Notas iniciais
Que milagre! Consegui postar dois capítulos em uma semana! Esse capítulo é bem emocionante e foi bem divertido de escrever, espero que gostem :)

“Potter, sei que você não quer saber de mim e em nenhuma outra circunstância eu estaria lhe escrevendo essa carta, mas a situação é urgente. Não sei se você já foi informado, mas semana que vem você e outros membros da Ordem irão testemunhar no meu julgamento e no de meus pais. Não peço que você me ajude, pois sei tudo o que eu fiz de errado e não busco seu perdão. Muito menos peço que ajude o meu pai, que não merece ajuda nenhuma. Entretanto, eu imploro que você testemunhe de maneira favorável à minha mãe. Ele nunca acreditou de verdade em tudo aquilo que o Lorde das Trevas pregava, foi levada por sua família, meu pai e, principalmente, pelo medo. Além disso tudo, ela salvou sua vida. Lembre-se disso. Por favor, não deixe que ela viva o resto de seus dias em Azkaban. Ela não merece. Eu imploro.”

Ao terminar de ler a carta que Malfoy o enviara direto de Azkaban em voz alta para toda família, Harry não conseguia reagir. Não acreditava no que havia acabado de ler: Draco Malfoy implorando por sua ajuda.

— Mas é muita cara de pau! — indignou-se Ron. — Depois de tudo o que esse desgraçado fez com a gente todos esses anos, agora quer ajuda!

— Eu sei, Ron — disse Gina. — Mas pelo menos não é pra ele, o cara só quer ajudar a mãe. Dá pra entender.

— Com assim entender? — respondeu Ron, com o rosto vermelho. — Aquela mulher é só mais uma Comensal da Morte! Vocês não lembram o jeito que ela nos tratava? A nossa família? Que morra em Azkaban.

— Quando ela salvou sua vida, Harry? — perguntou a Sra. Weasley, intrigada.

— Quando eu “morri” — disse Harry, causando um calafrio na Sra. Weasley e em Gina — ela foi escolhida pra checar meu corpo. Viu que eu estava vivo, mas mentiu. Disse pro Voldemort que eu tava morto.

— Não parece uma Comensal da Morte muito convicta — falou Hermione, com medo da reação do namorado. — O que você vai fazer, Harry?

— Não sei. Nem sabia que a gente ia ter que testemunhar — respondeu Harry, confuso.

— Sabia que aconteceria mais cedo ou mais tarde — disse o Sr. Weasley. — O Ministério não costuma manter muitas pessoas em Azkaban sem julgamento.

— Ótimo! Vamos mandá-los pra lá de vez então — disse Ron, ainda irritado.

A partir daí, ninguém mais falou nada sobre o assunto e eles almoçaram em silêncio. Harry entendia seu melhor amigo. Sua família passou anos sendo humilhada pelos Malfoy simplesmente por sua questão financeira. Era algo pessoal e não adiantava muito discutir. No entanto, Harry não tinha muito certeza se os outros Weasley concordavam com Ron. Arthur parecia em dúvida. Era óbvio que odiava Lúcio Malfoy e queria mandá-lo de volta para Azkaban, mas não devia ter tanta convicção em relação a Narcisa e Draco. Molly e Gina não demonstraram nada.

Os dias se passaram até que várias corujas chegaram trazendo cartas do Ministério convocando todos os membros da família para diversos julgamentos diferentes. Arthur e Molly teriam que testemunhar nos julgamentos de alguns Comensais da Morte que trabalhavam no Ministério, incluindo Lúcio. Jorge testemunharia no de saqueadores que viviam pelo Beco Diagonal. Gina no dos irmãos Carrow, que infernizaram sua vida e a de tantos estudantes durante quase um ano. Já Harry, Ron e Hermione teriam que comparecer a uma quantidade gigantesca de julgamentos de Comensais da Morte, saqueadores e outros funcionários do Ministério, incluindo os Malfoy e Dolores Umbridge. Tudo aconteceria em apenas um dia.

— Vai ser divertido hein — comentou Ron, desanimado, em seu quarto com Harry. — Passar um dia inteiro no Ministério tendo que encarar aqueles merdas todos.

— Pelo menos vai acabar depois disso. Vamos fazer justiça — respondeu Harry, decidido.

— E você já sabe o que vai fazer em relação aos Malfoy?

— Ainda não.

— Cara, preciso falar com você em relação a isso. Não quero que você se sinta pressionado a fazer nada por minha causa. Eu realmente odeio eles e quero que vão pra Azkaban, mas entendo se você aliviar pra Narcisa. Ela salvou você. Eu já sei o que vou dizer no julgamento, mas não vou ficar irritado se a sua opinião for diferente.

— Obrigado, Ron.

Contudo, Harry continuava indeciso. Claro que era ótimo saber que Ron não o mataria se ele falasse coisas boas sobre a mãe de Malfoy, mas ele ainda não tinha certeza se ela merecia. Era um sentimento estranho esse de considerar perdoar um Malfoy. Inclusive, Harry começou a pensar que mais de um membro daquela família merecesse outra chance, o que era um pensamento mais confuso ainda.

O dia dos julgamentos chegou e logo cedo toda a família se dirigiu para o Ministério através de uma Rede de Flu instalada especialmente para aquela ocasião. Eles apareceram em uma sala enorme no Departamento dos Mistérios cheia de sofás, cadeiras, mesas e poltronas. Era uma sala de espera para os julgamentos. Eles foram os primeiros a chegar. Aos poucos outros membros da Ordem da Fênix, da Armada de Dumbledore, funcionários e alunos de Hogwarts também apareceram. Luna, Neville, Dino, Simas, Cho Chang, Hagrid, McGonagall, Sprout, Slughorn, Hagrid, Gui, Fleur, Percy, Carlinhos... Enfim, muitos rostos conhecidos. Parecia uma festa de reencontro. Todos se abraçaram e colocaram as conversas em dia. Hagrid veio ao encontro de Harry, Ron e Hermione e deu um grande abraço de quebrar as costelas nos três.

— Que bom ver vocês! — disse o meio-gigante, com lágrimas nos olhos. — Já estava com saudade. Muito bom ver vocês felizes. Meu Trio de Ouro!

— Bom te ver também, Hagrid! — respondeu Harry, sorrindo. — Só não nos chame de Trio de Ouro, por favor. Não quero que esse apelido pegue.

— Ah já era! O mundo inteiro já chama vocês assim — falou Hagrid, rindo de Harry.

— Eu gostei do nome — disse Ron, orgulhoso.

— E você, Hagrid? Tá bem? Qualquer dia temos que tomar um chá juntos — disse Hermione, que também sorria igual boba.

— Ah eu estou ótimo. Canino e Grope também. Mas quero saber de vocês. Ouvi dizer que teremos dois novos aurores então. Além disso, pelo o que Arthur me disse tá todo mundo namorando! Já era hora, principalmente vocês dois — disse Hagrid, olhando para Ron e Hermione.

O casal ficou muito corado, mas antes que pudessem responder Hagrid foi puxado por Carlinhos, que queria falar sobre alguma nova espécie de dragão. Nesse momento, Gina apareceu acompanhada de Neville e Luna. Todos se abraçaram e eles começaram a conversar.

— Gente, vocês têm que ouvir as notícias de Neville e Luna! — disse Gina, animada.

— Eu consegui um estágio pra estudar Herbologia durante um ano na França! — exclamou Neville, claramente empolgado.

— Que legal, cara! É o seu sonho. Capaz de só voltar pra Hogwarts como professor — respondeu Harry, alegre pelo amigo.

— E eu vou passar um ano procurando narguilês, minotauros e nasabés com meu pai! Depois de terminar Hogwarts, claro — disse Luna, com aquele sorriso vago de sempre.

— Luna, essas criaturas n... — começou a dizer Hermione — Na verdade parece interessante. Espero que você encontre. Com certeza vai ser divertido!

Assim, Harry, Ron, Hermione e Gina conversaram com quase todos os presentes por mais ou menos 45 minutos. Era ótimo ver todas aquelas pessoas que eles gostavam tanto em um ambiente mais feliz e sem todo aquele peso do luto de Hogwarts ou dos enterros. Tudo correu tranquilamente, exceto quando Cho Chang resolveu abraçar Harry e Gina a fuzilou com um olhar assustador. De resto aquele momento serviu para aliviar a tensão antes dos julgamentos. Pouco a pouco as pessoas foram chamadas para vários julgamentos diferentes. Harry, Ron e Hermione eram os que mais sofriam. Mal tinham um pequeno intervalo antes de terem que voltar para testemunharem sobre os crimes de algum Comensal da Morte. O julgamento favorito de Harry foi o de Dolores Umbridge, onde ele pode ver aquela mulher horrível sentada no meio do salão chorando e pedindo perdão para os jurados. Ele contou todos os seus crimes e inclusive mostrou a sua cicatriz na mão da tortura que sofreu, o que chocou os presentes. Ela foi condenada a passar o resto da vida em Azkaban, por crimes contra nascidos-trouxas e diversas outras crueldades.

O julgamento dos Malfoy foi o último e aconteceu só no período da noite, quando todos já estavam exaustos. Muitos dos amigos de Harry já haviam até encerrado seus testemunhos e ido para casa. O julgamento começou como sempre. Lúcio, Narcisa e Draco estavam sentados no meio do salão e tinham uma aparência terrível. O juiz leu as acusações e as testemunhas começaram a falar. Arthur Weasley contou tudo o que sabia sobre Lúcio Malfoy, apontando diversos crimes e o deixando completamente desmoralizado. Harry nunca havia visto Arthur falando com tanta raiva. Entretanto, ele não disse praticamente nada sobre Draco e Narcisa. Hermione continuou no mesmo tom. Ron extravasou completamente, não escondendo nenhum detalhe do que sabia e, muitas vezes, gritando. Finalmente, chegou a vez de Harry, que havia tomado uma decisão e queria acabar logo com tudo.

— Sobre Lúcio Malfoy, não tenho nada bom a dizer, nem nada muito novo. Confirmo tudo o que o Sr. Weasley, Ron e Hermione falaram. Ele sempre esteve ao lado de Voldemort e fez de tudo para ajudá-lo. Acredito que mereça passar o resto de seus dias em Azkaban. Em relação a Narcisa, acho que deva receber um tratamento diferente. Ela também era uma Comensal da Morte e com certeza cometeu muitos erros, mas se não fosse por ela, nós não estaríamos aqui. No final da batalha, ela me salvou. Mentiu para Lorde Voldemort, dizendo que eu estava morto, quando sabia que eu estava vivo. Sim, ela mudou de lado no final, mas foi decisiva. Além disso, não é uma bruxa perigosa. Claro que nada disso corrige seus erros, mas é um começo.

Houve burburinhos de concordância entre os jurados. Harry não achou que seria tão fácil. Era como se, com o seu novo status de salvador da humanidade, a influência de Harry tivesse aumentado em 100%. Ele não estava nada acostumado com adultos acreditando nele. Draco olhou para Harry agradecido.

— E em relação à Draco Malfoy, Sr. Potter? — perguntou o juiz.

— Também não acho que Draco mereça uma punição severa — disse Harry, deixando todos os presentes, especialmente Ron e Hermione, surpresos. — Claro que ele sempre foi um supremacista de sangue-puro e se juntou a Voldemort com apenas 16 anos, mas ele é um produto de seus pais, especialmente de Lúcio. Ele não teve escolha. Não me entendam mal, eu não tenho nenhuma simpatia por ele. Entretanto, nos momentos decisivos, Draco Malfoy mostrou que não é uma pessoa totalmente ruim ou irrecuperável. Ele esteve frente a frente com Dumbledore desarmado e não conseguiu matá-lo. Quando nós fomos capturados em sua mansão, ele sabia que éramos eu, Ron e Hermione, mas se negou a confirmar. Teve a chance de me matar em Hogwarts de novo e hesitou. Essas atitudes não são características de um Comensal da Morte muito convicto.

Ao terminar, Harry deixou todos sem palavras. Sentou-se ao lado de Ron e Hermione. Surpreendentemente, os dois não estavam irritados, inclusive sorriram para ele, o que foi mais um alívio. Eles não concordavam 100%, mas entenderam o raciocínio. Se Harry Potter, o inimigo número 1 de Malfoy, conseguiu mostrar piedade, eles teriam que tentar também. Depois de mais 30 minutos o julgamento acabou. Lúcio Malfoy foi condenada à prisão perpétua em Azkaban, já Narcisa e Draco seriam libertados, embora ainda tivessem que cumprir muitos serviços para o Ministério como punição.

Finalmente Harry, Ron, Hermione e o resto da família estavam livres para voltar para casa. Ficaram o dia inteiro de julgamento em julgamento e só queriam dormir. Eles estavam quase entrando na Rede de Flu na sala de espera quando Draco Malfoy apareceu e se dirigiu timidamente até Harry.

— Eu só queria agradecer, Potter. Se não fosse você as coisas teriam sido muito piores — disse Draco, visivelmente abalado. — Principalmente pela minha mãe. Quanto a mim, não tenho certeza se mereço, mas obrigado.

— Também não tenho certeza, Malfoy. Então aproveita a chance e tenta ser alguém melhor. Mas jamais me confunda com um amigo. Eu te ajudei por pena e nada mais. E eu juro que se você se meter em artes das trevas de novo ou tentar machucar qualquer pessoa que eu amo, dessa vez eu te mato — respondeu Harry, de uma maneira tão fria que surpreendeu até a família Weasley e Hermione.

Então ele virou as costas e voltou para a Toca com os outros.