. Não sabia até onde o garoto queria ir. Seiya foi caminhando com o olhar perdido, entrando aos poucos no lago. Em poucos passos, a água já lhe alcançava a cintura. De olhos fechados, parou um instante.
“Não vou viver sem você, Saori. Prefiro que a morte me acolha. Prefiro desistir de tudo, já que não tenho você ao meu lado...” – pensou ele, soltando o ar. Deu mais alguns passos e segurou o fôlego, até que ficou totalmente submerso.
Ele abriu os olhos virou o rosto em direção à claridade da superfície. O ar já lhe faltava e a garganta ardia. Já tonto, pensou ter ouvido o chamado de Saori e soltando o que restava de ar nos pulmões fechou os olhos...
Enquanto isso o som de passos em corrida se fazia presente à margem do lago, e em seguida o som de água se agitando. Ela mergulhou desesperada ao sentir o cosmo dele diminuir rapidamente. Subindo para retomar mais fôlego, olhou em volta e viu um borrão vermelho no fundo. Como uma flecha, voltou a mergulhar e alcançou-o, puxando rumo à superfície.
– Anda... Abre esses olhos... – ela o chacoalhava, deitando o rosto em seu peito e ficando ainda mais desesperada por não ouvir o coração batendo. – Anda, acorda! Não vou... perder... você...
Ela começou a pressionar o peito de Seiya, vendo os lábios e a área ao redor dos olhos se arroxearem vagarosamente.
– Não, não, não, não, NÃO!!! – gritou ela. – VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR!!! – ela começou a bater no peito dele insistentemente por minutos. Chorando, estava quase desistindo quando Seiya reage, cuspindo água e tremendo. – SEU IDIOTA!!! – ela bate mais uma vez no peito dele, chorando ainda mais.
– Ma-Marin... – ele abre os olhos vagarosamente, enquanto ela observa Saga, Aioria e os amigos de Seiya se aproximando rapidamente. – O... o que houve...? – ele estremeceu, fazendo força para manter-se consciente.
– Você andou até aqui, moleque... – disse Máscara da Morte, que vinha logo atrás com os outros dez Cavaleiros de Ouro. – Deve ter desmaiado sob a água...
Todos o olharam apreensivos, enquanto ele lutava contra a vontade de se entregar à inconsciência. Aos poucos, as vozes foram ficando mais distantes e seu corpo parecia mais leve, assim como sua mente. Perdeu a consciência segundos depois.
Saga tomou a frente e o pegou nos braços, voltando ao Santuário rumo à Casa de Sagitário.
Horas depois...
Seiya desperta com a boca seca e com a pele levemente quente, sinal de que estava febril. Olha para o lado e esboça um sorriso ao ver sua mestra sentada do seu lado.
– Marin... – ele tosse, sentindo os olhos arderem.
– Seiya... – Marin se preocupa ao ver que os olhos de seu pupilo estão vermelhos como seu rosto. – Como se sente...?
Ele tenta formular alguma frase, mas apenas lágrimas caem de seus olhos. Lágrimas de dor, de abandono. Seiya fecha os olhos e vira o rosto, escondendo sua tristeza de sua mestra. Marin agradece mentalmente aos Deuses por ainda usar sua máscara, não deixando assim que seu rosto desanimado ficasse à mostra.
Ela saiu do quarto e logo foi abordada por Aioria.
– Marin, como ele está?
Ela suspira antes de responder.
– Com febre. Emocional, creio. Conhecemos bem o Seiya e como eu você bem sabe que ele nunca ficou assim, a não ser quando Seika resolveu aparecer uma vez para sumir em seguida... Lembra?
– Sim eu me lembro desse dia... Ele ficou mal por horas, mas logo melhorou.
– Sim... – Marin olhou para o horizonte pensativa, e Aioria compreendeu, a deixando sozinha.
Enquanto isso, Saga entrou no quarto e encontrou um Seiya depressivo, de olhar vazio e lágrimas a lhe molhar o rosto.
– Seiya...
– Ela se foi... – o menor respondeu com a voz sussurrante. -... Me deixou para nunca mais voltar...
– Infelizmente parece que sim, meu caro...
Pégaso virou-se de costas para o geminiano, fitando a parede e deixando que suas lágrimas lavassem seu rosto. Saga levantou-se o deixando sozinho e segundos depois, Seiya chorou copiosamente e em silêncio. Mal sabia ele o que viria pela frente.
Continua...
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